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domingo, 12 de maio de 2013

Só a vida ensina - Capítulo 12

Neste capítulo, Joel é ferido por Zelão e é abandonado à própria sorte. Enquanto isso, sua mãe, dona Margarida, sofre com a falta de notícias suas.

SÓ A VIDA ENSINA


Capítulo 12

CENA 1 – EXTERNA/NOITE – TERRENO BALDIO
JOEL, ZELÃO, SUZI E O PESSOAL DO ACAMPAMENTO.
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA 8 DO CAPÍTULO 11
JOEL ESTÁ CAÍDO NO CHÃO, SANGRANDO. ZELÃO PERMANECE COM O CANIVETE NA MÃO. SUZI CORRE PARA ACUDIR JOEL.

JOEL – Você me feriu, desgraçado.

SUZI – O que você fez, Zelão? Ele está sangrando.

ZELÃO – Isso é para ele aprender que quem manda aqui sou eu.

SUZI – Ele precisa ser levado para um hospital, Zelão. Ele está sangrando muito.

ZELÃO – Nada disso. Ele vai sangrar até morrer. Quem mandou se meter com mulher minha?

SUZI – Eu não sou sua mulher.

ZELÃO – Vai querer um furo também? (TEMPO) Olha ai, pessoal. Pega esse cara e coloca lá no fundo do acampamento.

ALGUNS HOMENS PEGAM JOEL E ELE GEME DE DOR.

SUZI – Não faz isso, Zelão. Ele precisa de ajuda.

ZELÃO – Nem se atreva, Suzi. Ele não sai daqui. (TEMPO) Aí, pessoal. Pega uma corda e amarra bem. E que alguém fique vigiando. (TOM) Eu não quero que ninguém ajude esse cara. Ouviram bem?

SUZI – Por que essa maldade, Zelão?

ZELÃO – Leva logo.

OS HOMENS PEGAM JOEL E LEVAM EMBORA. ELE GEME DE DOR E PELO CAMINHO VAI FICANDO UM RASTRO DE SANGUE.

CORTA PARA:

CENA 2 – EXTERNA/NOITE – FUNDOS DO ACAMAPAMENTO.
OS HOMENS CHEGAM CARREGANDO JOEL. ELES O JOGAM DE QUALQUER JEITO NO CHÃO. ELE GRITA DE DOR. OS HOMENS PEGAM UMA CORDA E AMARRAM OS PÉS E AS MÃOS DE JOEL. FEITO ISSO, ELES VÃO SAINDO.

JOEL – Ei. Não me deixem aqui. Eu preciso ir para um hospital. Eu preciso de ajuda.

HOMENS PARAM E FICAM EXISTANTES.

HOMEM 1 – Se ele ficar aí, vai sangrar até morrer.

HOMEM 2 – O Zelão disse que não é para ninguém ajudar.

HOMEM 1 – É muita covardia. O homem está ferido. Ele está sagrando como um porco. Olha essa barriga aberta.

HOMEM 2 – Isso não é problema nosso. (TEMPO) E você vai querer enfrentar o Zelão, vai?  Vamos embora.

JOEL – Me ajudem, por favor. Não me deixem aqui.

OS HOMENS VIRAM AS COSTAS E SAEM.

CORTA PARA:

CENA 3 – EXTERNA/NOITE – TERRENO BALDIO
SUZI E ZELÃO.

SUZI – Deixa levarem ele para o hospital, Zelão. Se ele continuar sangrando daquele jeito ele vai acabar morrendo.

ZELÃO – Você não acha que está muito preocupada com ele, não? (TEMPO) O que é? Não vai me dizer que levou a sério a brincadeira de seduzir o idiota?

SUZI – (TOM) Não é nada disso.

ZELÃO – Então o que é?

SUZI – (TEMPO) Ele não está acostumado com esse nosso tipo de vida.

ZELÃO – Pode deixar. Se ele sobreviver, vai ficar igualzinho a todo mundo. Quantos já chegaram aqui cheios de coisa e logo se dobraram? Com ele não vai ser diferente.

SUZI – E se ele morrer?

ZELÃO – A gente pega o corpo e joga na rua.

