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domingo, 26 de dezembro de 2010

Pessoas que ficam tristes no natal.

     Alguém já disse que o natal é uma festa de família, momento em que todos (ou quase todos) tentam esquecer as diferenças e se concentram apenas nas coisas alegres do ano que ora se encerra.  A festa é realmente contagiante e até adeptos de outras religiões, que não têm Jesus Cristo como o Messias salvador, acabam se deixando embalar e entram no espírito do natal. É fácil ver a  alegria estampada no rosto de todos sejam crianças, jovens, adultos ou velhos, ateus ou crentes, ninguém escapa. O natal é realmente uma festa democrática.
     Porém, tem aquelas pessoas que mesmo com tudo isso não conseguem se sentires felizes nesta época. Algumas são tomadas de uma tristeza e uma melancolia inexplicáveis. Enquanto todos trocam presentes, abraços, felicitações estas pessoas se trancam em seus mundinhos particulares onde não tem espaço para festa e alegria. É lógico que muitas dessas pessoas têm motivos de sobra para estarem tristes: algumas acabaram de perder entes queridos, outras estão com doentes na família, há aqueles que estão sozinhos, longe da família, há os que sofreram algum revés no decorrer do ano, os que estão nas ruas, sem teto, sem família, nos hospitais, nos asilos, nos orfanatos, há também aqueles de coração duro que por um motivo ou outro se fechou em si, enfim, o que não é motivo para tristeza. À todos esses nossas orações, nossa solidariedade e o desejo que tudo isso passe e que venham natais felizes por aí. É preciso manter acesa a chama da esperança.  Como diz a canção: desesperar jamais.
     Como estava dizendo, há aqueles que mesmo não estando numa situação desesperadora, se sentem tristes. Estão com as pessoas que amam, recebem presentes,  doam presentes, têm emprego, família, amigos, distribuem desejos de felicidades a todos, mas lá no fundo persiste uma melancolia. Alguém mais apressado poderia classificar de frescura, de que estão chorando de barriga cheia, afinal há tanto problema no mundo, tanta fome, guerra, tanto abandono, tanto vício destruidor de vidas... Mas essa tristeza natalina existe. Eu mesmo já me senti assim muitas vezes e pergunta se eu tinha alguma explicação clara para o fenômeno: não, não tinha. Apenas estava triste.
     Alguns chegam a dizer que não gostam de natal, que acham que é uma festa superfícial, que no dia seguinte ninguém mais se lembra dos votos de felicidade tão ouvidos e falados durante o mês. Está bem. Eu também acho que tudo fica muito no âmbito da palavra, que precisamos mesmo transformar nossos desejos em ações verdadeiras.
    Por outro lado, não podemos nos deixar levar por essa visão de que nada tem mais jeito, que é o fundo do posso. Nada disso! Não podemos nos sentir culpados, não podemos nos negar o direito à uma trégua na nossa luta diária. Precisamos de um momento em que as guerras cessem, principalmente as nossas guerras intimas, aquelas que travamos com nós mesmos e que não têm vencedores. Sobretudo, precisamos acreditar que essa alegria do natal que muitas vezes parece falsa, mentirosa, hipócrita é a alegria que Jesus veio para anunciar e que teimamos em não acreditar, em não botar para funcionar. Não podemos ter medo de ser felizes. Felicidade é antes de qualquer coisa, um direito adquirido. Usufrua sem medo.
   

domingo, 19 de dezembro de 2010

Aprender a gastar.

     É nesta época do ano que acostumamos fazer as maiores loucuras. Levados pelo clima de festa que se instala por todo lado, saímos por ai fazendo compras e mais compras. Chegamos a nos sentir verdadeiros milionários, tal a fúria com que vamos às compras. Dá gosto ver o entusiasmo de todos. Sem dúvida, essa é uma época feliz. Mesmo sabendo que essa fúria consumista nada tem de cristão, pois Jesus nasceu numa humilde estrebaria, longe de qualquer luxo.  Mas é bom ver todos se preparando para a ceia de natal e para presentear as pessoas que lhes são caras. Consumismo à parte, isso tem muito de amor, amizade, companheirismo, consideração que as pessoas tentam (se conseguem ou não é um outro papo) demonstrar umas às outras. Palmas para o Natal que consegue fazer com que as pessoas enfeitem suas casas (por dentro e por fora), se reúnam em torno de uma mesa ou que as fazem deslocarem de um lado para outro para estar com aqueles que amam. É essa festa que interessa. É essa troca de gentilezas, de amor, de compreensão que faz essa época ter um encanto diferente.
     Porém, passada toda essa euforia, todo esse encanto, começam a chegar as contas para pagar. É aí que a gente (eu também) se dá conta de que foi com sede demais ao pote e... Bem, todos conhecem essa história. Descobrimos, um pouco tarde, que gastamos além da conta e que vamos passar vários meses do ano que mal acaba de começar pagando contas e, o que é pior, nos privando de muitas coisas para que o orçamento não estoure mais. É ai que bate aquele arrependimento. Nesse momento chegamos a pensar que toda a nossa generosidade foi um erro, que não precisava ter exagerado tanto. O pobre do décimo terceiro que a gente achava que era a nossa salvação parece que nem existiu.  Para resumir a ópera, estamos endividados.
     É aí que me vem um pensamento: será que não haveria uma maneira de aprendermos a gastar como pessoas controladas? Para mim, pessoas controladas são aquelas que separam o seu dinheiro em partes: tanto para isso, tanto para aquilo, esse aqui para a poupança (segundo os economistas de plantão, nossos gastos excessivos estão acordando um monstro horrível chamado inflação e quando poupamos nosso dinheirinho ele dorme tranquilo), esse é para o carnaval (e ainda tem o carnaval, meu Deus), esse para a matrícula das crianças, enfim uma lista que não acaba. Mas aí aparece um outro pensamento intrometido: será que a vida teria graça com tanto controle? E o natal teria graça se não fosse esse descontrole, essa efervescência sentimental? Chego a conclusão que não. Então, que cada um faça a sua festa de seu jeito, uns com gastança, outros com temperança, mas todos felizes à sua maneira.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Doar sem nada pedir em troca.

