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sábado, 28 de julho de 2012

Dia do aniversário.

     Costumo brincar que essa é a única situação em que ninguém deve ou precisa ter inveja de ninguém. Afinal, todos temos ( salvo, claro, algumas raras e tristes exceções) conhecimento do dia em que viemos ao mundo e passamos esse dia acreditando que é ele fosse especial e nós especiais igualmente. Ficamos em suspenso como se a qualquer instante alguma coisa maravilhosa fosse acontecer. E´ aquele dia em que merecemos e queremos todas as homenagens. Mesmo quando negamos isso viementemente. Alguns comemoram com festas suntuosas, muitos convidados, viagens e costumam gastar rios de dinheiro só para ter o gostinho de ouvir o "parabéns para você" cantado em sua única e exclusiva homenagem.
     Tem também aqueles que meses antes já saem por aí avisando para todo mundo a data de seu aniversário e ficam torcendo para receber uma festa surpresa. Aquelas em que o aniversariante a despeito de toda uma movimentaãção fora do normal é pego desavisadamente pelos amigos e faz cara de "eu bem que estava desconfiado(a)". Agem meio como crianças. Aliás, nessa data é comum as pessoas ficarem, sem nenhum constrangimento, um tanto infantis, cheias de vontades e até ( por que não dizer?) um tantinho carentes. Aí daqueles que não se lembrarem da data. Pode, inclusive, virar motivo para que se nasça uma daquelas inimizades terríveis. Esquecer de cumprimentar determinados aniversariantes pode ser considerado falta grave, portanto, passível de brigas memoráveis.
     Já outros... Bem , os outros ( e acho que me incluo nesses) fazem de tudo para que a dada não seja lembrada nem por sua mãe. Por que será isso, não é? Mesmo não gostando de ser cumprimentado e fazendo tudo para que a data passe em brancas nuvens, também não consigo entender muito bem esse meu "estranho" comportamento. Verdade. Mas a sensação de ser o centro das atenções, nesse dia, sempre me incomodou.
     Desde de criança tenho a sensação que nesse dia volto para o útero de minha mãe e lá quero ficar bem quietinho até que passe e eu poça sair de lá e retomar a vida. No outro dia sou até capaz de comentar que estive de aniversário no dia anterior, como estou fazendo agora. Porém, deixo claro que não recebo cumprimentos no dia seguinte. Aniversário é só no dia.  Nada de cumprimentos atrasados, chego a ser mal educado com quem insiste.
     Por isso, não consigo entender as pessoas que transferem as datas de aniversário. Algo como, o aniversário cai no meio da semana e deixa para comemorar no fim de semana. Ou aqueles que comemoram adiantado para aproveitar alguma presença de alguém que considera importante e que não poderá estar presente na data verdadeira. Acho isso sem sentido. Soa falso, para mim.
     Seja lá como for, cada um tem a sua relação com essa data tão importante. Nesse dia viemos ao mundo e só isso já seria motivo para festejar, não é mesmo? Tenho certeza de que você deve estar me achando um esquisitão por agir assim. Está bem. Devo confessar que penso assim também. No entanto, não sei ser diferente. Isso não significa que eu não goste de comemorar aniversários de parentes e amigos. Pelo contrário. Adoro festa de aniversário. São sempre muito animadas e calorosas.  E nada melhor do que ver uma pessoa circulando feliz entre os convidados do "seu aniversário", naquele que considera (e com muita razão) o "seu dia".  O resto é maluquice de bichos do mato, como eu.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Exorcizando demônios.