OS HOMENS SE APROXIMAM DE ZELÃO E AVISAM QUE FIZERAM O QUE ELE MANDOU. SUZI DEMONSTRA PREOCUPAÇÃO E ZELÃO FICA DE OLHO NELA.

CORTA PARA:

CENA 4 – EXTERNA/DIA – TERRENO BALDIO
O DIA AMANHECE. TODOS AINDA DORMEM NO ACAMAPAMENTO. SUZI ESTÁ DEITADA AO LADO DE ZELÃO. ELA SE LEVANTA, PEGA ALGUMAS COISAS E SAI. ZELÃO ABRE OS OLHOS E A VÊ SAINDO.

ZELÃO – O que você está arrumando, Suzi?

ZELÃO LEVANTA-SE E PEGA UMA PANELA E COMEÇA A BATER NO FUNDO DELA COM UM PEDAÇO DE PAU.

ZELÃO – Vamos lá, macacada. Hora de acordar.

ZELÃO CONTINUA BATENDO NA PANELA E O POVO VAI DISPERTANDO, PREGUIÇOSAMENTE.

CORTA PARA:

CENA 5 – EXTERNA/DIA – FUNDOS DO ACAMPAMENTO
JOEL ESTÁ JOGADO NO CHÃO COM OS PÉS E AS MÃOS AMARRADOS. ELE ESTÁ MEIO FORA DE SI. PARECE DORMIR, MAS GEME. O SANGRAMENTO PAROU. SUZI SE APROXIMA  E SE ALARMA COM O QUE VÊ.

SUZI – O que é isso? (TEMPO) Joel, Joel... Acorda.

JOEL – (DESPERTANDO) O quê? O quê?

SUZI – Você está bem?

JOEL – Me ajude a ir para um hospital. Eu preciso...

JOEL PERDE AS FORÇAS E SUZI PERCEBE QUE ELE ESTÁ SUANDO MUITO. ELA COLOCA A MÃO EM SUA TESTA.

SUZI – Você está queimando de febre. Preciso dar um jeito de tirar você daqui.

SUZI DESAMARRA JOEL.

SUZI – Vamos lá, Joel. Tenta se levantar. Eu te ajudo.

JOEL SE ESFORÇA PARA LEVANTAR, MAS NÃO CONSEGUE.

SUZI – Pelo menos se tivesse alguém para ajudar.

ZELÃO APARECE POR TRÁS.

ZELÃO – Eu não sirvo?

SUZI – Zelão?

ZELÃO – Está querendo desobedecer as minhas ordens, Suzi?

SUZI – Ele precisa de ajuda, Zelão. (TOM) Deixa levar ele para um hospital.

ZELÃO – (TOM) Não. Ele precisa aprender a respeitar a minha autoridade. (TEMPO) Larga isso aí e vai fazer o meu café.

SUZI SAI E ZELÃO SE APROXIMA DE JOEL.
JOEL – Me leva para um hospital, Zelão. Eu não vou aguentar.

ZELÃO – Devia ter pensado nisso antes de se meter com a minha mulher e querer achar que era diferente dos outros. Depois desse furo, você se iguala a todo mundo aqui. (TEMPO) Se bem que eu posso facilitar a sua vida.

JOEL – Como?

ZELÃO – Tenho aqui uma pedra de crack. Quer?

JOEL – Eu não mexo com isso?

ZELÃO – Eu sei que você prefere cachaça. Também trouxe aqui uma garrafinha para você. Mas eu faço questão que você queime essa pedra.

ZELÃO ENTREGA A GARRAFA DE CACHAÇA E JOEL A LEVA DIRETO À BOCA.

ZELÃO – Agora você queima essa pedra e vai ver como se sente melhor.

ZELÃO AJUDA JOEL A USAR O CRACK.

CORTA PARA:

CENA 6 – INTERNA/DIA – CASA DE BERNADETE – SALA
DONA MARGARIDA ESTÁ SENTADA NO SOFÁ. BERNADETE ENTRA VINDO DA RUA. ELE VÊ DONA MARGARIDA E VAI ATÉ ELA.