     Com a aproximação do natal, voltamos a um tema muito comum durante o ano inteiro, mas que neste período do ano se torna mais comum:  o ato de dar e receber presentes.  É nessa época que mais se fala em dar e receber presente às pessoas que amamos, aos nossos amigos e familiares. Até aí, nada demais, não é? Afinal, quem, criança ou adulto, não gosta de dar ou receber presentes? Só que nesse ato, aparentemente simples, muitas vezes está camuflado um certo tipo de sujeição. Muitas pessoas usam o fato de ter um pouco mais do que as outras para poder subjulgar aqueles menos favorecidos que vêem nelas uma espécie de "papai-noel" capaz de realizar os seus sonhos impossíveis.
      É justo e até cristão que as pessoas que têm mais doem àquelas que tem menos ou mesmo nada. Podemos todos conhecer histórias lindas e edificantes de crianças ou mesmo adultos que são surpreendidos por verdadeiros milagres ao verem materializarem na sua frente aquele objeto de seus sonhos mais secretos. O período do natal tem um poder quase mágico de transformar os corações das pessoas, de fazê-las mais humanas e solidárias. Infelizmente não é dessas pessoas que quero falar, falo daquelas que dão, mas que sempre querem alguma coisa em troca, daquelas que não conhecem de verdade o significado do verbo doar.
     Essas pessoas, cujo coração ainda não foi tocado pela magia do natal, que ainda não entenderam o significado do nascimento de Jesus, elas ainda  são muitas no mundo. Elas insistem em não mudar de atitude, em não perceber que Jesus veio ao mundo para nos dar uma lição de humildade, de amor fraterno. Tudo o que elas querem é levar vantagem, ganhar em cima da dor e do sofrimento de uma criança, de um velho, de um homem caído cujo vício não deixa levantar a cabeça e prosseguir a caminhada...
     Todos conhecemos esses tipos e eles não precisam ser listados aqui. Apenas gostaria que todos nós pudéssemos aprender a doar sem nada pedir em troca, ainda que fosse a graça de Deus. Nesse dia, com certeza, não haveria mais necessitados no mundo, pois ninguém mais subjugaria ninguém. Dar e receber se tornaria algo comum entre a humanidade.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A maldita inveja.

     Os mais afoitos não deixam por menos e vão logo dizendo: "a inveja é uma m." E eu acho que eles têm razão. Não existe nada pior na vida do que ser vítima dos invejosos, aqueles que vivem de plantão para secar as nossas pequenas (ou grandes) vitórias do dia-a-dia. Parece coisa combinada, pois estão sempre por perto e basta a gente galgar um degrauzinho e lá vêm eles para minimizar o nosso esforço dizendo que aquilo é fácil, que conhece não sei quantos que já fizeram o mesmo ou melhor e que isso, que aquilo... Um inferno. Dá para ver o veneno escorrendo do lado da boca do invejoso. Esse tipo de pessoa não faz nada para também subir os degraus da escada da vida e passa a viver para tentar derrubar aqueles que estão na luta.
     Preciso confessar que tenho dificuldade para conviver com gente assim e chego a ficar indignado, chateado, aborrecido. Chego a ficar triste mesmo. Embora no fundo eu saiba que estas pessoas são exatamente aquelas que necessitam que eu tenha paciência, amor, compreensão, compaixão. Porque alguém que tenta destruir o seu irmão com palavras de desestímulo, com expressões de desdém, risinhos ou comparações descabidas é pessoa doente e que precisa de tratamento urgente para deixar esse hábito terrível, triste e lamentável.
     O mais lamentável de tudo é que esse tipo pode ser encontrado em qualquer lugar: em casa, no trabalho, na rua, no bar, na academia, na praia, na igreja. É preciso ficar alerta. Parece doença contagiosa. É preciso proteger-se com oração, medalinha, água benta, pensamento positivo, tudo. E o que é mais assustador: você (e eu) também pode ser vítima. Cuidado para não ser picado pelo bichinho da inveja, ele está no ar. Ninguém está livre.
     Espero, do fundo do meu coração, que você nunca tenha sido picado pelo bichinho da inveja e não tenha a falta de sorte de conviver com esse tipo de pessoa. Mas se tiver, respire profundamente. Não perca a paciência, não entre no jogo, mostre que você está acima desse tipo de coisa, que você confia na sua força, no seu trabalho, no seu talento, que você confia em Deus, acima de tudo. Assim, com certeza, o invejoso vai perceber que você não se deixa abater por qualquer coisa e que não vai ser um veneninho qualquer que vai derrubá-lo. Seja forte!
PS. Não acredito que existe inveja boa ou inveja ruim. Inveja é inveja e pronto.

sábado, 20 de novembro de 2010

Nosso legado.

     Sei que parece conversa de velho isso de ficar falando sobre o que se deve ou não deixar para as próximas gerações. Muitos encaram isso como uma forma de amealhar fortunas para que seus pimpolhos não tenham problemas e vivam uma vida tranquila no futuro. Tenho lá minhas dúvidas se isso é ou não válido. Mas deixemos isso para lá e vamos tratar de outra herança: o planeta. Querendo ou não teremos que deixar esse mundo para ser habitado pelas gerações que virão depois de nós, isso é um fato. Não há como mudar isso. Recebemos esse planeta quando nascemos e teremos que devolvê-lo quando partirmos. E, se possível, em boas condições de uso.
     Nos últimos anos (e cada vez de forma mais intensa) tem se falado da sobrevivência do planeta terra. Muitas pesquisas são feitas e os resultados não nada animadores: o planeta terra pede socorro. A humanidade precisa se conscientizar  de que é urgente uma mudança de atitude em relação à casa em que vivemos. Caso contrário esse planeta ficará insuportável e nossa vida aqui muito difícil. Muitos alertas são feitos. Reportagens são feitas mostrando a degradação do planeta, mas parece que ninguém (ou quase ninguém) está se importando com isso. Indiferente a qualquer apelo, as pessoas continuam vivendo como se nada tivesse acontecendo e continuam jogando lixo nas ruas, desmatando florestas, poluindo o ar, córregos, lagoas, rios, mares, insensíveis aos apelos das organizações que cuidam do meio ambiente, dos governos e até de populares.
     Uma dessas últimos campanhas é da sacola do supermercado. Uma bela oportunidade de voltarmos a levar as sacolas de casa e com isso livrar o solo desse poluente agressivo que é o plástico. Porém, salvo honrosas exceções, as pessoas não estão dando a devida importância e os supermercados continuam distribuindo sacolas plásticas à vontade num flagrante desrespeito a uma iniciativa tão boa. Mais uma vez o povo está deixando de dar a sua, ainda que humilde, colaboração.
     É preciso que tomemos a sério esses alertas e passemos a fazer, de forma consciente, o nosso papel na preservação do nosso planeta. E isso é muito simples. Basta que nos engajemos nas campanhas que são feitas, que não sujemos tanto as ruas, as matas, as praias, que não produzamos tanto lixo sem se importar com o destino que ele terá. A partir do momento em que tomarmos essa responsabilidade para nós, estaremos deixando para aqueles que virão depois de nós a melhor herança que alguém pode deixar. Não os milhões, as propriedades, mas um planeta plenamente habitável.

