Pesquisar este blog

quinta-feira, 29 de março de 2012

Todo julgamento é apressado e injusto.

     Se formos perguntados se gostaríamos de vestir uma toga de juiz e sair por aí proferindo sentenças,  é quase certo que todo mundo diria que não. Tem até aqueles que vivem com uma conhecida frase na ponta da língua,  pronta para as ocasiões em que se vê obrigado a tomar partido:
- Me tira dessa. Não sou juiz de coisa nenhuma.
     Seria muito bom se isso fosse verdade. Evitaria de sairmos por aí condenando a todos a torto e a direito. É isso mesmo. Por mais que não queiramos admitir é isso que o mais acontece: vez por outra nos colocamos na condição de juízes e aí, sai de baixo. Nossos julgamentos são implacáveis. Não deixamos pedra sobre pedra. Condenamos sem pestanejar. E o que é pior, os julgamentos são sumários. Não damos à vítima o direito à defesa ou apelação.
     Eu sei que você deve estar pensando que sou um exagerado, que as coisas não são bem assim. Você não deixa de ter razão: a gente quase não percebe quando está tendo esses arroubos. É tudo instintivo. Achamos que estamos apenas sendo francos e exercendo nosso direito de ter um posicionamento, uma opinião sobre aquele assunto.
    Quando vemos estamos dando nossas sentenças, dizendo que se fossemos nós faríamos assim ou assado, que a pessoa em questão errou por isso e por aquilo, que foi um(a) bobo(a) em não notar a burrada que estava  fazendo ou  que agiu mesmo de má fé e que não tem perdão.
     E essas atitudes não aparecem apenas quando estão em jogo grandes questões, elas acontecem mais é no nosso dia a dia, na nossa vida cotidiana, no nosso meio social e, o que é pior, entre aqueles que mais amamos. Pois é. Justo com eles é que costumamos ser mais duros. É comum um pai ou mãe não ver nada demais no filho do vizinho repetir de ano. Afinal, levar uma bomba é normal e não significa que o aluno seja burro e que isso vá impedí-lo de se recuperar no ano seguinte.  Agora, se for seu filho...
     Assim é com tudo na vida: entre irmãos, nas amizades, no amor. Apesar de termos plena consciência de que não vivemos num mundo perfeito, que todos somos passíveis de erros, que todos cometemos enganos, ainda continuamos agir como juizes ferozes. Quando na verdade deveríamos ser mais amarosos e ter mais compreensão, senso humanitário.  Até porque, muitas vezes, o réu que está sendo julgado somos nós mesmos. É, somos muitos severos também com a gente mesmo. E olha que em muitos casos isso se dá por bobagens.  É quando não apenas nos julgamos e condenamos, mas nos maltratamos.
     É ai que está a questão: para quê sermos tão implacáveis? É verdade que não devemos sair por aí passando a mão na cabeça de todo mundo só para não parecer injustos.  Um erro cometido sempre precisa de reparação. Não fosse isso, seria o caos. Mas precisamos conhecer bem os fatos antes darmos nosso parecer, antes de condenarmos. 
       Todo julgamento é apressado e injusto, pois sempre surgem novas evidências fazendo com que nossa opinião vacile. Todo julgamento é apenas uma opinião, um parecer que pode mudar de pessoa para pessoa.