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sábado, 29 de dezembro de 2012

O que esperar do novo ano?

      É  comum a gente jogar todas as nossas fichas no futuro apostando que no tempo que virá nós seremos felizes e realizaremos todos as nossas aspirações e desejos. E  isso se torna mais evidente na passagem de ano. Nesse momento até os mais desanimados não deixam de fazer os seus pedidos e cruzar os dedos esperando que tudo seja melhor.
     Na verdade é apenas uma mudança no calendário, nada mais que isso. Mas todos ficamos imbuídos de uma espectativa tão grande que acreditamos que o que vai acontecer é algo muito grande e mágico. Não apenas uma troca de números, mas a chegada de um tempo novo, sem as marcas do tempo que passou, sem tristezas, sem dores, com tudo ainda por fazer, uma história ainda por ser escrita e, o que é melhor, ainda por ser vivida.
     É essa magia que o ano novo nos traz: a ideia de que nós, no tempo que vai chegar, seremos agentes da nossa própria história, que nada vai nos impedir de escrever essa história da melhor maneira que pudermos, pois acreditamos que isso está em nossas mãos. Assim que raiarem as luzes do novo ano, estaremos começando um novo tempo.
     Mais do que isso, estaremos nascendo de novo, melhores, mais sábios, mais experimentados, com mais certezas que dúvidas e mais fortes do que nunca, pois temos dentro de nós a certeza de que somos capazes de qualquer coisa para mudar o rumo de nossas vidas e faremos isso da forma mais acertada possível.
     Quem na passagem de ano nunca tomou resoluções com o objetivo de corrigir erros passados e dar um novo rumo às suas vidas? É possível que todos sem exceção possamos responder que já tomamos decisões, fizemos planos, imaginamos que tudo seria melhor. Mas veio o ano novo e ...
     Não preciso dizer que muitas promessas foram quebradas e que tão logo o ano começou percebemos que o ano tinha mudado, mas que nós continuávamos os mesmos e mais uma vez voltamos a jogar as nossas esperanças no futuro, aquele que está sempre à nossa frente, novinho em folha e portanto ainda possível de ser escrito, sonhado, imaginado.
    E a vem outra pergunta: será que essa constatação é boa ou ruim? Talvez nenhuma coisa nem outra. Como tudo na vida, temos que arriscar e quando fazemos planos para o que tempo que vem seja melhor ou tão bom  quanto  tempo que estamos vivendo é porque acreditamos no futuro, acreditamos na vida, acreditamos e apostamos em nós mesmos. E isso é mais que bom, é ótimo.
     Antes da chegada do novo ano faremos tudo o que sempre fazemos. Repetiremos todas as simpatias que conhecemos e até agregaremos outras novas. Não importa o que faremos, o importante é que a gente nunca perca a vontade de apostar no futuro, de desejar que ele seja muito melhor para nós e para todos aqueles que nos rodeiam, ou seja, toda a humanidade. Só não podemos esquecer é de contribuir para que isso aconteça de fato.

Feliz  !

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Até o último gole.

     Com essa história de fim de mundo tomando conta da cabeça de todo mundo (principalmente nos meios de comunicação), uma coisa me deixou bastante intrigado: a necessidade que as pessoas têm de querer aproveitar tudo até o último momento. Algo assim como: "já que o mundo vai acabar mesmo, quero fazer tudo o que tenho vontade".
     Até aí, nada de mais. Afinal, cada um tem o direito (pelo menos, assim parece) de escolher como como quer desfrutar seus derradeiros momentos aqui na terra. O que me deixou intrigado foi a necessidade de que isso fosse sempre de uma forma exagerada e desmedida.
     Havia aqueles que queriam estourar o cartão de crédito, os que queriam passar seus últimos momentos na cama em boa companhia, enfim todo mundo queria realizar seus desejos mais secretos antes que as luzes se apagassem de vez.  E desejos bizarros é que não faltaram.
     Teoria fatalista à parte, será que a vida é isso mesmo? Aproveitar tudo enquanto dá para com isso se sentir mais recompensado: "o mundo acabou, mas eu aproveitei tudo o que tinha direito".  Pensamento, na minha opinião, materialista demais. Como se com o fim da terra (mundo) todos fossemos desaparecer igual à fumaça e fim de papo.
     Ei, não é bem assim. O buraco, como dizem, é mais embaixo. A sorte de tudo isso é que a maioria das pessoas é espiritualizada o bastante para não embarcar nessas ondas  e acabou vendo tudo isso apenas como um bom motivo para fazer piada e divertir entre os amigos. Do contrário, teria sido o caos.
     Para nossa sorte ou azar tudo continua como dantes no quartel de Abrantes e temos a chance de cuidar melhor deste mundo, antes que uma dessas profecias malucas acabem virando realidade e aí, com certeza, não teremos tempo para brincadeiras ou piadas.

sábado, 22 de dezembro de 2012

A festa do natal.

      Podemos até dizer que todos os anos é a mesma coisa: chega o mês de dezembro e todos somos tomados pelo que se denomina chamar: espírito natalino. É aquele sentimento de que todos fazemos parte de uma mesma e grande família, que a humanidade inteira tem um único interesse: viver em paz e harmoniosamente.
      Tem gente que acha tudo isso lindo. O espírito do natal as comove e elas se sentem como se realmente um menino fosse nascer em Belém de Judá trazendo de volta a esperança de um mundo melhor e que a nossa ligação com o Criador estivesse de novo sendo restabelecida através desse acontecimento maravilhoso que mudou o mundo para sempre.
     A pobre e humilde estrebaria da estalagem de Belém nos faz pensar na nossa vaidade, nos nossos apegos materiais, na nossa falta de caridade e amor aos nossos semelhantes que, por ventura, se encontram em condições piores que a nossa e precisam da nossa atenção, do nosso carinho e atenção. Ou seja, natal é uma festa de amor, paz e esperanças renovadas.
     Por outro lado, há aqueles que veem o natal apenas como uma festa comercial onde tudo é feito em nome das vendas, do interesse no lucro. Para esses, tudo o que falamos acima não passa de 'conversa para "boi dormir", sem nenhum significação maior. Chegam a dizer que o natal é um festa inventada, que Jesus não nasceu no dia vinte e cinco de dezembro.
     Não nos cabe aqui dizer quem está certo ou quem está errado. As duas possibilidades existem e devem ser levadas em conta. Afinal, como dizem por aí: a moeda tem dois lados. Só que, diante de uma e de outra existe a fé, existe a crença num Deus Criador e a sua bondade.
     Ninguém é obrigado a acreditar em nada, mas, festa capitalista ou não, o importante é se deixar seduzir por esta magia que toma conta de todos, crianças, jovens, velhos e adultos, nesse período do ano. E, sem medo de ser feliz, sair por aí experimentando a sensação de paz que paira no ar.
     Se acaso somos contra o lado capitalista do natal podemos ignorar as luzes, os enfeites, o burburinho das compras, mas não podemos deixar passar a chance de receber o MENINO que vem nos trazer a certeza da alegria de pertencer à grande família humana.
FELIZ NATAL!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

É preciso saber se (re) inserir.