Salve o planeta terra!

sábado, 13 de novembro de 2010

Necessidade de ser aceito.

     Também acredito que é muito bom ser uma pessoa popular, bem aceito pela maioria, cheio de amigos, mas acho que tem gente que exagera na medida e para ser aceito é capaz de qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Chega a dar vexame e a se humilhar para receber um pouco de atenção. Alguns chegam ao ponto de se anularem como pessoas, deixam de lado as suas convicções e ideias só para não ir contra as ideias e convicções da pessoa (ou pessoas) que quer conquistar ou estar perto. Será que isso é mesmo válido? Vale a pena deixar de ser a gente mesmo em troca de um pouco de atenção?
     Tem gente que acha, não é mesmo? Que pena! Com isso não percebe que está sendo ridículo (a) e  que, ao contrário de conquistar amigos ou admiradores, acaba despertando pena, dó nas pessoas. Ninguém quer ficar perto de uma pessoa que passa o tempo todo se oferecendo, sendo gentil demais, boazinha demais, condescendente demais apenas para agradar. Não que pessoas com estas caracteristicas não existam. É claro que existem. Ainda bem que existem, mas elas são assim naturalmente, sem forçar a barra, sem tentar fazer tipo, entende? As pessoas gostam de estar perto de gente de verdade que age com honestidade, que joga limpo, que diz o que pensa, que não fala ou faz coisas apenas para agradar ou ser simpático.
     Não se deve negar que existem aqueles momentos em que estamos tentando conquistar alguém, chegando num grupo de amigos, numa escola, numa igreja, num clube e que, por uma questão de ainda não saber aonde estamos, agimos com certa cautela, sem mostrar muito da nossa personalidade. Mas isso se dá num primeiro momento, não podemos agir assim o tempo todo. Se assim o fizermos, podemos correr o risco de passar para os outros que não somos muito confiáveis e ai...
     O melhor de tudo é sermos sempre autênticos, mostrar logo a nossa cara e não ficar atrás do muro com medo de não ser aceito. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Além do mais, ninguém é perfeito. Viva a liberdade. Somos livres para sermos o que e quem somos, sem culpas. Não devemos viver presos a padrões de comportamento, regras de etiqueta que só levam ao artificialismo. Por outro lado, agir com simpatia, não significa agir com falsidade. Sejamos nós mesmos, sempre.

sábado, 6 de novembro de 2010

O código secreto de Chico Xavier

     Acabo de ler "As vidas de Chico Xavier", a biografia de Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, escrita por Marcel Souto Maior. É realmente  inacreditável que esse homem tenha mesmo existido. Tudo em Chico Xavier nos leva a acreditar que ele não era desse mundo, tal a forma como viveu, tal a maneira como se colocou a disposição dos espíritos que através dele mandavam mensagens para nosso mundo dando-nos conta da vida após a morte, tal o número de pessoas que ele arrebanhou durante a sua existência, fazendo com que elas, mesmo provindas de outros credos ou convicções, se rendessem aos ensinamentos dos quais ele era porta-voz, tal a maneira como enfrentou os céticos, os que vinham nele um embusteiro, uma fraude ou um aproveitador da boa fé do povo. A todos Chico brindou com sua paciência, seu silêncio, sua dedicação, sua inesgotável capacidade de trabalhar em prol dos mais necessitados fosse material ou espiritualmente.
       Através dele todo um mundo novo se descortinou para nós. Chico Xavier foi responsável por divulgar a ideia de que a vida não termina no túmulo, ao contrário, apenas muda de forma: se antes ttínhamos um corpo para abrigar o espírito, a morte apenas nos livra dele, mas o trabalho continua, os laços continuam. Fato que para muitos materialistas adeptos do aqui e agora pode assustar, pois parece muito mais fácil acreditar que tudo acaba com a morte. A ideia de continuidade da vida nos impõe uma severa mudança de atitude diante de nós mesmos, diante do outro e diante do Criador. A partir de Chico/kardec a ideia da morte como descanso fica sem sentido. O céu/inferno/purgatório que a Igreja Católica apregoa já não responde às ansiedades daqueles que pensam além.
     O mais curioso de tudo é que os textos psicografados por Chico Xavier trazem, acima de qualquer coisa, mensagens de alguém muito conhecido de todos: Jesus Cristo. Em nenhum momento Chico Xavier e os espíritos ( Emmanuel/ André Luiz/ Bezerra de Menezes/ Maria João de Deus, sua mãe e tantos outros) tiveram outro "guia" que não fosse Ele. Isso fazia calar vozes exaltadas e dispostas a querelas inúteis. Ao mesmo tempo atraía (e ainda atrai) multidões em busca de consolo, em busca de tantas respostas que o catecismo tradicional não conseguia ( e ainda  não consegue) responder.
      Com Chico a comunicação entre os dois mundos está definitivamente estabelecida. Prova  maior disso são os mais de quatrocentos livros escritos e o sem-número de mensagens recebidas. Prova disso é o número cada vez maior de livros editados  e de médiuns que psicografam no Brasil mundo a fora.
     Porém, a ideia de que Chico Xavier criou um código (essa informção não contém no livro) para se identificar (teria sido numa tentativa de evitar fraudes) em possíveis mensagens do além, me deixou um tanto perplexo. Não consigo acreditar que em sã consciência Chico tenha criado esse "código". Isso não combina com a vida que ele levou. Essa preocupação não condiz com o que ele pregou; se em vida Chico não pertenceu a si mesmo e sim a causa espírita, como depois de morto ele ficaria preso à ideia de que alguém pudesse receber mensagens mentirosas dele?  É difícil de acreditar  que ele tenha deixado esse mundo com esse tipo de preocupação no alto de seus 92 anos e bastante alquebrado pelas enfermidades que acometeram seu corpo. Prefiro acreditar que isso tenha nascido de 'outras" mentes e que ele, sempre disposto a concórdia, tenha concordado apenas para não magoar aqueles que o assistiam em seus últimos dias na terra. Definitivamente essa história de código não tem nada a ver com Chico Xavier.

sábado, 30 de outubro de 2010

O céu aqui na terra.

