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terça-feira, 26 de maio de 2015

A queda de Babilônia.

Resultado de imagem para imagem de babiloniaNão, eu não estou falando da Babilônia da Bíblia e, sim, de Babilônia, a novela das nove da Globo. Depois de um primeiro capitulo, que eu classifiquei de impecável, a novela não resistiu à primeira cena do segundo capítulo. Ali, ficou claro que aquele joguinho infantil de duas vilãs não teria o menor futuro.
Além, é claro, do fato de que os autores (três, mais dez auxiliares. Nunca vou entender por que tanta gente para fazer algo que basta uma pessoa) resolveram abrir mão do maior trunfo de uma história que é o mistério - nesse caso seria o batido "quem matou", mas que sempre funciona - e mostraram a criminosa tirando a vida de seu amante por uma razão, digamos, fútil. Ou seja, todo mundo sabe o que aconteceu, o resto é pura especulação. Bola fora.
A partir daí, ela passa a negar o crime e a fazer conchavos para mantê-lo em segredo. Essa trama poderia funcionar num filme, numa minissérie de dez capítulos, não numa novela de duzentos capítulos. Isso qualquer um sabe, até os que não sãos autores de novela. Estranho que alguém com a experiência de um Gilberto Braga e mesmo do Ricardo Linhares (dois dos autores principais) não saibam disso.
Para assistir Babilônia, ou qualquer outra novela, você precisa "comprar" a história. Nem precisa ser uma boa história. A prova disso é Império, a antecessor no horário, que tinha uma trama pífia, mas que a gente conseguia assistir com algum interesse.
Acreditar que o público iria compra essa história de uma mulher que mata e nada lhe acontece além de uns poucos aborrecimentos com uma amiga de adolescência que não sai do seu pé e uma filha querendo justiçar o pai poderia cair nas graças do telespectador é demais. O telespectador escreve novelas enquanto assiste e sabe todos os caminhos que uma trama deve seguir, o que interessa e o que não interessa. E esse papo de preconceito é pura mentira. Faz tempo que se vê homossexuais nas novelas e séries de televisão. O assunto está para lá de batido, ou desgastado. A questão é outra.
Talvez seja  o pessimismo da novela. Parece que ali nada tem jeito. O mundo está todo perdido e ninguém presta. O que não está longe de ser verdade, mas daí a alguém sentar-se na frente de uma televisão e sentir a mesma angústia que se sente no dia a dia é desesperador. Realidade sim, mas com um fio de esperança, por favor. A  novela não tem nenhum personagem que tenha caído nas graças do povo, não tem empatia. Falta um personagem com quem a gente se identifique, alguém que nos conquiste. Infelizmente, a protagonista, a excelente Camila Pitanga, acaba tornando-se chata em sua obsessão em ver na cadeia a assina do pai. 
Não se pode esquecer da eterna mania de se escrever "novela de rico" (coisa de Gilberto Braga, poderia se dizer) onde pobre sempre paga mico com suas grossuras e falta de modos. É evidente o "desconhecimento"  dos autores sobre a vida na favela e tudo soa artificial. Principalmente, o fato de rico ficar entrando e saindo da comunidade pobre como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.
Pena. Porque é uma produção bem cuidada (o padrão Globo), bom atores, mas a trama derrapa. De bom apenas o fato de ver que temos belos e competentes atores negros. Nunca se viu tantos reunidos numa mesma novela. Provavelmente, seja a única coisa que merece elogio.

domingo, 10 de maio de 2015

Sinal dos céus.