     Acontece com bastante frequência (muito mais até do que a gente muitas vezes gostaria) de perdemos o contato com pessoas ou grupo de pessoas que eram ou são importantes em nossa vida social e profissional. Um belo dia acordamos e descobrimos que nos transformamos em verdadeiros desconhecidos para as pessoas com as quais conviviamos e nos lugares onde antes transitávamos com desenvoltura e facilidade. E a aí é aquele "deus nos acuda".
     Parece que estamos sozinhos no mundo e que todos nos esqueceram para sempre. Tentamos fazer contato de todas as formas e tudo que recebemos de volta é o mais absoluto silêncio. Não tem jeito, não há como negar:  fomos esquecidos mesmo.
     Isso se dá por diversos motivos: seja porque você teve que fazer uma viagem, mudou de cidade, saiu do emprego ou porque quis se afastar de tudo e de todos voluntariamente e agora está querendo (precisando)  retomar as relações cortadas ou perdidas. 
     Ou seja, motivo é que não faltam para que esses distanciamentos aconteçam. O certo é que nossos interesses também mudam de vez em quando e isso nos leva a dar mais atenção para um lado que para outro e quando damos por si perdemos  de vistas pessoas e coisas com as quais gostamos de estar, trabalhar, conviver e conquistar de volta se torna um trabalho penoso e até inglório, para  não dizer simplesmente impossível.
     Muitas relações cortadas, quebradas, perdidas, negligênciadas jamais são recuperadas por um monte de razões que não nos cabe aqui enumerar. Mas uma coisa sabemos, por motivos afetivos ou de sobrevivência, estamos "na pista" de novo e precisamos nos (re) inserir. Não dá para ficar à margem de tudo apenas reclamando da sorte e tentando desesperadamente trazer de volta um tempo que passou.
    Além do mais, você não é mais o mesmo, as pessoas, aquelas com as quais você se relacionava, também não são mais as mesmas, o tempo é outro, você, provavelmente, está mais velho, a vida lhe agregou algumas coisas e tirou outras. Trocando em miúdos: nada é como antes.
    Então, se ao estar de volta você tentou recuperar aqueles relacionamentos antigos e não conseguiu porque todo mundo já estava em "outra" e nem lhe reconhece mais, não adianta ficar deprimido e virar ermitão. Nada de se sentir excluído para sempre. Mãos à obra. Pode ser difícil, mas não é impossível. 
    A saída é começar tudo do zero, agir como se estivesse chegando agora e saber que tudo está por fazer. É isso mesmo. Crie uma "embalagem" nova e saia por aí vendendo o produto: você. Apenas não se esqueça de ser honesto, tentar não cometer os erros do passado e valorizar suas conquistas e aprender que quando, voluntária ou involuntariamente, precisamos nos afastar de alguém ou de alguma coisa devemos sempre deixar uma porta aberta. Nunca se sabe o dia de amanhã, não é mesmo? No mais: BOA SORTE!

sábado, 15 de dezembro de 2012

"Mão podre".

     Não precisa se assustar. Não se trata, literalmente, de uma mão podre. É apenas uma forma usada para identificar aquelas  pessoas que não costumam ter muita sorte em suas escolhas pela vida. Aquelas pessoas que quase sempre (pelo menos, elas acham assim) escolhem mal seus amigos, negócios e se veem obrigadas a admitir que não têm lá muita sorte.
      É exatamente assim que o João se sente. O rapaz diz que não tem sorte. Vira e mexe lá vem ele reclamar que se deu mal com alguém em quem ele confiou ou em algum negócio que lhe parecia tão bom à primeira vista e que logo em seguida se revela um fiasco. Para não deixar dúvida, o João chega ao cúmulo de dizer que nada que ele planta nasce, tal é a ruindade de sua mão
     Não adiante dizer para o João que a coisa não é bem assim, que tudo não passa de pura e simples coincidência e que ele devia mesmo era tomar mais cuidada da próxima vez examinando melhor os prós e os contras antes de tomar uma decisão ou plantando sua árvore com mais cuidado.
     O João não concorda. Diz que isso acontece só com ele e coisa e tal. Faz longas comparações. Diz, por exemplo, que não tem sorte com os amigos. As amizades começam muito bem e quando ele menos espera tem uma decepção daquelas de derrubar touro bravo. Negócios então nem se fala: não consegue emplacar nada. A ideia pode ser maravilhosa e funcionar com qualquer pessoa, mas com ele não. Com ele é fracasso na certa.
     Tento dizer para o João que isso que ele tem é pessimismo, que não existe esse negócio de sorte e azar, mão podre, então, é invenção da cabeça dele. Acrescento que ele tem mudar a sua maneira de pensar, rever a sua postura diante da vida, acreditar mais nele mesmo, mas o João encasquetou com a tal da "mão podre".
     Pelo meu lado,  um tanto cabreiro, me pergunto: "Será que nessa história de "mão podre", eu também estou incluído? Parece lógico pensar assim, não? Afinal, ele diz que não dá sorte com nenhum amigo, que não dá sorte com nada. Então, definitivamente, eu estou incluído.
     Diante disso, ele muda um pouco o discurso dizendo que eu sou uma exceção. Bom, penso eu. Pelo menos existe exceção e isso já é alguma coisa, não é? Replico dizendo que nesse caso ele não pode dizer que nunca dá sorte. Ele fica um pouco encabulado e começa a dizer que um dia tudo já foi diferente. Fico logo interessado e ele me conta histórias do tempo em que ele ainda não tinha " mão podre".
     Descobro que João teve algumas decepções e que isso marcou muito a sua vida. Concordo com ele que alguns golpes são mesmo muito duros de se enfrentar, mas que ele tem que reagir. Afinal de contas, tudo passa. Até as decepções passam. Agora quem concorda comigo é ele. Promete que vai ver as coisas pelo lado positivo e que nem todo mundo é igual.
    Sinto que o João está mais leve. Sinto que eu também estou mais leve. Mais um pouco e acabo descobrindo que falei para o João o que eu estava precisando ouvir.  No fundo, eu também sempre fui meio cismado com esse negócio de pouca sorte, mão podre. O João acabou despertando em mim também uma necessidade de ver mais o lado bom das coisas. O resto é pura cisma tanto minha quanto do João.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Xô, tristeza!