     Quase todas as religiões, mesmo aquelas que têm uma visão mais positiva da existência humana, são unânimes em afirmar que este mundo é um local de transição e que felicidade mesmo só encontraremos após a morte. Julgam que é até possível levar uma vida tranquila, buscando sempre melhorar  através do trabalho honesto, lutando para conquistar os nossos sonhos e desejos, sempre endereçando aos céus os nossos pedidos e súplicas. A Deus cabe a palavra final. Só Ele sabe se merecermos ou não ser felizes ou padecer.
     Até aí, nada de mais. Uns acreditam, alguns nem tanto, outros fingem(creio que seja a maioria) que acreditam e assim vão levando a vida  e tem também aqueles que não querem nem saber. Para esses o negócio é ser feliz aqui e agora. Nada dessa história de esperar para ser feliz depois. A hora é agora e já.
     Creio que é aí que está o perigo. Em nome desse imediatismo as pessoas têm perdido o senso de responsabilidade diante de sua existência e têm ignorado que a terra não é, e nem poderia ser, um paraíso aonde chegamos para desfrutar de suas delícias e encantamentos. Esquecemos que estamos aqui para aprender, para desfazer de nossos defeitos, manias, maus sentimentos, enfim superar tudo aquilo que emperra o nosso desenvolvimento espiritual. Lembrando sempre que somos essencialmente espírito, o corpo é uma vestimenta da qual seremos despojados cedo ou tarde.
     Portanto, essa ideia de felicidade aqui e agora e a qualquer custo leva-nos a um beco sem saída. Optamos pela felicidade que o mundo tem a oferecer esquecendo de que ela é passageira. Ninguém leva dinheiro, casa, carro, roupas da moda, motocicleta e outras parafernálias pelas quais praticamente damos a nossa vida. Ao contrário, quando vamos embora, quase sempre inesperadamente, nada levamos. Nem o corpo que tanto estimamos.
     Não falo isso sobre porque sou um pessimista. Pelo contrário, também gosto das coisas boas do mundo e sonho com a felicidade como qualquer outra pessoa. Mas sempre estou pensando se por acaso não estou sendo exigente demais ao, indiferente a tudo o que acontece à minha volta, querer sempre mais e mais, sem nunca estar satisfeito, sem preocupar se mereço ou não aquela benesse. Toda vez que rezo o Pai Nosso quando chega na passagem "seja feita a Vossa vontade" fica pensando no quanto posso estar sendo contraditório. Rezo o Pai Nosso e ao mesmo tempo quero que seja feita a minha vontade e não a do Pai.
     É isso que nos faz (a mim, sobretudo) cair diante de qualquer desafio, medo, contratempo, adversidade, cada vez que a nossa (a minha) vontade não é satisfeita. Nesses momentos nos comportamos como crianças mal educadas que quando não são prontamente atendidas nos seus desejos choram e fazem pirraça e com isso só conseguem irritar a todos.
     Então, deixemos de ser crianças mal educadas e busquemos um maior entendimento da nossa vida e da nossa existência.

Boa eleição.

sábado, 23 de outubro de 2010

Verdadeiro ou falso?

     Sei que a pergunta do título é comummente encontrada em testes de conhecimento em que uma afirmação é apresentada com o intuito de descobrir se candidato está ou não inteirado sobre o assunto em questão. Aqui o objetivo não é esse e sim falar sobre um fato que ocorre quase sempre que conhecemos alguém: será que somos verdadeiros ou falsos naquilo que falamos de nós, na maneira como nos apresentamos? Você já parou para pensar nisso?
     É comum, ao sermos apresentados a alguém, tentarmos vender uma versão um pouco melhorada de nós mesmos. Nessa versão, geralmente, nos apresentamos como alguém que possui inúmeros talentos, age assim e assado, gosta disso, não gosta daquilo, já fez isso, jamais faria isso ou aquilo enfim pintamos um quadro belíssimo sobre a nossa pessoa. Chegamos a exagerar tanto na pintura que ficamos, nós mesmos, morrendo de vontade de nos conhecer.
      Que quadro lindo! Pena que a pintura é falsa. Nós mesmos não nos reconhecemos nela. A pessoa que apresentamos não é a pessoa que somos e sim aquela que gostaríamos de ser. Uma pessoa culta, bonita, inteligente, compreensiva, generosa, boa, educada ao extremo, ou seja, uma idealização. Vá lá que não tenha nada demais em querer ser melhor do que  se é, talvez seja até saudável, mas também não precisamos exagerar. Devagar com o andor...
     Sem querer pintamos uma figura totalmente fora da realidade, muito distante de alguém humano, de carne e osso. Pessoas de carne e osso costumam ter defeitos, medos, dúvidas e serem ignorantes num ponto ou noutro. E isso não é vergonha nenhuma. O que não se pode é criar uma imagem totalmente falsa de nós mesmos e sair por aí fazendo com que as pessoas acreditem ser verdadeira. Será que você acredita nessa  versão?
      Essa é a pergunta que devemos fazer a nós mesmos. Muitas vezes a resposta é negativa. A pessoa que apresentamos na sociedade que frequentamos ( trabalho, igreja, grupo de amigos) é muito diferente daquela que somos verdadeiramente e isso é algo muito perigoso. Sei de caso de pessoas que ficam até sem sair de casa, afastam-se de seu grupo social porque criaram expectativas falsas em torno de si e ficaram desacreditadas. Outras têm medo de serem pegas em suas mentiras ou são obrigadas a desmentir suas histórias quando levadas a sério.
     Geralmente quem faz isso não tem nenhum outro objetivo que não seja ser aceito, gostado, amado pelas pessoas e isso pode até não ser algo assim tão tenebroso. Claro que não é. Todos queremos ser amados, não é? Só que não vale a pena criar um mundo falso em torno de nós. Isso significa  que não nos aceitamos como realmente somos. Talvez, no fundo, queríamos ser outra pessoa, melhor do que somos. Mas daí a mentir... Não. Não vale a pena. O que vale é tentarmos ser melhores a cada dia, buscar mais entendimento, mas sabedoria, mais amor. Tudo isso baseado na verdade. Aquela verdade que, segundo o mestre Jesus Cristo, liberta.

sábado, 16 de outubro de 2010

Ei, aonde vai com tanta pressa?