     Existe um ditado espanhol que diz mais ou menos o seguinte: "Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem". No que diz respeito aos diabo ou demônio, a coisa parece ser quase a mesma. Por mais que muita gente admite não acreditar, também não dúvida de sua existência. Pode parecer complicado à primeira vista, mas em se tratando das nossas cabecinhas... Está bem. Somos mesmo um tanto quanto contraditórios, é verdade.
     O fato é que vez por outra nos damos de frente com alguém que dizem estar endemoniado, ou seja, a serviço das forças do mal. E aí não adianta fazer cara feia. O jeito é apelar para as forças do bem (muita oração e água benta nessa hora) para tentar anular os efeitos dessa força destruidora que toma conta de certas pessoas e costuma impregnar os locais por onde passam.
     Por mais que não levemos isso a sério, não se pode negar que o mal exista e faça bastante estrago na vida das pessoas. Há quem acredite em amuletos e toda sorte de proteção e os que acham que só se pode resolver lançando mão de verdadeiros exorcistas para resolver o "problema". Quem nunca ouviu falar em exorcismo? Para ser mais exato, em padres exorcistas? Aqueles que com palavras de ordem conseguem (?) fazer com os demônios saiam do corpo das pessoas e as deixe em paz.
     Os evangelhos narram algumas passagens em que o próprio Jesus (sim, Ele mesmo)  expulsou demônios que estavam usando os corpos das pessoas para poder enganar e espalhar a dúvida e a discórdia. Isso nos leva a acreditar que a coisa não é só imaginação de algum cineasta tentando impressionar as pessoas com efeitos especiais mirabolantes. A coisa vai além disso.
      Portanto, todo cuidado é pouco. Devemos estar sempre alertas para não sermos nós mesmos vítimas e abrirmos caminho para esse tipo de situação. Por isso, é preciso tomar cuidado com os nossos sentimentos, o que levamos em nossos corações, nossas  atitudes. Ninguém está livre de ser "assaltado" por pensamentos ruins e de repente sair por aí espalhando maus sentimentos.
     Sempre imaginamos o demônio apenas de forma física, concreta. E esse o nosso grande engano. Ele é, na verdade, toda gama de maus sentimentos, maus pensamentos, más atitudes. E se torna concreto quando eles se tornam realidade. Basta uma fofoca, um disse-me-disse para que o demônio esteja "trabalhando". E acreditar que exorcismos vão resolver é querer varrer a sujeira para debaixo do tapete, fingir-se de cego.
     O melhor "exorcismo" que podemos lançar mão são os bons pensamentos, as boas atitudes. E só conseguimos isso nos policiando. Verificando como estamos vivendo e que tipo de energia estamos atraindo ou mesmo que tipo de energia estamos emitindo. Quando damos amor, recebemos amor de volta. Quando sentimos raiva, ódio, ciúme, inveja devemos estar preparados para receber de volta emoções  do mesmo quilate.
     Exorcizar demônio é, em primeiro lugar, não negar que eles (os maus sentimentos) existem e, em segundo lugar, estar sempre dispostos a espantá-los lançando de genuínos sentimentos de amor, paz, solidariedade.

sábado, 21 de julho de 2012

Céu, inferno e purgatório.

     E´ incrível como depois de percorrer um longo caminho, ter passado por diversas transformações e acreditar estar vivendo uma era de grande desenvolvimento tecnológico, a humanidade ainda se encontre diante de tantos enigmas. Entre eles está a questão: para onde vamos após a morte? Não adiante correr para responder porque a coisa é um tanto quanto complicada. Cada religião tem lá as suas respostas para a pergunta, embora, no fundo, a dúvida permaneça. Ou seja, ninguém tem certeza de nada, estamos todos tateando no escuro.
     No entanto tem aqueles que levados por suas crenças religiosas chegam a afirmar que sabem mesmo para onde vão. E sabem que lugar é esse? Acertou quem apostou em céu. Sim, aquele lugar onde mora o Criador de todas as coisas juntamente com os anjos e os santos. Essa é a crença de quase todas as pessoas independente do tipo de vida que leve, dos pecados que cometa e de ter ou não alguma ligação com o Homem lá em cima.
    Estou falando sobre esse assunto porque, como creio que já disse aqui outras vezes, sou católico por nascimento e frequento uma igreja onde percebo no convívio com alguns irmãos de fé essa certeza de já ter um lugar reservado ao lado de Deus quando morrer. Pode parecer ignorância minha ou até mesmo influência do espiritismo, mas confesso que tenho dificuldade de aceitar isso assim sem nenhum questionamento. Principalmente partindo do princípio que católicos não acreditam em reencarnação. E´ ensinado a todos que nascemos uma vez só e dure essa vida o tempo que durar, passe o sujeito pelas experiências que passar o destino é o mesmo: se for bom vai para o céu, se for mau vai para o inferno e para os que foram mais ou menos tem a opção do purgatório.
     Não se pode esquecer que céu e inferno são lugares definitivos. O único em que há uma certa mobilidade é o purgatório. Dele se pode descer definitivamente para o inferno ou subir para o céu e gozar das felicidades eternas. Até aí nada de mais, não é? Basta um tempo no purgatório, uma boa enquadrada e o sujeito pode se livrar de queimar no fogo do inferno. Legal.
     Mas vamos analisar a coisa pelo lado dos que são condenados a passar a eternidade no inferno. Preciso abrir um parenteses para falar dessa palavra eternidade. E´ outra que me causa calafrios. Toda vez que alguém fala em eternidade tenho ideia de coisa estática, parada. Mas deixa isso prá lá. O que quero mesmo é advogar pelos pobres condenados ( vale torcer para que nem eu nem você estejamos nessa lista) ao fogo eterno do inferno.
     Tudo bem que eles (?) pecaram sistematicamente, aliaram-se ao coisa ruim, deixaram passar a chance de se arrependerem de seus pecados e tudo o mais que todo mundo está cansado de saber. Só que, em se tratando de uma única vida, não seria uma condenação injusta? Pensa bem: o cara nasce ignorante como todo mundo nasce, envereda pelo mau caminho e de repente, antes que pudesse  entender melhor as coisas, dar aquela refletida básica, morre com um monte de crimes (pecados) nas costas e o coração cheio de ódio. Resultado: inferno nele.
    Por outro lado teria outro que cometeu os mesmos enganos na tenra idade, mas que viveu o bastante para poder rever os seus conceitos e botar a cabeça no lugar. Nesse caso, o cara deve ir para o purgatório e pode acabar indo para o céu. O contrário do outro que não terá uma segunda chance. Quem sou eu para botar em cheque os designos de Deus? Longe de mim. Quero apenas entender essa coisa de céu, inferno, purgatório que me baratina desde criança.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um amor que foi, um amor que veio.

