Pesquisar este blog

setembro 23, 2020

O que pode haver por trás de um simples presente.

Muita gente vira a cara quando recebe pequenas lembranças Há quem simplesmente se recuse a recebê-las ou, quando as aceita, não dá a menor importância. Afinal de contas, aprendemos desde crianças a somente valorizar o que é grandioso pensando apenas em seu valor monetário. Esquecemos que, muitas vezes, o valor do presente está muito além da questão financeira.

Na verdade, é através desse costume aparentemente banal que Deus nos manda mensagens e de alguma forma testa nossa disposição para receber aquilo que queremos ou julgamos ter direito a receber. Ao negar ou receber com desdém algo simples e de pouco valor podemos estar demonstrando falta de humildade e fechando as portas para a chegada de tudo aquilo que tanto almejamos.

Mais do que isso, dar e receber são dois lados da mesma moeda; ninguém é rico demais que não possa receber, nem tão pobre que não possa doar. Todos estão no mesmo barco, apesar de todas as vantagens que acreditamos (e talvez não se possa negar, principalmente levados pelo nossa maneira rasa de ver a vida) que a riqueza tem sobre a pobreza.

Dar de presente algo como um carro e receber uma flor pode não ser tão desigual quanto parece. Tudo depende de quem dá e de quem recebe. Nesse momento o que vale é o que vai na alma de quem dá e de quem recebe. É nessa hora que fica claro qual a real posição de cada um: qual a necessidade de cada um dar ou receber,

O que cada um tem para dar e para receber não o torna melhor nem pior que ninguém. Pelo contrário, torna todos iguais. O dar não existe sem o receber, assim como não faz caridade apenas aquele que doa, o que recebe também faz caridade, pois uma coisa não acontece sem a outra. O necessitado ao receber permite ao abastado cumprir seu papel e vice-versa, ou seja, a vida é uma via de  mão dupla.

setembro 19, 2020

O verdadeiro golpe

Aluísio não nasceu em berço de ouro. Muito pelo contrário, teve um infância cheia de privações. Tão  logo chegou à adolescência percebeu que precisaria fazer alguma coisa para mudar seu destino, pois não pretendia viver para sempre mergulhado na miséria e na indigência.

No entanto, engana-se quem pensou que ele seguiu aquele velho conselho que aponta a educação como única forma que uma pessoa tem para sair da pobreza e galgar patamares mais altos da sociedade, de maneira sustentável e duradoura; para ele, esse caminho podia até ser eficaz, mas era muito demorado, demandava muito esforço. Exatamente o oposto daquilo que ele procurava, uma vez que tinha pressa; muita pressa.

A desnutrição da infância e pré-adolescência não impediu que se tornasse um rapaz de boa estatura e notável aparência. Então, ele percebeu que poderia lançar mão desses atributos para sair da pobreza. Dessa maneira,  não foi difícil se aproximar de "pessoas interessantes". Em pouco tempo, ele estava colocando em prática seu plano de ascensão social. Muitas vezes esteve perto do que considerava "subir na vida" e pôde, ainda que por frações de segundos, se sentir distante de seu passado de privações.

Dizem por aí que quem nunca comeu melado quando come se lambuza; Aluísio sempre acabava cometendo pequenos delitos e perdia sua "galinha dos ovos de ouro". Algumas vezes, acabou preso e virou figurinha fácil nas delegacias e tribunais. Nem por isso desanimava; saía atrás de novas vítimas, sempre com o intuito de "se dar bem na vida". Um dia, ele, depois de mais uma detenção pelos crimes de sempre, ouviu o seguinte conselho de um delegado:

- Já deu pra entender que você não é o que se pode chamar de um marginal na verdadeira concepção da palavra. Não passa de um garoto querendo se dar bem usando a única arma que tem, ou seja, o corpo. Vê se toma juízo. Quer sombra e água fresca? Está bem. Ninguém pode te recriminar por isso. Mas tenta se colar em alguém. Para com esse negócio de dar pequenos golpes. Você não é do ramo. Vai por mim. Fica com alguém, homem, mulher, o que seja. Não importa. Dá pelo um tempo antes de praticar seus golpes "pé de chinelo". Quem sabe você  vira um cidadão de respeito e para de tomar o meu tempo?

Aluísio saiu da delegacia levando consigo as palavras do delegado. O homem tinha razão; seus golpes eram sempre muito amadores; nunca davam certo. Quase sempre acabava passando a noite na cadeia por roubar uma joia sem valor, um celular que não conseguia usar ou vender, uma pequena quantia em dinheiro, um objeto sem serventia, enfim, nada que resolvesse sua vida. No outro dia estava na rua com fome, com o bolso e a barriga vazios. 

Na próxima vez que encontrou alguém que julgou poder lhe dar a vida boa que tanto queria, lembrou do conselho do delegado e reprimiu a vontade de aplicar seu costumeiro golpe. Resultado: está com a "pessoa" até hoje e nunca mais encontrou o delegado, pois não teve mais de passar a noite na cadeia.

P.S. - A "pessoa" o convenceu voltar a estudar e isso garantiu-lhe um emprego que o livra de ter de aplicar golpes em corações solitários para sobreviver.


setembro 05, 2020

Bem-vindo de volta, meu amigo!