     Todos sabem que você é a musa inspiradora de muitos artistas. Graças à você e, por que não dizer, para embalá-la inúmeras obras primas foram criadas. Lá isso não se pode negar. Mas para quê mais você serve ainda mais quando não se é ( e nem se tem a pretensão de ser) um artista inspirado?
     Se você acaba de chegar agora, devo esclarecer que estou falando de ninguém menos que a tristeza. Sim, essa sensação que nos pega meio sem avisar e toma conta da gente. Bobeou e ela vai ficando. Quando a gente se dá conta ela já montou casa e aí é difícil fazer com que ela vá procurar outro rumo.
     Portanto, é preciso ser rápido e espantar essa coisa para bem longe antes que ela faça os seus estragos. Xô, tristeza! Vai para bem longe de mim. Não venha com as suas insinuações. Não venha dizer que a vida é uma porcaria, que nada presta, que nada dá certo. Não me venha com esse seu derrotismo, com o seu desânimo. Quero ter pensamentos de alegria, de prazer, de vitória.
     Mesmo quando as coisas não saiam do jeito que eu planejei, quero ver nisso motivo de alegria. A alegria de tentar de novo, e de novo e de novo e mais uma vez se for preciso.  Tentar quantas vezes forem necessárias. Levantar  de todas as quedas que por ventura aconteçam.
     Não quero, não vou, não posso dar espaço para você na minha vida . Sinto muito, tristeza. Seu lugar na minha vida acaba de ser ocupado pelo cultivo da alegria. Isso mesmo. Essa plantinha que pretendo regar todos os dias para que ela cresça frondosa no meu jardim.
     E sabe o por quê disso,  tristeza? Porque descobri que vinha dando muito espaço para você, dando ouvidos aos seus argumentos e você, sorrateira, foi tomando conta de tudo. Agora acabou. Descobri que você é  péssima companhia e que não serve para nada. NADA, ouviu bem? NADA mesmo! Nem mesmo se eu fosse um poeta romântico e solitário, ia querer a sua companhia.
Adeus, tristeza.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A lei do mais forte.

     Como diz aquela canção: "amizades sinceras me interessam..." Viver sozinho não é bom. Essa coisa do compartilhamento é muito importante para que possamos viver melhor ou, na melhor das hipóteses, se sentir menos deslocado, menos sozinho.
     Seria muito bom que as convivências fossem todas para o bem, não é mesmo? Que todas as pessoas se juntassem apenas para fazer coisas que as dignificassem. Mas, infelizmente, não é isso o que acontece com frequência. Muita gente se junta para praticar atos que talvez sozinhas elas não teriam coragem de praticar.
     Sozinhos, muitas vezes, são verdadeiros santinhos, mas basta se juntar com uma galera para mostrar que o santo era mesmo do "pau oco", como se dizia nos antigamentes. E isso até que não seria nada de mais se os atos praticados fossem brincadeiras inocentes, pequenas travessuras e coisas do gênero. 
     Só que não é nada isso.  Tem gente se juntando para cometer crimes bárbaros, hediondos mesmo. E por que? Por que são mesmo assassinos, bandidos perigosos? É provável que não. Não acredito que alguém já nasça mau, bandido ou marginal. Embora as tendências estejam sempre presentes e, não raro, às vistas de pais, colegas, vizinhos, educadores e sociedade em geral.
     O que chama a atenção é que tem havido já há muito tempo uma crescente valorização da força bruta, dos gritos de guerra, da tal "lei do mais forte". Através de mecanismos de mudança de corpos ( via academias e outros meios), um corpo antes franzino ganha músculos e o que antes era apenas por preocupações estéticas e, talvez, de saúde passa a ser usado como forma de amedrontar e mostrar força. E quando tantos músculos ociosos se encontram querem barbarizar e mostrar porque foram esculpidos.
    Nada contra o culto do corpo malhado. Pelo contrário, Nosso corpo precisa mesmo ser "trabalhado" para aguentar o tranco do dia a dia e, além do mais, uma boa aparência nunca fez mal a ninguém, não é? O que não se pode, na minha opinião, é usar os mecanismos que se tem à disposição para se cuidar da saúde e ter uma vida melhor, como meio para transformar nossas ruas, bairros e cidades em verdadeiros campos de guerra.
    Fala-se muito que se aprende, por exemplo, artes marciais para se defender. Porém, o que se vê por aí é muita gente usando o que aprende para atacar aqueles que não detém os mesmos conhecimentos. Além de covardia, isso parece não condizer com o que se prega.
    Precisamos, urgentemente, de uma lei para desarmar os corações. Principalmente os  corações  daqueles que se juntam para barbarizar por aí, acreditando que estão apenas se divertindo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A lição da árvore.

     Nossas experiências contam muito. Através de nossas vivências podemos entender melhor a nós mesmos e o mundo em que vivemos e assim nos posicionar de forma mais segura diante das situações que a vida nos apresenta.
     Se trazemos dentro de nós a memória de um determinado acontecimento, quando ele por ventura se repete, já sabemos mais ou menos como nos comportar em face a ele e até já sabemos como tudo se desenrolará, o que torna as coisas mais fáceis para nós. Isso é o que se denomina experiência de vida. E ela só se dá mesmo pela vivência, no dia a dia, sofrendo, rindo, chorando, com os sucessos e os insucessos.
     É claro que muita gente, talvez por distração, não costuma prestar atenção nas lições da vida. Daí surgem as repetições, os sofrimentos, porque quase sempre as coisas se repetem desmentindo aquela afirmação que diz que "um raio não cai duas vezes no mesmo lugar". Infelizmente cai. Principalmente quando se é desatento e não se procura aprender logo "a lição de casa".
     Cada um de nós tem a sua maneira própria de assimilar as coisas, de entender as mensagens que estão ocultas em cada acontecimento, cada erro, cada acerto. Dizem que não cai uma folha de uma árvore sem que haja um propósito maior por trás desse simples e corriqueiro fato. E assim é em nossas vidas. Tudo faz parte da nossa escola de vida, do nosso aprendizado.
     Por isso, é tão importante estar sempre atento a tudo. Não que devamos  sair por aí vendo coisas, fazendo associações descabidas, "achando que focinho de proco é tomada". Não é isso. É coisa íntima, pessoal. Um olhar especial, generoso para a vida. Um olhar de quem colhe os frutos da árvore tratando bem dela para que ela sempre dê frutos bons.
     E essa árvore também somos nós mesmos: árvore frondosa, mas  necessitada de carinho, de proteção, de cuidados para enfrentar o vento, as chuvas e tempestades, o sol inclemente do verão, o outono que leva todas as suas folhas, o inverno sem agasalho, mas a certeza (experiência) de que a primavera sempre vem florindo tudo novamente.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Nada de fim: recomeço.

