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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Onde estão os urubus do lixão da novela "Avenida Brasil"?

     É de se bater palmas para a coragem do autor João Emanuel Carneiro (e por tabela, para a Rede Globo) pela abordagem e pelo destaque que dá ao núcleo do lixão em sua novela, Avenida Brasil. Considerados uma espécie de párias sociais, os trabalhadores dos lixões não eram, até então, vistos em novelas. Ficavam lá no seu canto, um tanto confundidos com o próprio material que "garimpam".
     Sabe aquela frase atribuída ao carnavalesco Joãozinho Trinta que diz que quem gosta de pobreza é intelectual e que pobre gosta mesmo é de luxo que reinou até agora, parece que não foi levada em conta dessa vez. Antes um tanto impensado, agora é só sintonizar na "novela das oito" (difícil perder essa mania, mesmo sabendo que ela vai ao ar à nove e...) para ver um lixão e não como pano de fundo e sim como uma das tramas principais.
     Há quem fique incomodado, afinal a realidade não é assim tão fácil de ser encarada. Imaginar que aquelas pessoas mergulham literalmente no lixo que a cidade produz para dali tirar o seu sustento, é algo que faz pensar. Só que o autor parece estar disposto a comprar essa briga. Aliás, é preciso lembrar, ele mesmo já usou um lixão em sua novela "Da cor do pecado", onde a personagem de Giovanna Antonelli vai parar num vestida de noiva e tudo.
     Na época, me pareceu que autor queria apenas chocar. Não vi ali algo que remetesse a uma preocupação social ou mesmo vontade de mostrar que aquele local existia, que aquelas pessoas viviam daquela maneira. Fora a atitude da atriz Giovanna Antonelli de tirar de lá uma catadora de lixo que, pelo que me consta, veio tornar-se uma modelo, nada mais foi falado ou feito. Agora, no entanto, parece que a abordagem é mais séria e faz parte do contexto da história e isso é bastante louvável.
     Já faz tempo que nossas novelas apresentam um certo desgaste em sua temática. A repetição de tramas, tipos, ambientes parece tornar tudo pior ainda. Ao buscar o subúrbio e arrabaldes, o autor acerta. Só temos que esperar para ver se os ditos formadores de opinião não vão se sentir melindrados com uma pobreza assim tão escancarada e obrigue o autor a mudar o foco de sua história.
     Por outro lado e não querendo ser estraga-prazeres, temos que fazer algumas perguntas: Quem são aquelas crianças que os personagens Lucinda e   Nilo  "criam"? Com tanta criança desaparecida e tantas atrocidades seria necessário um explicação melhor, tipo de onde elas procedem, se elas não tem pais, se foram abandonadas, roubadas e por aí vai.
     Outro dado é quanto a ambientação do lixão, bastante realista por sinal. Vale ressaltar apenas que por mais que o trabalho seja próximo da realidade, faltam detalhes  tais como os urubus (além de outros bichos) que vivem nesses lugares. Isso me faz pensar que por mais que a arte tente imitar a vida, a vida sempre se impõe. Isso sem falar do mau cheiro  etc e tal, mas isso é uma outra história e com um H bem grande.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salve, São Jorge Guerreiro!

"Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me exerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não o alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem."

Assim diz  um trecho da oração dedicada ao santo guerreiro tão venerado no Brasil, principalmente pelas pessoas mais simples. Santo Católico, mártir do cristianismo, ele parece não ter muito cartaz nas igrejas e o seu feriado hoje, como sabemos, é fruto de projeto de um vereador. Não sei ao certo se ele é católico. Provávelmente deve ser um católico-umbandista como existem milhares e, por que não dizer, milhões.

Por conta do sincretismo, São Jorge foi (como muitos outros santos e santas da igreja católica) "adotado" pela Umbanda que o tem, aqui no Rio de Janeiro, como o Orixá Ogum. Também ele (Ogum), um guerreiro destemido.  Por essa razão, no imaginário do povo, São Jorge é Ogum e Ogum é São Jorge. Creio que para muitos essa confusão nunca mais se desfará, pois tratou-se (e trata) de um daqueles encontros felizes que parece terem nascido assim. Não dá mais para imaginar São Jorge fora da Umbanda, mesmo sabendo que a sua história seja bem outra.