Resultado de imagem para imagens de sinais no céuO homem sempre buscou sinais do céu para guiar sua vida na terra. Basta uma passada de olhos na Bíblia e lá estão incontáveis exemplos. Talvez o mais conhecido deles seja a "estrela de Belém", aquela que guiou os três Reis Magos até o local onde Jesus tinha nascido. 
Mas não quero falar apenas de sinais. Do céu também vinham vozes, como a que falou com Moisés, e até se abria vez ou outra. O fato é que nos tempos mais remotos havia uma ligação mais estreita entre céu e terra. Era algo como a nossa comunicação de hoje. O homem olhava para o céu e falava diretamente com Deus sem muita burocracia. Parece que o próprio Deus estava mais disponível para o diálogo.
No entanto, com o passar do tempo, essa comunicação foi diminuindo e já não temos mais notícias  de homens que falam com Deus diretamente e ouve as respostas para as suas indagações. O que terá acontecido? Será que o homem perdeu o elo de ligação com o alto ou será que nos afastamos de Deus e Ele de nós.
Talvez nem uma coisa nem outra. O que houve é que ficamos a cada dia mais céticos. Os primeiros homens eram mais crédulos. Para eles, os sinais tinham muitos significados importantes para as suas vidas e era necessário que fossem interpretados. Coisa que hoje não fazemos mais muita questão. Deus fala, manda sinais e nós permanecemos cegos, surdos e mudos. 
Em algum momento, passamos a acreditar mais em nós mesmos que numa força criadora. Ou então, criamos um Deus que cabe exatamente dentro das nossas expectativas. Na verdade, um extensão nossa. Sem querer querendo voltamos aos tempos do paganismo e estamos sempre prontos a criar deuses de acordo com as nossas necessidades.
É por isso que assistimos a criação de tantas igrejas, tantas seitas. Basta uma igreja ou religião não nos agradar para que saiamos por aí criando algo que "caiba dentro dos nossos sonhos e expectativas". Decidimos que devemos ser aceitos do jeito somos, e temos razão de pensar assim, mas até que ponto? 
Precisamos, urgentemente, voltar a olhar para o céu. Quem sabe a gente tem algum "sinal" que nos dê a direção que tanto buscamos?

sábado, 2 de maio de 2015

Ilhas desertas.

Resultado de imagem para imagens de ilhas desertasQuem você levaria para uma ilha deserta? É bem provável que hoje em dia já não existam tantas ilhas desertas assim à nossa disposição e nem as pessoas usam mais esse tipo de indagação. Isso é coisa do passado. Pois é. O tempo passa. Antigamente, na verdade, nem tão antigamente,  essa pergunta era comum. 
Separavam-se as pessoas, ainda que de brincadeira, quais você levaria para uma ilha deserta e quais você não levaria.  Essa ilha poderia ser um lugar bom ou ruim. Dependia de quem você estava disposto a levar para lá. Caso fosse uma pessoa agradável, é claro, você não só não a levaria para a tal ilha como também ficaria lá fazendo companhia a ela, pois nesse caso o local seria uma cópia do paraíso e você não é bobo (a) nem nada parecido, né? Do contrário...
Particularmente, sempre achei a pergunta divertida, mas nunca cheguei a pensar em quem eu levaria e quem não levaria. Sempre achei que ilhas desertas são lugares inóspitos e que ninguém, nem mesmo os meus possíveis desafetos, mereceriam ser encerrados num lugar distante e sem condições mínimas de sobrevivência, ainda que de beleza descomunal. 
Porque, acredito, ilha deserta, por mais paradisíaca que seja, é lugar de desterro. Principalmente, nestes dias de internet e tecnologias avançadíssimas. Ninguém suportaria passar mais que duas horas desconectado do mundo. Sem dúvida, enlouqueceria.
Porém, nos últimos tempos eu tenho pensado muito na tal ilha deserta e cheguei a conclusão que existem sim algumas pessoas que mereceriam passar uma boa temporada por lá totalmente desplugado do mundo. Talvez assim, aprendam a viver em sociedade e a respeitar os direitos dos outros.
Gente que pensa ser dona do mundo, que só tem olhos para o próprio umbigo e que é incapaz de sequer lembrar que não está sozinha, que o mundo, para o bem e para o mal, é a casa de todos. Sim, porque as pessoas estão tão egoístas que agem assim até quando precisam da ajuda dos outros.
Dizem que isso é sinal dos tempos. Prefiro acreditar que talvez seja a ausência deles, os sinais. Estamos todos desnorteados. Ninguém sabe que caminho seguir e resolve criar uma trilha particular. Pensando melhor, acho que não preciso mandar ninguém para uma ilha deserta. Todos estamos nos transformando em ilhas. Ilhas perdidas em oceanos de lixo que fazemos questão de espalhar por onde passamos.