Pesquisar este blog

junho 12, 2022

Dando asas às nossas insatisfações.

 


Não é raro encontrar pessoas insatisfeitas com o corpo (a aparência, o sexo, a raça), a profissão, a situação financeira, a família, com o lugar que ocupa na sociedade, o pais onde nasceu e vive. Enfim, não falta motivos para estar insatisfeito. Talvez esse seja o grande problema de nosso tempo. Afinal de contas, quem em algum momento não desejou ser diferente do que é (ser mais alto ou mais baixo, mais claro ou mais escuro, gordo ou magro) ou até ser outra pessoa, não é mesmo? A sensação é de que está tudo errado, que sempre recebemos exatamente o oposto daquilo que pedimos ou desejamos. 

Até um tempo atrás isso era visto como sacrilégio (acreditava-se que, como criações de Deus, deveríamos viver da maneira que nascemos como  forma de obediência ao Criador) e ainda havia aqueles classificavam as insatisfações como mera falta do que fazer, justificando que a vida é muito curta para se ficar perdendo tempo com bobagens. No entanto, nos últimos tempos a coisa mudou. O constante avanço da ciência e das tecnologias possibilitou não somente expressar nossas insatisfações, mas também nos livrar delas.

E é nesse momento que as coisas se tornam perigosas, pois no afã de estar constantemente interferindo no corpo, seja acrescentando ou subtraindo, corremos o risco de acordarmos num belo dia transformados em algo que não seja aquilo que éramos antes. nem mesmo exatamente aquilo que tanto almejamos ser. Nesse caso, a insatisfação dá lugar ao arrependimento, à frustração que, em muitos casos, não têm como reverter.

Antes de dar asas às nossas insatisfações e desejos de ter um corpo ideal devemos pensar que, por sermos humanos, jamais estaremos completamente satisfeitos com o que quer que seja. Insatisfações e desejos de mudança fazem parte da nossa nature. Se assim não fosse, ainda estaríamos vivendo nas cavernas.

Bom domingo.