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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os três macacos.

     Creio que todos conhecem aquela história dos trés macacos na porta do santuário de Toshogu na cidade de Nikkos, no Japão. Muitos vez por outra as usam para poder dizer qual a atitude que está tendo diante de alguma situação, seja um problema de família, no trabalho ou que envolva a sociedade como um todo. 
      Para os que não lembram ou não conhecem, trata-se de três simpáticos macaquinhos. Tem o que cobre os olhos ( mizaru), o que tapa os ouvidos (kikazaru), e o que tapa a boca (iwazaru). A tradução seria algo como não veja o mal, não ouça o mal e não fale o mal.
     Acredita-se que assim a vida em comunidade seria muito melhor. Pois o mal quase sempre está em nossos olhos, nos nossos ouvidos e em nossa boca. É através desses três sentidos que ele (o mal) se dissemina e torna mais difícil a vida em sociedade.
    Agindo como os três macaquinhos evitaríamos de pré-julgamentos, acusações, leviandades e de ver maldade em tudo que é lado. Seríamos mais justos, mais humanos e estaríamos mais propensos a perdoar e entender o nosso semelhante com seus defeitos e virtudes.
    Bela história, cheia de sabedoria como é comum entre os orientais. Ninguém é capaz de duvidar disso, não é? Só que, para nós os chamados ocidentais essa história é, muitas vezes, interpretada de maneira equivocada. Parece que entendemos a atitude deles como um gesto de alienação, de falta de interesse pelo que acontece à nossa volta. É como se disséssemos: "Não tô nem aí pra nada. Isso não me diz respeito."
    É isso mesmo. A mensagem fica completamente distorcida. Muito distante da intenção inicial. na verdade, o que as três figuras querem dizer é que não devemos ver, ouvir ou falar o mal. Aquela maldade que tudo estraga e tudo corrói, atravancando a nossa vida e a vida de todos os que nos cercam.
    Contudo, que o mal existe ninguém duvida, mas  não podemos ficar alheios e fingindo que nada acontece. Pelo contrário. Nossa atitude deve ser de profundo entendimento de que o mal que chega aos nossos olhos, ouvidos e boca precisa ser transformado em algo melhor. Cabe a nós transformar essa energia negativa chamada mal e não apenas ser veículo por onde ela passa, segue caminho e se espalha.