Resultado de imagem para imagens de pessoas dizendo: bem vindo de volta, meu amigo.


Heleno nunca teve grandes ambições na vida, seu sonho sempre foi conseguir um emprego cujos ganhos lhe proporcionasse uma vida sem muitos atropelos. Algumas vezes esteve perto disso, pois a cada emprego lutava com unhas e dentes para não ser demitido. Por isso, não foram poucas as vezes que teve de engolir sapos, mas isso nunca o esmoreceu. Pelo contrário, encarava tudo como "parte do jogo", uma vez que sua vida nunca foi um mar de rosas; nasceu numa casa pobre onde dividia o pão com muitos irmãos e ouvia os pais dizerem que devia se preparar para enfrentar as agruras do "mundo lá fora".

O tempo passou, alguns empregos vieram e se foram e nosso Heleno saía em busca de um novas colocações. Mais uma vez o sonho de que fosse aquela onde iria encontrar um patrão justo que lhe pagasse um salário que, pelo menos, desse para pagar as contas do mês tomava conta de seus pensamentos, pois já perdera a esperança de conseguir mais que isso: triste realidade que a maioria dos brasileiros enfrenta.

No entanto, o sonho se desfazia já nos primeiros dias de trabalho. Novamente, ele se via diante das mesmas exigências infundadas, as mesmas humilhações, o mesmo salário que mal dava para chegar à metade do mês, a mesma falta de oportunidade de crescer. Isso o fez pensar nos empregos pelos quais passou durante a vida, cerca de três ou quatro, numa espécie de balanço geral. 

A conclusão a que chegou o deixou espantado; embora tivesse trabalhado em empresas de perfis diferentes, teve a sensação de que sempre trabalhou para o mesmo patrão. Não só o mesmo patrão, mas os mesmos colegas, as mesmas situações, tudo praticamente igual. Estendendo um pouco mais, ele chegou à sua vida pessoal e viu que não era diferente: os amigos que iam e vinham pareciam ser sempre os mesmos, nos relacionamentos afetivos as situações se repetiam, com os problemas do dia a dia acontecia o mesmo 

No início, essa constatação o deixou desnorteado, pois sentiu-se vítima de uma grande armadilha do destino, uma maldade sem precedentes. Quer dizer que ele estava condenado a sempre encontrar as mesmas pessoas, a viver as mesmas situações? Isso não era justo. Afinal, apesar de a cada porta que se abria encontrasse pessoas com corpos, rostos e nomes diferentes elas eram as mesmas velhas conhecidas de sempre, com as mesmas picuinhas.

Pensando um pouco melhor entendeu que isso nada tinha de errado, e se sentiu feliz. Tão feliz que agradeceu a Deus pela oportunidade de estar sempre conectado com sua essência, com o objetivo de sua vida e com aqueles que fazem parte de sua história. Desde então passou a compreender melhor cada vez que uma pessoa sai de sua vida e volta em outro corpo, com outro rosto e com outro nome. Em seu pensamento ele diz;

- Bem-vindo de volta, meu amigo!

Bom final de semana a todos. 


 

setembro 03, 2020

A nova "escapadinha" dos católicos.

Resultado de imagem para imagens de sincretismo

Não é de hoje que se sabe que os católicos (abro parenteses para dizer que me considero um deles) têm o hábito de dar algumas "escapadinhas" (vale dizer que não são todos) quando querem resolver algum problema urgente e acha que precisa de uma forcinha extra. Quase sempre, além de outros caminhos, os esotéricos, em especial, os chamados "centros  de macumba" sempre encabeçaram a lista, principalmente levados pelo sincretismo: para fugir da perseguição da polícia, no início do século vinte, as religiões de matriz africanas optaram por dar aos seus orixás os nomes dos santos católicos para assim poderem exercer sua fé sem serem incomodados. 

Hoje em dia, o sincretismos já não é tão necessário, apesar de vez ou outra termos notícia de atos violentos contra o direito à liberdade de culto, mas já faz parte da nossa cultura, tanto que acaba gerando certa confusão, como é o caso do veneradíssimo São Jorge; alguns chegam a pensar que o santo da Capadócia é Ogum (ou Oxóssi, dependendo do lugar). Também não podemos esquecer de São Sebastião, Santa Bárbara, São Jerônimo, São Lázaro, Santana e tantos outros que têm seus correspondes na umbanda.

Porém os tempos estão mudando. Os católicos continuam dando "escapadas", mas agora nas igrejas evangélicas. Mais uma vez, cansados de esperar pela prometida felicidade eterna no céu ao lado do Pai muitos vão atrás de cultos imediatistas onde se promete a felicidade, o perdão dos pecados, sejam eles de que gravidade forem, a casa, o carro, a pessoa amada e a tão aclamada prosperidade.

Nada de errado (que os puristas não me leiam) nisso, afinal a igreja católica sempre foi uma grande mãe e nunca fechou as portas para ninguém, ou seja, o fiel pode ir e voltar quando bem entende sem ter de dar maiores explicações. No entanto, se o convívio com as seitas de matriz africanas sempre foi o que se pode chamar de pacifico, com as igrejas evangélicas não é bem assim; o fiel vira as costas para a sua antiga fé e passa a negá-la, inclusive sua mãe, Maria.