     Falando parece tudo muito simples.  Ana perdeu aquele que pensava ser o grande amor de sua vida. Sofreu pra caramba, chorou, se humilhou, pediu para o cara voltar, procurou aquelas conhecidas ajudinhas para tentar trazer o grande amor de volta e, no auge do desespero, chegou a pensar até em dar cabo de sua vida. 
     Porém, como tudo na vida um dia passa, num belo dia a Ana acordou um pouco melhor, dias depois estava melhor ainda e, zaz, ficou curada daquela paixonite que parecia que acabaria com ela. Uma vez curada, fez aquele juramento que todos que sofrem de amor fazem: jurou que jamais entregaria o seu coração novamente.
     E, com esse propósito, Ana tentou seguir sua vida. Parecia que estava vacinada contra o amor, ou melhor dizendo, as paixões. Mas... Tinha que aparecer um mas, não é? Ana conheceu um outro cara e, zaz, ficou paradinha nele. Aí surgiram aquelas dúvidas atrozes: fica ou não fica? Entrega ou não entrega o coração?
     Antes mesmo que pudesse encontrar respostas para suas indagações ela percebeu que já era tarde de mais. O seu coração já estava todo tomado de amor. A batalha estava perdida. E agora? Ana não titubeou e deixou-se levar nas águas daquele amor inesperado.
     Poderia repetir a experiência anterior e sofrer de novo, só que Ana preferiu considerar aquela outra alternativa que dizia que as coisas poderiam ser diferentes. Ela estava disposta a pagar o preço e ver no que daria aquilo. Resultado: Ana encontrou a felicidade após viver na pele uma experiência tão marcantemente ruim, dolorida.
    Temos por hábito levar muito a sério nossas experiências ruins a ponto de fechar o caminho para que as boas experiências possam chegar. E claro que nada é assim tão simples. O sofrimento deixa marcas muito profundas e, por seu lado, a felicidade costuma nos deixar inebriados, sem muita noção do que é  realidade e do que é pura fantasia da nossa cabeça. Mas alguém já disse que "quem não arrisca não petisca". Na vida é preciso correr riscos, inclusive de encontrar a felicidade. Ana arriscou.

sábado, 14 de julho de 2012

O preconceito religioso.

