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sábado, 31 de dezembro de 2011

2012, mais uma chance de ser feliz.

     Apesar do que se fala por aí, o mundo não vai acabar em 2012. Sem precisar de nenhuma bola de cristal, qualquer um pode fazer essa afirmação. Afinal, não é a primeira vez, e nem será a última certamente, que decretam o fim do nosso combalido mundo. Taí, é provável que seja exatamente por isso que ficam por aí fazendo esse tipo de profecia. O mundo está mesmo um tanto caidinho, estamos fazendo muito mau uso dele e isso, sem dúvida, poderá vir destruí-lo. Creio que disso ninguém duvide. Como dizem: "água mole em pedra dura..."
     Mas, deixemos as profecias catastróficas para quem gosta delas. Eu, e creio que você também, estou na torcida para que 2012 seja um ano muito bom e que quando chegar ao seu final a gente possa ter muitos bons motivos para comemorar. Até porque, não podemos perder a esperança. É preciso estar sempre apostando que as coisas vão melhorar e que o futuro nos reserva coisas boas mesmo com os economistas (sempre eles) nos lembrando a toda hora da crise mundial e de que ela está no nosso calcanhar.
    Ainda assim, não devemos desistir. Com crise ou sem crise mundial, até mesmo crise pessoal, o que temos a fazer é manter viva a fé. Dizem que temos a vida que escolhemos e que podemos influir no nosso destino planejando e desejando as coisas, até mesmo visualizando-as como já realizadas para assim convencer a nós mesmos e ao universo da sua importância e necessidade. Sendo assim, está em nossas mãos decidir o que será 2012. Tenho certeza de que no que depender de nós ele será o melhor ano de nossas vidas, porque é exatamente assim que queremos, que desejamos.
   Uma vez que desejamos, partamos então para que isso aconteça de fato. Partamos para a ação. Tudo depende nós. 2012 é mais uma chance que temos de acertar o passo e chegar enfim a estrada que nos leva às grandes realizações.

Feliz 2012!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Coisas muito importantes e coisas (quase) sem importância nenhuma.

   A vida de cada um de nós é cheia de coisas que são muito importantes, das quais não podemos passar sem. Por elas somos capazes de, pode até parecer exagerado, perdê-la. Isso porque acreditamos que essas coisas são realmente imprescindíveis. No entanto, engana quem pensa que sempre se trata de algo como o ar que respiramos, ou coisa do gênero. Essa tais coisas importantes nem precisam valer tanto. Basta que num determinado momento a gente precise delas. Pode ser, por exemplo, um botão de camisa: você está pronto para sair e, de repente, aquele botão que sempre esteve ali resolveu desaparecer e justo na hora em que você precisa sair urgente e aquela camisa é (você pensa) a única que combina com a calça que você está usando e com a ocasião. Qualquer outra vai destoar. A camisa é aquela, mas está faltando um botão e não é um botão qualquer. É o botão da frente, aquele que todo mundo vai perceber que está faltando e se ficar aberto vai lhe deixar com ar de desleixado e isso é tudo o que você não quer, e nem pode, parecer naquele momento.
    Pronto, o mundo desabou. Ou você arranja um botão, linha e agulha (e em alguns casos, alguém que faça o serviço) e faz o conserto ou você está arruinado. Toda a sua vida agora depende daquele mísero botão que, inadvertidamente, resolveu sair do seu lugar. Há quem, nesse momento, faça mil conjurações e desate a falar coisas do tipo:
-"Isso só acontece comigo." "O botão estava no lugar, alguém está querendo me sacanear." - e grita e se descabela. Quase tem um  troço de raiva.
    Parece incrível, mas nós passamos várias vezes por essas situações e não percebemos o quanto elas são ridículas e o quanto de energia despendemos com elas, ignorando que elas podem ser resolvidas com atitudes simples. No caso da camisa, seria só tirar o tal botão de um outro lugar da mesma camisa onde ele não seja tão importante e substituir ou mudar de camisa. Apesar daquela ser a mais certa para aquele momento e coisa e tal e tal e coisa. Paciência, nem sempre "as coisas" saem como a gente planeja ou quer. O que não se deve é fazer tempestade com um copo d'água. Ainda resta a opção de checar "as coisas" antes: tem uma festa, uma apresentação, uma reunião: é melhor pensar na roupa antes e ver se ela está "nos trinques". Ou ter mais de uma alternativa.
    Já vi que você está pensando que estou aqui para dar consultoria de moda. Nada disso. É que temos todos a tendência de aumentar, de dramatizar demais as situações quando a melhor saída é não "perder a cabeça" diante de um botão caído ou o que valha. É claro que em muitos casos o desespero é até compreensível: a perda de um voo, ônibus, um atraso involuntário, um acontecimento inesperado. Porém, mesmo nesses momentos, o melhor a fazer é manter a calma, não é? Assim é mais fácil encontrar uma solução. Já viu alguém resolver algum problema quando nervoso ou alterado? Impossível, não é?
   A saída pode ser, também, dar às "coisas" a importância que elas têm, sem diminuir nem aumentar. Acreditar que elas têm a importância que damos à elas. Somos nós que decidimos o que realmente é importante e o que não tem importância alguma. Por isso, se chegamos a nos descabelar por algo que não saiu como queríamos, é porque assim resolvemos agir. Ter uma atitude sensata ou insensata é uma decisão consciente ou inconsciente nossa. Tudo tem o tamanho e a importância que lhes conferimos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Tempo de renascer.

