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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Maria Alice e o príncipe.

Maria Alice sempre tentou levar uma vida normal. Até porque era exatamente assim que ela se via: uma pessoa normal. Não era bonita, mas não se podia dizer que ela era feia. Também não era gorda, nem magra. Nem alta, nem baixa. Era simplesmente normal. 
E assim ela tentava levar sua vidinha sem muita ambição. Ah, ela não era rica, nem pobre. O dinheiro que ganhava como recepcionista de uma construtora dava para ela viver sem grandes apertos. O aluguel estava em dia, os cartões de crédito também.
O que mais ela queria? Ah, sim, ela queria encontrar um amor. Só que, contrariando todo o seu modo de viver, ela não queria viver um amor qualquer. Ela queria viver um grande amor, desses que arrebatam, tiram o ar, arrancam os pés do chão.
Quando pensava nesse amor, Maria Alice dava asas à sua imaginação. Sabe aquela história de príncipe encantado que chega montado num cavalo branco? Era assim que ela via esse grande amor chegando. Ela vinha do nada, invadia seu solitário quarto de pensão e ela partia com ele para viver o seu conto de fadas.
Como eu já disse, Maria Alice não era feia. Pelo contrário, ela era "bonitinha". E isso atraía alguns olhares, alguns convites para sair e até pedidos de namoro. Porém, ela descartava todos. Nenhum deles tinha as feições do príncipe que ela idealizava em suas noites solitárias. 
Assim o tempo foi passando e Maria Alice foi envelhecendo. Aos poucos os olhares, os convites para sair, os pedidos de namoro foram se escasseando até que ela foi ficando invisível. Passou a ser uma velhinha normal. Nem alta, nem baixa, nem gorda, nem magra... E o sonho de encontrar o príncipe encantado manteve-se intacto. Mesmo velha, ela continuava sonhando.
Um dia, Maria Alice, que em criança nunca lera um único livro, passou a ler histórias infantis: A bela adormecida, A branca de neve e muitos outros. E não é que nesses livros ela encontrou mocinhas tão sonhadores como ela um dia fora? Mais que isso, Maria Alice encontrou algo que a surpreendeu. Ela descobriu que o príncipe encantado muitas vezes pode ter sido transformado em sapo por alguma bruxa malvada e estar condenado a viver sob outra aparência.
Isso a fez recordar-se de todos os pretendentes que desprezou acreditando que eles não eram príncipes. 
- E se algum deles fosse um príncipe enfeitiçado? Eu perdi a chance de ... - pensou ela.
Esse pensamento a fez tomar a decisão de pensar em aceitar o convite para sair feito por um senhor muito simpático com qual ela encontrava todas as manhãs a caminho do parque. 
- Quem sabe ele é um príncipe disfarçado? - pensou ela.
Então, ela caminhou para o parque certa de que tinha um encontro marcado com seu príncipe.

Bom domingo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O desprezo pelo outro.

Graças às redes sociais todos os tipos de preconceitos vêm sendo sistematicamente denunciados e isso é importante para que se combata cada dia mais esse terrível crime que é julgar uma pessoa pela sua cor de pele, religião, posição social, grau de instrução, raça e tudo o que se pode imaginar.

Apesar de as próprias redes sociais, muitas vezes, serem canais onde preconceituosos (quase sempre resguardados pelo anonimato) usam para disseminarem suas ideais de exclusão, elas representam um meio de "botar a boca no trombone", como se dizia no tempo das nossas avós. E isso tem sido feito e é bastante louvável. Não podemos mesmo assistir calados seres nascidos com os mesmos direitos serem tratados como menores por esse ou aquele motivo, essa ou aquela escolha.

No entanto, há algo que é tanto ou mais pernicioso:  o desprezo. Esse sentimento que não mostra sua cara, mas que está quase sempre presente nas relações entre patrões e empregados, ricos e pobres, políticos e eleitores. Fruto, geralmente, de uma relação desigual que se estabelece gerando opressores e oprimidos.

Aprendemos desde cedo que todos nascemos iguais, com os mesmos direitos e as mesmas obrigações. Infelizmente, a maioria acaba descobrindo logo que a coisa não é bem assim. O "mundo"elege os  privilegiados, aqueles que despeito do que quer que aconteça estarão sempre a salvo. O resultado é esse mundo de injustiças no qual vivemos. Os que estão por cima nutrem um certo desprezo pelos que não gozam da mesma sorte, dos menos privilegiados.  

Com certeza, o mundo seria um lugar muito melhor de se viver se não houvesse tanto desprezo e descaso. O exemplo maior é a falta de cuidado com nosso próprio planeta. Florestas, rios, mares são destruídos em nome do progresso, que nada mais é do que o enriquecimento fácil de alguns, gerando pobreza, fome e mortes em todo o planeta.