     Mesmo com todos os avanços obtidos pela humanidade, ainda padecemos de muitas ignorâncias que fazem parecer que vivemos na mais completa escuridão por mais que se tente dizer o contrário. E essa falta de luz se nota claramente quando o assunto em questão é religião. Nesse momento, perdemos completamente nossa capacidade de lidar com as diferenças e muitos são capazes de julgar o outro partindo do credo que ele professa. É como se a religião colocasse uma espécie de selo na pessoa: se é judeu é assim, se é católico é assado, os evangélicos fazem isso, os espíritas fazem aquilo.
     Não existe um meio termo. Para a maioria, a  religião seguida fala pelo fiel, define seu modo de ser, suas atitudes. Se é uma pessoa aberta ou um retrógrado, até mesmo se é uma pessoa boa em quem se pode confiar ou se é uma pessoa má e, portanto, que deve ser evitada.
     Por mais que isso esteja enraizado em nossa sociedade, não passa de puro preconceito. Julga-se a pessoa e julga também a sua religião. Os judeus carregam o estigma de ser um povo aferrado às tradições, os muçulmanos são vistos como violentos e fundamentalistas, os católicos como povo que professa uma fé que não vive, os evangélicos como aqueles que julgam os únicos que receberão a salvação, os espíritas  como deturpadores dos ensinamentos de Cristo, e os seguidores do candomblé, talvez os que sofram mais com os prejulgamentos, são tidos como feiticeiros e adoradores do diabo. E por aí vai. Sem deixar de lembrar dos budistas, testemunhas de Jeová  e tantas outras denominações que, como as outras citadas, não escapam de serem taxadas disso ou daquilo.
     Uns mais, outros menos, todos acreditam que sua religião é que é a verdadeira, a única que tem ligação direta com o Criador e, nesse caso, a única em que os fiéis terão direito a estar ao lado Dele depois da morte ou mesmo após o fim dos tempos. como muitos acreditam.
     Não é difícil perceber que não há a menor boa vontade de um religioso para com o outro. Não obstante, é possível ver adeptos  (principalmente, os seus líderes) de uma religião detonando os seguidores de outra partindo do princípio de que todos estão no caminho errado e somente eles no caminho certo. E que traz isso, senão ódio e intolerância? Se um líder religioso usa do microfone para incitar os fiéis contra as outras religiões, não creio estar buscando outra coisa.
    Antes, deveriam todos pregar a paz, o amor e a união, com todos respeitando todos. Todos vivemos neste mundo, cheio de incertezas, buscando encontrar um caminho que nos leve a uma vida plena e cheia da graça do contato com o Divino. Todos queremos, acredito, fazer parte de algo maior, algo que seja para nós o ponto de apoio, que retome a ligação que em algum momento perdemos ou que apenas deixamos que ficasse um pouco mais frouxa.
   É verdade que muitos conseguirão e muitos não, mais isso não significa que não haverão outras tentativas, que se tenha novas chances de acertar o caminho. Antes, porém, talvez a gente ainda erre muito, mas que vamos acertar o passo a qualquer momento, isso é certo. Estejamos nós onde estivermos, nessa ou naquela religião. O importante é que o nosso coração se abra para que entre nele algo tão grande que fará com que não vejamos mais diferenças, que possamos acolher todos, sejam eles judeus, católicos, muçulmanos, evangélicos, espíritas, indús, budistas, umbandistas, candomblecistas, testemunhas de Jeová, xamanistas...

Paz para todos.
https://www.youtube.com/watch?v=_uesrXsThVw

quarta-feira, 11 de julho de 2012

"A visita"

     Há alguns anos, quando perdi a minha mãe, recebi a visita de uma ex-professora que viera me consolar pela irreparável perda que eu havia sofrido. Jovem de mais para entender aquilo que estava acontecendo, fui desfiando um rosário de reclamações no ouvido da professora que ouviu pacientimente os meus queixumes. Senti como se tivesse me desabafando, botando para fora todas as dores de um coração magoado por "terem" lhe arrancado a mãe daquela maneira tão brusca.
     Faço aqui um parenteses para falar do quanto a morte é definitiva e repentina, principalmente nos casos em que ela chega sem o conhecido (nem por isso bem-vindo) aviso da doença e quem está ao lado vai meio que se preparando para o ato final. No caso de minha mãe foi de forma repentina: um ataque cardíaco. Por isso, talvez, a minha atitude de incompreensão diante da mudança de situação. De uma hora para outra eu tinha mãe e logo em seguida era um órfão.
     Voltando à visita da professora, depois de me ouvir ela falaria o que eu nunca iria esquecer:
- Tudo bem, acredito que você , seu pai e todos os seus irmãos estejam realmente sofrendo com a morte de sua mãe, mas vamos pensar uma coisa: por que você sente tanto a falta dela? Por que ela fazia a  comida, lavava a roupa, cuidava da casa, de você e seus irmãos? Isso qualquer um pode fazer. Não precisa ser sua mãe.
     Creio que a professora  tinha a melhor das intenções. Talvez ela quisesse diminuir a minha dor, mas a "visita" terminou ali.  Um certo constrangimento passou a dar o tom. Para dizer a verdade, cheguei a ficar chocado. Achei mesmo ter sido vítima de uma grosseria sem limite e, como já disse acima, para nunca mais esquecer. Na minha cabeça uma coisa era certa: eu tinha acabado de perder a minha mãe e me achava com todo o direito de estar triste e chateado.
     Porém, o tempo passou. Essa história ficou lá para traz, eu me espiritualizei um pouco mais e passei a ver as coisas por um outro prisma. É claro que ainda não cheguei a compreender a fala da professora, contudo, aprendi que as pessoas têm um tempo certo para ficar aqui na terra e que quando chega a hora não há desculpa. Seja mãe, pai, filho, irmão, amigo, conhecido ou desconhecido a partida, a separação, ausência é certa.
     Por isso, toda vez que vejo pessoas reclamando a perda de seus ententes queridos ( principalmente, aqueles que morrem em acidentes aérios e tragédias ) e, com isso, cobrando altas indenizações baseado na importância que essas pessoas tinham para elas financeira e afetivamente, acabo me perguntando se elas receberam a "visita" da ex-professora para questioná-los. Fico imaginando que a dita professora perguntaria para elas:
- Por que você queria essa pessoa viva?  Ela só servia para pagar as suas contas, fazer-lhe companhia, levar você para a escola, para passear, para cuidar de você?
     Ela terminaria a conversa dizendo, como disse para mim, que temos que dar o direito às pessoas de morrerem, de partirem. Que ninguém vêm ao mundo apenas para garantir a nossa sobrevivência, para nos dar vida boa.
     Provavelmente, ela ficaria chocada, por exemplo, ao ouvir um pai dizendo que sente falta do filho porque ele era quem o levava ao médico todos os meses e que depois do acidente aério que o matou, ele espera todos os dias que ele apareça para levá-lo a consulta e se que nega a ir sem o filho. Coisas da vida que a nossa racionalidade tende a classificar como absurdas.
     O tempo me mostrou que cada pessoa trabalha suas perdas de maneira diferente, própria. Uns vão sentir a falta do provedor, outros da companhia, do afeto, do cuidado, da mão sempre estendida, da palavra amiga, outros da simples presença. Uma coisa é certa: seja o motivo que for, todos queremos nossos entes queridos eternamente do nosso lado. Vivos e de carne e osso. E falem o que quiser falar.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Onde anda a sinceridade?