    Com a chegada do período do natal, tem-se a impressão de que mais uma vez tudo vai se repetir. As mesmas músicas, os mesmos votos de felicidade, o mesmo burburinho no ar, a mesma pressa e até os enfeites parecem os mesmos. Não há dúvida de que tudo realmente pareça apenas mais do mesmo.
    Há aqueles que adoram o natal. Gostam de dar e receber presentes, gostam das surpresas, das chegadas e partidas, da euforia das crianças, de ver renascer a esperança nos olhos daqueles que pareciam ter desanimado de vez, da ideia de que, pelo menos por um curto período de tempo, as pessoas pareçam mais receptivas, mais amáveis, mais confiantes de que o mundo deve, e precisa, ser um lugar melhor para se viver e que isso depende das nossas atitudes. Assim, as pessoas vestem suas melhores roupas, fazem as suas melhores comidas e, o que é o melhor de tudo, apresentam, sem pudor nem reserva, os seus melhores sentimentos.
   Por outro lado, há aqueles que não conseguem ver nada disso. Acham natal uma festa chata e se fecham dentro do seu mutismo, da sua dor. O espírito natalino em vez de deixá-lps mais alegres e felizes, os deixa como que tristes e aborrecidos. É como se a felicidade alheia incomodasse e lhes causasse tristeza. Quando, na verdade,  todos buscam motivos para se sentirem unidos num único sentido: a festa do nascimento do menino Jesus. Quer motivo melhor para festejar e comemorar?
   É verdade que muitos de nós carregamos tristezas durante o ano e não é fácil esquecê-las em nome de uma felicidade que pode parecer forçada, mas é exatamente por isso que a cada ano temos a celebração do natal. É preciso, antes de qualquer coisa, querer sentir o espírito do natal, preparar-se para ele chegar. Ao revivermos o nascimento do Salvador, renovamos nossas esperanças de um futuro melhor, de um amanhã mais feliz e harmônico, mesmo que a realidade no momento diga o contrário.
   Acima de tudo o natal é a promessa de que o mundo sempre pode ser melhor, que nós podemos, e devemos, nos espelhar na ternura da criança que veio ao mundo para nos salvar e nos sentamos, de fato, salvos, felizes, participantes de uma única e grande família: a família do amor.
   Viva o amor que um dia se encarnou em Belém, como o maior presente de Deus à humanidade, e que mudou o mundo para sempre. Viva o natal!

Feliz natal!
Feliz renascimento!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Quando é preciso desistir de um sonho.

      Por mais que tentemos viver nossa vida focando as coisas pelo lado positivo, sempre acreditando que tudo vai dar certo, chega uma hora em que é preciso recuar, abrir mão de algum sonho que acalentamos durante anos e tentar, da melhor maneira que se possa, olhar para outros horizontes buscando novos caminhos, novas razões para se manter de pé. Nesses momentos, talvez os mais importantes e verdadeiros de nossas vidas, nos abaixamos e humildemente juntamos os caquinhos que sobraram e com eles partimos para refazer a estrada.
     Novamente, nossas pisadas vão construir o caminho. São elas que vão sinalizar e mostrar para onde vamos, o que vamos fazer de nossas vidas daquele momento em diante. Inicialmente elas serão um tanto titubeantes, indecisas, mas em pouco tempo voltarão a ser firmes. A partir daí retomamos nossos sonhos e a nossa fome de viver, de realizar algo. Por isso, acordamos todos os dias: para realizar os nossos sonhos. Ainda que eles não sejam grandiosos e nem tenham a pretensão de mudar o mundo, mas apenas de fazer parte dele.
     É caindo e levantando que passamos pela vida. Algumas quedas nem chegamos a sentir, outras parecem que vão nos nocautear para sempre, entretanto não têm valor diferente daquelas que parecem tão insignificantes. Tudo junto e misturado faz parte do nosso aprendizado, do nosso caminho.
    Porém, há aquelas situações que são irreversíveis. Pelo menos naquele determinado momento. Ninguém pode negar que às vezes temos que desistir de alguns sonhos, ainda que para adquirir outros. Como disse acima, tudo faz parte do caminho. No entanto, a delicadeza do momento, o sentido de perda, de derrota é muito amargo e pode nos marcar para sempre tirando de nós o alento para viver, a expectativa de um dia seguinte melhor. 
    Muitas vezes, ignorando a lição do Mestre, passamos a viver cabisbaixos, como se tivéssemos sido abandonados no meio do caminho. Nada disso. Não se pode desistir. Esse é justamente o momento de acreditar mais, acreditar, sobretudo, que o sonho desfeito é também a oportunidade de novos sonhos, novos vôos, novas paisagens, pessoas, situações, realizações.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Resposta ao MEME do Aristides Monteiro.(com pedido de desculpa pelo atraso)

