Pesquisar este blog

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Apenas para registrar um momento família. Uma foto minha com minha irmã Eloisa. Ela é muito tímida e não gosta de aparecer ou tirar fotos. O grande problema do tímido, e eu também sou muito tímido, é de que sempre aparece alguém tentando acender um holofote bem na sua cara, expondo todas as suas entranhas. "Entranhas!?" É isso aí. No fundo todo tímido não passa de um exagerado. E depois, aparecer não tão ruim assim.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Ainda "O Despertador"


Como eu já falei, O Despertador é um monólogo de minha autoria com pretensões de ser chamado de comédia ou quem sabe uma comédia-sentimental, algo que possa fazer rir ao mesmo tempo que faça refletir. Embora a peça conte a estória de um homem e seu apego por um relógio despertador que o acompanhou em muitos momentos de sua vida e do qual ele tem dificuldades de se separar, acredito ter muito de engraçado. Com essa estória tentei falar da amizade, um tema que é muito caro para mim. Por que estou falando disso? Ah!, sim. Quero falar dos meus projetos para 2009. Aliás, dos meus projetos, não, do meu projeto: O Despertador. Esse é o meu projeto. Quero montar O Despertador. Por isso, embora bastante atropelada, não pelos internos da Fundação Leão XIII, que se revelaram uma plateia bastante atenta e muito educada, mas pelo organizadores que, pelo que pude constatar, não conheciam uma peça de teatro ( provavelmente nunca tenham assistido à uma), essa apresentação foi muito importante. Com ela pude fazer uma espécie de teste com o texto e achei que ele passou com louvor. Ainda pretendo fazer outros testes para que a peça possa sofrer os ajustes necessários. Silvia já me de uns toques muito interessantes. Gostaria de encontrar espaços como escola, asilos, firmas, igrejas e o que apareça. Quem souber de algum espaço disponível é só entrar em contato aqui pelo blog. Trata-se de um espetáculo de aproximadamente 50 minutos de duração. A produção é muito simples: duas cadeiras, uma escada, alguns livros velhos, uma caixa de papelão, o relógio, jornais e porta retrato. Por isso, cabe em qualquer lugar e até num teatro convencional. É o que antigamente se chamava de espetáculo de bolso (Será que não estou inventando isso, meu Deus? É que eu sou meio visionário. Vejo coisas que não existem.) ou espetáculo para viagem. Em 2009, não perca o espetáculo O Desperator, com interpretação, direção e texto de Julio Fernando.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fundação Leão XIII e O despertador.




Ontem, 18/12/08, estive numa unidade da Fundação Leão XIII, na avenida dos Democráticos, a convite da assistente social Isabel, para apresentar uma peça de teatro para os internos, como parte das comemorações do natal. Eu já sabia que seria uma louca aventura apresentar a peça. Afinal, a peça em questão é o monólogo de minha autoria, O despertador. Embora a peça seja ( ou pretenda ser) uma estória engraçada, o clima pesado da instituição, a situação deprimente em que a maioria se encontra, aquele ar de coisa abandonada que têm as instiuições do governo ( será que sou eu penso assim?), misturado com minha própria condição de estar voltando ( embora não fosse a primeira vez) para apresentar num local parecido com o que estive um dia e quase (creio que já falei sobre isso aqui), tudo contribuiu para que eu voltasse de lá um pouco deprimido. Deprimido e triste. Infelizmente, desde o tempo em que passei pela Fundação Leão XIII no início dos anos noventa até hoje nada mudou. Nem os móveis mudaram. Está tudo igual. E o que para mim é pior: os funcionários continuam os mesmos. Alguns são literalmente os mesmos. As assistentes sociais agem da mesma forma que eu as vi agirem no tempo em que passei por lá: apenas repetem velhos chavões e tratam os assistidos como se fossem dementes. Em muitos casos eles são mesmo demente, disso não há dúvida. O que me deixa perplexo (ainda) é o quão pouco a instituição pode fazer por aqueles que se encontram numa verdadeira condição de perda de identidade. São, na sua maioria, drogados, alcoolatras, dementes, desmemoriados, pequenos marginais, desempregados, sem teto, sem família (talvez essa seja a maior causa do total desamparo em que muitos se encontram) e sobretudo, pessoas sem rumo, sem norte, sem futuro ou um simples amanhã. Voltei para casa, eu e Silvia, minha colega da Sopa que me acompanhou nessa aventura, bastante abalado. Quando Isabel me convidou para participar da festa de natal acho que, na minha empolgação, me esqueci do lugar triste que era a Leão XIII. dificil acreditar tantos anos depois ( quase vinte) que eu vivi a mesma situação. Hoje posso me sentir como privilegiado, alguém que, desculpem o meu exagero, esteve no inferno e voltou. Alguém que esteve ( como já disse no meu livro, No olho da rua), a beira de perder a identidade, mas que teve a sorte de encontrar uma saída. E é esse o ponto que mais me preocupa. Apesar de não negar que foi de grande estima a ajuda que recebi da Fundação Leão XIII, sou honesto em afirmar que se eu recuperei( esse é um assunto que daria um livro) o meu lugar na sociedade foi, acima de qualquer coisa, porque eu tinha um certo preparo. Além de ter o segundo grau completo (Técnico em Contabilidade) e já havia me ingressado numa faculdade ( Letras), curso que abandonei pelo meio e retomei vinte anos depois (assunto para outro dia), ou seja, eu não era nenhum analfabeto ou semianalfabeto. A realidade é bem outra. A maioria dos assistidos (creio) são de semianalfabetos e que não têm facilidade para encontrar uma colocação no mercado por esse e por muitos outros motivos. Por isso, acho que já era hora da Fundação Leão XIII rever o seu papel ou então será sempre uma instituição de cata-mendigos e nada mais do que isso.




