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sábado, 28 de agosto de 2010

Abaixo ao horário de propaganda eleitoral

     É difícil entender como algo tão, digamos, odiado por todos continue existindo e, o que é pior, sem nenhuma perspectiva de acabar um dia. Um doce para quem adivinhar do que é que eu estou falando. Acertou na mosca quem disse que é o horário de propaganda eleitoral, esse "programão" que a despeito de agradar ou não, estar bem na audiência ou não, duas vezes por dia toma de assalto nossos rádios e televisões com o único objetivo de tentar (é preciso lembrar que quase sempre conseguem) nos enganar com suas mentiras, falsas promessas, e tapeações.
     Nesses programas pessoas, a maioria delas ilustres desconhecidos, mas tem também nossas queridas figurinhas carimbadas que somem durante o mandato e ao final deste retornam para nos pedir mais quatro anos de emprego com ótimo salário, aparecem no vídeo da televisão ou nas ondas do rádio dizendo o que o mundo está perdido, que nada presta (o custo de vida está nas alturas, a violência cresce a cada segundo, falta emprego, habitação, transporte, moradia, a fome graça, é o caos) e somente aquela figura patética que se encontra agora falando coisas que você provavelmente não está interessado em ouvir é que tem a solução.
     Se você votar na figura todos esses problemas estarão automaticamente resolvidos, diz o cínico sem sequer se dar ao trabalho de acreditar naquilo que está falando. No geral, são pessoas que declamam textos mal decorados de forma monocordia com plataformas esdrúxulas procurando desesperadamente um nicho da sociedade do qual se dizem legítimos representantes. Segundo a visão que tentam passar taxista vota em taxista, ferroviário em ferroviário, judeu em judeu, católico em católico, gay em gay, hetero em hetero e vai por aí...
     Pouca coisa faz sentindo. Nada de verdadeiramente consistente é apresentado aos eleitores que se arriscam em assistir a esses programas. Os partidos maiores apresentam grandes produções onde seus canditados (as tais figurinhas carimbadas) aparecem como se fossem grandes personalidades pelas quais o povo clama e segue pelas ruas. "Como eles não apareceram antes para nos salvar", pode de repetente aparecer numa boca falsamente arrebatada pela figura que ora se exibe. Criancinhas (essa cena é velha) são levantadas para o alto como prova de que o candidato é mesmo um pai, um pai preocupado até com aqueles que ainda nem votam. Já viu desprendimento maior? É claro que não.
     Não sei se já deu para reparar que a criança levantada para o alto surge, quase sempre, dos braços de um pai ou mãe de aparência humilde, alguém do povo,  eleitor que aquele candidato quer atingir. Ou seja, nada de novo. E se alguém tem a leve esperança de que desses "bonecos" que se apresentam sairão deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores ou presidente da república que realmente representem os anseios do povo, que vá realmente nos representar, parece estar enganado. Campanha politica continua a ser apenas a oportunidade que alguns têm de arranjar uma ocupação rendosa, ou seja, cargo político é emprego. Qualquer coisa que se diga em contrário é enganação.
     Resta aqueles que usam a campanha política para aparecer (quase todos) e se candidatam para cargos que não têm a menor chance e acabam sendo apenas figuras engraçadas. Desses, pelo menos, podemos dar boas risadas sem se preocupar com o mal que eles viessem a nos fazer caso fossem eleitos.

sábado, 21 de agosto de 2010

Cachorro leva dono para passear.