     Há vários dias (ou seriam semanas?), meu amigo Aristides Monteiro me pediu para falar das dez coisas que sinto mais saudades. Inicialmente, pensei tratar-se de uma tarefa impossível de ser realizada (daí, a demora), pois não sou exatamente um cara dado a sentir essa nostalgia (muitas vezes boa, é preciso que se diga) toda do passado. Por isso, tive dificuldade de começar esse texto e fiquei horas a fio matutando. E foi matutando que cheguei a conclusão de que, mesmo não admitindo muito claramente, eu sou um poço de memórias e saudades. O que realmente torna a tarefa de escolher "as dez coisas que sinto mais saudades" mais difícil ainda.
     Para dizer a verdade, não dá para medir saudades em tamanho e quantidade. Saudades são saudades, nada mais que saudades, caro Aristides. Bateu aquela dorzinha no coração, aquela vontade de pegar um trem de volta para o passado, já pode ser classificada como grande saudade.
    Porém, o meu amigo quer mesmo que eu classifique as dez mais. Parece concurso para eleger as dez mais elegantes, as dez mais bonitas e coisas que valham. O que, pode acreditar, transformaria a tarefa em algo prazeroso. Já voltar ao passado e me reencontrar, torna tudo mais, digamos, penoso. Mas vamos lá. Mãos à obra: em primeiro lugar, gostaria de dizer que vou classificar de um a dez, mas todas elas poderiam ocupar o primeiro lugar. Vou numerar, não de acordo com a importância, mas de acordo com a minha memória, a medida que vou lembrando:
1 - A casa dos meus pais, todo mundo reunido, aquele montão de gente junta.
2 - Eu brigando para ir para escola (parece incrível, mas eu praticamente obriguei meus pais a me matricularem numa escola, coisa rara em minha família)
3 - Eu sonhando em sair de minha cidade, Ibiá (tinha uma fixação em conhecer o mundo. Por alguma dessas coincidências estranhas, a minha cidade é cercada por serras, o que me remete ao mito da caverna) 
4  - Quando eu acreditava que iria seguir a carreira de padre.
5  - Do tempo em que eu acreditava que as coisas eram definitivas e para sempre.
6  - Quando eu, e o Brasil, éramos o futuro.
7  - Das pessoas e coisas que, a medida que fui caminhando, foram ficando para trás. ou mudando de lugar
8  - Eu chegando no Rio de Janeiro.
9  - Do natal da minha infância.
10- Do futuro. 
   Bem, é isso aí. Espero que não seja tarde demais. Caso seja, valeu como exercício. Acho que é a primeira vez que paro para fazer esse tipo de coisa. De repente, é válido dar uma olhadinha para trás. Valeu.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Segura na mão de Deus.

     Um dia desses, estava atravessando a avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, absorto em meus pensamentos, quando ao meu lado uma mulher, que depois identifiquei como uma possível moradora de rua, fez menção de que ia atirar-se na frente de um cara e na última hora, recuou. Sai imediatamente de minha letargia e tive tempo de ouví-la dizendo:
- Não sei porque não morro. Quero morrer.
     Não sei se você passou por uma situação dessas, mas acredito dá para imaginar que eu fiquei totalmente sem ação. Primeiro, porque poderia ter entendido mal o que a mulher falou e segundo, porque a gente nunca está preparado para ouvir esse tipo de coisa. Ainda mais no meio de uma rua movimentada. debaixo de um sol escaldante, não é?
     O  sinal abriu, eu atravessei a rua e perdi a mulher de vista. Porém, aquela situação não saiu do meu pensamento: ou muito eu estava enganado, ou aquela mulher realmente esteve em vias de cometer suicídio na minha frente?  O pensamento me causou uma certa inquietação e me levou a refletir sobre o assunto: o que leva uma pessoa a tal extremo? Existe mesmo esse momento em que o peso da vida se torna tão insuportável que a única solução é dar cabo de si? Que desespero é esse?
   Difícil responder a essas e à todas as questões que vão surgindo aos borbotões. Por vezes nos sentimos muito frágeis diante das vicitudes da vida e parece que não vamos conseguir suportar tanta dor, tanto desamparo. Daí a ideia de fim surge como forma de atenuar ou acabar com os problemas.
     É aí que mora o perigo, pois jamais a morte vai colocar fim nos nossos problemas. Porque, querendo ou não, a morte não põe fim a coisa nenhuma. Todas as religiões, espiritualistas ou não, falam de uma vida após a morte. Todas falam que a alma vai para algum lugar. Esse lugar pode ser o céu, o inferno, o paraíso, enfim. Alguns falam em dormir até o juízo final, mas de fim absoluto nenhuma fala. Acredito que até os muito materialistas devem esperar algo para depois da morte.
     Portanto, dar fim à vida não resolve nada. Muito pelo contrário. É um ato puramente materialista, denota total falta de fé, de amor próprio, respeito à vida como dom que vem de Deus e pode piorar muito mais a situação daquele que pensava buscar solução para os seus problemas.
    Como aquela mulher, num momento de desespero e, muitas vezes, silenciosamente, muitos lançam mão desse expediente, quando na verdade tudo o que se precisa é colocar sua vida nas mãos de Deus. Para os que não acreditam numa força criadora, vale usar o pensamento positivo e acreditar que no momento seguinte tudo pode mudar. Sobretudo, precisamos ter paciência e resignação. Como dizem por aí: "viver não é fácil".

sábado, 3 de dezembro de 2011

Tá tudo bem?

  Quando esta pergunta surge como forma de tentar estabelecer um diálogo é porque uma das partes não tem muita certeza da resposta, ou antes, até tem, mas precisa de uma confirmação. Normalmente a resposta é um tanto ambígua:
- O que é que você acha?
    Bem, se a coisa começar por ai é prova de que é melhor ir devagar com o andor para não azedar tudo de vez. O tempo está fechado, a maré não está para peixe e é melhor bater em retirada e esperar que os ânimos esfriem. Ou você prefere ficar e tentar descobrir, afinal, "o que está pegando"?
   Se essa é a sua alternativa, das duas uma: ou você, com muita sorte, vai acabar derrubando o muro e botando tudo em pratos limpos  ou vai levar uma bela resposta pela cara afora.
   Tem também a  possibilidade de descobrir que todo o clima não tem nada a ver com você. E isso, convenhamos, é a melhor opção. Até porque, ninguém está livre de um belo dia, sem mais nem aquela, acordar com o pé esquerdo e passar o dia inteiro de cara amarrada com todo mundo sem ter nenhum motivo aparente para isso.
   Outra saída é a do silêncio. A figura se nega a qualquer tipo de diálogo e você entende a atitude como um rompimento de relações e aí está feita a confusão. E quando uma das partes tenta consertar o mal entendido, costuma ser tarde demais. Muita amizade de anos termina num desses dias azedos.
   Pode também acontecer da pessoa optar por dizer que está tubo bem e que você está enganado(a) se pensa o contrário. Ela apenas está querendo ficar na dela um pouco e não vê nenhum mal nisso. Verdade. Não existe mal nenhum em ficar calado, pensar na vida. Mas mesmo nessas ocasiões o diálogo é necessário. Não precisa ser, necessariamente, um diálogo de palavras, mas de gestos, sinalizações, atitudes  que a outra pessoa, por ter alguma intimidade, vai entender.
   Temos que tomar cuidado para não botar tudo a perder. Amizades verdadeiras são muito importantes e não são encontradas em qualquer esquina, não é mesmo? Por isso, vamos cuidar de nossas relações, saber compreender os momentos em que os nossos amigos estão necessitados de que sejamos mais pacientes do que o normal. Mesmo porque ninguém está livre de que um dia um simples "tá tudo bem?" possa detonar uma guerra desnecessária e de proporções inesperadas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"Assunção de Nossa Senhora".