P.S. - Quando eu e Silvia estávamos sentados esperando que os internos entrassem no refeitório onde aconteceria a confraternização, um dos últimos da fila se aproximou de nós e falou algo como que tudo aquilo que estávamos vendo era tudo fachada, dia de festa:


- Estão vendo essas cadeiras limpas? Acham que é sempre assim? Que nada! Durante o ano é tudo sujo. Só limparam para a festa.


Eu e Silvia ouvimos calados. Silvia que já estava um tanto assustada com a situação, me olhou sem nada dizer. Da minha parte, tive a sensação que já tinha visto aquele filme.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Divagações


Qual é o verdadeiro papel que representamos nesse mundo? Hoje acordei com essa pergunta na cabeça e gostaria que alguém me desse a resposta. Está bem. Sei que é praticamente impossível ter uma resposta exata, mas tem dias que as dúvidas aumentam muito. Há dias que dá para ir levando, sem muito questionamento, porém, noutros o bicho pega. Acho que estou chegando numa idade em que esse questionamento é inevitável. Fiz muita coisa, e deixei de fazer muitas outras. Acho que as coisas que deixei de fazer, que são em maior número e seriam, a meu ver, as mais importantes, estão me cobrando o fato de tê-las ignorado ou, quem sabe, negligenciado. O fato é que hoje amanheci querendo respostas para os meus questionamentos internos. Sei que isso é chato. Ninguém gosta de questionamentos fora de hora. Mas será que é tão fora de hora assim? Afinal, o século 21 já chegou. Daqui a pouco já contará com uma década, o tempo está passando. os sinos do natal já estão tocando. E por falar nisso, não serão exatamente os sinos do natal os responsáveis pelo meu questionamento? É bem possível que esteja aí a resposta. Natal me deixa um pouco "deprê". Fico achando tudo muito esquisito. Sei que é estranho para uma pessoa que se diz cristã dizer uma coisa dessas, mas eu acho que tudo soa muito falso. Parece um carnaval. A gente faz uma força enorme para se sentir feliz. As vezes dá, as vezes não dá. É a vida. Apesar de tudo ainda acredito que é preciso tentar. Mesmo que seja difícil, como está para mim hoje. Espero que amanhã eu acorde achando tudo mais natural, normal. Mas se eu acordar com novos questionamento, não vou me importar. Até porque uma duvidazinha não faz mal a ninguém. Muito pelo contrário. Mostra que estou vivo e querendo me encontrar em algum momento desse caminho.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Dezessete anos

