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março 22, 2026

Quando não se fala com palavras.

 Vivemos imersos num mundo em que as palavras têm o poder de aproximar e distanciar as pessoas, torná-las amigas ou inimigas, enfim, uma simples palavra pode unir o que está separado e separar o que parecia estar unido para sempre. Dessa forma, devemos tomar muito cuidado com elas e nunca proferi-las de maneira descuidada, sem se preocupar com o significado que elas carregam. Nunca esquecendo que em determinadas regiões ou culturas a mesma palavra pode ser um elogio e noutras um horrível xingamento.

É preciso sempre estar atento para não ofender quando na verdade estamos querendo elogiar ou simplesmente mostrar a nossa simpatia, o nosso apreço, a nossa estima numa sociedade em que qualquer deslize pode ocasionar uma guerra, geralmente com resultado imprevisível. Para isso, basta reparar com atenção as relações entre países e mesmo entre familiares, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, onde uma palavra dita com descuido pode provocar distúrbios.

No entanto, existe uma outra forma de linguagem e comunicação que, da mesma forma que as palavras, merece nossa atenção: a linguagem corporal. Sim, através do corpo falamos muitas vezes muito mais claramente do que com meras palavras que, não podemos esquecer, dependem do entendimento que o ouvinte tenha do idioma que falamos para entender o seu significado. 

Nosso corpo, por outro lado, dispensa esse tipo de entendimento, pois sua linguagem é universal. Independente da língua que falamos, entendemos claramente o que alguém está sentindo ou transmitindo através do seu gestual, se ela está triste ou feliz, aborrecida ou não, se concorda ou discorda, pois nosso corpo não mente, mesmo quando nos esforçamos ferozmente para isso.

Se com palavras podemos dizer o que não estamos sentindo, com o corpo isso é praticamente impossível. Por isso, devemos prestar bastante atenção à mensagem que estamos passando corporalmente.

Esperança, fé, amor, paz, caridade e GRATIDÃO.  

março 15, 2026

Expectativas.

 Expectativa é uma palavra que nos acompanha desde sempre. Nascemos marcados por expectativas de nossos pais e parentes de qual será (ia) o nosso destino. Portanto, nos acostumamos desde cedo a estar sempre buscando não decepcionar aqueles que nos cercam, geralmente tentando fazer o melhor que podemos para acertar, mesmo que isso represente para nós esforço desmedido ou sofrimento. 

O tempo passa e um dia crescemos, ficamos adultos e passamos a ter as nossas próprias expectativas de vida, de futuro e tudo o mais. Nada mais normal que isso, não é mesmo? Afinal de contas, a vida é nossa e cabe a nós decidir os seus rumos. No entanto, aquela cobrança, aquelas expectativas que os pais e parentes próximos tinham quanto à nossa vida e ao nosso futuro ganham um adicional: as pessoas em geral, aquelas com as quais passamos a interagir na sociedade na qual estamos inseridos.

No início, parece normal as pessoas estarem sempre perguntando sobre a sua vida, suas ações e planos. Com o tempo, porém, isso acaba virando uma espécie de intromissão, uma cobrança, como se você devesse satisfação de sua vida a terceiros, muitas vezes pessoas estranhas com as quais não tem a menor intimidade.

É aquele momento em que você se dá conta de que tem vivido para realizar as expectativas que não são suas, mas dos outros. É hora de dizer chega, de dar um fim nessa história. Você já não é mais o filho, o sobrinho, o neto fofinho (a), pois virou um adulto, com vida própria, com anseios, planos e expectativas próprios e se tem alguém a quem deve satisfação é a você mesmo.

Bom domingo e excelente semana.

Esperança, fé, amor, paz, caridade e GRATIDÃO.  

março 08, 2026

Ninguém está sozinho.

Raimundo sempre foi um homem pacato, sem grandes ambições, que, apesar de todas as dificuldades que enfrentava na vida, costumava evitar reclamar. No entanto, tinha um ponto que, por mais que tentasse, não conseguia deixar de se queixar: a solidão. Sempre muito sozinho, ele nunca teve amigos ou mesmo colegas com os quais pudesse conversar e trocar as impressões do mundo.

Sua vida se resumia a trabalhar e, após de anos de trabalho no balcão, ele conseguiu o posto de gerente numa farmácia de bairro, a igreja (sempre foi muito religioso, embora se achasse um tanto quanto esquecido por Deus) e a casa, um pequeno conjugado na Lapa. No que dizia respeito ao amor, teve um curto casamento com Elvira, frequentadora da mesma igreja que ele, que morreu durante um parto do filho que seria a coroação da felicidade de ambos, fato que o levou a ser mais solitário do que já era.

