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sábado, 29 de setembro de 2012

Castelos de areia.

Château de sable     "Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira", diz a canção. Mas parece que no nosso dia a dia a coisa é bem diferente, É comum as pessoas seguirem um outro conselho: aquele que diz que mentiras inocentes ou por uma boa causa, não fazem mal a ninguém. Será mesmo verdade? Vale mesmo a pena passar a vida mentindo para si mesmo como forma de tentar se proteger?
     Há quem acredite que sim e nem se importe muito em separar o que é verdadeiro do que é falso. Contam histórias, tecem planos, fazem afirmações que em nada correspondem a verdade. E assim vão levando a vida. É como se tanto fizesse, se não houvesse diferença entre uma coisa e outra. A vida passa a transcorrer mais no plano da imaginação que no plano da realidade.
     E isso é totalmente arriscado. Cedo ou tarde a realidade bate à nossa porta e cobra de nós um mínimo de compromisso com os fatos. Chega o momento em que não estamos mais em sociedade e que não são as outras pessoas que têm que acreditar naquilo que estamos dizendo, mas nós mesmos. É aquele momento em que prestamos contas a nós mesmos, sozinhos com a nossa própria consciência, em que pouco importa o quanto convincente nós somos ao romancear a nossa história.
      O que importa de verdade é como nos vemos, a imagem real que temos de nós mesmos. Nesse momento, caso tenhamos o hábito de mentir para os outros, seremos até capazes de alertar a nós mesmos:
- Para de mentir, fulano (a). Você está sozinho (a). Não tem ninguém te ouvindo. Pode deixar cair a máscara. Pode encara a realidade.
      Parece duro e até um tanto melodramático, mas tem muita gente que vive assim: cria um mundo de fantasias e mentiras. Na frente dos outros contam histórias maravilhosas, feitos mirabolantes, viagens, passeios, negócios, conquistas. Quando está só é obrigado (a) a encarar uma realidade dura e que nada tem a ver com aqueles castelos de areia construídos tão próximos das ondas furiosas do mar.
      A onda vem e destrói tudo o que foi meticulosamente construído. Às vezes criar e manter uma mentira é mais difícil do que encarar a realidade. Aquele que mente tem sempre que estar atento, qualquer deslize tudo pode ruir e a verdade aparece nua e crua e, acima de tudo, ameaçadora, cruel.
     Tudo isso por que? Porque preferiu criar um mundo irreal a viver a vida como ela é. Ou então, recusou tentar de maneira honesta e verdadeira transformar a realidade que não agradava em algo melhor. E isso é sempre possível.  O que não compensa é criar escapes, fugas, saídas que não levam a lugar nenhum.
     Por mais que a realidade seja dura, o melhor caminho é enfrentar. Seja em que circunstância for. Não podemos nos esconder atrás dos problemas, fugir deles como crianças amedrontadas. Depois de uma noite sempre vem o dia. Nada dura para sempre. E quando enfrentamos os problemas, eles diminuem de tamanho, de intensidade. É só encarar tudo de frente, sempre buscando forças dentro de si, incentivando a si mesmo à luta, a dar o próximo e decisivo passo rumo a uma vida livre de mentiras.