   No dia 15 de agosto de 2011, na Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, participei da encenação da "Assunção de Nossa Senhora" . A peça, escrita por mim em parceria com Bill Sala, narra o que seria o dia da "morte" de Nossa Senhora, dia em que ela foi assunta aos céus e como aqueles que conviviam com ela viveram esse momento tão especial na história do cristianismo nascente. Pela peça desfilam personagens conhecidos como os apóstolos Pedro e João, Maria Madalena, Maria de Cleófas e outros contemporâneos de Jesus e própria Maria de Nazaré. 
     Acredita-se que Nossa Senhora não teria morrido e sim ascendido aos céus de corpo e alma (daí originado o "Dogma da Assunção" promulgado pelo Papa Pio XII, em 1950) como seu filho Jesus. Ou mesmo que teria "dormido" como dizem os adeptos da "dormição de Maria".
    A peça resultou num trabalho bonito, do qual senti muito prazer em participar. Poucos vezes , como ator, tive a sorte de participar de um espetáculo em que pudesse me orgulhar de estar envolvido e este foi um desses raros momentos. Senti-me muito feliz em poder fazer parte dessa homenagem à Mãe de Jesus e de perceber o quanto é importante para toda a comunidade católica a "presença" de Maria, a história de vida dessa mulher, seu exemplo de abnegação. Não há quem não fique tocado com a história de vida dessa mulher que foi escolhida para ser a mãe do filho de Deus e abriu mão de tudo para atender a esse chamado.
     Há quem discuta o valor de Maria, acreditando que seu papel na vinda de Jesus ao mundo teria sido meramente coadjuvante e que qualquer mulher poderia estar no seu lugar.  Pena, pois nela está representado, no céu e abaixo dele, todo amor maternal do qual nenhum filho pode prescindir e, assim sendo, nem Jesus.
     Do espetáculo, que teve direção de Bill Sala, participaram: Bill Sala, Julio Fernando, Gisele Salman, Analú Buarque, Bruno, Elana e Bernardo. Abaixo está postado o espetáculo na íntegra que eu recomendo que assistam. Além de ser um bom espetáculo, tem o adicional de ter acontecido na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Largo do Machado: uma igreja belíssima e que merece ser vista.


sábado, 26 de novembro de 2011

A cada passo.

   Durante toda a nossa vida estamos em busca de nos espiritualizarmos. Trocando em miúdos, estamos aprendendo num esforço sem fim. Por mais que a gente negue isso, é um fato. E não é impossível duvidar que tem muita gente boa por aí que pensa que não e vive como se estivesse por aqui a passeio. Grande engano, pois desde que nascemos é esse o nosso objetivo maior. Nossa passagem aqui pela terra não se dá por outra razão que não seja a do nosso crescimento, aprimoramento e elevação espiritual. E isso acontece nas coisas mínimas, mesmo que não tenhamos nenhuma consciência disso. 
     A cada dia que nasce estamos ganhando uma nova chance para que esse aprendizado continue e possamos dar um passo a mais rumo ao conhecimento, para que possamos nos livrar, ainda que minimamente, da cegueira que a escuridão da ignorância nos provoca e ir adiante rumo à luz.
      Se por um lado, como já disse, alguns ignoram isso e parecem estar bem assim e sem nenhuma vontade de mudar, outros, por sua vez, já descobriram isso e partem para a busca dessa iluminação. Isso é algo extraordinário. No entanto, sabe aquela pessoa que esteve dormindo durante anos e que de repente acorda, descobre que perdeu muito tempo e resolve correr atrás do tempo perdido? Pois é. Muitos de nós se comportam assim. Depois de anos de letargia desperta para um mundo novo e acha que não pode mais perder tempo.
     Eu sei que você deve estar pensando: "Nada mais justo. Eu também reagiria assim."  Talvez eu até diria que você estaria coberto(a) de razão. Afinal de contas, já se perdeu muito tempo e não há mais o que esperar. Só que essa pressa pode nos levar a tomar caminhos que levam a lugar nenhum. Literalmente falando, nos leva a embarcar em verdadeiras canoas furadas. E o que não falta é gente por aí se oferecendo para ser o guia que vai apontar esses caminhos para você e transportá-lo (geralmente, sem que você faça muito esforço) para o paraíso. Por isso, é preciso muita cautela nessa hora para não cair em mãos dos charlatães de plantão. Eles estão sempre ávidos para encontrar pessoas desesperadas e despreparadas, prontas para acreditar em tudo.
    Lembre-se sempre que o melhor caminho é o do coração. O caminho que nós construimos dia a dia com nosso esforço e o suor de nosso rosto. E para isso precisamos, antes de qualquer coisa, tomar a decisão da busca, por-se em marcha com propósito firme e vontade fortes. Prontos para enfrentar os reveses e mesmo para desanimar muitas vezes diante dos maus exemplos constantes e das vantagens fáceis que aparecem. Nesse caso, respire fundo e retome a caminhada. A cada passo sentimos que o peso vai se aliviando e que nossas pisadas já não são tão doloridas. É hora de manter a fé e não perder de vista o grande objetivo: espiritualizar-se.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu sou mesmo assim. (?)