    Sei que onze em cada dez pessoas adoram animais, principalmente cachorros. E essa estatística não é difícil de ser comprovada, basta dar umas voltas pelas ruas da cidade. Não é preciso andar muito para encontrar a dupla (dono e cachorro) passeando, tranquila e distraidamente. Até aí, nada de mais. Você que conseguiu ler até já deve estar se perguntando: "qual é a novidade? Onde esse cara quer chegar?" Calma! Eu não quero ir muito longe. Apenas quero deixar claro que vou sozinho, não levo cachorro ou qualquer outro animal que não eu mesmo. Embora também queira deixar claro que nada tenho contra esses animais que são conhecidos como os melhores amigos do homem. Pelo contrário, eu até devoto a eles uma grande afeição, e por que não dizer, admiração? É isso. Na verdade, o que sinto pelos cães e cadelas com os quais encontro todos os dias pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro, é uma grande admiração. Digo isso, para não dizer que o que sinto mesmo é dó, pena, compaixão...
     Deve ser muito dura a vida dos referidos bichanos que são arrastados ruas à fora pelos seus donos que, insensíveis a qualquer apelo dos animais, os obrigam a andarem pelas ruas e parques apenas para que eles cumpram seu papel de donos de cachorro e respondam àquela pergunta que não quer calar: você já seu levou seu cão para passear hoje? Em nome do cumprimento dessa obrigação de dono de cachorro (será que eles têm outra?) saem por aí desabaladamente sem ter sequer noção de que o pobre do animal tem vontade própria.
     Não fosse isso, ainda tem o agravante de que, não raro, donos de cachorro não tem nenhum tipo de preocupação com a limpeza das ruas, pois permitem que seus animais urinem e defequem nelas e, embora existem honrosas exceções, deixam o resultado disso pelo caminho e continuam o passeio  como os mais justos dos mortais. Quando alguém um pouco mais exaltado faz algum comentário ou reclamação reagem ora de maneira agressiva e mal educada ou colocam a culpa no animal dizendo: " nossa, fulano (o nome do animal), você fez isso? O papai (a mamãe)(?) já não disse que aqui não é lugar para isso, seu porco?" Geralmente terminam de dizer o texto repreendendo fisicamente o animal para que o reclamante veja que ele(ou ela) é um cidadão(ã)  muito consciente, o cachorro que não aprende a se comportar como ele ensina. Tenho a leve ideia de que fazem isso de propósito, pois nesse momento o reclamante (outro que tem grande admiração pelos aludidos animais), por ver o animalzinho ser maltratado, se arrepende de ter feito a reclamação e sai apressado se martirizando. Depois o dono de cachorro segue sem nada fazer em relação às fezes do animal que, a essa altura, já foi pisada por um sem número de passantes e virou uma mancha na calçada. Mancha essa que foi fazer companhia a muitas outras que já existiam.
     Isso me leva a acreditar que não são os donos que levam seus cães para passear e sim, o contrário. Acredito, sem querer ofender ninguém, que os cães são mais educados que seus donos, por isso mais preparados a levá-los a passear pelas ruas. Uma coisa eu tenho certeza, eles não permitiriam que seus animais urinassem e defecassem pelas ruas. Só falta recomendá-los a proibir seus donos de fumarem tanto enquanto passeiam.

sábado, 14 de agosto de 2010

A cura do espírito

     Outro dia falei aqui sobre a cura do corpo, falei sobre a necessidade de buscarmos curar o nosso corpo através de meios que não sejam tão invasivos, que não agridam tanto. Porque, na verdade, muitos remédios causam mais males que benefícios. Além, é claro, do grande risco que corremos de nos tornar dependentes e, a partir daí, estarmos diante de um novo e assustador problema. Por isso, volto a falar na possibilidade que temos de buscar "curar" nosso corpo através de meios naturais e, principalmente, através da educação alimentar, e educação física. Comer de forma saudável e praticar exercícios regularmente são os caminhos que nos levam a cura do corpo.
     Porém, isso de nada vale se não procurarmos ter uma boa saúde espiritual. Eu sei que para muita gente é só falar em saúde espiritual ou coisa parecida que logo dizem que estão "fora", que não vieram ao mundo para viverem  como monges, fechados para as coisas boas que esse mundo oferece. Não é nada disso. É claro que esse tipo de pensamento é o que corre por aí. Frases como: você tem que aproveitar cada minuto como se fosse o último; só se vive uma vez; não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje, estão aí para fazer apologia ao consumismo, à pressa, ao imediatismo, ao materialismo, nos afastando cada vez mais do nosso lado espiritual que é a nossa essência. Afinal de contas fomos criados por Deus como espíritos, o corpo veio muito depois e como sabemos desde os primórdios, é perecível.
     Por isso, antes mesmo de cuidarmos de nosso corpo, devemos cuidar do nosso espírito e uma vez que nosso espírito esteja saudável, o nosso corpo vai "perceber" isso tornando-se saudável também. Acho que não é demais dizer que toda doença é uma desarmonia do espírito. Primeiro ficamos doentes espiritualmente e só depois essa doença se manifesta em nosso corpo. E isso causa muita dor e sofrimento, pois logo que nos sentimos doentes procuramos apenas tratar do corpo quando, na verdade, devemos fazer as duas coisas juntas: tratar do corpo e do espírito e assim nos livrarmos daquela desarmonia.
     E qual é a maneira de mantermos o nosso espírito saudável? O primeiro mandamento é o pensamento positivo, pois ele funciona como uma proteção contra a chegada e instalação do seu contrário, o pensamento negativo. E o que é o pensamento negativo? É tudo aquilo que nos coloca para baixo, que nos diminui diante de Deus (o sagrado), de nós mesmos e do mundo ( os outros). Todo pensamento de inveja, raiva, ódio, rancor, mágoa, ironia, mesquinharia, maldade, discórdia nos torna prontos para receber o mesmo de volta. A vida é troca. Sempre recebemos de volta aquilo que doamos. Então é mais inteligente doarmos amor, paz, compreensão, harmonia, desejos de saúde. bem estar e tudo aquilo que desejamos para nós e para aqueles que amamos, não é mesmo?
     Outro mandamento importante é termos consciência de que não nascemos do acaso, somos crias de um Deus amoroso e que nos quer sempre bem e que não percamos a ligação com Ele. E essa ligação se faz através da profissão de um credo, seja ele qual  for, que geralmente nos é passado pelos nossos pais ou descobrimos pela vida a fora. Mantermos ligados ao Pai nos faz sentir em harmonia com a vida, com o cosmos, com a natureza e com tudo aquilo que nos rodeia. Todos os dias ao se levantar faça um compromisso consigo de manter uma postura positiva diante da vida e se algum revés acontecer lembre que Deus tem muitas maneiras de falar com a gente. Ande como uma criança, de mãos dadas com o criador,