     Quantas vezes você já teve que responder a essa pergunta em sua curta (ou longa) vida? Difícil imaginar, não é? Provavelmente uma centena de vezes. E todas elas porque você estava agindo como alguém que esteve ligado a um motor e não estivesse com a mínima noção do que estava fazendo. Corria de um lado para o outro fazendo coisas, tomando decisões, comprando, vendendo, rindo, chorando, chegando, partindo tudo sem pensar nas consequências que cada ato desses, por mais insignifcante que fosse, pudesse ter em sua vida e na vida das pessoas que lhe cercam.
     Sei que existe uma grande chance de você não estar dentro do padrão descrito acima, o que, convenhamos, é uma coisa admirável. Que bom que você é uma pessoa calma, capaz de pensar nos seus atos com responsabilidade e, sobretudo, com paciência. Mas, se pelo contrário , você faz parte do grupo que está na outra margem do rio, eu faço um convite a que você comece a desacerelar o seu ritmo e passe  a agir de forma menos automática. Alguém já disse, e muito sabiamente, que a vida é muito curta, que passa muito rápido.  Por isso deve ser vivida como quem saboreia uma comida gostosa: devagar, de maneira tal que se possa sentir o seu sabor. A comparação  pode não ser das melhores, mas é a única que me ocorre no momento. Não podemos viver eternamente como quem quer virar a página do livro para ver o que  acontece depois. Pelo contrário, devemos ler cada palavra, cada frase ou período buscando entender o que está escrito, para que ao final do capítulo não tenhamos que voltar ao início.
     Portanto, vamos todos parar a nossa corrida com obstáculos e vamos imaginar que não há corrida nenhuma, não somos maratonistas tentando chegar em primeiro lugar e sim pessoas vivendo uma experiência que por mais que se repita (principalmente para aqueles que acreditam na reencarnação), é única, pessoal e intransferível. Cada momento que vivemos é único e não vai se repetir. Por isso, devemos saboreá-lo, vivê-lo como se fosse o último.
     E essa visão não pode ser confundida com pressa ou essa ideia de que não podemos perder tempo com inutilidades, muito comum em nossos dias. A ideia de que devemos estar sempre de olho no relógio, no futuro, de que tudo deve ser muito rápido. Desde a comida, os meios de transporte, os avanços tecnológicos, os relacionamentos, tudo.
     Esta errada essa crença de que não se pode ficar parado contemplando, vendo as ondas do mar batendo na praia, as águas do rio indo de encontro ao mar, o barulho do vento, a chuva que cai, a nuvem que brinca no céu, o pássaro que voa, a borboleta que colore o dia, a criança que dá o primeiro passo, enfim o movimento natural da vida.
     Pelo contrário, vamos parar e respirar fundo para sentir a quietude da vida, o silêncio onde Deus toca fundo em nossos corações e nos pede calma, muita calma. E quando já estivermos prontos, recomeçamos a caminhada, dessa vez tentando perceber as belezas do caminho.

Bom domingo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Morrer é castigo?

     Eu sei que o tema em questão é muito espinhoso e que poucos são os que aceitam falar dele sem reservas. O fato é que a morte (desculpe a falta de cerimônia) apavora a todos, sem exceção. Ninguém quer falar do assunto e foge, como o diabo da cruz, quando alguém resolve trazer o tema para o centro da discussão. Sei de muitos que além de não querer encarar a ideia da própria morte, também evitam o tema quando acontece com os outros: não vão a hospitais, enterros, missas de sétimo dia ou qualquer coisa que lembra a "indigitada das horas", como o grande poeta Manoel Bandeira a cunhou num de seus poemas. Tudo com a vã intenção de, com isso, mantê-la bem longe. Bem no estilo: se eu não falo dela ela não existe e se ela não existe não virá me importunar.
     Não cabe a mim criticar uma pessoa que encara a vida dessa maneira, ou seja, fugindo do assunto, mas precisamos nos conscientizar de que é necessário que a gente tente encara-lo, uma vez que, querendo ou não, um dia (todos torcemos para que este tal dia esteja sempre muito distante) vamos ter que encara-la de frente. Pois, como o diz o dito popular, não nascemos para semente. O que já significa um grande ganho: por que você já pensou como seria chato ficar "plantado" nesse mundo para sempre? É melhor nem pensar nessa possibilidade, não é mesmo? Definitivamente, o mundo não é o lugar mais indicado para alguém viver toda a eternidade, existem lugares melhores nesse universo, tenho certeza.
     E não devemos esquecer que ao nascer já trazemos essa marca. Todos somos informados da brevidade da vida, da sua transitoriedade, de que um dia, cedo ou tarde, teremos que ir embora. E certamente isso acontecerá da mesma maneira que se deu nossa vinda, de maneira natural e suave.
     Por isso, não devemos ficar tristes. Muito pelo contrário, isso deveria nos deixar felizes, pois somos esperados em algum lugar como fomos esperados aqui. Em algum lugar do universo alguém conta os dias para nos rever. Alguém que deixamos tristes quando viemos para a terra cumprir nossa missão evolutiva. Nunca devemos esquecer que a terra é um local de passagem, onde expiamos nossas faltas, mas também o lugar onde crescemos, construimos relações de afeto que perduram para sempre. Portanto, nada a temer. Tudo é ganho. Até o fato de sermos mortais, de um dia partirmos para outras viagens, como diria algum poeta, para outras paisagens.
     Toquei nesse assunto porque uma conhecida que perdeu um ente querido não está conseguindo aceitar o fato. Embora se diga uma pessoa espiritualizada está vivendo uma crise de fé e de entendimento dos mistérios da vida. Em sua crise passou a ver a morte, como aliás a maioria vê, como um castigo cruel e injusto. Uma visão comummente propagada em nossa sociedade e que nossos autores de novelas fazem questão de manter viva: quando querem castigar um personagem malvado, o condenam a morte, numa visão mesquinha de um momento importante de todo ser vivente. Isso me fez pensar em como nós enfrentamos não só o fato de as pessoas que amamos serem mortais, mas no fato de nós mesmos sermos mortais. Porque se não aceitamos a partida de um ente querido também não vamos aceitar quando chegar a nossa hora. Somos, assim, candidatos a sermos espíritos revoltados e trevosos, desses que povoam a terra transformando a vida dos encarnados (nesse momento nós) num inferno. Será que é isso que queremos?  Vale a pena fugir da verdade e depois sofrer mais e fazer os outros sofrerem?
      Convido todos a pensarem no assunto. Vamos aproveitar a vida em todos os sentidos, todos mesmo, inclusive tomando consciência do nosso papel diante de Deus, diante do Universo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Porteiros de prédio: amigos ou inimigos?