Dia 02/12 fez 17 anos que trabalho no mesmo emprego e este seria um bom motivo para comemoração, afinal vivo num país onde as coisas mudam constantemente, não fossem as circunstâncias em que comemoro "esse aniversário". Não estou feliz. Aliás, nunca fui feliz nesse trabalho. Quando fui trabalhar lá, estava saindo de um período muito difícil da minha vida, período esse que eu contei no meio livro " No olho da rua" que lancei e 1999, e vi esse emprego como uma coisa passageira. Eu esperava ficar lá apenas até eu me recuperar financeira e psicologicamente do fato de ter ficado mais de dois anos desempregado e sem ter onde morar. Logo de cara vi que não era um lugar do qual se podia esperar muito. O referido empregado é como auxiliar de escritório numa administração própria de um condomínio de grande prédio no bairro do Flamengo, Rio de Janeiro. Fui contratado para trabalhar com o sindico, uma figura um tanto peculiar, seu "administrador", não menos peculiar. Dois "senhores" aposentados, cuja função naquele lugar era algo como defender o seu patrimônio. Segundo eles, havia muita gente interessada em tomar "o poder" e destruir o patrimônio que eles tinham gasto uma vida inteira para juntar. Aparentemente, nada mais justo. Afinal, quem não quer defender o seu patrimônio. Ninguém é louco de jogar fora o que conquistou com dificuldade. Diante de fatos como esse, fui tomando contato com o que hoje, dezessete anos depois, eu chamo de paranóia. Os dois senhores foram, aos poucos, mostrando serem duas pessoas totalmente irracíveis, que vivem aos berros e fazem qualquer negócio, sobretudo mentir, para manter-se no poder. Nesses dezessete anos participei de inúmeras (mais vinte) reuniões condominiais e eleições. Muitas delas, debaixo de brigas, acusações e muita gritaria. O tempo foi passando e o que seria um emprego temporário tornou-se permanente. Estou sempre dizendo para mim mesmo que não aguento mais trabalhar num lugar desses, mas quando lembro de tudo o que passei, me vejo obrigado a adiar o meu sonho de ficar livre desses dois, hoje velhos, senhores. Eles mantém o mesmo discurso de dezessete anos atrás. Ainda estão defendendo o seu patrimônio (um tempo um apartamento e trinta metros e o outro um de sessenta metros), com unhas e dentes. Depois de muitas brigas, muito me indispor com eles e tentar imprimir uma visão de vida mais suave, acabei desistindo. Trabalho apenas para garantir o meu salário no final do mês e abandonei qualquer sonho. Esses sonhos que qualquer pessoa tem ao se candidatar a um emprego: crescer, subir, melhorar o seu salário (embora não possa me queixar), ou assumir posto de comando. Nesse ponto costumo dizer que, como leonino que sou, acabei me dando muito mal. Não é fácil ter um temperamento de lider e trabalhar num lugar onde querem que você apenas diga "amém" para tudo e guarde sua opinião. Para não perder o costume, nesse dois de dezembro, voltei a fazer a promessa de trocar de emprego. Essa é a promessa de 2009. Porém, a crise mundial está aí e os economistas de plantão dizem que não é momento para grandes mudanças e mais uma vez acho que vou ter que adiar o meu sonho.

sábado, 15 de novembro de 2008

Morte

Há dias em que morro um tanto
Há dias em que morro mais
Mas morro todos os dias
Morro de alegria
Morro de tristeza
E até de encantamento.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O mundo precisa de paz

Existe uma oração onde se diz: paz na terra aos homens de boa vontade. Nada mais justo do que isso. Paz aos homens de boa vontade. Porém, em nossos dias com todos esses acontecimentos temos que pedir, ou até implorar, que a paz seja para todos, sem distinção. Até mesmo aqueles que não têm boa vontade com o nosso sofrido mundo e seus habitantes. Que a paz venha para todos., que todos os corações a recebem e se encham dela, para que assim possam transbordar de paz como rios caudalosos de esperança e de amor, compaixão e fé. Paz a todos. Nesses dias de tragédias sem fim e nos outros dias em que tudo parece correr numa normalidade mais aparente que verdadeira. Que ninguém precise morrer para que possamos pensar, falar ou pedir paz. Que a paz viva em nossos corações e que Deus, nosso misericordioso Pai, esteja sempre junto de nós. Paz a todos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Invasão ao Centro Espírita Cruz de Oxalá