A impressão que se tem é que os mais ricos sempre acreditam que o dinheiro amealhado poderá salvá-los quando o planeta se tornar um lugar impossível de se viver. Haja vista, as tentativas de encontrar vida em outros planetas ou mesmo as aventadas viagens espaciais. Tudo isso é plano de fuga para quando o barco finalmente for a pique.

Ainda temos tempo de salvar esse planeta e a nós mesmos. Basta que passemos a olhar o outro como irmão, igual a nós, e o planeta como a nossa casa.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Os senões de "A regra do Jogo".

Resultado de imagem para imagens de a regra do jogoPassados cento e cinquenta capítulos já dá para fazer um julgamento sobre a novela das nove (ainda chamada das oito) da Rede Globo de Televisão. Anunciada como a salvadora da pátria quando da derrocada de sua antecessora "Babilônia" , a novela, logo de cara, não agradou. 

Alguns colocaram a culpa na história árida e violenta demais e mesmo nos baixos índices herdados. Não demorou para que se percebesse que não era nada disso. A história não era lá essas coisas todas mesmo e o excesso de segredos fazia (e mesmo em sua reta final ainda faz) com que a história fique totalmente emperrada. 

O autor (ou autores, ainda não consigo entender como uma novela precisa ter tantos autores se isso em nada contribui para sua qualidade e sucesso) está sempre vestindo uma saia justa, sem poder trabalhar ( pelo mesmo é isso que transparece) com a mesa liberdade que ele teve em sua outra novela, "Avenida Brasil".

O resultado é muita incongruência e disparate. Personagens são infantilizados e até mesmo imbecilizados, não conseguindo enxergar o óbvio. Parecem que todos agem como meros marionetes sem vontade própria ou capacidade de discernir entre certo e errado, verdadeiro ou falso.

Mudanças de rumo ocorrem sem explicação. Quer um exemplo: a manicure que sabia-se ganhar muito bem em seu ofício passou a ser garçonete num empreendimento de fundo de quintal sem nenhuma razão clara para que isso acontecesse. 

Isso sem dizer que o cenário, a tal favela da Macaca, é mero coadjuvante e os personagens poderiam estar em qualquer outro lugar não só do Rio de Janeiro, mas do universo. Nada se sabe da favela em si, a não ser personagens caricatos que também se encontram em qualquer lugar e sem nenhuma ligação explicita com a trama. É como se a história acontecesse num local onde todos estão mortos ou simplesmente não tomam parte do enredo. 

Além disso, falta fundamento para Gibson ser o homem que é. Sua insensibilidade em relação à família é algo que eu espero seja bem explicado. Do contrário, vou acreditar que os autores de novela da Globo apenas disputam que cria o pior vilão.

Outro que merece destaque é Romero. Difícil entender a patologia dele. Quer ser rico, viver do bom e do melhor (para isso é capaz de romper com a própria mãe e participar de sua morte), mas finge de pobre, ao mesmo que tempo que tenta convencer a todos ( e ai mesmo) que é bom. Sua prometida redenção sempre foi pura cascata. Um ser humano desses dificilmente pode se regenerar. Coerente apenas Atena. Essa, sim, apesar de não poder ser vista como vilã, a moça faz o que faz ´porque acredita no que faz.

O ensinamento que fica de tudo isso é que não existe autor ou história infalível. Se "Babilônia" não agradou não é  porque o Gilberto Braga e sua turma são maus autores, o motivo é outro. O público não aguenta mais histórias maniqueístas repletas de personagens nos quais não se possa identificar ou mesmo espelhar-se.  Fica a esperança que "Velho Chico" resgate o tempo em que os personagens de novela eram pessoas que você podia encontrar na esquina.

Bom domingo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Lobos em pele de cordeiro.

Resultado de imagem para imagem de lobo em pele de cordeiroSempre tive  o pé atrás com pessoas que vivem oferecendo ajuda. Aquele tipo de gente que tem solução para tudo. Se você fala que precisa de algo, seja o que for, logo anunciam que têm ou sabem aonde se pode conseguir a tal coisa.

É verdade que, em muitos casos, elas são bastante prestativas e ai de nós se não fossem elas estarem por perto nos nossos momentos de necessidade. Muitos as veem como verdadeiros anjos mandados por Deus em seu socorro.

E, em casos, são mesmo. Porém, existem os cascateiros. Aquele tipo que oferece ajuda sem a menor intenção de ajudar. Oferece porque sabe que você vai agradecer a ajuda e elas vão poder respirar aliviadas dizendo:

- Mas se você precisar...

Por favor, não precise. Reze a Deus e a todos os santos para você realmente não precisar. Do contrário terá o  dissabor de descobrir que todo aquele oferecimento e aquela presteza era pura conversa fiada. 

Alguns até mantêm a palavra, mas na hora h inventam uma desculpa qualquer e deixam você na mão. E sem o menor constrangimento, sem a menor preocupação de ter feito você acreditar até o último momento que podia contar aquela ajuda.