Paz e saúde para todos.

sábado, 7 de agosto de 2010

Somos realmente livres?

     Quando eu era criança (e isso foi há muito tempo) passava uma propaganda na televisão cujo gingle dizia mais ou menos o seguinte: "Liberdade é uma calça velha azul e desbotada que você pode usar do jeito que quiser. Não usa quem não quer." Lembro que eu assistia extasiado a essa propaganda, porque além de gostar da música, de seu visual colorido (de certa forma apenas imaginado, pois a televisão em questão era preta e branca) com jovens felizes numa caminhonete (ou coisa parecida) a rodar pelos campos, gostava mesmo era ouvir falar na tal de liberdade. A palavra liberdade cantada na música vinha de encontro com um anseio meu de ser livre, dono do meu próprio destino.
     Meus pais, sobretudo minha mãe, eram muito severos. Eles mantinham, a mim e a meus irmãos, sob rédea curta, como gostava de dizer minha mãe. Então ouvir naquela propaganda um conceito tão simples de liberdade me deixava qualquer coisa entre confuso e esperançoso. A qualquer dia eu poderia envergar uma calça velha e sair pelos campos livre como um pássaro para longe da repressão dos meus pais. Doce ilusão de uma criança que não sabia nada da vida. A tal calça velha azul ( calça jeans)  e desbotada era apenas uma forma lúdica de falar de liberdade, principalmente naqueles tempos de ditadura militar, e  estava longe de representar qualquer atitude concreta de liberdade.
     Sei que a essa altura você deve estar perguntando: "Que diabos esse cara está tentando falar com essa conversa mole?" Calma, não precisa tanta pressa. A gente chega lá. É que eu tenho pensando muito nos últimos tempos sobre o fato de se realmente somos seres livres e se essa liberdade é mesmo tão ampla, geral e irrestrita como prometia ser (será que foi?) a anistia que tentava acabar com a ditadura militar de que falei acima.
      A minha opinião é que não somos livres e se às vezes vislumbramos algum tipo de liberdade ela não é nem tão ampla nem tão irrestrita assim. É o que eu chamaria de uma liberdade meia-bomba, de "araque", como diriam outros. Somos, na verdade, pessoas presas a conceitos, padrões de comportamento, grupos, empregos, ideias e estamos sempre adiando para o futuro o dia em que  vamos dar nosso grito de liberdade e viver à nossa maneira, longe de tudo aquilo que nos prende e escraviza. Até lá vamos vivendo com a liberdade que podemos contar, ou seja, quase nenhuma. Embora crentes de que somos os seres mais livres que já pisaram sobre a terra. Ledo engano.
       Somos escravos do trabalho, precisamos ganhar nosso pão de cada dia, senão morremos de fome, ou seremos apontados como vagabundos, sanguessugas, parasitas e corremos o risco de parar no meio da rua onde nos tornaremos mendigos. Esses sim, os únicos a viver uma certa liberdade, mas vocês sabem a que preço, não é? O preço de não serem  escravos da moda ( é preciso estar em dia com ela), do peso ( olha essa "gordurinha" aí!), da aparência (você tem que ser bonito(a) ), do sucesso ( você tem que ser bem-sucedido), da ditadura do consumo (você tem consumir tudo o que lhe oferecem, tenha ou não condições para isso) e tudo o que cerca os "livres" de nossos tempos. Eu, pelo meu lado, ainda continuo cantando aquele gingle: "Liberdade é uma calça velha..."