Sei que já é um pouco tarde para falar desse assunto aqui, mas tive alguns contra-tempos ( inclusive o próprio fato em si) e só hoje posso falar do que aconteceu. Não para dizer apenas que condeno a invasão ou que acho que os quatro jovens merecem esse ou aquele tipo de punição. Devo dizer, antes de tudo, que sou membro do Centro Espírita Cruz de Oxalá, onde atuo como médium (assunto sobre o qual prometo falar mais adiante) e que esse tipo de atitude mostra que estamos caminhando em direção oposta ao que Jesus pregou. Ao invés e falarmos e vivenciarmos o amor, estamos pregando o ódio e a discriminação. Porém, há males que vem para o bem, como dizem os mais velhos. Essa atitude dos quatros jovens fez nascer uma reação em nossa sociedade e já podemos perceber algumas manifestações a favor da liberdade religiosa, do direito que as pessoas têm de expressar livremente o seu pensamento. O próprio Centro Cruz de Oxalá recebeu muito apoio de várias entidades ligadas ao espiritismo, o que nos mostrou que não estamos sozinhos. Também a imprensa nos apoiou, noticiando o fato com o devido respeito e dando a devida atenção, sem esquecer, é claro, de dar voz ao outro lado. Mais do que isso, o que quero deixar claro é que devemos todos nos unir em torno de um pensamento único que é o da paz entre todos os povos sejam judeus, mulçumanos, umbandista, católicos, protestantes, espíritas, candomblecistas, budista, ou qualquer outra religião e mesmo aqueles sem religião. O importante é que todos tenhamos em mente o respeito e a tolerâncias às diferenças de pensamento, raça e credo.

Morre Elza de Souza

Talvez você não saiba quem foi dona Elza de Souza, mas os moradores de rua e trabalhadores autômonos dos arredores do Largo do Machado e Catete, Glória e Centro a conheceram muito bem. Dona Elza era uma figura franzina, negra e tinha cerca 83 anos de idade, embora não aparentasse dado à sua agilidade e vivacidade. Conheci Dona Elza no Centro Espirita Cruz de Oxalá, no Catete, onde ela ajudava cozinha. Quando lancei, no Centro, a idéia da Sopa, ela foi uma das primeiras a juntar-se a nós e com a gente ficou até o dia 04/06/08, última quarta-feira em que ela participou da feitura e distribuição da Sopa. Na quinta-feira dia 05/06/08, ela sofreu uma queda em frente ao Ciep Tancredo Neves, foi socorrida por transeuntes que chamaram uma ambulância que a levou para o hospital, onde ficou comprovado que ela sofrera uma fratura no braço, sendo logo mandada para casa, onde na madrugada do 06/06/08 ela sofreu um AVC e foi internada no Hospital Rocha Maia, sendo transferida para o Hospital Miguel Couto onde veio a falecer no dia 18/06/08, por volta das 17:30. Coincidentemente uma quarta-feira, o dia da entrega da Sopa. Recebemos, eu Silvia e Eloisa, a noticia de sua morte enquanto preparávamos a Sopa. Difícil não se emocionar. Dona Elza estava sempre ali conosco, contando suas histórias ( quase sempre sobre comida e fatos de sua vida) e nos ajudando na organização de tudo. Era ajuda de formiguinha, mas muito importante. Provavelmente, perdemos nossa melhor formiguinha, nosso beija-flor. Os moradores de rua a tratavam por Vovó. Ela era a "vovó" da Sopa. No Largo do Machado, assim que nós chegávamos ela saía avisando aos nossos "clientes" e quando encontrava um bando de crianças de rua os trazia até, emocionada. Vamos todos sentir muita falta de Dona Elza. Falta da sua presença, da sua ajuda e de seu exemplo de que caridade se faz até o último instante de nossa passagem pela terra. Mesmo tendo tido uma vida de dificuldades, ela soube pensar no seu próximo. Obrigado, dona Elza. Até um dia. Siga em paz o seu caminho e que Deus lhe abençoe sempre.

