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domingo, 31 de julho de 2011

Não se deixe enganar.

     Alguém já disse que nós, embora juremos que somos uma única e só pessoa, somos, na verdade, várias pessoas ao mesmo tempo, que em cada lugar ou situação nos apresentamos de uma maneira diferente, de acordo com a necessidade do momento. Seria algo como dizer que somos de duas, para ser exato de várias, caras. O que também pode ser interpretado como falta de personalidade e até mesmo falta de caráter. E isso não agrada a ninguém, não é? Quem gosta de ser visto como alguém em quem não se possa confiar? Ninguém.
     Tem uma peça do Miguel Falabela que tem um título bastante apropriado: "Todo mundo sabe o que todo mundo sabe". E acredito que isso seja verdade. Não conseguimos enganar ninguém.  Apesar disso, não é demais dizer que estamos sempre vivendo como se fosse o contrário. Só nós sabemos o que nos vai na alma.  É como se fechássemos os olhos e conseguíssemos nos esconder do mundo: se não me vejo, não sou visto. É por isso que todos os dias vestimos nossas fantasias e saímos por aí, certos de que conseguimos representar bem o nosso papel de anônimos na multidão.
    Longe de querer alimentar uma discussão sobre a natureza humana, coisa que acredito seja mais afeita a filósofos e assemelhados e não para um simples blogueiro metido, o que quero mesmo é falar sobre uma das nossas maiores capacidades: que é a da percepção. Através dela somos capazes de entender o mundo que está à nossa volta, principalmente quando se trata das nossos relacionamentos.
   Posso afirmar que só nos deixamos enganar quando queremos. Ao conversar com uma pessoa temos capacidade de saber se o que ela diz é verdade ou se ela está  apenas tentando nos tapear. Se nos deixamos levar por alguma "conversa fiada" é por outras questões que não cabe agora discutir, mas não pelo fato de que não notamos a enrolação.
   Quando alguém que você não conhece te para na rua e oferece um jogo premiado da loto (ou qualquer outro jogo, objeto de valor, etc) que ela não pode receber porque tem que viajar às pressas e não dá tempo de ir até o local de recebimento e então lhe passa o mesmo por um valor bastante inferior ao prêmio, não dá para pensar que aquela pessoa possa estar falando a verdade. No mínimo estaria louca, não é? Não há justificativa aceitável nesse mundo para alguém abrir mão de um prêmio alto por uma mixaria qualquer. Particularmente, acho difícil acreditar em tanto desprendimento e mesmo que essa pessoa não tenha alguém da sua confiança (um parente, talvez) que possa ajudá-la e tenha (veja que sorte a sua) escolhido justo você para transferir seu bilhete premiado. Justo a  sorte que todos perseguem tanto. Como nada vem de graça nessa vida (e aí está o nó da questão), devemos lembrar de que se deve pagar por isso, na verdade, pagar por nada.
    Usei o fato acima para dar uma ideia do quanto nos deixamos enganar apenas por em algum momento achar que somente nós estamos vendo e que ninguém mais vê. Portanto, como dizem os ditos populares: um olho no padre e outro na missa; um olho no peixe e outro no gato; confiar desconfiando e muitos outros que a sabedoria popular nos brinda. O que não se pode e outra vez usando a sabedoria do povo é "pagar para ver". É por isso que muitas vezes acabamos nos dando mal. Mais do que qualquer coisa, o importante é nos conhecermos bem e usarmos todas as nossas capacidades e saber que todos à nossa volta, para o bem e para o mal, gozam das mesmas faculdades.