  Essa frase é cantada por Gal Costa na música tema de "Gabriela Cravo e Canela", novela exibida pela Globo nos 1970, baseada no romance de mesmo nome de Jorge Amado. Na música (se não me engano, de Tom Jobim), a personagem retratada gaba-se de ser do seu jeito e não estar muito a fim de mudar: uma mulher brejeira, natural etc e tal. Nada contra a fictícia personagem de querer manter-se tal qual nasceu e sentir-se avessa a qualquer tipo de mudança. Quem conhece o livro de Jorge Amado, viu a novela que tornou famosa a atriz Sônia Braga ou mesmo viu o filme com ela e o ator italiano Marcello Mastroiani e grande elenco, sabe que esse é o grande charme da personagem e se ela mudasse talvez perderia grande parte de seus encantos.
  Trazendo isso para a vida real, encontramos muita gente agindo como "Gabriela"  negando-se totalmente a mudar não só os seus pontos de vista, como também, evitando aprender com os embates da vida. Por mais que ela apresente dificuldades, barreiras e dê sinais de que o caminho que está sendo percorrido não vai levar até o objetivo traçado, parece não servir de alerta. Há quem bata o pé quando alguém tenta chamar atenção para alguma mudança que precisa ser empreendida:
- Sempre fui assim e não é agora que vou mudar.
   Pode até alguém ter lá suas razões para manter posições e posturas e agir como se fosse uma montanha que não se move, mas estamos falando de vida e ela se apresenta de forma a que possamos no seu desenrolar adquirir conhecimento e experiência que nos levam a desfazer maus hábitos, vícios, manias, ideias fixas e tudo aquilo que emperra o nosso caminho e impede que vejamos as coisas com mais clareza, que impede que nossa vida flua de maneira que não seja um embate constante de forças antagônicas e hostis. Para que a gente possa viver em paz, não só com os outros, mas consigo mesmo, é necessário estar sempre aberto à mudanças. Nada de insistir em coisas que não funcionam apenas para passar recibo como alguém que não volta atrás nem muda de opinião. 
   É verdade que ninguém é obrigado (nem deve, aliás) ficar mudando de ideia a toda hora. Isso poderia parecer que a pessoa é um tanto volúvel e sem firmeza de caráter. No entanto, quanto aos nossos defeitos, fraquezas e dificuldades talvez não seja nada mau a gente  tentar rever nossas posições e buscar melhorar. Afinal de contas, como dizem por aí: errar é humano, mas permanecer no erro é burrice.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Resposta à Marcelle.

    Abri minha caixa de e-mails e encontrei um recado de Marcelle de Castro. Eu não conheço a Marcelle e ela chegou até mim por uma postagem que escrevi sobre o Centro Cruz de Oxalá, local em que trabalhei durante bastante tempo e onde, por motivos particulares, não trabalho mais.
    Para começo de conversa, eu não tinha a menor intenção de responder ao e-mail da Marcelle. Em primeiro lugar,  porque já não atuo nesse campo da mediunidade (pelo menos, não ostensivamente como antes) e segundo, por discordar da visão que as pessoas têm da Umbanda e do espiritismo ao usá-los apenas quando querem interferir em seus destinos, mudar aquilo que acham que não está do jeito que gostariam que estivesse. Essa é uma visão bastante limitada e, para muitos, a única. Pena, pois  o espiritismo é (como qualquer religião) um meio de nos ligar ao sagrado , uma busca do entendimento tão necessário para nossa passagem aqui na terra.
   Conheço muita gente que não desassocia o espiritismo de feitiçaria e magia (quase sempre, magia negra) e acha que ele existe apenas para fazer trabalhos para trazer a pessoa amada, conseguir emprego, ganhar dinheiro fácil.  Não posso dizer que este seja o caso da Marcelle. Ao ler o seu e-mail, pensei logo em descartá-lo. Fico assustado quando percebo que as pessoas possam estar tendo esse tipo de engano a respeito do que eu entendo por espiritismo. Porém, aqui estou. 
   Pensando melhor, achei que precisava falar com a Marcelle e resolvi que seria aqui no blog. Afinal de contas, quando alguém bate à nossa porta, não é por acaso.
   Olha, Marcelle, entendo o seu sofrimento. Também já passei por isso. Aliás, dificil alguém não tenha, não é? Sei que é duro gostar de alguém que não sente o mesmo por nós. Mas não acredito, por incrível que possa parecer, que através de trabalho alguém possa amarrar outra pessoa. Acredito, sim, que temos ou não uma história para viver ao lado de alguém e se temos, essa história um dia começa e um dia pode chegar ao fim. Às vezes esse fim vem de forma natural, às vezes vem de forma brusca pegando uma das partes desprevenida. É provável que seja isso o que aconteceu com você. Houve descuido e quando deu por si a pessoa que estava ao seu lado tinha partido. Assustada com o abrupto do acontecimento  passou a pensar numa forma de reverter a situação. Difícil encarar os fatos e a dor que faz seu peito oprimido.
   Não se preocupe, Marcelle. Isso vai passar. Dizem que não há bem que sempre dure nem mal que nunca  acabe. Essa dor vai passar, essa opressão no peito vai dar lugar a uma Marcelle mais firme e positiva. Capaz de valorizar mais os momentos felizes e não dar tanta importância aos tristes. Se aquela pessoa foi embora, agradeça a Deus pelo tempo em que ela esteve do seu lado e diga que estará de braços abertos para recebê-la caso ela volte, mas não faça disso um cavalo de batalha. Se ela ainda nem chegou, deixe a vida seguir o seu rumo. O que é seu virá. Não tenha dúvida disso. Por hora, dê mais valor a tudo o que você tem: família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos e sinta-se feliz por tudo de bom que vai acontecer na sua vida daqui para frente. E isso não acontecerá por forças de "trabalhos" e sim pela força da vida, pois você é criação de Deus  e merece tudo bom.