 O santo católico que conhecemos tem uma história bem marcada pela sua firme adesão a Jesus. Por essa razão ele enfrentou o imperador Dioclésiano e foi capaz de suportar as mais duras torturas sem, em nenhum momento, negar a sua fé. No fim, em nome de sua fé, foi decapitado a mando do imperador romando. Dizem que até um dragão ele foi capaz de enfrentar e com isso cristianizou uma cidade inteira de uma vez. 

Os puristas dirão que um santo com esse perfil não se bandearia para a Umbanda ou qualquer outra religião. Talvez isso seja verdade. Mas também podemos crer que a sua presença na Umbanda seja um motivo para reforçar o lado cristão dessa religião nascida dos negros, muitos deles já um tanto convertidos ao cristianismo, e que não conseguiam esquecer suas raízes africanas.  Vendo por esse lado, podemos dizer que o exemplo de fé desse homem/santo ainda consegue converter corações para Jesus Cristo como fez durante a sua vida na terra.

 É bem verdade que os padres (dizemos padres para falar Igreja Católica) torcem o nariz para os membros do culto umbandista que nesse dia 23 de abril lotam as igrejas do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. Pena que aqui no Rio de Janeiro haja tão poucas igrejas dedicadas ao santo. Eu conheço apenas uma na região da Central do Brasil. Independente disso, os terreiros de Umbanda estão todos abertos para o homenagear o santo guerreiro.

 Salve, São Jorge Guerreiro!


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Despedido.

     Quando José chegou ao trabalho naquele dia sentiu algo estranho no ar. Mesmo assim, tentou não dar bola para os pressentimentos ( havia muito que os boatos corriam de boca em boca de que a firma não ia bem das pernas e que "cabeças iriam rolar") e tratou de iniciar a rotina de todos os dias. Minutos depois recebeu um chamado dizendo que era solicitado na sala do Chefe.
      Por incrível que pareça, naquele momento o tal pressentimento já tinha desaparecido por completo e ele pensou que não seria nada de mais. Afinal, ele já estava acostumado a ir à sala do Chefe pelos motivos mais diversos. Tratou logo de atender o chamado e lá foi ele. Entrou  e ao mirar a cara do Chefe percebeu que ele nem respondeu ao seu "bom dia". Perguntou se podia sentar e ele foi seco:
- Claro. Senta aí.
     José sentou-se e ficou esperando o Chefe se pronunciar. O que seria? Justo naquele dia com tanta coisa para fazer... Foi uma longa espera. O Chefe parecia ter todo o tempo do mundo e não estava nem um pouco preocupado com a figura à sua frente. Rabiscando alguma coisa num papel, ele parecia estar sem coragem para começar a conversa. Foi quando José, já não aguentando mais, perguntou:
- O senhor me chamou aqui?
- Chamei, sim. - respondeu ele, sem levantar a cabeça.
José mexeu-se  na cadeira, impaciente. Pensou em alguma coisa e já estava preparado para falar quando ouviu:
- Eu sei que você sabe da nossa situação. Estamos vivendo momentos difíceis e teremos que cortar custos... Infelizmente, vamos ter que dispensar os seus serviços. - disse sem levantar os olhos do papel onde fazia rabiscos aleatórios.
     Naquele momento foi como se o chão faltasse debaixo dos pés de José. Por mais que ele não morresse de amores por aquele trabalho e soubesse que aquilo mais cedo ou mais tarde viria a acontecer, foi pego de surpresa. Na verdade, pensou, como na morte: por mais que saibamos que ela uma hora chega, sempre somos surpreendidos.
     Feitos os entendimentos de praxe, José deixou a sala do Chefe. Só então procurou dimensionar o que havia acontecido: fora despedido depois de vinte anos de trabalho. Isso não chegava a ser o fim do mundo, mas o deixou abalado e mesmo tocado. Vinte anos não são vinte dias. Pensou como daria a notícia em casa e na situação de estar desempregado. Por pouco não chorou andando pelas ruas meio sem destino.
     Foi quando sentiu uma sensação boa, como se um vento novo tocasse o seu rosto. Juntamente com ele, a  convicção de que novos tempos estavam chegando. Não era tão ruim assim sair daquele emprego onde ficou tanto tempo mais por comodismo do que por qualquer outra coisa e sempre haverá um lugar para quem quer e sabe trabalhar. Levantou a cabeça e seguiu pela rua.  Tirou o paletó, afrouxou a gravata e encheu os pulmões de ar. Pela primeira vez em muitos anos descobriu que não tinha a menor pressa. Parecia que um peso enorme tinha saído de seus ombros.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Aborto de anencéfalos.