     Virou moeda corrente nos nossos dias a ideia de que não vale a pena ser sincero, que sinceridade é falta de educação, que nunca, nem sob tortura, devemos usar dela nos nossos relacionamentos sociais.  Assim, acreditam, podemos ficar bem com todo mundo e manter as  amizades, interesses profissionais e até mesmo os relacionamentos amorosos.
     Sei que está longe de ser algo ruim querer evitar de sair por aí jogando verdades na cara de mundo e ficar criando constrangimentos a cada palavra ou frase proferida. Nosso objetivo, sobretudo em sociedade, é manter bons relacionamentos, amizades duradouras e ser benquisto, não é? Quem não quer se dar bem com todos e ser aquela pessoa "fofinha" que todos querem ter por perto? E claro que todo mundo. Até eu.
     Mas será que vale mesmo estar sempre, ou quase sempre, sendo falso e dizendo exatamente o contrário daquilo que estamos pensando apenas para ficar "bem na foto"? Não estaremos nós sendo falsos e hipócritas em tempo integral e abrindo mão de levar uma vida baseada na verdade e na sinceridade? Qual o motivo real de optarmos por tantas mentiras bem intencionadas que não levam a nada mais  que relações frias, vazias de sentimentos autênticos?
     Talvez essas perguntas não tenham respostas imediatas e nem tão cedo possamos respondê-las. Porém, convido a que reflitam sobre o tema e vejam quantas vezes optamos por assumir uma postura um tanto dissimulada apenas para gerar controvérsias ou magoar a pessoa com que estamos convivendo. Acabamos, muitas vezes, concordando com quem estamos falando apenas para dar por encerrada a conversa e não ter que expor nossos pontos de vista conflitantes.
      Em nome da "boa convivência" guardamos para nós nossas opiniões e damos a resposta que achamos que a pessoa queria ouvir, falamos apenas aquilo que pode agrada. Afinal, não é de bom tom ficar criando polemicas por aí, não é? Reza a lenda que: "em boca calada não entra mosca". E assim seguimos a vida. "Todo mundo tem telhado de vidro", diz outro ditado.
      O que fica disso tudo são relacioamentos sem verdade. Acostumamos a ouvir e a falar meias verdades e qualquer coisa contrária a isso representa conflito, guerra. Estamos perdendo a capacidade de ouvir opiniões diferentes das nossas, pois só queremos saber daqueles que dizem "amém" a tudo o que apresentamos. Com isso, nascem os grupos, as faxões, as gangs. Quem pensa diferente é inimigo, quem não concorda deve ser evitado ou deletado de nosso grupo de relacionamento.
      E assim segue a vida nesses tempos de relacionamentos virtuais. Ops! Será que fui sincero de mais?