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domingo, 17 de março de 2013

Só a vida ensina - Capítulo 4

Com vocês, o capítulo 4 da nossa história. Muitas emoções aguardam por vocês.

 

Só a vida ensina

capítulo 4


CENA 1 - INTERIOR/DIA – CASA DE JOEL  - SALA
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA 10 DO CAPÍTULO 3
JOEL DESPEDE-SE DO OFICIAL DE JUSTIÇA E FECHA A PORTA. TEM NAS MÃOS O DOCUMENTO QUE RECEBEU DO OFICIAL DE JUSTIÇA. LÊ O DOCUMENTO AVIDAMENTE:

JOEL – (NERVOSO) E agora, malandro? Dessa vez parece que o bicho vai pegar.

DONA MARGARIDA – (ENTRANDO) Quem era, Joel?

JOEL – (ESCONDENDO O DOCUMENTO) Nada não, mãe. Era engano. (TOM) Esse porteiro deixa entrar qualquer um. (SAI)

DONA MARGARIDA – Joel tem uma implicância com esse porteiro. Pra mim, ele é bom até demais. Atencioso, prestativo...

CORTA PARA:

CENA 2 - INTERIOR/DIA - PORTARIA DO PRÉDIO ONDE JOEL MORA
JOEL FALA COM O PORTEIRO, ELMIR:

ELMIR – Pode falar, seu Joel.

JOEL – É que eu gostaria de lhe pedir um favorzinho...

ELMIR – Se estiver ao meu alcance...

JOEL – (SEM JEITO) – É sobre aquele oficial de justiça que esteve aqui.

ELMIR – O que tem ele?

JOEL – O senhor fica aí se fazendo de sonso, mas o senhor... Bem, você sabe tudo o que acontece por aqui.

ELMIR – Aonde o senhor quer chegar?

JOEL – Quero chegar na dona Margarida. Eu não quero que ela saiba dessas coisas, o senhor entende?

ELMIR – Pode deixar, seu Joel. (TOM) O que acontece na vida dos condôminos não me diz respeito.

JOEL – Assim eu espero.

CORTA PARA:

CENA 3 - INTERIOR/DIA - CASA DE JOEL - SALA
DONA MARGARIDA ESTÁ LIMPANDO A CASA. JOEL ESTÁ ANDANDO DE UM LADO PARA O OUTRO.

DONA MARGARIDA – O que há com você, Joel? Não para um minuto quieto.

JOEL – Nada não, mãe.

DONA MARGARIDA – Como não? Olha o seu estado, filho. Tá na cara que está acontecendo alguma coisa. Fala logo o que é. Eu sou sua mãe. Pode se abrir. É a Verinha, não é?

JOEL – Não tem nada a ver com a Verinha.

DONA MARGARIDA – Então o que é?

JOEL – (GROSSEIRO) Já disse que não é nada. (SAI)

CORTA PARA:

CENA 4 - INTERIOR/NOITE - UM BAR DE RUA
JOEL ESTÁ SOZINHO NA MESA DO BAR. JÁ BEBEU BASTANTE.

JOEL (PARA SI) Como é você vai sair dessa, Joel? Desempregado, prestes a ser despejado de seu apartamento... Se não fosse só isso, ainda tem dona Margarida. Como é que eu contar pra ela que a gente tá praticamente no olho da rua? Como? (TEMPO) Melhor não ficar quebrando a cabeça com isso. O jeito é beber mais uma. (FAZ SINAL PARA O GARÇOM) Traz mais uma.

CORTA PARA:

CENA 5 - INTEIOR/NOITE - CASA DE JOEL -  SALA
ESTÁ ESCURO. JOEL ENTRA CAMBALEANDO. QUANDO ELE ESTÁ NO MEIO DA SALA, A LUZ SE ACENDE. DONA MARGARIDA ESTÁ DE PÉ NO MEIO DA SALA.

DONA MARGARIDA – Muito bonito, Joel. Agora é sempre assim, né? Todo dia bebedeira, farra... Onde você pensa em chegar assim? Não basta ter perdido o emprego?

JOEL – Acordada até essa hora, mãe?

DONA MARGARIDA – E como você quer que eu durma sabendo que está bebendo por aí?

JOEL – Não precisa se preocupar, mãe. Só estava me distraindo um pouco.

DONA MARGARIDA – Se pelo menos estivesse com sua noiva, a Verinha...

JOEL – Esquece a Verinha. Ela é muito chata.

DONA MARGARIDA – Ela só quer o seu bem. (TEMPO) Cria juízo, filho. Eu não vou viver pra sempre. Ainda bem que sua irmã se casou direitinho, tem o marido dela, os filhos... (TOM) Você só me dá motivo de preocupação. (SAI)

JOEL – Também não é assim. (TOM) Exagerada. (DEIXA-SE JOGAR NO SOFÁ E DORME ALÍ MESMO)

CORTA PARA:

CENA 6 - INTERIOR/DIA - PORTARIA DO PRÉDIO ONDE JOEL MORA DONA MARGARIDA ESTÁ CHEGANDO DA RUA COM COMPRAS. O PORTEIRO ESTÁ POR ALÍ.