     Muito se fala da necessidade que temos de viver em grupo. Talvez esteja essa característica da raça humana, e quase todas as espécies de animais, a razão pela qual ainda continuamos existindo nesse planeta, uma vez que por mais atritos que a convivência possa trazer a verdade é que vivendo todos juntos uns protegem os outros e a vida fica mais fácil para todo mundo.
Quanto a isso creio que ninguém tem dúvida: viver em sociedade é muito melhor que viver sozinho. A convivência, além de tornar a vida melhor e mais prazerosa, também faz com que uns aprendam com os outros, dividindo experiências e conhecimento.
     Isso acontece com mais sucesso principalmente quando essa sociedade é formada por pessoas das mais diferentes procedências, classes sociais, raças, cores, religiões e a convivência seja baseada na tolerância e no respeito à essas diferenças. Onde não haja minorias segregadas e as leis sejam feitas para todos sem  excessões ou privilégios.
     Sei que pode parecer utópico e que você possa estar pensando que estou falando de uma sociedade ideal e não de uma sociedade real. Pode até ser. Mas convenhamos que, levados por uma situação que perdura anos a fio (talvez séculos ou milênios), passamos a acreditar que tudo é assim mesmo e que essa sociedade que discrimina e segrega grande parte de sua população é a sociedade que conhecemos e que não existe outra.
     Muitos dizem que sempre foi assim: os fortes massacrando os fracos e tudo na base do "manda quem pode, obedece quem tem juízo." Será que é assim mesmo? Tenho certeza que não.  Por mais que todo esse estado de coisas pareça estar sacralizado, por mais que as coisas pareçam que não tem mais jeito, ainda existe a esperança de  chegarmos à uma sociedade mais justa e igualitária.
     Falo isso por causa dessa onda que diz que o mundo vai acabar em 21 de dezembro, segundo uma profecia maia.  Embora os próprios maias tenham conhecido o seu fim com a chegada dos europeus às Américas, não acredito que isso vá acontecer. O mundo vai continuar aqui do jeito que está.
     O que é  uma pena, pois já estava mais do que na hora de aproveitarmos essa onda para tentar melhorar  o que está aí. Ao invés de um fim, podemos pensar num recomeço. Onde todos nós nos disponhamos em criar um mundo melhor sem tantas diferenças, sem tanta fome, sem tanta guerra e sem, acima de tudo, tanta degradação.
     Em 21 de dezembro de 2012 ou em qualquer data que a gente escolha, essa é a oportunidade que temos para dar um destino melhor para o nosso mundo.  É só a gente querer.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O milagre da renovação.

http://imageserve.babycenter.com/24/000/097/V3olRvP0TMs9yOgxhqOq4A0bgJU0DJLy     Como além de ator, e outras coisas mais, sou metido a escrever, um colega pediu que eu ajudasse a escrever uma pecinha de natal para ser apresentada na igreja.  Pois muito bem. Mãos à obra. Pensei comigo: vai ser  fácil, afinal natal é um acontecimento anual e todos estamos acostumados a falar sobre o assunto. 
     Bastava falar de um casal (Maria e José) a caminho de Belém, a estrela que surgiu nos céus, os três reis magos que a seguiam e finalmente o nascimento do menino Jesus numa pobre estrebaria. Quadro bastante conhecido de todos nós  e que é presença constante nos enfeites natalinos que encontramos por aí.
     Porém, ao sentar para escrever dei-me conta de que não é nada disso.  O natal em si é algo muito mais profundo. Com o passar dos anos acabamos ficando apenas em sua superfície: um presépio é montando, uma ceia é preparada, presente são trocados e pronto. Poucos são aqueles que tentam ver algo além disso em todo o barulho que se faz.
     É verdade que essa representação tem o seu valor. E através dela se comemora a vinda do Salvador ao mundo,  o que não nos deixa esquecer do grande plano divino para a salvação do mundo, através da encarnação de seu próprio filho.
     Mas precisamos ir além da simples representação, da comemoração rotineira. Antes de qualquer coisa, natal é tempo de renovação, é o momento em que nos damos conta de que, pelas circunstâncias, levamos uma vida muito alienada, que mal temos tempo de parar para pensar que a nossa vida faz parte de um plano maior, que não somos meras figuras autônomas que vagam por este mundo.
     Acima de tudo, vivemos pelo propósito maior que é o nosso encontro com a luz. Essa luz que se fez quando aquele menino nasceu em Belém despido de luxo e de pompa.
     Diante de tudo isso, cheguei a conclusão de que o natal pode até ser uma festa comum, do conhecimento de todos: crianças, jovens, adultos e os mais velhos. O  natal jamais será é uma festa repetitiva, pois a cada ano que passa descobrimos algo de novo, algo que não tínhamos nos dado conta em anos anteriores, coisas simples (sem jamais deixarem de ser profundas) e que sempre estiveram bem na nossa frente à espera do nosso olhar atento.
     O milagre do nascimento de Cristo. Milagre esse que se repete toda vez que nasce uma criança no mundo, o milagre da renovação.

sábado, 24 de novembro de 2012

Acalme o seu coração.

     Seria bom e desejável que a vida fosse feita apenas de coisas boas, que recebêssemos apenas boas notícias e que nunca ficássemos em estado de apreensão, com a respiração ofegante, o coração batendo descompassado, que é como ficamos nos momentos em que a incerteza toma conta de nossos sentidos e nos deixa à deriva.  
     Coisas ruins, ou não tão boas, acontecem e somos obrigados a encará-las todos os dias querendo ou não. Por isso, precisamos estar preparados para elas. O estranho é que mesmo sabendo disso, não temos como nos conduzir de maneira a que não nos exasperemos diante daquilo que tanto tememos.
Dizem por aí, para não lançar mão de algo mais, digamos,  picante que: "quando não se tem remédio, remediado está". E talvez essa seja mesmo a saída.  Se não tem solução, já está solucionado. Nada de levar a mão à cabeça, nada de desespero. Muita calma nessa hora. Nada como um dia após o outro.
     Para os que acreditam numa força maior, é hora de voltar-se para essa força, seja qual for, e se agarrar à ela até que a tempestade passe. Até porque, graças a Deus, as tempestades sempre passsam. Mesmo que fiquem alguns estragos, elas não duram para sempre.
     Já ouviu aquela que diz que "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe" ? É outro dito popular que nunca deve ser esquecido. A voz do povo é cheia de sabedoria porque transpira experiência, conhecimento de causa.
     É preciso sempre lembrar que qualquer que seja o problema que a gente esteja vivendo, muita gente já passou por ele antes. Não somos os primeiros e e nem seremos os últimos a passar pela mesma coisa. Se isso não resolve, pelo menos, consola.
     E tudo o que precisamos nos momentos difíceis é de acalmar o nosso coração. Não espere que a palavra amiga venha de fora de você através de uma outra pessoa. Se vier, muito bom. É sempree ter um (a) amigo (a) nessas horas. Mas você mesmo pode, e deve, ser aquele (a) que vai dizer as palavras de encorajamento que você tanto precisa ouvir.
     Fale com você, converse consigo mesmo. É mais fácil ouvir e aceitar a nossa própria voz nos encorajando do que a voz de uma outra pessoa. Faça o teste e comprove. Assim o que é difícil, duro, intransponível pode ficar mais fácil de ser encarado.
     Agindo assim, estamos sendo os nossos melhores amigos.  Sem abrir mão, é claro, de todos aqueles que nos rodeiam e são tão importantes para nós.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

À luz de velas.