É claro que não é fácil reconhecer esse tipo de pessoa logo de cara. Elas são ardilosas e sabem parecer sinceras e verdadeiras. Só o tempo de convívio e a experiência podem ajudar. É sempre bom também ouvir o que falam dessa pessoa tão boa e prestativa quando você toca no nome dela. O que pode parecer à primeira vista mera fofoca pode ser avisos e alertas que você só mais tarde vai entender.

Portanto, quando alguém aparecer com solução para tudo, fique de olhos bem abertos. Pode se tratar de um mentiroso(a) compulsivo (a) ou simplesmente alguém querendo simplesmente te causar contratempos ou te enganar. 

Existem muitas pessoas boas nesse mundo prontas para fazer o bem sem olhar a quem. Ninguém pode negar isso, graças a Deus. No entanto, existem também muitos lobos em pele de cordeiros. \o jeito é ficar de olhos bem abertos. Confiar desconfiando.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Feliz ano velho.

Resultado de imagem para imagem do william bonner 2012Dizem que o ano somente começa no Brasil quando o carnaval acaba. Verdade ou não, depois de vários dias de folia é hora de arregaçar as mangas e dar o pontapé no ano. Difícil talvez seja saber exatamente por onde começar. 

Lá  estão todas as contas que vencem tão logo o último folião deixa a avenida esperando que você as pague. Mas como pagar tanta conta se o dinheiro, o principal convidado desse começo de ano, parece tão sumido da praça? 

Os economistas falam mil e uma coisas, dão aqueles conselhos que está na cara que nem eles mesmos seguem, as pesquisas (que a gente nunca sabe onde foram feitas) apontam um quadro horrível.  Ou seja, o mar não está pra peixe. Fazer o quê numa situação dessas?

Os meios de comunicação parecem pregar o caos e o desespero. É notório o quanto se mostram felizes em anunciar as notícias mais aterrorizantes. Dá vontade de perguntar em que país o William Bonner vive. Será que ele não mora no Brasil e não está vivenciando toda essa situação? Que prazer mais mórbido é esse em dar tantas notícias ruins com a cara mais boa desse mundo?

Deixando o jornalista bem empregado que não se sente atingido nem por crises nem mesmo (se fosse o caso) terremotos pra lá e vamos cuidar das nossas contas. O ano finalmente está começando... Pera lá. Você acredita nisso? Pra você o ano só está começando agora?

Pra mim o ano já começou desde o dia 01 e não tem esse papo de que só começa depois do carnaval. Acho mesmo que isso é coisa do William Bonner e da turma dele. Eles não estão nem aí para a hora do Brasil e ficam inventando coisa. O nosso caso é bem outro. 

Por falar nisso, você vestiu a fantasia e brincou o carnaval? Se a resposta for sim, trate de encarar a realidade. A folga acabou e o calor está de matar camelo. Ar refrigerado só para o William e a turma dele enquanto te põe a par das mazelas do Brasil. Afinal de contas, energia elétrica anda pela hora da morte. Morte? Não esquece. Isso é coisa do William e da turma dele.


Boa segunda-feira.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Esforço e sorte.

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Sempre gostei muito de assistir e ler entrevistas. Gosto de saber como as pessoas vivem, o que elas pensam e sobretudo como elas chegaram a destacar em suas profissões e  atingiram o tão ambicionado sucesso.

Ao tomar conhecimento dos caminhos que uma pessoa trilhou para atingir os seus objetivos, podemos tirar muitas lições que servem para nossas vidas. Nada melhor que o exemplo de alguém para nos animar a acreditar que também podemos alcançar o mesmo sucesso.

Depois de muito tempo tendo contato com essas entrevistas, cheguei a uma conclusão: é necessário muito esforço, trabalho e dedicação para atingir qualquer objetivo nessa vida. Sem isso, é quase impossível andar mais que alguns passos. O trabalho árduo, o estudo  contínuo, a persistência são as alavancas que impulsionam o sucesso.

Mas  não é preciso assistir ou ler entrevistas para saber disso. Qualquer pessoa sabe disso antes mesmo de começar a andar ou falar, você diria. É verdade. Essas são duas coisas que parecem naturais demandam esforço e persistência. O tal cair e levantar, equilibra-se e dar o primeiro passo. Quase sempre, um pouco vacilante. Porém, aos poucos pega-se o jeito e aí ninguém mais te seguro. 

Tá bom. E daí? Você explode, impaciente. Calma. Eu chego lá. Todo esse preâmbulo é para falar da conclusão de que falei acima. Apesar de todo o esforço, nada vai acontecer se você não tiver uma coisa chama "sorte". Essa é  a maior lição que eu tirei ao analisar tudo o que li e ouvi nessas entrevistas. Todos os entrevistados, sem exceção, contaram com ela. A sorte foi o toque final, o detalhe sem o qual todo o esforço seria perdido.

Portanto, esforce, lute, trabalhe arduamente.  Mas peça para que a sorte esteja sempre do seu lado. No final de tudo, é ela que conta.


Boa sorte!