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sábado, 29 de março de 2014

Tributo à saudade.

   Quem costuma usar as redes sociais, vai entender logo do que eu estou falando, ou seja, do quanto as pessoas têm feito questão de lembrar das coisas do passado.   Vira e mexe e lá está alguém postando fotos, sempre elas, de pessoas e acontecimentos dos quais muitos já haviam esquecido.

    E vale tudo: casamento, batizado, formatura, carnavais, férias, idas à praia,    piqueniques. O importante é matar a saudade dos velhos e bons tempos. Um verdadeiro tributo à saudade. Tudo no bom estilo, éramos felizes e não sabíamos.

     Estranho como temos o hábito de achar que no passado tudo era melhor que no presente. Sem dúvida, isso tem muito de verdade. Mas ninguém pode negar que tudo isso não passa  de uma grande idealização, de uma visão romântica daquilo que já vivemos, daquilo que está pronto e acabado e que não podemos mais fazer nada para mudar. 

    Diante disso, muitas vezes, só nos cabe apagar todas as coisas chatas que envolvem aquele episódio eternizado na fotografia. Até porque fotografia é algo estático, é um momento congelado. O antes e o depois jamais ficam evidentes. Por isso, basta um sorriso para ficar a impressão de felicidade, um abraço afetuoso para se acreditar que vivia-se uma grande amizade ou um grande amor.

    Não quero, com esse post, desmerecer ou botar em cheque o valor das lembranças de cada um. A minha intenção é, na verdade, falar da tão propalada  modernidade. Cada vez mais buscamos nos atualizar no que há de mais novo no mercado, seja no que diz respeito às parafernálias eletrônicas ou em atitudes ditas modernas.

      No entanto, ninguém consegue esconder  que tem saudade do tempo em que tudo era mais simples e que  éramos, ou nos julgávamos, mais felizes. E, geralmente, felizes com muito pouco.

terça-feira, 18 de março de 2014

Pra vida melhorar.

      Antigamente, e bota antigamente nisso, as pessoas procuravam as religiões com o intuito de buscar a salvação de suas almas e livrar-se da danação do inferno. O tempo passou. As pessoas já não acreditam tanto assim em danação do inferno. Passou a imperar a crença de que o inferno é aqui e não que precisamos     morrer para encontrá-lo do outro lado.
      Por isso, durante muito tempo, as religiões ficaram relegadas ao mero compromisso social. Fazer parte de uma igreja ou seita seria apenas uma forma de pertencer a um grupo social ou filosófico.    Muitos herdavam suas crenças dos pais, avós e parentes influentes.
     Nem sempre seguir uma religião implicava em professar verdadeiramente uma fé. Os pais mandavam e os filhos obedeciam sem questionar. E os que questionavam eram tidos como rebeldes e eram alijados do grupo social.
    Talvez nos dias de hoje a coisa não tenha mudado muito, mas já é possível ter mais independência de pensamento e filhos já não seguem tão a risca o que os pais ou mais velhos determinam em relação a assuntos religiosos, principalmente.
      Seria muito bom se as pessoas só procurassem as religiões quando por elas se sentissem atraídas e quando as doutrinas e filosofias por elas defendidas calassem fundo em suas almas. Assim, teríamos verdadeiros religiosos, pessoas convictas daquilo em que acreditam e que levariam para as suas vidas diárias tudo que se ensina e se vivencia nos templos.
     No entanto, o que vemos hoje em dias são pessoas escolhendo religiões de acordo, não com os princípios por elas pregados, mas pelo que elas oferecem no quesito prosperidade financeira. Todos querem prosperar, ganhar muito dinheiro e mostrar para todo mundo que está bem. Até aí, nada de mais. Esse é um desejo justo. Porém, não pode ser a única razão para que procuremos uma ligação com Deus.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O exemplo da família do ator Paulo Goulart.