     Com a decisão do STF fica autorizado o aborto de bebês anencéfalos no Brasil. Por um lado, muitos respiram aliviados.  Essa era uma luta antiga de mães e pais que ao descobrirem que o filho que esperam traz consigo essa deformação e que ao nascer não terá chances de sobreviver e levar uma vida normal. Esses pais e mães, sobretudo as mães, lutavam pelo direito de interromper a gravidez e, assim, tentar diminuir o sofrimento em que se torna a espera daquele ente que, muitas vezes, era esperado com grande ansiedade e alegria. Dessa forma, os que decidirem pela interrupção da gravidez não precisarão mais recorrer aos tribunais para exercer esse direito.
     Por outro lado, estão aqueles que levados por princípios ou crenças religiosas acham que a mãe deve levar a gravidez até o fim e, com isso, cumprir uma espécie de plano de Deus para aquela vida em formação. Esse grupo entende que a vida do bebê dentro do útero já conta e que ele deve ter a chance de completar sua vinda à terra mesmo que por um tempo curto.
     São duas visões bastante diferentes. As duas merecem o nosso respeito. Se de um lado se quer evitar um sofrimento maior para a gestante e para toda a família ( afinal, a vinda de uma criança ao mundo, salvo raras exceções, sempre é cercada de muita espectativa por todos que cercam o casal ou a mãe); do outro está a criança que precisa vir ao mundo, Deus tem um plano para ela (não se pode conceber que nascemos por acaso e que nascer é apenas para aqueles que reúnem condições de sobrevivência e que esta decisão é apenas dos pais) e ele precisa ser cumprido.
     Não acredito que aqueles, como eu, que nunca vivenciaram essa situação de perto estejam em condições de fazer qualquer tipo de julgamento ou mesmo opinar. Não se trata disso. Estou tocando nesse assunto porque acho que é um daqueles casos em que a gente não tem como não pensar, não tem como não se sentir envolvido até a alma. Confesso que sempre me senti tocado.
    Minha postura religiosa me leva a ser contra qualquer tipo de interrupção da vida. Antes mesmo da concepção já existe um plano de vida traçado e o fato dela ser de curta duração pode ser exatamente a sua caracteristica. Aquele espírito precisa passar por aquela situação e os pais são o veículo que vão tornar isso possível. Porém, ninguém é obrigado a ver o mundo pela mesma ótica. Somos livres para tomar as nossas decisões.
    Vale a pena ressaltar que, independente de qual for a postura dos pais e demais envolvidos, dificilmente isso se dá sem sofrimento, sem dor. Optando pelo aborto ou por levar a gravidez até o seu fim, o sofrimento sempre é grande. Nos dois casos,  é necessário ter muita força e capacidade de superação para seguir vivendo. E essa força está na fé, na espiritualidade, e não em algo que o homem não possa determinar através de leis.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os três macacos.

