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terça-feira, 27 de março de 2012

A capa do vingador.

      Você certamente conhece aquele tipo que gosta de tomar as dores de todo mundo. Tudo o que acontece com os outros é como se estivesse acontecendo com elas. Tudo o que dói nos outros, dói nelas. Quem as olha de longe, vê nelas pessoas boas e virtuosas. Afinal, quem não admira uma pessoa capaz de tanto altruísmo, capaz de se condoer das dores do seu semelhante?  Muita gente. Principalmente num mundo como esse em que vivemos, onde há tantos desvalidos, pessoas sem vez e sem voz. Excluídos que vagam por aí a espera de ajuda, de uma oportunidade de pertencer.
     Porém, essas pessoas não são nada disso. Antes fossem. Seria capaz de passar horas a fio falando, ou escrevendo maravilhas sobre elas. Acho mesmo que o mundo é carente desses seres. É por isso que quando eles aparecem no mundo são, muitas vezes, elevados (com toda justiça) à condição de verdadeiros santos.
     Falo, sim, daquelas pessoas que têm o hábito de tomar as dores de todo mundo acreditando que todas as pessoas que as rodeiam não têm condições de se deferem,de falarem por si mesmas, dependendo o tempo todo de ajuda, de  defesa. Eles agem como verdadeiros super-heróis e a todo momento estão prontas para vestir sua capa de vingadores e saírem por aí dispostos a lavrar a honra de todos. Em tudo veem maldade, desonra, ofensa. Para elas tudo é motivo para disputas judiciais e para recebimento de altas indenizações.  Não aceitam que as pessoas possam ter ideias diferentes e mesmo divergir em determinados assuntos, ou até em todos os assuntos, sem , por isso, serem inimigas.
     São também caçadores de uma causa na qual possam se apoiar, que possam transformar em plataforma, para então ganharem o destaque que tanto buscam. Não raro se transformam em líderes populares conhecidos na rua, no bairro, na cidade. Daí para ingressarem na vida política é um pulo. Candidatam-se a vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, chegam a ministros. Os mais ousados tentam a presidência da república.
     Essas pessoas estão sempre presentes em todos os níveis da sociedade. Fazem-se amigas de todos e geralmente não têm uma posição muito clara ou definida em relação àquilo que está sendo proposto, discutido. Mantêm-se à margem dos acontecimentos e ao serem chamadas a assumirem uma posição mostram-se esquivas, incapazes de definir posições. Isso é para não ficarem "mal na fita". Pois uma opinião mal dada pode botar a perder sua aspiração de poder. Seu objetivo é sempre ser amigo de todos, agradar a todos, mas, sobretudo, passar uma ideia de proteção, de amparo. 
    No entanto, tudo o que querem é "se dar bem". No fundo estão se lixando para os problemas dos outros e tudo não passa de uma farsa montada para enganar os incautos. Prova disso são as ONGs que proliferam por aí, os nossos políticos carreiristas, os falsos líderes com os quais podemos topar a todo momento.