Tudo de bom para você. Tenha fé e siga em frente.

sábado, 19 de novembro de 2011

Fechado para reforma.

   
  Outro dia, numa daquelas conversas que saem do nada para chegar a lugar algum (mas que acabam provocando uma indigestão de ideias e pensamentos), estava falando com alguns conhecidos a respeito do uso do corpo, a forma pela qual cada um de nós faz uso do seu corpo e  que tipo de relação nós estabelecemos com este que alguns preferem chamar de "a vestimenta do espírito", mas que para muitos outros não passa de algo sem muita importância ou mesmo um veiculo que podemos usar a nosso bel prazer.
   A conserva versava, entre outras coisas, sobre as transformações tais como colocação de botox,  cilicone, mudança de sexo, operações plásticas, mudanças faciais, tatuagens, piercings e tantas outras alterações que as pessoas costumam fazer em seus corpos. Até aí, nada de mais, não é? A pessoa não gosta de seu nariz e resolve aumentá-lo ou diminuir o seu tamanho e então procura um médico que faz a operação. Satisfeita ou não, a pessoa sai do consultório médico ostentando um novo nariz. Parece simples, não?
    Pelos avanços da medicina, parece mais simples ainda. Basta ter dinheiro e encontrar um médico disposto a tais procedimentos e a pessoa ( basta, para citar um exemplo, lembrar Michael Jackson) tem seus desejos de uma nova aparência concretizados. O mesmo se pode dizer das tatuagens, dos piercings, das roupas, sapatos. Para os cabelos existem tintas e perucas de todas as cores. Tem também os óculos que, além de fazerem enxergar melhor, tem outro ojetivo de embelezar ou proteger (também esconder) os olhos. Sem esquecer das lentes que podem, entre outras coisas, mudar a cor dos olhos.
    Tudo para satisfazer a grande legião de insatisfeitos que existe por aí: uns querem engordar (parece incrível, mas na adolescência tive um amigo que comia desesperadamente tentando engordar, porque se achava magro demais), outros querem emagrecer, crescer, diminuir a estatura, ser louro, moreno, parecer mais velho, parecer mais novo, ter boca grande, boca pequena, barriga tanquinho, bracinho, bração, perna fina, perna grossa e a mão então?  Não é pequena a lista do: "ah, se eu pudesse (e se meu dinheiro desse) eu mudaria". Há quem diga que seria capaz de mudar tudo. No caso de uma reforma, não ficaria pedra sobre pedra.
    Apesar das controvérsias, nossa sociedade (nós) aprendeu a achar natural as pessoas saírem por aí fazendo reformas em sua "casa". Ninguém fica mais escandalizado ao ver uma mudança de sexo, se alguém era gordo e agora está mais magro que uma top model, o fraquinho que se transformou no fortão da turma, a que era morena e ficou loura ou vice versa. Tem gente que muda ao sabor da moda. O negócio, parece, é surpreender. E o pobre do corpo tem que resistir a todas essas investidas. Algumas, convenhamos, irreversiveis.  Aí eu, cá do meu canto, fico me perguntando: "será que isso é mesmo normal?"
"Não recebemos esse corpo com o compromisso de cuidar dele, para depois devolver "em bom estado de conservação?" "Como ficam todas essas transformações diante de um possível Criador?"
    Antes que você responda, eu vou logo dizendo o motivo de tanta indagação: é que fico preocupado com tanta insatisfação. Ninguém mais quer saber de se aceitar como é, sentir o sabor de ser diferente. Todos querem ser produtos fabricados em série: tudo com a mesma cara, cor, cabelo, roupa e até a cor dos olhos é a mesma. Todos querem seguir um modelo ditado (ou imposto) por alguém que ninguém sabe ao certo quem é. Só falta todos nós atendermos pelo mesmo nome. Aí, creio, teremos chegado ao fim da linha.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Os caminhos e os atalhos.


 
  Embora esse tipo de indagação ocorra mais comumente com quem está começando a vida, pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer tempo.
- Que caminho tomar? - perguntaria, com certeza, qualquer pessoa que estivesse diante de uma encruzilhada, dessas que a vida oferece tantas. - O reto que, apesar de árduo e longo, nos leva às realizações plenas e verdadeiras? Ou aquele que se apresenta mais fácil, mas que geralmente nos leva aos enganos e aos tropeços?
    Para muitos, a resposta é mais que certeira: seguirá pelo caminho mais longo e penoso, passará por todas as estações da via cruces; durante o caminho, por vezes, se sentirá fraco e desanimado; sentirá o peso da cruz pesando sobre seus ombros, mas resistirá às intempéries e irá em frente. No final, quando a vitória chegar, sentirá que tomou a decisão certa e poderá, enfim, descansar e colher os frutos do esforço e do trabalho bem realizado. Não existe sensação melhor na vida, vocês hão de concordar comigo, do que, depois de um grande esforço, sentir que ele não foi feito em vão.
    Mesmo que as mãos estejam calejadas e o corpo traga as marcas dos dias difíceis, nada é capaz de tirar o brilho e a certeza de ter completado o percurso sem recorrer às estratégias infelizes ou de ter-se negado a cumprir o currículo seguido por todos os que podem, com louvor, subir no podium da vida. 
    Parece coisa de atleta, e é, mas não apenas coisa de atleta. Vale para todos. O que somos senão verdadeiros atletas correndo a eterna maratona da vida? Faz parte da vida de todo mundo. A cada momento, desde de que nascemos, estamos diante de caminhos que se abrem diante de nós, possibilidades que surgem, mudanças que se fazem necessárias e urgentes para o nosso aprendizado e aprimoramento. 
    E se os caminhos se abrem, juntamente com eles abrem-se os descaminhos. São os atalhos. Eles se apresentam fáceis, charmosos, e até cheios de glamour, e são, acima de tudo, muito convidativos. Sedutores, parecem nos chamar a que nos enredemos por eles. Sempre prometem que vão nos dar muito em troca de quase nada. Há aqueles que chegam ao cúmulo de dizer que não nos pedirão nada, basta que entremos por eles. Apenas isso. Só que, uma vez iniciada a trajetória, a gente descobre que tudo era apenas engodo, trapaça. E ai é tarde. 
    Sorte daqueles que conseguem escapar de suas redes e podem retomar o caminho que leva à vitória. Vitória sob todo e qualquer´ponto de vista. Já outros... Bem, esses outros, infelizmente uma parte considerável, são aqueles que, mesmo que queiram, dificilmente conseguem se desenredar das tramas dos atalhos (todos os tipos de drogas, a preguiça, a falta de fé), dos falsos cantos das facilidades e dos brilhos fugazes que levam à degradação e à dor.
     Assim, resta insistir: evitemos os atalhos, escolhamos os caminhos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Além dos modismos.