sábado, 7 de junho de 2008

Autor teatral

É verdade que a profissão do meu coração é a profissão de ator. Porém, escrever para teatro sempre foi algo que me deu muito prazer. Muitas vezes, mais que um prazer uma necessidade, porque quando surge uma idéia ela precisa ser urgentemente colocada no papel e se tona uma urgência, algo que precisa ser feito imediatamente. Caso contrário, a idéia fica me perturbando até que seja colocada no papel. Disso nasceu peças, para o público adulto, como Saudades da China, Felizes para sempre, essa noite, Vestida para o baile, Viver e morrer em Copacabana, O despertador, Clóves e Armando e Papéis trocados. E as peças infantis: A menina que não conhecia o sol, Juca e Bilo em busca de uma grande aventura, O casamento da Arara Azul, dentre outras. Dessas apenas Saudades da China e Viver e morrer em Copacabana foram montadas, por mim. Infelizmente nunca tive as minhas peças montadas por outros diretores. Esse é um grande sonho meu, ver meu trabalho nos palcos por outras mãos que não sejam as minhas. Gostaria também de poder mostra meus trabalhos neste espaço e quem sabe um dia poder escrever uma peça diretamente aqui no blog para que possam acompanhar o desenvolver um trabalho. Esse sonho ainda é impossível pois sei que nâo tenho nenhum leitor ou seguidor do meu blog. Se o Xexéu ( do Globo) diz que tem apenas dezessete leitores, eu digo que não tenho nenhum. Mas tenho fé que um dia ainda vão descobrir o meu blog, embora eu não saiba como, e vão tomar conhecimento de minha existência.

domingo, 1 de junho de 2008

Um livro com o mesmo título

Nos últimos dias tenho tido um motivo a mais de tristeza. É que fiquei sabendo, pela imprensa, do lançamento de um livro chamado " No olho da rua" , mesmo nome do livro que lancei em 1999 e que já falei aqui no blog. Até aí, nada demais. Apenas um livro com o mesmo título. Nâo fosse o fato de eu ter conhecido o autor do livro (Marcelo Antônio da Cunha) que me foi apresentado por duas amigas e que se mostrou interessado em conhecer o meu livro, fato que ocorreu quando uma dessas amigas emprestou o meu livro para ele. Marcelo, até onde eu sei, leu o livro e se interessou chegando a propor, num encontro casual, que nos encontrássemos para falar sobre o assunto. O encontro nunca aconteceu e agora vejo que ele fez uso do título de livro em questão para contar um história muito parecida, para não dizer igual. As duas história tem como cenário unidades da Fundação Leão XIII e trata da difícil vida que levam os excluídos da socidade. No meu caso, não conto histórias vividas por outras pessoas e sim a minha própria história. Estive "no olho da rua" e de lá saí pelo meu próprio esforço e luta pessoal contra um destino que, para muitos, é fatal. Não quero briga com ninguém. Muito pelo contrário. Minhas "brigas" são outras. Prefiro ir para "front" através do meu trabalho espiritual e o trabalho de distribuição da sopa às quartas-feiras. Momento em que, muitas vezes, reencontro para minha tristeza antigos "colegas" moradores de rua do tempo em que vivi a mesma situação. Graças a Deus, agora estou do outro lado. Muitos não tem a mesma sorte. Sei que esse trabalho é muito criticado. É a velha história de que todo morador de rua é um vagabundo. Mas, acredite, um simples pote de sopa faz muita de diferença na vida de um necessitado. Muitos são tomados de alegria quando nos vêem chegando. Alegria que eu já senti quando recebi ajuda de uma alma boa. Por isso, acho que há muito trabalho a ser feito e espero que o senhor Marcelo seja mais um que venha somar aos que não acham nada natural crianças, adultos, velhos, homens, mulheres, famílias inteiras viverem no meio da rua e todos fingirem que nada está acontecendo. Temos mesmo que contar essas histórias, mas também temos que lutar para mudá-las. No meio de tudo isso, talvez minha tristeza seja um pouco de "inveja" por ver o espaço que a imprensa( como na coluna do Mauro Ventura, da revista deste domingo 01/06/2008) tem dado ao livro do Marcelo. Afinal, ele é um médico e eu apenas um ex-mendigo. Mas a vida continua.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sopa das quartas-feiras no Largo do Machado