A vida foi passando e a solidão aumentando a cada dia, da mesma forma que aumentaram as reclamações pelo fato de sempre estar só, pois tanto no trabalho quanto no prédio onde morava mantinha apenas relações formais com as pessoas. A única exceção era o atrevido porteiro do prédio, seu Aluísio, uma figura que fazia questão de puxar conversa o tempo todo, o que deixava Raimundo bastante irritado, principalmente por estar sempre fazendo referência a assunto de sexo e pornografia.

Um dia, Raimundo começou a perceber que coisas estranhas estavam acontecendo: passou a ouvir vozes e a sentir que estavam mexendo em suas, objetos mudavam de lugar e sumiam inexplicavelmente. Depois, ele passou a ouvir vozes. A primeira suspeita foi de que seriam os vizinhos, por isso registrou uma reclamação no livro da portaria, mas de nada adiantou. A impressão que teve e que piorou, pois passou a desconfiar que havia pessoas dentro de seu apartamento.

Quando acordava pela manhã, encontrava o café pronto, sua roupa lavada e passada, seus sapatos escovados, a casa limpa. Tudo culminou com o dia em que, ao chegar do trabalho, ele encontrou um bolo de aniversário em sua mesa e a casa preparada como se fosse uma festa surpresa. Embora realmente fosse seu aniversário, ele não gostou da surpresa.

A culpa pela brincadeira recaiu sobre seu Aluísio, que tinha a chave do apartamento. Raimundo o acusou de, valendo-se da confiança, fazer troça de seu sofrimento, uma vez que sabia que vivia solitariamente e que nunca comemorava aniversário ou qualquer outra data.

- Está rindo da minha infelicidade - ele acusou.

A irritação foi tanta que Raimundo exigiu que a síndica despedisse o porteiro, apesar de o funcionário do prédio ter negado veementemente ser autor da brincadeira. A situação chegou a tal ponto que dona Soraia, a síndica, foi obrigada a colocar seu Aluísio de férias, para tentar acalmar os ânimos.

Nesse ponto, Raimundo passou a ser considerado louco pelos condôminos do prédio. 

 - O jeito é internar - diziam.

Foi quando Raimundo passou a encontrar por todo lado bilhetes contendo mensagens de encorajamento. Neles continham frases como: "Ninguém está sozinho. Estamos sempre por perto". 

As mensagens provocaram grande mudança em Raimundo. 

Dona Soraia foi a primeira a perceber.

- Tudo bem, seu Raimundo? - Ela perguntou.

- Tudo bem, dona Soraia.

A partir daí, seu Raimundo passou a ser outra pessoa: cumprimentava a todos, estava sempre com um sorriso no lábios e o jeito carrancudo triste desapareceu de vez, embora, aparentemente, ele tenha continuado a ser um homem solitário.

Dona Soraia e seu Aluísio, a síndica e o porteiro, afirmavam que era comum ouvi-lo travar longas conversas com seres invisíveis e, na rua, ele era visto caminhar como se estivesse acompanhado de uma ou várias pessoas.

Bom domingo e excelente semana.

Esperança, fé, amor, paz, caridade e GRATIDÃO.

PS. - Feliz dia das mulheres. 

fevereiro 22, 2026

A verdade que engana.

 Um dos maiores ensinamentos deixados por Jesus Cristo diz respeito à verdade e o quanto é libertador a sua busca, pois quem a segue encontra o Pai, que está no céu. No entanto, vivemos, principalmente após o advento da internet, no reino da mentira e da enganação. Transformamos a libertadora verdade na mentira que engana e confunde a cabeça de todos aqueles que, muitas vezes cheios de boas intenções, se deixam seduzir.

Atualmente, toda vez que se lê ou se ouve alguma notícia, não se pode mais confiar que é verdade, mesmo que seja contada por pessoas consideradas 'de confiança', pessoas que desfrutem de certa credibilidade na sociedade. Dessa forma, a desconfiança virou a melhor arma para evitar que sejamos enganados, para evitar darmos crédito a informações falsas veiculadas com o único objetivo de desviar os olhos e ouvidos da verdade.

Muitos já não conseguem distinguir a informação verdadeira da falsa, pois as duas vêm embaladas, quase sempre, da mesma maneira. Uma mentira deslavada é dita com a mesma veemência que se diz a mais pura das verdades. Por isso, é preciso estar atento, não se pode deixar seduzir pela embalagem, por mais bela e bem feita que seja.