    No que diz respeito a vestuário, sapatos, óculos, telefones, relógios, carros e mais o que se possa imaginar é comum a gente seguir o que dita a moda. Muitos são capazes de gastar rios de dinheiro, e até de se endividar, só para não ficar fora do último grito. E olha que muitas modas são mais fugazes que um raio, não chegam a durar uma estação e já estão fora da ordem do dia. Até ai, nada demais, não? O problema é quando os modismos deixam de ser aqueles próprios de estações (primavera, verão, outono, inverno) e invadem espaços onde não é muito apropriado que mudemos de acordo com o calendário, aí a coisa toma outro rumo. 
    Estou falando das coisas inerentes ao caráter, aquelas que nos levam a decidir (ou escolher) entre o bem e o mal, o certo e o errado, o que vale e o que não vale a pena e que podem influir no nosso destino ou futuro. Longe do "vamos levar vantagem", tão comum em nossos dias, levando em conta não só o nosso próprio bem estar como também o daqueles que nos rodeiam e, por que não dizer, o bem estar do mundo em geral e do nosso planeta em especial? Sim. Precisamos abandonar essa moda egoísta que parece resistir às estações frias ou quentes e ameaça ficar para sempre: a lei do "cada por si".

     Em algum momento alguém lançou essa moda do "vale tudo" e ela vem contaminando a todos sem respeitar idade, raça ou classe social. Todos querem se dar bem sem se preocupar nem mesmo com a sobrevivência do próprio planeta em que vivemos. A impressão que se tem é que podemos destruir nosso planeta e  que quando não der mais para viver aqui seremos resgatados e levados para um outro novinho em folha. Pode parecer ideia de maluco, mas é essa a sensação que dá.
     É claro que não se pode deixar de dizer que tem muita gente que se preocupa com o destino e a sobrevivência desta nossa casa, sua harmonia, mas o descaso vem crescendo muito. Basta, por exemplo, citar a nossa Amazônia. Muitos, sob o pretexto de ganhar seu pão de cada dia (os madeireiros), não hesita em botar a floresta abaixo dizendo que não tem outra alternativa (em se tratando dos nativos, é mesmo verdade) ou mesmo fingindo desconhecimento da causa e razão da necessidade de cuidarmos (mais que preservarmos) do nosso planeta.
     O que mais assusta e até incomoda, é o fato de que muitos de nós não têm consciência de que esse cuidado não advém de atitudes grandiosas (é claro que também delas), mas de atos simples e corriqueiros como não jogar lixo nas ruas, nos ruas e nas encostas. Todos imputamos (ainda) essa responsabilidade aos outros (sobretudo aos governos) e não a nós mesmos. Cada um precisa assumir o seu papel e responsabilidade nesse sentido. Não podemos ficar esperando que as atitudes venham de fora, que partam do outro, que venham na forma de modismos que vêm e passam.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Esse menino só anda em má companhia".

  
  A frase que dá título a essa postagem foi muitas vezes repetida por minha mãe. Ela era mestra em desaprovar as minhas companhias, como também a de todos os meus irmãos. Ninguém era bom o suficiente para obter sua aprovação. Isso sempre me deixava bastante chateado porque, além de não estar em busca de boas ou más companhias e sim, apenas e simplesmente, de companhia; aliás, como todo e qualquer jovem da minha idade, e não me achava com capacidade para julgar ninguém. Com isso, pensava que tudo não passava de implicância de minha mãe. Mais tarde pude perceber que esse era um comportamento comum às mães dos meus colegas. Nelas também havia a tal preocupação em saber com quem os filhos estavam andando, de que famílias procediam, quais suas tendências, vícios, atitudes, se bons ou maus alunos etc.
     O fato é que, salvo os exageros próprios de mães abnegadas, ela acabava de uma forma ou de outra tendo certa razão: aquele(a) colega acabava mais cedo ou mais tarde aprontando alguma coisa e lá vinha ela com o fatídico:
- Eu não te avisei!?
     E aí podia preparar o ouvido que o discurso fatalmente seria longo e cheios de frases de efeito: "Eu falo, mas você não me dá ouvidos. Acha que, como sua mãe, quero o seu mal? Agora é chorar na cama que é lugar quente. Não adianta reclamar. Vê se da próxima vez procura me ouvir. Afinal, eu sou sua mãe e só quero o seu bem."  Era difícil, mas eu tinha que aceitar os fatos. Só que eu não me emendava e logo estava pronto para ouvir todo aquele repertório da sabedoria materna, outra vez.
    Mas o tempo passou e eu já não tenho mais minha mãe por perto para avaliar as minhas amizades e sabe que, por mais incrível que possa parecer, eu até sinto uma certa saudade daqueles vereditos.  Não que eu esteja "andando em más companhias", como ela gostava dizer. Ou sei lá. Nunca se sabe, não é? No entanto, vez por outra, dou de cara com uns tipos que dificilmente passariam pelo crivo dela e chego até a pensar que continuo escolhendo mal as minhas companhias. Continuo com a "mão podre para escolher companhia", outra de suas pérolas. Nessas horas parece que escuto ela dizendo:
- "Eu não te avisei!? Mas você não me ouve."
  Porém, apesar de não ser mais aquele adolescente com fumaças de rebeldia, eu não me emendo e sigo merecendo um bom puxão de orelhas pelas escolhas malfeitas que continuo fazendo vida  afora. Fazer o quê!? Um dia, eu ainda me emendo. Como dizem por aí: "a esperança é a última que morre".