Desde de 12 de maio de 2004 , um grupo de pessoas se reúnem para fazer e distribuir sopa no Largo do Machado, no Rio de Janeiro. No início era um grupo de 22 pessoas, mas algumas foram desistindo (não é fácil fazer esse tipo de trabalho) e agora somos mais ou menos 10 pessoas. O nosso trabalho tem como objetivo atender às pessoas que vivem nas ruas, os chamados mendigos, que prefiro chamar de morador de rua. Não que isso faça alguma diferença. Na verdade não passa de eufemismo, mas a palavra traz também o significado de vagabundo e muitos moradores de rua são trabalhadores que, por uma razão ou outra, chegaram a essa situação. A sopa é servida toda quarta-feira no Largo do Machado, no Flamengo, Rio de Janeiro, por voltas das nove horas da noite. Nesse horário, uma turma já está esperando por nós. No início ficávamos restritos ao Largo do Machado e adjacências, mas com o tempo fomos nos dirigindo a outros locais e agora a sopa é servida também em vários pontos do centro da cidade. Servimos cerca de 110 ( cento e dez ) potes de sopa e pão, além da colher. Todo o material usado é descartável. Servimos também água mineral, distribuída em copos.

terça-feira, 27 de maio de 2008

No olho da rua

Em 1999, depois de muita luta, consegui editar o meu livro, No olho da rua, onde narro as experiências que vivi como desempregado nas ruas do Rio de Janeiro. O título do livro diz bem a situação em que me encontrava naquele momento. Eu cheguei aqui no Rio de Janeiro, vindo de Minas Gerais, em meados de Julho de 1989 em busca de um sonho. Eu sou ator e sempre acreditei que se vivesse para o Rio de Janeiro conseguiria entrar para o fechado grupo de atores de televisão e teatro. Não preciso dizer que o sonho virou pesadelo, não é? Pois é. Nada consegui como ator e logo o pouco dinheiro que eu tinha acabou. Resultado: estava no "olho da rua", literalmente. Para não me perder de vez nas ruas da cidade, acabei indo procurar ajuda na Fundação Leão XIII, aquela que costuma recolher mendigos pelas ruas da cidade e que eles correm, se escondem , brigam e esperneiam para não ir para lá. Acredite se quiser; eu fui para lá com as minhas próprias pernas, meio sem saber o que ia encontrar pela frente. Confesso que tinha uma visão um tanto romântica da instituição e creditava que ia ser bem recebido, ser bem tratado e etcetera. Não foi bem assim que as coisas aconteceram. O que vi pela frente foi estarrecedor. Já na entrada da instituição, o que se via era muita gente pelo chão, encostada, sentada, caída. O retrato do caus. Porém, eu não tinha escolha. Era ali ou a rua. Resolvi enfrentar o leão, ou seja, a Fundação Leão XIII. Assim me tornei mais um interno da Fundação Leão XIII. Eu jamais poderia imaginar que a partir daquele momento eu iria mergulhar num mundo para muitos sem volta. Pois a Fundação Leão XIII não consegue ajudar àqueles que batem à sua porta para pedir ajuda ou aqueles os quais ela recolhe pelas ruas da cidade.. Tudo o que a instituição faz é recolher e amontoar as pessoas em seus galpões-dormitórios, sem nenhuma política forte para reinserir esses indivíduos no mercado de trabalho ou na sociedade. Qualquer indivíduo que passe pela instituição acaba entrando num processo de degradação cujo o fim é tornar-se definitivamente um mendigo. Não tem saída. Poucos escapam a esse destino. A maioria dos mendigos que se vê perambulando pelas ruas da cidade, dormindo debaixo de marquises, morando em buracos ou debaixo de pontes e viadutos têm várias passagens não só pela Leão XIII como por todas as instituições ligadas ao serviço social. É um círculo vicioso. Dificilmente uma instituição consegue efetivamente ajudar o indivíduo que apenas alterna algum tempo na rua e outro albergado. Falo isso, porque vivi essa situação e consegui escapar desse destino.

O primeiro dia

Nesse meu primeiro dia de blogueiro gostaria apenas de dizer que pretendo usar esse espaço para divulgar o meu livro "No olho da rua ", editado em 1999. Quero também falar falar sobre o trabalho social que desenvolvo com alguns amigos.
Um abraço.
Rio, 27 de maio de 2008.