     Outro dia uma conhecida minha, ao passar diante de um lugar desses onde se acendem velas, resolveu questionar esse hábito que as pessoas têm. Teceu longo comentário sobre o ato e acabou por concluir que que acender velas para mortos, anjo da guarda, para santos ou coisa que valha é a maior besteira, algo sem o menor sentido prático.
- Quem garante se isso tem mesmo alguma eficácia? - perguntou-me ela, querendo, talvez, que eu fizesse coro à sua posição.           
     Dei uma boa respirada antes de dar qualquer parecer. Além de não ser nenhuma autoridade no assunto, acho que cada um de nós, via educação que recebeu ou alguma postura adquirida durante a vida, tem o direito de ter opiniões e pontos de vista diferentes.
     Não queria, de modo nenhum, me posicionar contra ou a favor de minha conhecida. Apenas chamei sua atenção para o fato de que ninguém tem cem por cento de certeza de nada nessa vida. Estamos todos tateando no escuro e por isso mesmo podemos cometer muitos erros, fazer coisas que não nos levam à nada acreditando estar fazendo algo de bom e grandioso.
     É o caso de acender velas, esse hábito que começou com os povos antigos e que perdura até hoje. Quem em algum momento não lançou mão desse expediente para tentar buscar um contato com os espíritos de luz, os santos e até mesmo para "iluminar" o caminho de um ente querido que já se encontra no outro plano?
     Sem dúvida quase todo mundo já fez isso, acreditando ou não. Não importa. Muitas vezes a pessoa faz issso de forma inconciente, porque está no subconsciente de cada um, principalmente dos católicos, espíritas, umbandistas e tantos outros.
     Nossa fé não é racional. Não acreditamos baseado em números estatísticos, provas cientificas. Acreditamos porque nossa intuição nos leva a acreditar. Quando acendemos uma vela, o fazemos porque aprendemos que esse ato nos coloca em contato com o nosso guia espiritual ou anjo da guarda, nosso santo de devoção, com nossos entes queridos, nos fazendo todos mais próximos.
     Uma simples vela tem o poder de quebrar as barreiiras entre os mundos, de mostrar o quanto somos gratos pelas graças que recebemos, o quanto amamos nossos entes queridos que já se foram (acredita-se que ao acender uma vela na intenção de um morto estamos iluminando o seu caminho e diminuindo o seu sofrimento) e  o quanto piedosos somos.
     Enfim, ao acender uma vela demonstramos nossa humildade e  desejo de que a luz reine em nossas vidas e de todos aqueles que nos cercam.  Na verdade as velas estão presentes em muitos momentos da vida, não só nos tristes ou religiosos, mas também nos festivos como nos aniversários, nos românticos jantares à luz de velas, nos enfeites de natal...
     Não faltam motivos e ocasiões para que acendamos uma vela. O que não muda é o objetivo: o desejo de que a luz esteja presente. Mesmo quando a luz elétrica nos deixa na mão. O resto, é querer ser racional demais

sábado, 17 de novembro de 2012

SIM ou NÃO?

      Ninguém pode negar que diariamente recebemos, vindo de todos os lados que se possa imaginar e sob os mais diversos aspéctos, os mais diferentes tipos de propóstas e que não dá para sair por aí dizendo SIM para tudo o que nos é oferecido.
      Se agirmos assim, corremos o risco de cometer muitos enganos e ter muita dor de cabeça, prejuizo, aborrecimento e tudo o que pode advir quando agimos sem pesar antes os prós e os contras, se vale ou não vale à pena, se temos realmente necessitade de adquirir aquele bem,  se queremos mesmo que aquela pessoa entre na nossa vida e por aí vai.
      O ideal, nesse caso, seria agir com muita prudência. Até proque é nossa vida que está em jogo. E, muitas vezes, em nome de estar antenado com as novidades do momento, para não ficar sozinhos, acabamos adquirindo e fazendo coisas que mais tarde descobrimos que não têm nenhum significado relevante para as nossas vidas ou descobrimos que compramos "gato por lebre".
     Por outro lado,  há aqueles que não querem nem saber: dizem NÃO para tudo o que lhe é proposto sem nem ao menos parar para pensar. O NÃO vem de forma automática, afastando qualquer possiblidade de acesso ao novo, àquilo que pode vir a representar uma mudança em sua vida, muitas vezes bastante esperada e até necessária.
     Nesse caso,  o medo de dizer SIM baseado em experiências ruins do passado faz com que a gente fique um tanto quanto ressabiado quando é apresentado a algo que não conhecemos e isso é totalmente justificável. Afinal, somos mesmo movidos por nossas vivências pretéritas e é com base nelas que tomamos as nossas decisões.
      Mas não se pode negar que esse tipo de atitude paralisa nossas vidas, impedindo que a gente possa seguir adiante. Ficamos excessivamente presos ao passado e não damos chance a que a própria vida nos prove o contrário: que as coisas mudam, ou antes, que nós mudamos. As experiências que tivemos precisam somar a nosso favor,  não contra nós.
      Nada acontece em vão. Cada dia que vivemos experimentamos coisas boas e ruins e é isso que fez de nós as pessoas que somos hoje. O importante é não valorizar de mais as coisas boas nem menosprezar as que não deram muito certo ou não aconteceram exatamente do jeito que a gente queria e planejou.
     Agindo assim, estamos nos comportando como crianças mimadas que só aceitam a brincadeira quando tudo está como elas querem, sem dar chance ao outro (a vida) de lhe ensinar uma nova e agradável brincadeira.
     Mais que dizer SIM ou NÃO, o que conta mesmo é que não nos sabotemos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Ninguém vive pra semente".