      É claro que há um tom de exagero no título, mas duvido se em algum momento você não questionou essa figura quase onipresente em nossas vidas: o porteiro. Todos que moram em prédio, quase sem exceção, tem pelo menos um desses profissionais em sua vida. Não raro, são pessoas simples de pouca ou nenhuma cultura ( pode-se dizer que são todos semianalfabetos, muitos mal assinam o nome), vindos do nordeste brasileiro ( não é difícil eleger o estado do Ceará como o maior exportador de porteiros e afins) e entram  nos prédios como faxineiros, trazidos por algum parente ou amigo também nordestino. Essa é uma regra: todo funcionário de um prédio é indicado por outro funcionário e, quase sempre, é um parente que acabou de chegar e está sem onde morar. Muitos vêm direito da rodoviária para o prédio e são admitidos quase imediatamente.
     É possível que você esteja se perguntando o por que de eu estar falando desse profissional que todos têm como boa gente e que está ali como um verdadeiro "pau para toda obra" e que "quebra o galho de todo mundo" e tudo o que se precisa fazer é dar uma gorjeta para ele e tudo bem. Até concordo com essa visão que a maioria das pessoas têm do porteiro. Nada mais justo, pois geralmente são mesmo pessoas do bem e que tudo fazem para ajudar a quem os procura. Só que a moeda tem dois lados: de um está o porteiro, esse profissional, muitas vezes improvisado, que serve a todos e passa o tempo tendo de ora ser onipresente e ora ser quase uma peça de decoração que nada vê e nada escuda, mas que tudo vê e tudo escuta, que não está na portaria do seu prédio porque não tem nada melhor para fazer e sim porque, como qualquer outro profissional ou cidadão, está ali para ganhar o seu salário e garantir o sustento de sua família; do outro está o morador do prédio que, dependendo do seu interesse, vê o porteiro ora como a mais amável das criatura (basta que ele dê bom-dia, boa-tarde e boa-noite e que ele resolva todos os problemas do prédio e de sua casa, de preferência sem cobrar nada), ora o vê como um parasita que fica o tempo todo sentado na portaria sem nada fazer apenas falando sobre futebol ( parece que para ser porteiro é obrigatório gostar de futebol e ser flamenguista) e assistindo televisão.
     Há exagero nas duas visões. Nem o porteiro é um anjo da guarda e nem é um vagabundo que leva seu dinheiro sem fazer muita força. Aliás, exagero  é coisa comum em prédio. Tem morador que praticamente "adota" o porteiro e sua família, tratando-os como coitadinhos. Outros os demonizam, vendo neles todo tipo de defeitos. Os acusam de alcoólatras, ladrões, fofoqueiros, preguiçosos e até ostilizam seus familiares sob a acusação de causarem prejuízos ao prédio e morarem de graça. Na questão salarial, acham absurdo qualquer aumento e fazem conta de cada benefício que o porteiro tem.
     Na verdade o porteiro é um profissional como outro qualquer. Como já disse  nada tem de anjo ou super-herói. Apenas está ali para ganhar seu dinheiro e como é um profissional com características de empregado doméstico por morar no emprego ( a maioria dos prédios oferece moradia para os porteiros), isso é motivo de muita confusão. Muita gente acha que eles têm que estar disponíveis o tempo todo e que no seu salário está incluído tudo, até aturar morador chato. Isso não é verdade. O porteiro trabalha para o condomínio não para o morador particularmente. É preciso ficar atento à isso.
     Por outro lado, os moradores precisam deixar de confundir os porteiros como pessoas da família e lhes confiar todos os seus segredos. como se fossem pessoas de sua inteira confiança. O porteiro é empregado do prédio e o Sindico  não é responsável pelo seu caráter. Há quem faça negócios ou trate com excesso de confiança um profissional desses e quando tem algum problema diz que a culpa é do Sindico que o colocou no prédio. Isso é discutível.
     Creio que a saída é profissionalizar a função de porteiro passando a exigir que eles tenham um certo grau de escolaridade e que tenham um preparo maior para o trato das questões (que não são poucas) do dia a dia de um prédio. É preciso deixar um pouco de lado essa história de admitir parentes analfabetos que acabaram de chegar na cidade.
Porteiros profissionais já!

sábado, 25 de setembro de 2010

Votar certo, votar errado.

