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sábado, 25 de setembro de 2010

Votar certo, votar errado.

     Com a proximidade do dia das eleições, volta com mais força a discussão sobre o voto. Muitos são os programas (televisão ou rádio), matérias de jornal, enquete na Internet, propagandas e afins que tratam do assunto. Todos falam da importância do voto, de que devemos usar o nosso voto de maneira correta e que ele é a nossa "única" arma para mudar esse país que, haja vista, está sempre precisando de mudança, principalmente por causa das nossas más escolhas. Nesse falatório a respeito do voto está sempre implícito (ou explícito) que nós não sabemos votar e que, por isso, o país está do jeito que está, ou seja, na bancarrota. Segundo eles, nós somos os culpados de tudo. Se nós soubéssemos votar, se nós escolhêssemos direito nossos governantes... Só falta nos condenar ao fogo do inferno.
     Exageros à parte, não é difícil dar uma certa razão para eles. Afinal, um país (qualquer um) precisa ser governado por pessoas (homens e mulheres) de caráter, capazes de trabalhar pela melhoria de vida da população e não por seres ávidos de enriquecerem, dispostos a qualquer coisa para colocar alguns (muitos) trocados no bolso, insensíveis aos problemas do país como a fome, a falta de habitação, o desemprego, a violência, as drogas, o cuidado com a infância, a juventude, a velhice e tudo o mais. Infelizmente, é isso que vemos em nosso país: falta de respeito com o eleitor (os que votam e os que não votam), falta de compromisso com os princípios básicos da vida, falta de respeito com a coisa pública, com o coletivo.
     Não é difícil afirmar que todos aqueles (sem exceção) que entram na política têm por objetivo apenas cuidar dos seus próprios interesses, todos querem apenas "se darem bem", arranjar um bom emprego, com muita mordomia e com direito a fazer muita maracutáia, muita negociata, muito conchavo, muito loby. Pouco se importam com as necessidades da população que, para eles, é apenas massa de manobra, um trampolim para eles chegarem onde querem, mais nada. Por isso, usam e abusam de atrativos e promessas no período de campanha eleitoral. É nesse momento que seduzem os eleitores se fazendo de bonzinhos e salvadores da pátria. E muitos eleitores se deixam levar por esses falsos encantos, essas falsas promessas. O resultado todos nós já conhecemos há séculos: escandâlo atrás de escândalo e o dinheiro dos impostos indo pelo ralo abaixo, quero dizer, para as contas no exterior.
     É por isso que não concordo que haja voto certo ou voto errado. Todos votamos certo. Mesmo aqueles que votam de olho em alguma compensação porque, afinal, votamos interessados na melhoria de nossas vidas, do nosso país, da nossa gente. E nisso não há nada de errado. O que não pode é haver pessoas que querem se tornar políticos para melhorar as suas próprias vidas, pouco ligando para os outros. Pessoas que embolsam o dinheiro da merenda escolar, da educação, da saúde, dos transportes, das estradas, do meio ambiente, do saneamento básico, da dragagem dos rios, das aposentadorias... Pessoas que vêm pedir nosso voto para nos trapacear descaradamente.
     Confesso que estou com dificuldade para escolher os meus candidatos. Não estou conseguindo fechar uma lista com todos os cargos: deputado estadual, deputado federal, senadores, governador e presidente. Está muito difícil, os candidatos que se apresentam não se mostram criveis. O dia está chegando... O pior é que depois ainda posso ser taxado de não saber votar.