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domingo, 24 de março de 2013

Só a vida ensina - Capítulo 5


Com vocês mais um capítulo da nossa novelinha.

SÓ A VIDA ENSINA

Capítulo 5


CENA 1 - INTERIOR/DIA – CASA DE JOEL – SALA
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA 10 DO CAPÍTULO 4
ELMIR CONTINUA PARADO NA PORTA. DONA MARGARIDA ESTÁ À SUA FRENTE.

DONA MARGARIDA – O senhor está me assustando, seu Elmir.

ELMIR – Eu posso entrar? É que um assunto desses não deve ser falado assim no corredor, a senhor entende?

DONA MARGARIDA – Claro. (TOM) Entra, seu Elmir. O senhor aceita um café?

ELMIR – (ENTRANDO) Obrigado, dona Margarida. A conversa vai ser rápida. É que a portaria ficou sozinha... (TEMPO) O assunto que me traz aqui diz respeito ao seu filho, dona Margarida.

DONA MARGARIDA – O que tem o Joel?

ELMIR – Ele me fez um pedido...

DONA MARGARIDA – Ele andou pedindo dinheiro emprestado ao senhor?

ELMIR – Não. (TEMPO) Ele quer que eu minta pra senhora.

DONA MARGARIDA – Mentir? Que história é essa, seu Almir?

ELMIR – É a respeito do apartamento. (TOM) Teve um oficial de justiça aqui. (HESITANTE) É uma ação de despejo. A senhora vai ter que deixar o apartamento dentro de dois dias.

DONA MARGARIDA – O quê? (CAI DESMAIADA.)

ELMIR – (DESESPERADO) Dona Margarida, dona Margarida...

CORTA PARA:

CENA 2 - INTERIOR/DIA -  CASA DE JOEL - SALA
DONA MARGARIDA ESTÁ DEITADA NO SOFÁ TENDO ELMIR AO SEU LADO. JOEL ENTRA CORRENDO.

JOEL – O que foi que aconteceu?

ELMIR – Eu tava conversando com ela, de repente ela caiu desmaiada.

JOEL – O que você andou falando pra ela, seu boca mole?

ELMIR – Eu não podia continuar escondendo dela a verdade, seu Joel.

JOEL – Sai daqui, antes que eu lhe parta a cara, seu Elmir. Porteiro atrevido, filho da mãe.

ELMIR – (SAINDO) Dona Margarida não merece o que o senhor faz com ela. Ela é uma santa mulher.

JOEL – (GRITA) Sai daqui.

ELMIR – (SAI)

DONA MARGARIDA – O quê? (VENDO JOEL) Que situação humilhante, filho. Isso nunca me aconteceu na vida. (TOM) Diz que isso não é verdade, Joel.

JOEL – Tá tudo bem, mãe. Esse porteiro é um intrigante. (SEM CONVICÇÃO) Eu vou dar um jeito, a senhora vai ver.

CORTA PARA:

CENA 3 - EXTERIOR/DIA - BANCO DE UMA PRAÇA
JOEL E FÁBIO ESTÃO SENTADOS.

FÁBIO – Quer dizer que o porteiro deu com a língua nos dentes?

JOEL – O filho da mãe esperou que eu saísse e foi lá encher a cabeça dela com intriga.

FÁBIO – Se bem que ele acabou lhe prestando um favor. Mais cedo ou mais tarde ela teria que ficar sabendo mesmo.

JOEL – É verdade. (TEMPO) Pelo menos agora ela tá sabendo de tudo. Acabou a mentira.

FÁBIO – Qual é a data do despejo?

JOEL – Amanhã.

FÁBIO – O que você pretende fazer?

JOEL – Não faço a menor ideia.

FÁBIO – (TEMPO) E aquela sua irmã, a Bernadete?

JOEL – O que tem ela?

FÁBIO – Será que ela não pode lhe ajudar. Afinal de contas, a mãe dela está no meio disso tudo.

JOEL – (ANIMADO) Sabe que você tem razão. A Bernadete não pode negar ajuda pra sua própria mãe.
CORTA PARA:

CENA 4 - INTERIOR/DIA CASA DE JOEL - SALA
DONA MARGARIDA ESTÁ SENTADA NO SOFÁ. TELEVISÃO ESTÁ DESLIGADA. JOEL CHEGA, VINDO DA RUA. ESTÁ SOBRIO.

JOEL – Que cara triste é essa. mãe?

DONA MARGARIDA – Como queria que eu estivesse? Não dá pra estar feliz com uma ordem de despejo nas costas.  (TEMPO) E pensar que eu colocava todo o dinheiro da minha pensão na sua mão pra você pagar as contas... (TOM) Você me traiu, Joel. Não se faz isso com uma mãe.

JOEL – Calma, mãe. (TEMPO) Eu sei que eu errei... Mas olha, eu já tenho a solução.

DONA MARGARIDA – Solução?! Que solução?

JOEL – A solução é a Bernadete.

DONA MARGARIDA – O quê?

JOEL – Nós vamos pra casa dela!

DONA MARGARIDA – Você ficou maluco? O Ozias nunca vai aceitar a gente lá. Esqueceu que ele não gosta de você?

JOEL – Ele não gosta de mim, mas da senhora.... (TOM) O Ozias tem verdadeira adoração pela senhora. Ele não vai negar ajuda numa hora dessas. E depois tem a Bernadete. A casa é dela também.