    Culturalmente, ainda não conseguimos ver a morte (falência do corpo) como um fato natural. Mesmo sabendo que ela vem de qualquer jeito para todo o ser vivente. A cada vez que ela chega para algum conhecido ou parente temos sempre a mesma reação:
- Que pena!
     Familiares e amigos se debulhavam em lágrimas e todos vivem momentos de desalento e dor. Parece que o mundo acabou. Reagimos assim sempre, embora saibamos que o mundo vai continuar seguindo sem aquela pessoa ou pessoas, apesar de toda a dor que essa "separação" nos causa.
    Por isso, talvez cause estranheza a entrevista que a atriz Nicete Bruno, viúva do ator Paulo Goulart, e os seu filhos deram logo após o seu falecimento. Espíritas confessos, eles agiram da maneira que todos nós devíamos reagir. A morte é apenas uma separação, uma viagem. Nada tem de tão trágico e desesperador.
   Triste é ver um ente querido sofrer e querer mantê-lo vivo só para evitar a dor da separação. Pensar assim é egoísmo. Devemos deixar ir em paz aqueles cuja a hora de partir chegou. Não podemos aumentar o sofrimento daquele que parte entrando em desespero. Nada há de obrigatório nem de bonito em manifestações desesperadas.
   Dessa maneira, o exemplo da família Goulart é muito importante. Que todos nós assim agíssemos nas nossas despedidas. Haveria menos lamentação e ranger de dentes e mais serenidade e respeito pelos que partem para as outra moradas da casa do Pai..
   Os feitos daquele que parte, no caso o talento e a pessoa de Paulo Goulart, esses, como seu próprio filho disse, ficam para sempre em nossos corações.
   Só nos resta, não fazer festa, nossa cultura não é assim, mas agradecer pela vida daquele parte. E Paulo Goulart deve estar feliz de ter cumprido a sua a contento.
A vida continua.

sábado, 8 de março de 2014

Por quê você sumiu?

      Por quê você sumiu, não deu mais notícias? Quantas fazemos ou ouvimos essa pergunta? Muitas, não é mesmo? Geralmente, ouvimos uma explicação genérica e damos a coisa por encerrada. Quase nunca nos preocupamos em saber o verdadeiro motivo do afastamento ou do "sumiço".
     São muitas as razões que levam uma pessoa a sair da vida de alguém. Na maior parte das vezes isso se dá por motivo de mudança, saída de emprego, brigas e desentendimentos. Mas o que mais leva as pessoas a se afastarem uma das outras é a falta de interesse.
     Como no amor, as pessoas percebem quanto não são mais queridas, desejadas o bastante para justificar a sua presença perto do outro. Ninguém pode negar que como no amor as amizades também têm o seu tempo. Nada dura para sempre, não é verdade? 
    Por outro lado, quando sentimos que a pessoa se afastou nos damos conta de que ela era importante para nós e que não demos a atenção devida, não dizemos que gostávamos de sua presença e de sua companhia.
    Isso nos leva a conclusão de que é preciso cuidar das nossas amizades tal como quem cuida de uma canteiro de flor: se não regar todos os dias, as plantinhas acabam morrendo.
    A vantagem é que, diferente das plantas que costumas não reviverem depois de secas, a amizade pode ser reconquistada. Podemos nos reaproximas das pessoas e dizer o quanto elas são queridas e o quanto estávamos enganados em não ver isso.
    Portanto, se existe alguém que sumiu da sua vida, procure ver se não foi por falta de atenção e cuidado. Se for, e achar que vale à  pena, corre atrás e regue essa plantinha. Com certeza, ela vai voltar a se destacar no seu jardim

terça-feira, 4 de março de 2014

Sombra e água fresca.

     Incrível como estamos nos tornando cada vez mais pessoas que agregam coisas desnecessárias ao seu dia a dia com a desculpa de querer facilitar a vida. Que necessidade é essa de querer facilitar tudo? Será que, definitivamente, não podemos encontrar um pouco de dificuldade em nossa vida diária? Tudo precisa ser fácil ou facilitado o tempo todo?
     Eu não tenho resposta para essas perguntas. Mas creio que este não deve ser o caminho mais certo. A partir do momento em que buscamos, e muitas vezes encontramos essas facilidades prometidas nas muitas propagandas  que recebemos à toda hora, perdemos totalmente o interesse e passamos a desejar outras facilitações.
     Daqui a pouco não vamos mais querer levantar da cama de manhã sem querer fazer o menor esforço para nada. Ficaremos o dia inteiro deitados esperando que as nossas vontades sejam plenamente atendidas. Pois é essa a vida que estão nos oferecendo por: aí. Ou seja, deixa que fazemos tudo para você não ter a menor preocupação ou precisar fazer o mais ínfimo esforço.
     Espera aí. Isso é vida? E onde fica a nossa capacidade de resolvermos os problemas por nós mesmos? Onde  ficam as nossas iniciativas? Não podemos deixar que nos transformem em amebas. O homem é autossuficiente . Temos capacidade de nos virar, como se diz no popular.
    Além disso, nosso corpo pede movimento. Precisamos nos agitar, nos mexer. Chega dessa "lei do menor esforço" visando apenas a vadiagem. O sonho da vida mansa e água fresca é um sonho bom, mas não precisamos levá-lo tão ao extremo assim.
    Ainda vale à pensa levantar de manhã e, à moda dos nossos ancestrais, sair para caçar. No bom sentido, é claro. Até porque, para ter tudo o que andam nos oferecendo por aí, é preciso ter dinheiro e para ganhar dinheiro ainda é preciso trabalhar. Ou não?