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Autores de novelas da Globo sofrem com falta de imaginação.

     Eu já disse aqui em outra ocasião que (quando dá) assisto novelas, por isso cá estou outra vez para falar do tema. Só que dessa vez não é para elogiar o gênero ou coisa parecida e sim para chamar a atenção para um fenômeno que vem ocorrendo entre os seus principais autores.  Se você também costuma dar uma olhadinha já deve ter percebido, sem nenhuma dificuldade, é claro, o quanto as tramas das ditas novelas têm sido repetitivas. Coisa de assustar os menos prevenidos. O negócio anda tão feio que está acontecendo de uma mesma trama ou tema estar na novela das 5, 6, 7 e 9 ao mesmo tempo dando a impressão de que se está vendo a mesma novela, independente do horário.
    Aquele antigo diferencial entre as tramas das seis, com suas histórias ingênuas, a das sete com ares um tanto joviais e a das oito (ou será das nove?) com suas tramas mais densas e abordando temas mais, digamos, adultos, não existe mais. Pelo que dá a entender os autores estão liberados para falar de qualquer coisa a qualquer hora. Até ai, você certamente diria, nada de mais. Fora uma certa mesmice e pasteurização, eu também vou pelo mesmo caminho. Só que esses ditos autores estão provando que não costumam, como qualquer mortal, dar uma olhadinha nas novelas dos colegas. Prova disso é a repetição de histórias, plots, tramas, argumentos, temas ou que quer que seja. Pelo que se sabe, eles (pelo menos é o que se diz pela imprensa) ganham muito bem, o que não justifica a preguiça ou indolência mental, não é? Além do mais, eles (diferentes dos autores do passado como Ivani Ribeiro, Janete Clair e outros que ainda andam por aí) escrevem suas novelas juntamente com um grupo que costuma contar com até dez integrantes. Será mesmo necessário tanta gente? O que essa turma toda faz? Será que ficam apenas batendo papo e esquecem da trama que estão desenvolvendo?
     Eu sei que você dirá que os temas se esgotam, afinal são mais de cinquenta anos de novelas no ar. Pode também dizer que chega uma hora em que dá-se a impressão de que já se falou de tudo, que o gênero está desgastado e precisando de renovação.  Mais uma vez digo que concordo. Deve ser desgastante escrever duzentos capítulos e ainda tentar ser original. Pois está aí a questão: tentar ser original. Não é demais dizer que a "moçada" não tem feito essa lição de casa: buscar um mínimo que seja de estilo e originalidade. Parar de ficar copiando uns aos outros e buscar o novo para brindar o público que (pelo que sei) continua prestigiando com sua audiência e interesse.
    No ar atualmente temos tramas que falam de espiritismo (sem muito compromisso com a doutrina, haja vista),  inseminação artificial com casais divergindo dos procedimentos e etc, temos gente ganhando na loteria (pelo menos na ficção se ganha e se sabe quem ganhou), temos milionários esnobes que não estão nem aí para os pobres e pela coisa alheia (alguns casos até os atores são repetidos), temos dondocas fúteis que se acham "o ó do borogodó"  desfazendo de todo mundo, homem mais velho abandonando mulher para ficar com jovenzinha boazuda sem neurônio, um uso, sempre estranho e que beira o jocoso, da Internet e afins e assim poderia ficar aqui listando as repetições. E as verdadeiras questões do nosso país, onde é que ficam? Parece que nossas queridas novelas (leia-se, os autores) não têm nenhum compromisso em retratar a vida do brasileiro comum e sim nos enfiar pela cara à fora uns tipos que ficariam melhor se fossem americanos de Miami.
     Aí você poderia dizer que novela se transformou num produto industrial e que é feito para dar lucro. Isso talvez explique a ausência de tipos mais brasileiros, a presença quase única e obrigatória de personagens da raça branca (sobretudo uma população loura que talvez nem na Europa possa encontrar tantos), a quase inexistência de personagens da raça negra (e outras) que não sejam empregados domésticos ou personagens meramente periféricos. Pelo que dizem, é isso que os gringos querem ver e é isso que eles mostram. Até porque as produções visam o mercado externo e nunca é demais lembrar o .carnavalesco Joãozinho Trinta com sua frase: "Pobre gosta de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual". Pode até ser. Eu prefiro apostar que um povo gosta de se ver retratado no espelho, quero dizer, no vídeo.
    Apesar da trama repetitiva (os atores, idem) temos que tirar o chapéu para a novela das seis. Lícia Manzo, ao localizar sua história em Porto Alegre e arredores, acaba tirando a novela do eixo Rio de Janeiro e São Paulo. Pelo que parece, até agora, a história se passa mesmo no sul do país. Só falta, é claro, daqui a pouco a autora ( e toda a sua trupe) colocar os personagens num veículo qualquer e os trazer para o Rio ou os levar para São Paulo. Alguém seria capaz de apostar qual das duas cidades seria a escolhida?