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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os que falam e os que calam.

     Todos temos um comportamento (leia-se atitude) que adotamos quando estamos em sociedade. Uns são mais expansivos, outros mais introspectivos. É claro que existem muitas variantes desses comportamentos, podendo alguns serem mais assim ou assado. Não existe uma regra definitiva para isso. Até porque somos todos dotados de individualidades e isso, definitivamente, nos difere uns dos outros.
    Dividir as pessoas entre expansivos e introspectivos é apenas uma visão genérica. Porém, é assim que costumamos ser retratados nas estatísticas ( tantos por cento assim, tantos por cento de um outro modo) que tentam descobrir como agem ou pensam as pessoas. E, vamos combinar, isso é muito castrador.
      Só que não são apenas as estatistísticas que nos vêem assim. No nosso convívio temos por hábito taxar as  pessoas disso ou daquilo segundo os critérios que nos convém, ou seja, critérios nada científicos. Com isso, do alto de nossa sabedoria, decidimos que o nosso "analisado" tem esse ou aquele comportamento. Portanto, ele só pode ser do jeito que o vemos. E, uma vez que decidimos o padrão de comportamento daquela pessoa, não há volta. Colocamos o nosso selo, lacramos e pronto. A partir desse momento passamos a vê-la apenas com aquele selo. Ai dela se resolver agir de outra forma. Nesse caso, o texto está sempre na ponta da língua:
- Que  isso? Que estranho! Esse não é você? Que é que te deu? Você nunca foi assim.
E tudo fazemos para que a pessoa volte a agir da maneira antiga (a do selo, lacre, etc...), pois só a aceitamos assim, de outra maneira não serve aos nossos interesses. Negamos o direito que a pessoa tem de mudar, de rever seus conceitos, de se reinventar. E ainda juramos que fazemos isso  o bem daquela pessoa:
- Você era muito melhor, mais agradável. Não estou te reconhecendo.
Trocando em miúdos, só aceitamos os outros quando eles atendem às nossas exigências, quando eles agem da maneira que nós queremos e deixamos. Para ser explicito: se queremos que falem, que falem; se queremos que calem,  que calem.