     Creio que todos conhecem aquela história dos trés macacos na porta do santuário de Toshogu na cidade de Nikkos, no Japão. Muitos vez por outra as usam para poder dizer qual a atitude que está tendo diante de alguma situação, seja um problema de família, no trabalho ou que envolva a sociedade como um todo. 
      Para os que não lembram ou não conhecem, trata-se de três simpáticos macaquinhos. Tem o que cobre os olhos ( mizaru), o que tapa os ouvidos (kikazaru), e o que tapa a boca (iwazaru). A tradução seria algo como não veja o mal, não ouça o mal e não fale o mal.
     Acredita-se que assim a vida em comunidade seria muito melhor. Pois o mal quase sempre está em nossos olhos, nos nossos ouvidos e em nossa boca. É através desses três sentidos que ele (o mal) se dissemina e torna mais difícil a vida em sociedade.
    Agindo como os três macaquinhos evitaríamos de pré-julgamentos, acusações, leviandades e de ver maldade em tudo que é lado. Seríamos mais justos, mais humanos e estaríamos mais propensos a perdoar e entender o nosso semelhante com seus defeitos e virtudes.
    Bela história, cheia de sabedoria como é comum entre os orientais. Ninguém é capaz de duvidar disso, não é? Só que, para nós os chamados ocidentais essa história é, muitas vezes, interpretada de maneira equivocada. Parece que entendemos a atitude deles como um gesto de alienação, de falta de interesse pelo que acontece à nossa volta. É como se disséssemos: "Não tô nem aí pra nada. Isso não me diz respeito."
    É isso mesmo. A mensagem fica completamente distorcida. Muito distante da intenção inicial. na verdade, o que as três figuras querem dizer é que não devemos ver, ouvir ou falar o mal. Aquela maldade que tudo estraga e tudo corrói, atravancando a nossa vida e a vida de todos os que nos cercam.
    Contudo, que o mal existe ninguém duvida, mas  não podemos ficar alheios e fingindo que nada acontece. Pelo contrário. Nossa atitude deve ser de profundo entendimento de que o mal que chega aos nossos olhos, ouvidos e boca precisa ser transformado em algo melhor. Cabe a nós transformar essa energia negativa chamada mal e não apenas ser veículo por onde ela passa, segue caminho e se espalha.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A necessidade de ser diferente.

     Apesar de se apregoar aos quatro ventos que somos todos iguais, tem muita gente que parece não gostar muito disso e vire e mexe está procurando alguma maneira de ser diferente. É o tal " invente, faça diferente". O que, visto por esse viés, não tem nada demais. Afinal, essa é a única forma que as pessoas têm para se destacarem, mostrarem a sua criatividade, sua capacidade de inovação. Do contrário, seremos todos cópias uns dos outros.
     Nesse mundo competitivo em que vivemos é quase imperativo que sejamos capazes de fazer algo que ainda não foi feito. Ter ideias novas significa ser inventivo, inovador, talentoso e outros adjetivos mais. Há quem fique milionário de um dia para o outro somente porque teve uma boa ideia e soube colocá-la em prática. Exemplos é que não faltam. E ninguém é louco de dizer que não seria capaz de qualquer coisa para ter uma dessas ideias que revolucionam o mundo e, de quebra, a sua própria vida, Não é à toa que se diz que ideias valem ouro.
     Só que trazendo isso para o lado pessoal, o que se nota é que as pessoas estão cada vez mais tendo necessidade de ser diferente. Não aquela diferença que revoluciona, mas uma diferença um tanto sem sentido. Tipo ser diferente apenas por ser diferente, sem que isso acrescente nada a ninguém, nem à pessoa que está sendo diferente.
    Tudo soa apenas como se fosse uma espécie de aberração  alienação ou mesmo despudor. Nada contra. Acredito que essa seja uma necessidade interna que a pessoa tem. É uma forma de se destacar, de aparecer, de sair de um anonimato que incomoda de alguma forma. Não é fácil ser apenas mais um na multidão, não é? Muitos têm uma certa urgência em mostrar a cara, sair do pré-estabelecido, gritar para o mundo todo ouvir que ele existe, que está aqui nesse presente momento e quer ser notado.
    Mas, cá pra nós, uma coisa é ter estilo, ser uma pessoa arrojada e capaz de realmente ser diferente, inventivo. Outra, bem outra, é fantasiar-se de diferente apenas para chamar a atenção dos outros. Com isso, ao contrário de se destacar, a pessoa acaba sendo motivo de chacota dos outros, fazendo rídiculo.
    Nesse caso, creio que o melhor a fazer é descobrir o que realmente está incomodando. Até porque sempre há alguma coisa incomodando, nada é perfeito o tempo todo, temos nossas frustrações e tem dias que a gente acorda  mesmo com vontade de mudar o mundo. 
    Porém, mudar o mundo não significa ter atitudes agressivas, pichar a cidade, quebrar orelhões, queimar lixeiras e jogar o lixo no chão, atravessar o sinal fechado correndo o risco de ser atropelado, ignorar o outro que está do lado, desrespeitar todo mundo e todas essas atitudes que temos em nome de "ser diferente".
    Lembremos sempre que para se destacar realmente, precisamos, antes de qualquer coisa, fazer algo de especial. Nem precisa ser algo tão diferente ou novo assim. Basta apenas que façamos com todo o nosso amor, nossa dedicação. Esse será sempre o diferencial que nos colocará em destaque.