     Com a proximidade do dia das eleições, volta com mais força a discussão sobre o voto. Muitos são os programas (televisão ou rádio), matérias de jornal, enquete na Internet, propagandas e afins que tratam do assunto. Todos falam da importância do voto, de que devemos usar o nosso voto de maneira correta e que ele é a nossa "única" arma para mudar esse país que, haja vista, está sempre precisando de mudança, principalmente por causa das nossas más escolhas. Nesse falatório a respeito do voto está sempre implícito (ou explícito) que nós não sabemos votar e que, por isso, o país está do jeito que está, ou seja, na bancarrota. Segundo eles, nós somos os culpados de tudo. Se nós soubéssemos votar, se nós escolhêssemos direito nossos governantes... Só falta nos condenar ao fogo do inferno.
     Exageros à parte, não é difícil dar uma certa razão para eles. Afinal, um país (qualquer um) precisa ser governado por pessoas (homens e mulheres) de caráter, capazes de trabalhar pela melhoria de vida da população e não por seres ávidos de enriquecerem, dispostos a qualquer coisa para colocar alguns (muitos) trocados no bolso, insensíveis aos problemas do país como a fome, a falta de habitação, o desemprego, a violência, as drogas, o cuidado com a infância, a juventude, a velhice e tudo o mais. Infelizmente, é isso que vemos em nosso país: falta de respeito com o eleitor (os que votam e os que não votam), falta de compromisso com os princípios básicos da vida, falta de respeito com a coisa pública, com o coletivo.
     Não é difícil afirmar que todos aqueles (sem exceção) que entram na política têm por objetivo apenas cuidar dos seus próprios interesses, todos querem apenas "se darem bem", arranjar um bom emprego, com muita mordomia e com direito a fazer muita maracutáia, muita negociata, muito conchavo, muito loby. Pouco se importam com as necessidades da população que, para eles, é apenas massa de manobra, um trampolim para eles chegarem onde querem, mais nada. Por isso, usam e abusam de atrativos e promessas no período de campanha eleitoral. É nesse momento que seduzem os eleitores se fazendo de bonzinhos e salvadores da pátria. E muitos eleitores se deixam levar por esses falsos encantos, essas falsas promessas. O resultado todos nós já conhecemos há séculos: escandâlo atrás de escândalo e o dinheiro dos impostos indo pelo ralo abaixo, quero dizer, para as contas no exterior.
     É por isso que não concordo que haja voto certo ou voto errado. Todos votamos certo. Mesmo aqueles que votam de olho em alguma compensação porque, afinal, votamos interessados na melhoria de nossas vidas, do nosso país, da nossa gente. E nisso não há nada de errado. O que não pode é haver pessoas que querem se tornar políticos para melhorar as suas próprias vidas, pouco ligando para os outros. Pessoas que embolsam o dinheiro da merenda escolar, da educação, da saúde, dos transportes, das estradas, do meio ambiente, do saneamento básico, da dragagem dos rios, das aposentadorias... Pessoas que vêm pedir nosso voto para nos trapacear descaradamente.
     Confesso que estou com dificuldade para escolher os meus candidatos. Não estou conseguindo fechar uma lista com todos os cargos: deputado estadual, deputado federal, senadores, governador e presidente. Está muito difícil, os candidatos que se apresentam não se mostram criveis. O dia está chegando... O pior é que depois ainda posso ser taxado de não saber votar.

domingo, 12 de setembro de 2010

Nosso lar - o filme

     Antes de qualquer coisa, gostaria de expressar o quanto gosto desse livro. Na minha opinião trata-se do livro mais esclarecedor quanto a vida depois da vida (ou da morte, como preferir). Nesse livro, creio que pela primeira vez, tem-se uma ideia geral de como se vive no além túmulo, dá-nos uma visão de que tudo continua e que a vida na terra é apenas um meio pelo qual podemos nos tornar seres melhores e nos aproximar mais do Criador. A ideia da morte como a pior coisa que pode acontecer a um ser vivente, como injustiça, como terrível castigo (como nos apresentam os novelistas de plantão) ou a morte como descanso eterno (vide Igreja Católica) deixa de existir depois de sua leitura.
     Nosso lar, o livro, nos leva a tomar consciência da nossa total responsabilidade diante de tudo aquilo que nos acontece de bom ou de ruim. Nada nos acontece por acaso, pois somos os causadores diretos e indiretos de nossa felicidade e de nossas vicissitudes. É isso que André Luiz vai descobrir de forma, inicialmente, dolorosa através de sua passagem pelo Umbral, lugar parecido com o inferno que a Igreja Católica nos  apresenta. Ali em meio a todo tipo de gente com seus problemas, dores, gritos, lamentos, demência, fome, cede, defeitos trazidos de sua vivência na terra ele vai finalmente curvar-se e com humildade pedir a ajuda divina. E Deus vai atendê-lo através de Clarêncio e sua equipe que o recolhem e o levam para a colônia Nosso lar.
     É nessa colônia espiritual que André Luiz vai tomar consciência de que é um suicida, que sua morte não foi tão natural quanto ele imaginava e que podemos deliberadamente causar a morte de nosso corpo mesmo que isso pareça natural, através dos excessos. Excessos que podem ser de bebida, comida, sexo, drogas, maus sentimentos e tantas outras coisas. Mais do que isso, ele vai aprender que ali os títulos terrenos não valem, que há regras a seguir, que tudo se consegue pelo trabalho, pelo esforço próprio, que precisamos  ajudar uns aos outros, aceitar os designos de Deus, e que ali não é o céu. Como a terra, a colônia é um local de passagem entre uma encarnação e outra e que é preciso se preparar para voltar à terra, nosso palco de lutas.
      Poderia continuar indefinidamente falando do livro Nosso lar, mas a postagem é para falar do filme e vamos a ele: em primeiro ligar é preciso elogiar tal iniciativa. Levar Nosso Lar ao cinema é algo bastante oportuno e ver os cinemas cheios, um grande prazer. O livro, a espiritualidade, Chico Xavier e todos nós merecemos que isso aconteça. O filme dá um amplitude maior para tudo, principalmente àqueles que por falta de cultura, desconhecimento, preguiça ou qualquer outra coisa ainda não conhecia a obra. Através do filme muito mais gente terá (está tendo) acesso às informações do livro e, por que não dizer, à doutrina espírita. Por isso, palmas para o filme e todos os seus realizadores.
     Apenas alguns senões ( coisa de gente metida a perfeccionista como eu), o filme carecia de um roteiro mais pungente, a coisa parece correr meio frouxa; talvez o ator que faz o André Luiz devesse ser outro, Renato Prieto é um excelente ator com uma militância no teatro espírita que o credenciou para o papel, mas não acho que ele conseguiu chegar lá, parecia estar o tempo inteiro como quem acaba de chegar e ainda não entendeu o que faz ali, o que é uma pena; outro ponto é adaptação que abriu mão de coisas que seriam mais esclarecedoras para o público, diminuindo papéis (como é o caso de Laura, interpretada pela atriz Ana Rosa) e suprindo outros; e quanto ás locações, não creio que uma fortaleza militar fosse o melhor lugar para situar uma colônia espiritual, questão de opinião.
     Nos acertos quero acrescentar a direção (correta), a música ( muito boa), os efeitos especiais (na medida certa) e a presença do ator Fernando Alves Pinto, o Lísias, o ator conseguiu passar toda emoção do personagem, é a melhor interpretação do filme. Outro destaque fica para a atriz Selma Egrei, como a mãe de André Luiz, presença verdadeiramente luminosa.
      Depois de ler tudo isso, esqueça, e veja o filme.