BERNADETE – Que tristeza é essa, mãe?

DONA MARGARIDA – É o seu irmão, Bernadete. Desde que ele me deixou aqui que não deu mais notícias. O que é feito dele, filha? Onde será que ele está vivendo?

BERNADETE – O Joel, sempre o Joel. Ele não se cansa de causar preocupação. Quando é que ele vai tomar jeito na vida?

DONA MARCARIDA – Seu irmão é uma boa pessoa, filha. Só é um pouco atrapalhado.

BERNADETE – Ele é muito atrapalhado, mãe. Pode deixar. Eu vou dar um jeito de procurar aquele amigo dele, o Fábio. Quem sabe ele tem notícias dele

DONA MARGARIDA – Faz isso, filha. Eu não me aguento de preocupação.

BERNADETE – Eu faço sim, mãe. Mas agora, vamos melhorar essa carinha triste.

DONA MARGARIDA – Enquanto não tiver notícias do seu irmão eu não me sossego. Às vezes tenho tido uns pressentimentos ruins.

BERNADETE – Deixa de bobagem, dona Margarida. O Joel sempre foi esperto. Ele deve estar muito bem.

CORTA PARA:

CENA 7 – EXTERNA/DIA – TERRENO BALDIO
ZELÃO ESTÁ PARADO. SUZI CHEGA.

ZELÃO – E então?

SUZI – Ele piorou muito, Zelão. Acho que ele não vai aguentar não. O ferimento está muito infeccionado. (TEMPO) Estava pensando em chamar o seu Ramiro.

ZELÃO – (TOM) Eu não quero aquele velho aqui.

SUZI – Nesse caso, o Joel vai morrer.

ZELÃO – E  você está com pena?

SUZI – É gente como a gente, Zelão.

SUZI – É só isso mesmo? (TOM) Cuidado, Suzi. Você sabe que aqueles que não se dobram à minha autoridade acabam morrendo.

CORTA PARA:

CENA 8 – EXTERNA/DIA – PORTA DO PRÉDIO ONDE FUNCIONA A FIRMA EM QUE JOEL TRABALHAVA.
BERNADETE ESTÁ PARADA. FÁBIO CHEGA.

FÁBIO – Desculpa o atraso, Bernadete. É que agora eu sou chefe. Nem sempre dá para sair. O seu Olavo...

BERNADETE – Eu é que peço desculpa, Fábio. (TEMPO) Estou atrás de notícias do Joel. Você sabe dele?

FÁBIO – Não, Bernadete. Faz tempo que não vejo o Joel.

BERNADETE – Ele não tem dado notícias, Fábio. Minha mãe anda muito preocupada.

FÁBIO – Pode deixar, Bernadete. Eu vou tentar localizar o Joel e entro em contato com vocês. (TEMPO) A dona Margarida está bem?

BERNADETE – Dentro do possível. O problema dela é o Joel. Ele não cansa de dar preocupação.

CORTA PARA:

CENA 9 – EXTERNA/DIA – PORTA DA RODOVIÁRIA NOVO RIO
VERINHA SURGE NO ALTO DA ESCADA ROLANTE. ELA DESCE CARREGANDO ALGUMAS MALAS E CAMINHA PARA O PONTO DE TÁXI. CONVERSA COM O MOTORISTA E ENTRA NO TÁXI. O TÁXI SAI.

CORTA PARA:

CENA 10 – EXTERNA/NOITE – FUNDOS DO TERRENO BALDIO
JOEL ESTÁ DEITADO NO CHÃO PRATICAMENTE INCONSCIENTE. ZELÃO, SUZI E ALGUNS HOMENS ESTÃO DO LADO DELE.  

SUZI – Não faz isso, Zelão.

ZELÃO – E qual saída que eu tenho? Esse homem não pode morrer aqui. Se isso acontecer, a polícia vai bater aqui. (PARA OS HOMENS) Pega e joga bem longe daqui.

OS HOMENS PEGAM JOEL E VÃO SAINDO. SUZI SE COLOCA NA FRENTE DELES.

SUZI – Não!

CORTA PARA:

FIM DO CAPÍTULO