sábado, 7 de abril de 2012

O efeito "Semana Santa" na fé do povo.


     Estamos naquela semana que a igreja católica chama de "semana santa", Nesta semana, mais do que em qualquer outra época do ano, se vive a paixão e morte de Jesus. Esse costume vem dos primórdios da igreja e se mantém pelo séculos afora. Por vivermos num país de maioria católica, é difícil que alguém não tome conhecimento desse período do ano.
    Verdade seja dita, muitos aproveitam essa época para descansar, sair da cidade, visitar parentes e amigos e coisa e tal. Para esses, talvez, a vida, paixão, morte e ressureição de Jesus não faça muito sentido. Porém, para muitos outros essa é uma época de voltar para casa. Não da nossa casa, aquela que habitamos todos os dias, mas a casa do Pai.
     Passados mais de dois mil anos, tendo a igreja católica passado por todos os caminhos e descaminhos que passou, essa semana (ou mesmo a quaresma em si) ainda consegue trazer os fiéis de volta às igrejas, de volta à sua fé. Por mais desligados que sejam, os católicos, ainda que por pouco tempo, não deixam de fazer uma caminhada até a igreja e participar das cerimônias da semana santa.
     Mesmo sabendo que passada a semana, voltarão a se comportarem quase como ateus e só tornarão a pensar como fiéis por ocasião do natal, outro momento em que o povo revive sua fé através de Jesus. Nesse caso, através do seu nascimento.
     Muitos poderão dizer que isso não é bom, que não reflete uma fé forte, durável, constante. Até posso concordar. O ideal seria que as pessoas mantivessem sua fé o ano inteiro, todos os dias, a todos os momentos. Mas ninguém pode negar que esse é um fato que não deve ser desprezado. Pois ele reflete o quanto a história de vida de Jesus Cristo tem o poder de mexer com as pessoas, de não deixá-las indiferentes.
     É claro que às vezes nosso lado racional se choca com algumas passagens da vida de Jesus. A forma com que ele nasceu, viveu e morreu. Talvez diremos que em muitos momentos beira o fantástico. Há quem não compreenda sua metade humano, metade divino. Há quem nem mesmo pense nisso. Para esses, Jesus é Jesus, o filho de Deus, e pronto e acabou.
    Seja como for, a despeito do tempo, ou mesmo de explicações cientificas, Jesus continua atraindo pessoas das mais diversas origens, nas mais diversas situações, para si, e como ele mesmo disse, para o Pai. Através de Jesus chegamos mais fácil a Deus. Através de Jesus compreendemos melhor o amor de Deus por nós. Ao mesmo tempo descobrimos que seguir o seu exemplo não é fácil. Não desanimemos. Sempre podemos tentar de novo. Ainda que seja a cada Semana Santa.

Feliz Páscoa!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A canção da Rita Lee.