DONA MARGARIDA – (DESESPERADA) Era só o que faltava, meu Deus.

CORTA PARA:

CENA 5 - EXTERIOR/DIA - PORTA DO PRÉDIO ONDE JOEL MORA
JOEL, DONA MARGARIDA, ELMIR E ALGUNS VIZINHOS ESTÃO REUNIDOS. É UMA ESPÉCIE DE DESPEDIDA. PRÓXIMO DALI, FÁBIO  ESTÁ ENCOSTADO EM UM CARRO, COMO SE ESPERASSE.

DONA MARGARIDA – (EMOCIONADA) Eu vou sentir muita falta disso tudo aqui. Quantos anos...

ELMIR – Todo mundo aqui vai sentir falta da senhora também, dona Margarida. Moradoras como a senhora existem poucas.

JOEL – Você vai sentir saudades é dos lanches que ela lhe dava, seu Elmir. Fala a verdade.

ELMIR – (SORRINDO) Não posso negar. O lanche de dona Margarida era especial.

JOEL – Agora, vamos. O Fábio tá esperando.

O POVO SE DESPEDE DE DONA MARGARIDA. JOEL E DONA MARGARIDA CAMINHAM PARA O CARRO.  ELES ENTRAM E FÁBIO DÁ PARTIDA. ENQUANTO O CARRO PARTE, ELMIR E OS VIZINHOS ACENAM EM DESPEDIDA.

CORTA PARA:

CENA 6 - EXTERNA/DIA - UMA RUA QUALQUER DE UM BAIRRO DO SUBÚRBIO
UM CARRO ESTACIONA NA PORTA DE UM PRÉDIO. DELE SAEM O MOTORISTA, FÁBIO E O CARONA, JOEL. POR ÚLTIMO, DO BANCO DE TRAZ, SAI DONA MARGARIDA. FÁBIO TIRA ALGUMAS MALAS DO PORTA MALAS E COLOCA NO CHÃO.

FÁBIO – Estão entregues.

JOEL – Não vai entrar para um café?

FÁBIO – Não vai dar. Tenho que voltar. A Marluce está me esperando.

JOEL – Isso vai acabar em casamento. É melhor sair fora enquanto é tempo.

DONA MARGARIDA – Que conversa é essa, Joel? (TEMPO) O Fábio não é como você que vive enrolando a pobre da Verinha. Fábio é rapaz sério.

JOEL – (FINGINDO-SE DE OFENDIDO) E eu não sou?

A PERDUNTA FICA NO AR. FÁBIO SE DESPEDE, ENTRA NO CARRO E DÁ PARTIDA. JOEL E DONA MARGARIDA SE PREPARAM PARA ENTRAR NO PRÉDIO. DONA MARGARIDA PARECE MUITO HISITANTE.

CORTA PARA:

CENA 7 - INTERNA/DIA  - CASA DE BERNADETE - SALA
CASA SIMPLES, MAS BEM ARRUMADA. JOEL E DONA MARGARIDA ESTÃO DIANTE DE BERNADETE. BERNADETE SE MOSTRA MUITO SURPRESA.

BERNADETE – Que novidade é essa? Vocês aqui?

JOEL – (FINGINDO) É que a mãe tava com muita saudade de vocês. Não é, mãe?
DONA MARGARIDA – O quê?

JOEL – A senhora estava com saudade de sua filha desalmada.

DONA MARGARIDA – (DISTRAÍDA) É isso. Eu estava com saudade.

BERNADETE – (DESCONFIADA) Está tudo bem?

JOEL (APRESSANDO-SE EM RESPONDER PARA IMPEDIR QUE DONA MARGARIDA DIGA ALGUMA COISA) Claro que está tudo bem. E por que não haveria de estar?

NINGUÉM FALA MAIS NADA. BERNADETE FICA SEM AÇÃO DIANTE DA MÃE E DO IRMÃO. SÓ CONSEGUE OLHAR PARA AS MALAS, GRANDES DEMAIS PARA UMA SIMPLES VISITA.

CORTA PARA:

CENA  8 - INTERNA/NOITE - CASA DE BERNADETE -  SALA
ESTÃO PRESENTES JOEL, DONA MARGARIDA, BERNADETE, OS DOIS FILHOS DELA (UMA MENINA E UM MENINO DE 8 E 10 ANOS).

JOEL – (TENTANDO SER SIMPÁTICO, SE DIRIGINDO AOS SOBRINHOS) Vocês não estavam com saudades da vovó?

MENINO – Estava.

JOEL – E você Jéssica?

MENINA – Eu também.

MENINO – Quem não tava com saudades é o papai.

SURGE UM GRANDE CONSTRANGIMENTO. BERNADETE REAJE NERVOSA.

BERNADETE – O que é isso, Artur? Que história é essa?

MENINO – É verdade. O papai não gosta do tio Joel. Acha que ele é um malandro, cachaceiro.

BERNADETE – Sai daqui, seu pestinha. Vai lá pra dentro, anda.

MENINO – (SAI EMBURRADO) – Não se pode falar nada.

BERNADETE – Essas crianças...

SONPLASTIA DE PORTA SE ABRINDO. ENTRA OZIAS, O MARIDO DE BERNADETE. AO VER JOEL E DONA MARGARIDA REAGE COM ESPANTO.

OZIAS – O que significa isso?

CORTA PARA:
FIM DO CAPÍTULO