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terça-feira, 12 de maio de 2009

Aniversário da Sopa das Quartas feiras - 5 anos

Hoje a "Sopa das quartas-feiras no Largo do Machado, faz cinco anos. Tenho motivo de sobra para comemorar, afinal são cinco anos de um trabalho com o qual sempre sonhei. As pessoas não fazem ideia do número de pessoas que vivem pelas nossas ruas, principalemente à noite, disfarçadas de simples transeuntes e que no fundo só estão à espera que o movimento diminua ou acabe para que elas se acomodem num cantinho e possam dormir ou simplesmente descansar o corpo. É esse o principal alvo da "Sopa": pessoas que vivem nas ruas, em sua maioria provinientes de outras cidades, desempregados, vencidos pelos vícios, ex-presidiários, pessoas que vivem à margem da nossa tão decantada "boa sociedade". A "Sopa" não faz distinção de pessoas e todos aqueles que querem tomá-la são benvindos. Sabemos que nossas ruas estão cheia de marginais, fugitivos da polícia, pivetes, mas não somos juizes de nada e nem de ninguém. O que sabemos é que existe uma situação de orfandade, um abandono generalizado, um "não estou nem aí" que a cada dia se torna mais visivel. Não como ignorar a situação de nossas ruas, o número de crianças e mendigos nas ruas é cada vez maior. Em nossas caminhadas pela cidade encontramos famílias inteiras, crianças nascem e crescem nas ruas, às vistas de todos, poder público e sociedade. Nesses cinco, não contei quantas quartas-feiras foram, apenas sei que não faltamos nenhuma desde então, pois firmamos um compromisso com esses nossos irmãos de rua e não podemos recuar. Apesar de a cada quarta-feira apresentar sua peculiaridade, nunca somos recebidos da mesma forma, as vezes afetuosamente, as vezes com indeferença ou até violência como o dia em que uma mulher atirou um ponte sopa, que é servida quente, longe quase acertando uma de nossas colaboradoras ou o dia em que o caro do André, nosso "digamos" motorista, teve o vidro da porta violentamente quebrado e o seu toca-fitas roubado, deixando-nos estarecidos, mas não sem ânimo para continuar. Pois já enfrentamos duas mudanças súbitas de endereço e tivemos duas grandes colaboradoras que abandonaram a "Sopa" sob a alegação de terem sido ameaçadas de assalto por alguns rapazes que recebiam a sopa e com elas levou, além de outros colaboradores, levaram também alguns apoiadores importantes, deixando-nos de uma hora para outra meio sem chão. Tem também as constantes chuvas que caem sobre a cidade do Rio de Janeiro, inundando a rua do Catete e adjacências, locais pelos quais circulamos com nossa sopa, o que vale pedir ao nosso prefeito que em seu choque de ordem também inclua a limpeza dos bueiros para melhor escoamento da água da chuva, pois é grande a desordem causada pelo alagamento das ruas, além das pessoas ficarem impedidas de caminharem. Problemas que superamos para poder seguir em frente com o nosso objetivo de doar um pouco do nosso tempo e do nosso amor para aqueles que por um momento estão privados. Aqui vale um agradecimento especial a todos aqueles que colaboram com a nossa sopa e aqueles que, se não colaboram mais, coloboram um dia.
Nosso agradecimento a:
Cristina , Cátia, Adelaide, Sérgio, Márcia, Ronaldo Daniel, Centro Cruz de Oxalá, Suely, Dona Elza(in memorian), Denise, Eloisa, Sílvia, Connie, Suzy, Clívia, Juliana, André, César, José Angelo. Wallace, e muitos outros e principalmente a Deus.
Obrigado!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Choque de ordem

Sou o primeiro a reconhecer que a nossa cidade andava (e anda) uma verdadeira bagunça, com as ruas e passeios sendo usados de maneira desorganizada, um verdadeiro caus e que a ideia de nosso ainda novo prefeito de colocar uma certa ordem na bagunça é muito bem vinda. O que acontece é que nosso prefeito parece achar que o maior problema de nossa cidade ( e talvez não deixe de ter razão) é a população de rua, e que basta recolher os mendigos para que todos os ânimos sejam acalmados e que a população ( a que não é de rua, embora ande na rua e a use mal) fique satisfeita. Concordo que nossos irmãos de rua não podem ficar a mercê da sorte e que alguma coisa deva ser feita por eles. Não apenas para tirá-los das ruas e escondê-los num "depósito" qualquer, mas que algo de efetivo seja feito. Por isso, pergunto: qual é o destino que essas pessoas têm ao serem "recolhidas"? Para onde elas são levadas e qual o tratamento ou ajuda que recebem? Qual é o plano de nosso prefeito para elas? Apenas tirá-las da vista de todos como que varrendo a "sujeira" para debaixo do tapete? É essa a sensação que tenho toda vez que vejo um ônibus "cata mendigo" parado na minha porta na rua do Catete. Dentro do ônibus vejo pessoas sentadas prontas para partirem para um destino que creio seja ignorado para elas como é para os bois quando vão para o matadouro. Gostaria muito de saber qual destino elas têm. Se recebem tratamento, alojamento, se são encaminhadas para emprego ou cursos profissionalizantes. Pois não basta tirá-las da rua num ato para "inglês ver" e depois deixá-las ao o prontas para voltarem para as ruas logo em seguida. Tenho experiência no assunto, pois já vivi essa situação de morador de rua e já usei os serviços da Fundação Leão XIII que na época ( anos 1990) eram péssimos e que nada mudaram nos últimos anos ( haja vista uma visita que fiz à uma unidade da Leão XIII no último natal, quando pude constatar que tudo continua muito parecido com o que eu vi e vivi), infelizmente. Por isso, quando vejo o "ônibus" não deixo de ficar preocupado quando o "destino" desses meus irmãos. E temos (eu e o pessoal da "Sopa das quartas-feiras") recibo relatos de moradores de rua que foram "recolhidos" em Copacabana e "soltos" na Dutra, entregues à própria sorte. Não posso afirmar que os relatos são verdadeiros ou não, mas também não posso deixar de denunciar. É preciso dar voz aos moradores de rua. Nosso sociedade precisa parar de vê-los apenas como algo que enfeia a paisagem, são pessoas, seres humanos vivendo um momento de exceção seja pelo motivo que for. Apelo para o lado cristão de todos nós: como Jesus nos ensinou, devemos nos voltar mais para o nosso próximo. E nesse dia do trabalho talvez nosso próximo esteja precisando de um emprego, um dos maiores motivos que levam um indivíduo para as ruas.
PS. - Quem tiver alguma resposta para as minhas indagações, não deixe de postá-las aqui. Ficarei muito agradecido.