     Em sua mais recente canção que está sendo tocada no rádio, a sempre irreverente Rita Lee faz um apelo a Deus para protejê-la de uma gama enorme de males provindos daqueles que a cercam: "Deus me proteja da sua inveja, da sua macumba" e vai por aí.
     Tudo pode parecer apenas mais um motivo da cantora para nos brindar com mais uma de suas inúmeras canções cheias de bom humor, como ela sempre faz. E, diga-se de passagem, faz muito bem. Mas não é apenas isso. Pelo menos, na minha opinião. A musica, sem querer querendo, acaba por tocar num ponto, digamos, sensível dos relacionamentos em geral. 
    Para falar a verdade, sempre gostei do trabalho dela, justamente pela capacidade que ela tem de abordar as coisas de uma maneira pessoal, mas tão próxima de todo mundo. Os anos passaram e ela continua a mesma moleca de sempre.
     Só que não tenho a pretensão de fazer uma crítica, ainda que elogiosa, ao trabalho dessa senhora roqueira. O que me chamou a atenção é o quanto essa canção é oportuna, o quanto a gente sente  vontade de realmente pedir a Deus que nos livre de tantos males que vêm em nossa direção. Querendo ou não, é preciso admitir que o bombardeio é grande, não é? E aí, só mesmo pedindo ajuda a Deus. Não tem outro jeito.
     Viver já não é fácil, e viver  constantemente torpedeado por esses sentimentos chega a ser uma tarefa para Hércules. Por isso, a música vem a calhar. É claro que esses sentimentos, muitas vezes, não são expressos de  maneira explicita. Quase sempre aparecem de maneira disfarçada, até mesmo como elogios em conversar aparentemente inocentes, mas no fundo o que estão querendo é detonar com você.
    Pode parecer estranho estar sempre tocando nessa mesma tecla, mas ninguém pode duvidar que o mundo seria bem melhor se não houvesse tanto ódio, inveja, mágoa, rancor, cobiça, desavenças. Portanto, a única saída é apelar para o criador. Que Ele afaste de nós todos os males e nos proteja sempre, dormindo ou acordados, em casa ou na rua, em qualquer circunstância, todos os dias de nossas vidas.
   Para quem preferir, a música da Rita Lee já é um bom começo. Como dizem por aí: "quem canta, seus males espanta."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Boicote.

     Essa palavra é muito comum no mundo da política, nas relações entre os paises e até mesmo no mundo dos negócios. Quem nunca ouviu no noticiário que determinado país está boicotando um tratado firmado?  Muitas vezes também países se unem para boicotar um deles que esteja fazendo algo sem levar em conta o bem-estar de todos. Nesse caso, essa prática é vista como algo bom. Exemplo disso seria o boicote imposto pelos Estados Unidos a Cuba, digamos (há quem duvide),  numa tentativa de salvar os cubanos do jugo de Fidel, Mas temos outros que não são mesmo bem vistos, pois são usados claramente para demonstrar força e poder.
     Deixando de lado o intricado mundo da política e os interesses do mundo dos negócios, voltemos para as relações pessoais. Por mais incrível que possa parecer é onde os boicotes mais acontecem. É isso mesmo. Nas relações pessoais, amorosas, no trabalho, na vida social, na vida diária. Onde menos se possa esperar surge alguém tentando brecar os passos daqueles que se destacam.
     E não é difícil perceber esse tipo de atitude. Elas partem sempre de pessoas de pouco talento, invejosas, maldosas. Basta você dar uma ideia, tentar resolver uma situação, mostrar que sabe fazer alguma coisa para aquela pessoa entrar em cena e desmerecer o que você está fazendo.
     Geralmente esse tipo de pessoa usa muitos disfarces. Num primeiro momento, ela até se mostra amiga e finge querer te ajudar, facilitar a sua vida. Porém, é tudo enganação. O que ela quer mesmo é se inteirar mais de sua ideia para ter como combatê-la com eficiência. Essas pessoas não gostam de serem surpreendidas. Por isso fingem gostar de sua proposta e demonstra isso dando apoio e incentivo.
     Espero que você nunca  tenha encontrado com alguém assim na sua vida. Que sortudo(a)! Pelo meu lado, não posso dizer o mesmo. Elas estão sempre cruzando a minha estrada. Não há jeito. Por mais que eu tente, por mais que me precavenha, elas estão sempre lá. No início parecem amigas, mas em pouco tempo começam a fazer oposição à sua ideia ou apresentam algo parecido sob uma capa de novidade apenas com o intuito de desmerecer o seu trabalho.
     Cheguei a conclusão de que, além de ser um problema espiritual (às vezes temos mesmo que passar por algumas situações e não adianta reclamar), essas pessoas existem para confirmar que realmente estamos no caminho certo e que se nossas ideias e projetos não valessem nada não teriam opositores tão ferrenhos. Ainda que disfarçados de amigos e apoiadores.