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sábado, 17 de setembro de 2011

Questão de bom-senso

     É comum as pessoas confundirem seriedade com mau humor, falta de traquejo para levar a vida. Como se somente os extrovertidos soubessem o que é bom na vida. O resto é um bando de mau humorados que precisa afrouxar suas gravatas, desatar os seus cintos, lançar fora os sapatos apertados e ir para a avenida atrás do bloco dos felizes antes que seja tarde demais. Basta ver alguém que se preocupa um pouco mais com a correção, pontualidade, ou seja, pessoas com senso de responsabilidade para logo taxarem o dito cujo como alguém que não tem prazer de viver, que vive de mal com a vida.
      Com esse tipo de visão, na minha opinião, um tanto retorcida, muitos optam por levar a vida sem tomar muito a sério as coisas agindo, muitas vezes, de forma irresponsável e até leviana acreditando que assim estão se preservando de serem taxadas de pessoas que não  fazem parte do "deixa a vida me levar", como canta o "filósofo" Zeca Pagodinho.
    Muitos chegam a não levar absolutamente nada a sério. São capazes de dar gargalhadas num velório, perturbar o silêncio num hospital, profanar um ato religioso, rir da desgraça alheia. Em nome desse estilo de vida, não respeitam nada e nem ninguém. No popular, são aquelas pessoas que perdem o amigo mas não perdem a piada. Tudo o que fazem em nome da velha pergunta:
- Pra que levar tudo tão a sério?
    Para muitos essa forma de encarar a vida significa estar a salvo de problemas, aborrecimentos. Evitam tudo o que pode fazer pensar e assim trazer tristeza. A fome na África, os desastres naturais, as chacinas, tragédias nada lhes interessam. Por esse motivo, evitam tomar conhecimento das coisas chamadas indesejadas e beiram a alienação.
     Espera lá. É bem verdade que um pouco de bom humor não faz mal a ninguém. Alguns dizem, acertadamente, que rir é o melhor remédio. Só não podemos é rir de tudo, fazer da vida uma eterna piada. Concorda comigo? Tem hora para tudo nessa vida, não é? Tem hora de se divertir e tem hora do trabalho sério. Embora isso não signifique que há uma linha divisória entre as duas coisas. É claro que não há. Tem momentos em que as coisas se confundem um pouco mesmo, mas sempre... Aí a coisa pega. A pessoa corre o risco de, aí sim ,de ficar taxada de louca, de pessoa em que não de se deve confiar. Acha que existe coisa mais triste do que ser uma pessoa em quem não possa confiar, em quem não se possa contar numa hora de necessidade? Acredito que não. Por isso, temos que apelar para o bom senso, buscar o equilíbrio entre ser alguém de bem com a vida, que gosta de levar a vida sem fazer muito drama ou alguém simplesmente irresponsável.