     Mesmo sabendo que ela será inevitável, muita gente se nega a sequer falar sobre ela. Basta que alguém toque no assunto para que muitos se afastem temerosos ou  mesmo que tapem os ouvidos, como se dessa maneira conseguissem afastá-la para bem longe. Não há dúvida que ela é algo que todo mundo quer evitar e que para isso seria capaz de fazer qualquer coisa.
     Uma dessas das formas que as pessoas encontram para tentar escapar desse encontro marcado é tentando não falar sobre o assunto. Muitos passam a vida inteira se negando a pensar na hipótese de um dia vir a ter que enfrentá-la de frente.
     Apesar de termos nascido com esse selo. Um dia teremos que deixar esse mundo e continuar a nossa viagem rumo a outros mundos e a outras experiências. E isso nada tem a ver, na minha opinião,  com castigo ou injustiça. Muito pelo contrário. É uma lei natural e um presente que recebemos ao nascer. Como diz o povo: "ninguém vive pra semente".
     E a ideia de que a vida estará sempre em movimento e que estaremos sempre sendo apresentados a novos caminhos deveria antes nos alegrar do que nos entristecer. Quem não gosta de sair de viagem e conhecer novos lugares, novas pessoas, rever amigos, viver novas experiências? Todo mundo gosta, não? Pois é assim que devemos encarar essa travessia.
     É claro que essa atitude de manter absoluto silêncio sobre o assunto merece total respeito. Todos temos o direito de escolher de que maneira vamos enfrentar os desafios que se apresentam em nosso caminho, nao é mesmo?
     Mas, no entanto, as pessoas vivem indo ao encontro dela toda vez que botam suas vidas em risco seja de maneira voluntária ou involuntária. E isso se dá, muitas vezes, sem que percebamos, sem nos darmos conta. Até porque a vida é um risco constante e essa possibilidade sempre existe. Por mais que tenhamos cuidado, por mais que sejamos precavidos, os perigos estão aí a todo momento.
     O importante é vivermos com alegria, agradecendo a todo momento o dom maravilhoso que recebemos que é a vida.

sábado, 10 de novembro de 2012

Mais que amizade: parceria.

junto 2     Muito se fala do quanto é bom termos bons amigos e eu estou aqui para confirmar isso: uma boa e sólida amizade, como diria aquele comercial de cartão de crédito, não tem preço. A vida fica muito melhor para quem pode desfrutar dessa verdadeira dádiva que é um(a) amigo(a), independemente do momento que se esteja vivendo, se alegre ou triste, ter alguém do lado para compartilhar é tudo de bom.
     Mas engana-se quem pensa que encontrar uma boa amizade seja uma coisa fácil. Pelo contrário. Talvez até se pode dizer que, como no caso do amor, é uma questão de sorte, de alma gêmea. Verdadeiros encontros que acontecem sem que a gente espere ou mesmo planeje. Quando se vê a ligação está criada, os laços estão feitos e nada pode explicar de forma razoável o por que da "união" fraternal que se estabelece.
     Quem está de fora, muitas vezes, não entende muito e pode, num primeiro momento, se confundir com o que vê. Muitos acabam por classificar como outra coisa. Principalmente quando a amizade em questão é entre duas pessoas do mesmo sexo.
     Esse é um dos riscos que se corre numa sociedade, infelizmente, ainda preocupada em fazer julgamentos ou classificar tudo segundo padrões preconceituosos. Porém, o lado bom de tudo é que, quando temos a sorte de um encontro desses na vida ( e eles, que pena!, são muito raros) não damos bola para qualquer tipo interpretação maldosa.
     No entanto, há algo melhor do que encontrar amigos(as): é encontrar parceiros(as). Aquelas pessoas, que muitas vezes nem são classificadas como amigas, pois não acostumamos abrir os nossos corações para elas, não saímos para jantar, não é comum recebê-las em nossa casa ou ir ao cinema com elas, mas elas são aquelas com as quais contamos no nosso trabalho, no nosso dia a dia.
     Sem elas, muito do nosso esforço seria em vão, não conseguiríamos levar o nosso trabalho a termo e acabaríamos "morrendo" na praia. Como formiguinhas, elas têm o dom de se fazerem ocultas, anônimas, pois não fazem questão de aparecer. Querem apenas somar, dar a sua contribuição. 
     E depois e tudo pronto, desaparecem como que quase por encanto sem cobrar aplausos ou nomes em letreiros. Apenas estavam lá no momento em que eram necessárias, no momento em que você precisava daquela ajuda, daquele ombro amigo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Motivo de queda ou soerguimento".

     É mais que comum a gente se sentir bastante insatisfeito com tudo aquilo que obtém na vida, sendo possível até mesmo afirmar que dificilmente encontramos pessoas plenamente satisfeitas e realizadas, pois a insatisfação é da natureza humana. Graças á ela é que chegamos, para o bem e para o mal, aonde estamos e o nosso mundo se encontra do jeito que está.
     Somos mesmo movidos pela nossa eterna insatisfação. Estamos sempre desejando coisas novas e quando as conseguimos, ou não, logo passamos a desejar outras num jogo que não tem fim. E isso, como já dissemos, é bastante natural por fazer parte de nós, da nossa condição.
     Porém, há casos em que esta insatisfação, essa busca desenfreada por algo que nem sempre sabemos exatamente o que é, nos leva a caminhos um tanto quanto nebulosos. Desejamos apenas por desejar, sem medir as consequências, sem perguntar se a coisa desejada é mesmo importante ou necessária em nossas vidas ou se apenas queremos acumular.
     É nessa hora que  acabamos sendo vítimas dos nossos desejos. Acompanhando a marcha desse nosso mundo moderno que nos leva ao consumismo desenfreado, julgamos que só seremos felizes se possuirmos isso ou aquilo, do contrários seremos eternamente condenados à infelicidade perene.
     Mas basta adquirir aquela coisa para descobrimos que não era verdade, que não nos tornamos mais felizes com aquela aquisição, muito pelo contrário, a nossa insatisfação permanece intacta, continuamos desejando algo que acreditamos ser material, pois na nossa visão só as coisas materiais podem trazer alegria e satisfação, que só elas podem ser motivo de soerguimento, só elas podem nos elevar.
     Infelizmente, não se pode negar que essa visão tem sido, sim, motivo de queda para muita gente. Ao desejar tão e somente bens materiais nos afundamos no lamaçal da falta de perspectivas futuras mais sólidas que nos levem ao desapego.
     Enquanto vivemos nesse mundo precisamos de bens materiais, dinheiro. Sem eles não se pode viver, é verdade. O que é preciso lembrar é que não ficaremos para sempre nesse mundo. Chega uma hora em que esse amontoado de coisas passa a fazer peso. Apenas peso, nada mais. Os bens que exibimos na praça, os últimos lançamentos não são capazes de melhorar a nossa figura diante de nós mesmos.

domingo, 4 de novembro de 2012

"Caiu na rede".

