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segunda-feira, 11 de março de 2013

Só a vida ensina. - Capítulo 3

Com um dia de atraso, eis aí o capítulo 3 da saga de Joel.

SÓ A VIDA ENSINA.


Capítulo 3

CENA 1 - INTERNA/NOITE - PORTARIA DO PRÉDIO ONDE JOEL MORA
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA 10 DO CAPÍTULO 2
JOEL CONTINUA COM A CARTA NA MÃO. ELMIR, O PORTEIRO, OBSERVA:

ELMIR – Algum problema, seu Joel?

JOEL – (DISFARÇANDO) Não. Nada. Apenas uma dessas cartas de propaganda de políticos. Não sei como descobrem o endereço da gente.

ELMIR – Coisa chata, né?

JOEL – Se é... (TEMPO) Mas sabe o que eu faço? (RASGA A CARTA EM PEDACINHOS) É isso que eu faço.

ELMIR – Essa gente é muito desaforada. (ESTENDE A MÃO PARA PEGAR OS PEDAÇOS DA CARTA) Me dá aqui, seu Joel, que eu jogo no lixo pro senhor. (JOEL ENTREGA OS PEDAÇOS DA CARTA AO PORTEIRO E SAI. DEPOIS UM TEMPO O PORTEIRO COLOCA OS PEDAÇOS DA CARTA SOBRE SUA MESA E COMEÇA A MONTAR COMO SE FOSSE UM QUEBRA-CABEÇA PARA DESCOBRIR DO QUE SE TRATAVA SEU CONTEÚDO) Ora! Veja só. É carta da administradora cobrando aluguéis atrasados. Bem que eu estava desconfiado. Atrasado com o aluguel, condomínio... Esse seu Joel nunca me enganou. (TOM) Também, vive na farra torrando tudo o que ganha. Dona Margarida é que sofre, coitada.


CORTA PARA:

CENA 2 - INTERNA/NOITE - UM BAR QUALQUER.
JOEL ESTÁ NUMA MESA BEBENDO COM AMIGOS. JÁ ESTÁ BASTANTE ALTO.

JOEL – (LEVANTANDO COM UM COPO DE BEBIDA NA MÃO) Proponho um brinde ao mais novo desempregado da praça.

TURMA DA MESA SE MOVIMENTA. UNS ASSUSTADOS, OUTROS DANDO GARGALHADAS.

JOEL – (AINDA DE PÉ) Estou livre daquele chato do seu Olavo, livre daquele escritoriozinho de quinta categoria. Liberdade para Joel Gomes. (LEVANTANDO O COPO DE BEBIDA) Um viva à liberdade.

TODOS – Viva!

CORTA PARA:

CENA 3 - INTERIOR/NOITE - PORTARIA DO PRÉDIO ONDE JOEL MORA
DONA MARGARIDA ESTÁ DE FRENTE PARA ELMIR. ELA ENTREGA A ELE UM EMBRULHO.

DONA MARGARIDA – Trouxe uma merendinha para o senhor, seu Elmir.

ELMIR – Não precisava, dona Margarida. (PEGANDO O PACOTE) Só a senhora é capaz de se lembrar da gente. Obrigado.

DONA MARGARIDA – O senhor merece muito mais, seu Elmir. (TEMPO) E as contas já chegaram?

ELMIR – Tudo o que chegou até agora eu entreguei para o Joel, seu filho.

DONA MARGARIDA – Não faça isso, seu Elmir.

ELMIR – Ora, por que, dona Margarida?

DONA MARGARIDA – O Joel é um cabeça de vento, seu Elmir. Pega as coisas e depois não sabe onde pôs. (TEMPO) Vamos combinar o seguinte: o senhor só entrega as contas para mim. Combinado?

ELMIR – Combinado.

DONA MARGARIDA – Boa noite, seu Elmir. (SAI)

ELMIR – Bem que eu tento fazer isso, mas ele não deixa. A senhora não conhece o filho que tem.

CORTA PARA:

CENA 4 - INTERNA/NOITE - UM BAR QUALQUER
(O MESMO DA CENA 2)
JOEL LEVANTA-SE DA MESA EM QUE BEBE COM OS AMIGOS E SE DIRIGE A UMA MOÇA QUE BEBE COM UMA TURMA NUMA MESA AO LADO.

JOEL – E aí, gatinha? Não quer passar para a minha mesa?

MOÇA – E por que eu faria isso?

JOEL – Pra gente conversar, ora!

MOÇA – (APONTANDO PARA O RAPAZ AO LADO) Será que você não prefere conversar com o meu namorado?

RAPAZ – O que tá pegando, amor?

MOÇA – O moço aqui tá me convidando para ir para mesa dele.

RAPAZ – Verdade? (A MOÇA FAZ SINAL QUE SIM E O RAPAZ DÁ UM SOCO EM JOEL QUE CAI. FORMA-SE UMA CONFUSÃO. O PESSOAL DA MESA DE JOEL SE METE NA BRIGA. O DONO DO BAR PERCEBE A CONFUSÃO, PEGA O TELEFONE E FAZ UMA LIGAÇÃO.

CORTA PARA:

CENA 5 - INTERNA /NOITE - BAR
MESMO BAR DA CENA 2 E 4.
CONFUSÃO CONTINUA. JOEL, MUITO BÊBADO, INSISTE EM QUERER FALAR A COM A MOÇA ACOMPANHADA.

JOEL – E aí, gatinha? Vai me esnobar, vai?

RAPAZ – (PARA A NAMORADA) Eu vou partir a cara desse filho da mãe.