ELMIR – (VENDO DONA MARGARIDA CHEGAR) Deixa eu ajudar a senhora, dona Margarida.

DONA MARGARIDA – Não precisa, seu Elmir.

ELMIR – (PEGANDO AS COMPRAS ) Faço questão.

DONA MARGARIDA – (TEMPO) Seu Elmir... o senhor tem entregue as contas do apartamento para o Joel?

ELMIR – (SEM JEITO) Sabe o que é, dona Margarida... o seu filho faz questão de pegar. Ele diz que é pra não causar preocupação para a senhora que é muito doente.

DONA MARGARIDA – Doente eu? (TEMPO) Ando muito preocupada, seu Elmir.

ELMIR – O que foi?

DONA MARGARIDA – (TRISTE) O Joel anda de um jeito. O senhor sabe que ele perdeu o emprego, né? Não bastasse isso, tá cada vez bebendo mais. Não há dinheiro que chegue. Eu sei que uma mãe não deve falar isso, mas ele pega todo o dinheiro da minha pensão. (TOM) Deixa isso pra lá. Não posso ficar enchendo a sua cabeça com os meus problemas. Até logo, seu Elmir. (SAI)

ELMIR – Uma mulher tão boa, com um filho desses.

CORTA PARA:

CENA  7 - INTERIOR/DIA - PORTARIA DO PRÉDIO ONDE JOEL MORA
JOEL E ELMIR ESTÃO CONVERSANDO.

ELMIR – É isso aí, seu Joel. O senhor vai me desculpar, mas eu não posso mais fazer isso com dona Margarida. Ela é uma mulher muito boa e não merece ser enganada.

JOEL – Que enganada? Eu não estou enganando ninguém. Estou apenas evitando aborrecimento a uma mulher doente. (TEMPO) Além do mais, não se esqueça que o senhor é apenas um porteiro.

ELMIR – Eu sei o meu lugar, senhor Joel. Acontece que a dona Margarida tem perguntado muito. Ela anda desconfiada. E eu me sinto muito mal com isso.

JOEL – Trate de ficar na sua, senão eu faço uma reclamação ao síndico. (TOM) Onde já se viu? Porteiro atrevido. (SAI, ENTRANDO NO ELEVADOR)

ELMIR – Atrevido?! (OFENDIDO) Além de tudo, ainda me ofende. (TOM) Isso não vai ficar assim.

CORTA PARA:

CENA 8 - INTERIOR/NOITE - CASA DE JOEL - SALA
JOEL ESTÁ DIANTE DE DONA MARGARIDA.

JOEL – Me empresta um dinheiro aí, mãe.

DONA MARGARIDA – Não tenho dinheiro, Joel.

JOEL – Nem vinte pratas?

DONA MARGARIDA – Nada. Tudo o que eu tinha entreguei a você para pagar as contas. (TEMPO) E por falar nisso, onde estão os recibos quitados?

JOEL – Tá desconfiando de mim, mãe?

DONA MARGARIDA – Faz tempo que você não me mostra os recibos de aluguel, luz...

JOEL – Não se preocupe com isso, dona Margarida.  A senhora sabe que eu cuido de tudo. (TOM) Fica aí com a sua novela que eu vou dar umas voltas. (SAI)

DONA MARGARIDA – Já vai encher a cara de novo. Oh, meu Deus! Que sina!

CORTA PARA:

CENA 9 - EXTERIOR/DIA - PORTA DO PRÉDIO ONDE JOEL TRABALHAVA
JOEL ANDA DE UM LADO PARA O OUTRO. DE REPENTE SURGE FÁBIO.
JOEL VAI AO ENCONTRO DELE.

FÁBIO – O que foi, Joel?

JOEL – Você precisa me ajudar, Fábio.

FÁBIO – Ajudar como?

JOEL – Tô numa enrascada daquelas, irmão. (TEMPO) Tô com ordem de despejo. Tenho poucos dias pra deixar o apartamento e, o que é pior, minha mãe não sabe de nada.

FÁBIO – E agora?

JOEL – Tô sem grana pra nada. (TEMPO) Será que não dava pra você me emprestar algum? Assim que sair dessa, lhe pago.

FÁBIO – Quem dera eu tivesse...? Você sabe a mixaria que eu ganho naquele escritório. Seu Olavo é jogo duro. (TEMPO) Pera aí, e a sua rescisão? Já torrou tudo?

JOEL – Tudo. Tava devendo todo mundo. E dinheiro comigo, você sabe, é pra gastar.

FÁBIO – Não só o seu, mas o da sua mãe também, né?

CORTA PARA:

CENA 10 - INTERIOR/DIA – CASA DE JOEL - SALA.
TOCA A CAMPAINHA E DONA MARGARIDA VAI ATENDER. QUANDO ELA ABRE, APARECE O PORTEIRO,  ELMIR:

DONA MARGARIDA – Seu Elmir!? Aconteceu alguma coisa?

ELMIR – Infelizmente aconteceu, dona Margarida.

DONA MARGARIDA – (ASSUSTADA) O que foi?

CORTA PARA :

FIM DO CAPÍTULO