     Dia desses, rolou na internet, sobretudo no facebook, um alerta de pessoas preocupadas com violação da privacidade nos sites de convivência. Esse alerta era bastante enfático e buscava chamar a atenção para que as pessoas tomassem cuidado com as coisas que publicam em seus perfis.
     Até aí, tudo muito bom. É legal saber que as pessoas se preocupam em alertar umas as outras sobre os perigos e riscos que se corre na internet para que todos tenham a chance de não cair em armadilhas. Bastante louvável a iniciativa e que isso aconteça sempre. As pessoas precisam mesmo ser solidárias umas com as outras. E essa é boa forma de demonstrar isso.
     São essas "pequenas" contribuições que fazem a diferença e podem evitar crimes muito maiores (como pedofilia, roubos de senhas bancárias e muito mais)  e que, todos devem saber, a internet está cheia deles. Mais que isso: a internet ainda parece ser uma "terra sem lei". Dessa forma, todo tipo de cuidado que se possa ter, é pouco.
     Só que existe um porém, ou melhor dizendo, existem perguntas que não querem calar: como pode uma pessoa querer manter a sua privacidade, se ela, por sua própria vontade (pelo menos assim nos parece) posta fotos, vídeos, faz comentários, críticas, dá opiniões, conversa sobre todos os tipos de assuntos de forma aberta e livre? Será que essas pessoas que expõem suas vidas na rede são ingênuas e desinformadas, sem nenhuma noção do que estão fazendo, ou estão, sim, apenas querendo aparecer?
     São perguntas que me faço e, acredito, muitos devem se fazer também. Porque não se pode querer manter sua privacidade ao mesmo tempo que se expõe, acreditando que aquela exposição só está sendo feita para um grupo seleto de pessoas, "os seus amigos virtuais" e que só eles e ninguém mais terá acesso ao que foi postado.
     Infelizmente, é preciso que se diga que isso é pura ingenuidade. Principalmente sabendo que em termos de internet não há ninguém que seja santo. Todos entram em tudo. Para isso, todos sabemos, basta um simples clic. Eu mesmo, no momento em que escrevo esta postagem, sei que não terei o menor controle sobre quem terá acesso à ela e sobre qualquer outra coisa que eu venha a publicar aqui.
     Confesso que não sei se seria bom ter esse controle. Aliás, qualquer tipo de controle assusta um pouco, porque lembra censura, autoritarismo. Por isso, não existe outra saída senão nós mesmos termos o bom senso de sabermos discernir sobre o que queremos e o que não queremos que caia na rede. Depois, como diziam antigamente, muito antes da internet: é reclamar com o bispo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Uma pequena confusão.

     "Quem pensa, não casa". Essa afirmação é uma expressão que era muito usada em Ibiá, interior de Minas, minha cidade natal, toda vez que alguém se mostrava muito indeciso nos rumos que daria para sua vida ou a um negócio. E até hoje, toda vez que me vejo um tanto atarantado, meio sem rumo na vida, ela me vem à cabeça.
     O pior é que descobri que esses momentos não assim tão raros como eu pensava que fossem. Vira e mexe e lá vem a conhecida, e também temida, dúvida, indecisão, medo de dar um passo maior que a perna e vai por aí.
     Aliás, não vai coisa nenhuma. Até que seria bom que ela fosse embora. Mas ela é insistente e fica. Ainda que eu tente não dar muita bola, fingindo que ela não existe. É nessa hora que a gente pensa em como seria bom se os oráculos do tempo dos gregos antigos ainda existissem. Bastaria chegar e fazer a pergunta que a resposta vinha. Pelo menos a história nos faz crer que era assim.
     Se era ou não, acho que nem tem importância. Afinal de contas, eles (os oráculos) não existem mais, ou até que existem (estão aí as cartomantes, os videntes e toda sorte de prestidigitadores), mas o que me deixa bastante aliviado é saber que a dúvida é tão velha quanto a humanidade. Ela já nasceu com o homem.
     Haja vista que Adão, o aclamado primeiro homem, teve lá as suas dúvidas (ou será que não teve?) quando Eva, a também aclamada primeira mulher, ofereceu a ele a maçã, ou seja, o fruto proibido. Portanto, eu não tenho motivos para me se sentir infeliz porque a danada da dúvida chegou e montou acampamento.
     O jeito é continuar pensando e pensando. Pesar prós e contras, calcular os riscos, E se depois de tudo isso, ela persistir o jeito vai ser arriscar. Como diziam lá em Ibiá também: quem não arrisca, não petisca. Se bem que entre casar e petiscar (que eu ainda estou para saber o que vem a ser isso exatamente), penso que petiscar deve ser mais fácil e menos perigoso (sem nenhuma conotação contrária ao casamento, por favor).
     Se bem que, dependendo o petisco ( isso, se pesticar for mesmo o que estou pensando que é), pode resultar numa bela dor de barriga. Alguém poderia dizer que dores de barriga são melhores (ou menos piores) que dores de cabeça (novamente, sem maldade). Nesse caso, a saída  mesmo pode ser petiscar, ou melhor, arriscar. Acho que confundi tudo. Na próxima, eu prometo que vou procurar ser mais claro.

Bom feriado a todos.

sábado, 27 de outubro de 2012

A voz das minorias.

     É bastante natural que as pessoas busquem companhia, não é mesmo? Dizem até que as pessoas se atraem umas às outras de acordo com os seus interesses, inclinações, desejos formando grupos e em certos casos, gangues, facções e coisas do gênero. Aparentemente isso não tem nada demais, creio eu, afinal, torna-se mais fácil a convivência quando todas as pessoas ao nosso redor falam a mesma língua, ou seja, a nossa língua.
     Porém, em muitos casos, isso é usado para criar verdadeiros muros separatistas. Grupos se formam e se relacionam entre si fazendo nascer diferenças que acabam sendo transformadas em ódios mortais. É dai que nascem as guerras e todos os tipos de confrontos. Um grupo passa a achar que é melhor do que o outro e que deve lutar para destruir ou dominar o outro.
     A história da humanidade está cheia desse tipo de coisa: impérios contra impérios, povos contra povos, religiões contra religiões numa luta sem fim que atravessa os tempos. Mesmo hoje em dia, quando nos gabamos de sermos tão modernos e adiantados, continuamos a agir como os bárbaros de antigamente.
     Parece que a beligerância faz parte do DNA da humanidade, que nascemos para estar permanentemente em estado de guerra. Países se armam uns contra os outros comprando e construindo armamentos pesados como mísseis e explosivos de toda sorte, gangues dão os gritos de guerra através da internet marcando duelos mortais.
      E tudo isso por que? Porque não sabemos lidar com as diferenças. Não conseguimos aceitá-las e respeita-las como seria o natural. Embora seja comum ouvirmos que somos todos iguais, que temos todos os mesmos direitos. caminhamos na direção contrária: basta que se veja alguém diferente para que essa história de igualdade venha caia por terra.
     Descobrimos que tudo não passa de discurso fácil, que prega-se uma coisa e vive-se outra completamente diferente. Dessa maneira, aqueles que não se enquadram nos padrões ditos normais sofrem para viver e conquistar o seu espaço e terminam por ter que viver segregados à margem, sem direito a voz, sem poder desfrutar daquilo que lhe é de direito.
     Falando assim, parece discurso de maluco, mas, infelizmente, nossa sociedade está cada vez mais intolerante quanto às diferentes quando, na verdade, tentamos fazer crer que estamos cada vez mais liberais e acolhedores.
    Nos jornais, as notícias não nos deixam mentir. E a mais dura delas é a de uma menina que sofreu um atentado. Seu crime: desejar estudar e ter voz em sua sociedade.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Respeito ao adversário.