MOÇA – Fica calmo, amor.

NESSE MOMENTO ENTRAM DOIS POLICIAIS. A CONFUSÃO TERMINA NO ATO DA CHEGADA DOS POLICIAIS.

POLICIAL – Quem é o responsável por essa baderna?

TEM-SE INÍCIO UM GRANDE BURBURINHO, TODOS FALAM E NINGUÉM SE ENTENDE.

POLICIAL – Já entendi tudo. Vai todo mundo em cana. Vão ter que se explicar com o delegado.

CORTA PARA:

CENA 6 - INTERIOR/NOITE - DELEGACIA DE POLÍCIA
JOEL, A MOÇA, O RAPAZ, OS POLICIAIS E TODOS OS OUTROS DA CENA 5 ESTÃO DIANTE DO DELEGADO.

DELEGADO – Dá para  falar um de cada vez?

TODOS VOLTAM A DISCUTIR. O POLICIAL QUE DEU A VOZ DE PRISÃO TOMA A FRENTE.

POLICIAL – Sabe o que é. Doutor... Estavam todos fazendo baderna num bar. Pelo que me consta esse daí (APONTA PARA JOEL) foi quem começou tudo.

DELEGADO – (PARA JOEL) O que o senhor tem a dizer?

JOEL – (BÊBADO) Em primeiro lugar: quem é o senhor? Com que autoridade se dirige a mim nestes termos?
DELEGADO – Sou o delegado.

JOEL – Então prove que é o delegado.

DELEGADO – Olha aqui, seu cachaceiro. Quem faz pergunta aqui sou eu. (PARA OS POLCIAIS) Levem esse elemento para a cela. Ele tá precisando refrescar as ideias.  Os outros estão liberados.

OS OUTROS DETIDOS SAEM.

JOEL – (RESISTINDO À PRISÃO) Vocês não podem fazer isso. Eu tenho direito de chamar o meu advogado.

DELEGADO – O senhor vai fazer isso lá da cela. Podem levar.

POLICIAIS SAEM COM JOEL.

CORTA PARA:

CENA 7 - INTERNA/NOITE - CELA DE PRISÃO
JOEL ESTÁ PRESO JUNTAMENTE COM OUTROS. POLICIAL CHEGA TRAZENDO VERINHA. PRESOS COMEÇAM COM UMA CERTA ALGAZARRA.

POLICIAL – Silêncio no ressinto. (PRESOS SE ACALMAM. ELE APONTA PARA JOEL) É esse aí o seu namorado.

VERINHA – Noivo, moço.

POLCIAL – O que seja. (TEMPO) Tem dez minutos, nem um segundo a mais. (SAI)

JOEL – Viu o que fizeram comigo, amor?

VERINHA – Que foi que você aprontou, Joel?

JOEL – Não fiz nada. Tava quietinho no meu canto. A moça é que ficou me dando bola, aí o cara, que não controla a sua namorada, partiu para cima de mim.

VERINHA – Difícil de acreditar, né, Joel? (TEMPO) O que você quer de mim?

JOEL – Que você conversasse com o delegado, explicasse a minha situação. Sou um homem de bem, trabalhador. Não mereço esse tratamento.

VERINHA – Tá bom. Eu vou tentar falar com ele.

CORTA PARA:

CENA 8 - INTERNA/NOITE - SALA DO DELEGADO
VERINHA ESTÁ DIANTE DO DELEGADO.

DELEGADO – Estão a senhorita é a noiva do meliante?

VERINHA – Meu noivo é homem trabalhador, doutor delegado.

DELEGADO – É mesmo? (TEMPO) E por que ele estava brigando num bar altas horas da noite? Pelo que me consta trabalhadores não costumam agir assim.

VERINHA – É que ele às vezes se junta com umas companhias... O senhor entende, né?

DELEGADO – Olha aqui, moça. Eu vou liberar esse rapaz em consideração a você que eu estou vendo que é uma moça de bem. Mas que fique bem claro: se esse rapaz for trazido mais uma vez aqui por estar perturbando a ordem, a coisa vai engrossar para o lado dele. Ouviu bem?

VERINHA – Pode deixar, doutor delegado. Pode deixar.

CORTA PARA:
CENA 9 - EXTERNA/NOITE - PORTA DA DELEGACIA
VERINHA E JOEL ESTÃO CONVERSANDO.

VERINHA – Que essa seja a última vez que você me mete nos seus rolos, viu Joel?

JOEL – Pode deixar. Eu vou mudar. Você pode ficar tranquila, meu amor. (TENTA BEIJAR VERINHA, ELA SE AFASTA) Só um beijinho, Verinha. Você não sabe o que sofri naquela cela.

VERINHA – Faço uma ideia. (TOM) E vou logo lhe avisando: se você continuar nessa vida, boto um fim nesse noivado. Tô cansada de tudo isso.

JOEL – Não fala assim, Verinha. Você é a razão da minha vida.

CORTA PARA:

CENA 10 - INTERNA/DIA. - CASA DE JOEL
SALA, JOEL ESTÁ ASSISTINDO FUTEBOL NA TELEVISÃO. TOCA A CAMPAINHA E ELE VAI ATENDER. ABRE A PORTA E SURGE UM HOMEM DE TERNO E GRAVATA.

HOMEM – Senhor, Joel Gomes?

JOEL – É ele.

HOMEM – Oficial de justiça. Queira assinar aqui, por favor.

JOEL FICA SEM AÇÃO.

CORTA PARA:
FIM DO CAPÍTULO