Nesse ano de eleições, mais do que nunca, deveremos estar mais atentos do que nunca. Políticos, com o mero objetivo de conquistar um cargo de deputado (federal ou estadual), governador, senador ou presidente da república, são capazes de qualquer coisa, não medem esforços e, muitas vezes, na falta de argumentos que realmente possam convencer o eleitor, lançam mão de mentiras que a um olhar pouco atento podem parecer verdades. Portanto, muito cuidado.

Bom domingo e excelente semana.

Esperança, fé, amor, paz, caridade e GRATIDÃO. 

fevereiro 15, 2026

Aceitação.

 Alguém pergunta: o que a passagem do tempo representa para você? 

Começo dizendo que esta não é uma pergunta fácil de responder, por vários motivos. Em primeiro lugar, é preciso levar em consideração um monte de coisas. Há coisas boas, como a experiência que se adquire, a aprendizagem, as chances e oportunidades que aparecem, as pessoas que a gente conhece, os lugares que visita, aquela sensação de que somos donos de nosso próprio nariz, do nosso próprio tempo e de que somos imortais (acho que todo mundo acredita nisso até morrer), enfim, tem os amores, pois sem eles a vida é um 'saco', não é mesmo?

Por outro lado, tem todos os preconceitos e mitos que são despejados em cima daqueles que atravessam um certo limite de idade, os que vivem mais, além de todos os agravantes, ou seja, as doenças (as chamadas comorbidades), a solidão e o abandono, os problemas financeiros, o medo do fim que se aproxima. Trocando em miúdos, não é nada fácil, viver exige uma certa dose de coragem e, sobretudo, muita força de vontade para enfrentar tudo aquilo que surge em nosso caminho a todo momento.

Acima de tudo, o importante é nos aceitar como somos, encarando cada fase de nossas vidas, da infância à velhice, saboreando o lado bom de cada idade. Cada dia de nossa vida é único e nunca viveremos outro igual, nem teremos a chance de repetir as experiências que deixamos passar diante de nossos olhos. Por isso, cada instante é precioso, não podemos deixar escapar por preguiça ou preconceito. Sempre que a vida nos apresenta algo, ela tem um objetivo, uma intenção de nos ensinar uma coisa nova, importante para nosso futuro.

Aceitar a vida como ela é não significa ser conformista, acomodado ou apático. Significa simplesmente ser capaz de encarar os fatos de maneira adulta, sem se deter diante das adversidades ou mesmo se deslumbrar por estar vivendo um momento de felicidade e abundância. Tudo passa. Ao mesmo tempo, manter a esperança de que o melhor sempre está por vir nos impulsiona a manter o passo firme na caminhada.

Bom domingo e excelente carnaval, divirta-se.

Esperança, fé, amor, paz, caridade e GRATIDÃO. 

fevereiro 08, 2026

Diferenças.

Embora se fale muito de pluralidade, na verdade, vivemos na singularidade, ou seja, estamos cada vez mais parecidos uns com os outros, como se acabássemos de sair da linha de produção de uma fábrica de robôs. Por mais que se diga o contrário, a impressão que se tem é a de que todos querem a mesma coisa, todos falam a mesma coisa, têm o mesmo objetivo, trilham (ou desejam trilhar) o mesmo caminho e, o que é pior, não desejam abrir mão de disso.

Dessa maneira, a impressão que fica é que essa nossa tão aclamada pluralidade só acontece mesmo na superfície, por fora, 'para inglês ver', como se diz no popular. No fundo, não fazemos questão de ter a nossa própria identidade, a nossa própria visão de vida, a nossa própria opinião e, muitas vezes, fazemos isso conscientemente, pois o que queremos é fazer parte da maioria, não queremos ficar com a minoria que ousa pensar diferente.

Talvez essa seja uma onda passageira, que logo voltaremos a valorizar nossa própria opinião e visão de vida, nossa identidade, mas até lá, ninguém pode negar, está difícil de aguentar essa homogeneização do pensamento, do modo de viver, todos fazendo as mesmas escolhas, como ovelhinhas seguindo um pastor louco e alucinado, que, decididamente, não sabe para onde está indo.

É hora de voltarmos a pensar por nós mesmos, a pesar os prós e os contras de nossas escolhas, pois sabemos que elas têm efeitos não somente em nossas vidas, mas também nas vidas de todos aqueles que vivem à nossa volta, ou seja, nossa família, nossos amigos. Não podemos pensar apenas no nosso 'umbigo', vivemos num mundo que realmente tem uma enorme diversidade de raças, credos, cores, culturas e, sobretudo, com diferentes interesses que precisam ser respeitados, da mesma maneira que queremos ser respeitados.

Bom domingo e excelente semana.

Esperança, fé, amor, paz, caridade e GRATIDÃO.