     Parece que não tem mesmo jeito. Querendo ou não, vez por outra, a gente se vê disputando algo com outra pessoa: seja um emprego, a atenção de uma pessoa, um lugar à sombra, um acento na condução, a vez de falar, a vez de ser ouvido, enfim, qualquer coisa. Das mais importantes e vitais para a nossa vida, àquelas, aparentemente, sem grande importância, mas que, sabe-se lá por que, fazemos tanta questão.
      Acho que já falei aqui sobre ter cuidado com os nossos adversários, do quanto eles podem ser desleais. E continuo achando que devemos estar alertas, as pessoas costumam perder a linha quando se vêem disputando alguma coisa com alguém. Não medem esforços e, algumas, são capazes de praticar golpes baixos.
     Até aí, nada de novo, não é? As pessoas continuam as mesmas, as situações de repetem indefinidamente. No entanto, como tudo na vida, a questão tem dois lados. É preciso que tenhamos cautela antes de sair classificando esse ou aquele de inimigo ou adversário só porque essa pessoa deseja exatamente aquilo que queremos para nós. Só isso não faz de ninguém, necessariamente, uma pessoa desleal. Há que se ter parcimônia nessa hora. Todos temos os mesmos direitos.
      É aí que entra uma coisa chamada respeito. É esse o sentimento que devemos nutrir por todos aqueles com os quais nos cruzamos na vida. Principalmente aquele que se encontram do lado oposto a nós; aqueles que nunca vimos na vida, mas que o destino quis nos colocar uns contra os outros numa disputa, por exemplo, de uma vaga de emprego, de uma posição vital para nós e que, também, é importante para eles.
     Que Deus não permita que levados por sentimentos de raiva, prepotência, medo, orgulho ou vaidade ou dificuldade de aceitar os fatos tentemos prejudicar aqueles com os quais temos que disputar o que quer que seja. Que saibamos ser imparciais e admitir que o outro merece tanto quanto nós a vitória. Mesmo que isso seja difícil ou quase impossível de aceitar nesse mundo onde o importante não é competir e sim, vencer.
     Respeitando nossos adversários estamos respeitando a nós mesmos, pois, caso vençamos (e é isso que todos sempre esperamos) teremos certeza que a nossa vitória foi justa e honesta, que não trapaceamos ninguém e não aplicamos nenhum golpe sujo que possa manchar a nossa vitória.

sábado, 20 de outubro de 2012

Resistência.

     Não sei se todos vão concordar comigo, mas acho a palavra resistência uma daquelas que a gente não pode deixar de fora do nosso vocabulário cotidiano. Ela vem  do ato de resistir, manter-se firme, suportar e é quase um sinônimo de heroísmo, bravura. Principalmente nesses nossos dias em que somos levados a toda hora a pensar no seu oposto que é a desistência. Tantos são os problemas que enfrentamos, os obstáculos que encontramos.
     Não poucas vezes em nossas vidas ela é necessária. É resistindo que conseguimos chegar ao fim de nossos empreendimentos. Sem ela desistimos, caímos pelo caminho sem atingir os nossos objetivos, dos mais simples aos mais complexos. Nada na vida se obtém sem que ela seja acionada tanto na forma de força física quanto espiritual. Ninguém vai a lugar nenhum sem  acionar dentro de si uma boa dose dela.
     Muitos a tem naturalmente. Traz dentro de si essa força que leva a resistir em momentos difíceis da vida as mais duras provas, vencer os obstáculos que para muitos poderiam ser fatais. Nesse caso, ela pode chamada de fé, confiança, otimismo.
     Por outro lado, quem não a tem, física ou espiritualmente, não raro, luta para encontrá-la. Afinal de contas, ela pode ser obtida através do treino e do estudo, da luta pessoal contra o desânimo, a preguiça e o negativismo.
     Mas não pense que é fácil: ter resistência, em qualquer um dos seus muitos aspéctos não é moleza. É preciso olhar para frente e vislumbrar uma vida melhor com conquistas e vitórias e estar certo de que a vida não é feita de facilidades, que a felicidade passa, muitas vezes, pelo caminho da dor e do sacrifício. Os que pensam que as coisas "caem do céu", geralmente acabam por ter suas expectativas frustradas, pois nossa cota de empenho e resistência a qualquer momento será cobrada.
     No entanto, resistência também pode ser sinônimo de falta de vontade e coragem de aceitar o novo ou lutar por mudanças. Em muitos casos, resistência pode significar estagnação, ficar parado sem ânimo para dar um passo necessário para que novos caminhos se abram e se possa enxergar um mundo melhor. E isso, convenhamos, não é nada bom, não é? Devemos ter resistência para vencer os obstáculos nunca para fortalecê-los.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A descoberta de Marina.

     Marina era uma daquelas pessoas que, se não podiam ser classificadas como desafortunadas, também não podiam ser chamadas de sortudas. Vivia o que podia classificar de una vida simples e corriqueira. Uma das coisas que a deixava cabreira, era o fato de que parecia que ela estava sempre vivendo numa espécie de contramão de tudo o que ela desejava ou necessitava para sua vida.  Nao raros foram os momentos em que ela se considerou infeliz mesmo.
     Como ela chorou e praguejou contra a vida, contra Deus e contra toda a existência. Não compreendia mesmo o mecanismo da vida: se ela pedia uma coisa, recebia outra completamente diferente ou, quase sempre, não recebia nada. Ficava triste, acabrunhada, resmungava pelos cantos.
     Porém, como todo quase todo mundo, ela logo esquecia aquele infortúnio e tratava de levar a vida adiante. Acreditava muito em Deus e que um ia ela a sua sorte acabaria mudando. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Marina seguiu sua vida vivendo de maneira modesta e vendo muitas pessoas à sua volta terem muito mais do que ela.
     Isso trazia de volta aqueles pensamentos que tanto tentava evitar, mas que vinha sempre à sua mente: Será que Deus é injusto e dá mais para uns do que para outros? Onde está a minha boa carreira, o marido e os filhos que não tive? A casa boa, as viagens que não fiz? Por que uns têm tanto e outros são obrigados a amargarem uma vida de sofrimento, de falta até das coisas básicas?
     Não é preciso dizer que Marina não encontrou resposta para nenhuma de suas indagações, não é? E que chegou um certo tempo em que todas elas, aquelas indagaçoes, desapareceram. O tempo passou, os invernos ficaram cada vez mais rigorosos e Marina morreu.
     Lá do outro lado veio a surpresa: Marina percebeu que a mudança de estado a deixou muito bem e que ela agora sentia-se feliz por ter cumprido uma vida que parecia tão pouco feliz aos olhos da terra de maneira tal que não tinha arrependimentos. Agora ela via que as fortunas da terra, muitas vezes, nos afastam das fortunas do céu.