P.S. Não podia deixar de falar na presença das atrizes Chica Xavier ( irrepreensível) e de Aracy Cardoso ( notável).

sábado, 4 de setembro de 2010

Esse meio de transporte chamado elevador

     Para começo de conversa, eu vou confessar uma coisa: eu não gosto de elevadores. O ideal seria sair do meu apartamento voando, mas eu não tenho asas... Restam as escadas, mas como eu moro num oitavo andar fica difícil abrir mão completamente do elevador. Ainda mais que as escadas dos prédios (o meu particularmente) parecem que não foram feitas para serem usadas com muita frequência. Elas são escuras, íngremes. entulhadas de tralhas (geralmente lixo, móveis, caixas, etc), o que desaprova seu uso constante. Mesmo assim, sempre que posso faço uso delas para espanto de muitos, sobretudo do porteiro. Ele não entende como eu posso abrir mão do "conforto" de subir pelo elevador sem fazer esforço algum para subir ou descer pelas escadas.
     Pode ser que você more numa casa, sempre morou, sempre vai morar e nunca vai precisar usar esse útil, prático, porém, nada confortável meio de transporte chamado elevador. Eu sei que você pode achar estranho esse tipo de conversa. Mas falando sério, você acha normal todos os dias, por várias vezes, entrar numa caixa apertada (raramente são largos) sem grandes atrativos (só os fatídicos espelhos que são para dar a impressão de que você tem um sósia) acompanhado de pessoas que, por mais que você as encontre todos os dias, não passam de estranhos e, como você, tudo o que querem é ganhar a rua o mais rápido possível e se livrar daquele incomodo? Pode dizer que acha normal, eu não vou estranhar nem um pouco. Afinal de contas, esse de tipo de invenção existe para facilitar a vida de todos e como os prédios estão ficando cada vez mais altos é pouco provável que algum dia eles deixem de existir.
     Sei que a essa altura você deve estar pensando que eu sou um daquele tipo que morre de medo de andar nesse referido meio de transporte, mas não. Eu não tenho medo de elevador. Pelo contrário, acho que é uma bela invenção. Só que para ser usado sozinho ou acompanhado apenas por pessoas conhecidas. O que, para mim, torna o elevador um meio de transporte inviável é justamente o fato de que você está sempre acompanhado por alguém que você não conhece ou conhece muito pouco e numa proximidade muito grande, que quase beira a intimidade.
     No elevador você fica tão próximo das pessoas que praticamente sente a sua respiração, seus batimentos cardíacos, seus odores, o que gera muito desconforto. Não fosse isso, têm ainda os diálogos travados durante a "viagem". Geralmente começam com um "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" que se não for respondido em alto e bom som  imediatamente leva o "educado passageiro" a repetir o cumprimento em voz mais alta e forte ou protestar classificando você de grosso e mal educado. Essa regra de responder ao cumprimento não pode ser quebrada em hipótese nenhuma. Cumprimentos mais descontraídos como "oi" ou "olá" são terminantemente proibidos e não são respondidos. Fica como se você não tivesse dito nada, ou seja, você é grosso e mal educado mesmo.
     Depois disso passamos aos comentários gerais. Aqui se passa a falar do jogo de futebol, do capítulo da novela, do tempo ("Parece que vai chover..." "É parece..." Se está um dia de sol o comentário passa a ser a praia e se o passageiro (a) pode ou não curtir aquele dia... "É duro a gente ser trabalhador(a)...") Não importa o quanto você se interesse se vai chover, se o capítulo da novela foi emocionante ou não, se o Flamengo (sempre ele) ganhou ou perdeu, os comentários vêm e se você não falar qualquer coisa pode até ser atirado fora do elevador. Ou seja, esse meio de transporte tem regras claras. Não se entra num elevador assim de qualquer jeito, é preciso seguir as regras. Pensa que é só aquela história de elevador de serviço, conduzir bicicleta, andar sem camisa, roupa de banho... As regras vão muito além disso.
     Agora, o que me incomoda  mesmo são as conversas de elevador. Aquelas em que os interlocutores falam de assuntos que são apenas do conhecimento deles numa conserva interminável cheia de detalhes, ignorando a presença das outras pessoas. Isso é a morte. Fico imaginando que essas pessoas deixam todos os seus assuntos para tratar dentro do elevador e, uma vez fora deles, nada mais têm para conversar. Ou vai ser que elas só se encontram no elevador. Isso quando não estão ao celular, aí prepare para saber toda a vida do passageiro com direito a xingamentos, impropérios, etc.
     Diante disso, tomei a decisão de, nesta eleição, só votar no candidato que representar a classe dos "passageiros de elevador".

    

sábado, 28 de agosto de 2010

Abaixo ao horário de propaganda eleitoral

     É difícil entender como algo tão, digamos, odiado por todos continue existindo e, o que é pior, sem nenhuma perspectiva de acabar um dia. Um doce para quem adivinhar do que é que eu estou falando. Acertou na mosca quem disse que é o horário de propaganda eleitoral, esse "programão" que a despeito de agradar ou não, estar bem na audiência ou não, duas vezes por dia toma de assalto nossos rádios e televisões com o único objetivo de tentar (é preciso lembrar que quase sempre conseguem) nos enganar com suas mentiras, falsas promessas, e tapeações.
     Nesses programas pessoas, a maioria delas ilustres desconhecidos, mas tem também nossas queridas figurinhas carimbadas que somem durante o mandato e ao final deste retornam para nos pedir mais quatro anos de emprego com ótimo salário, aparecem no vídeo da televisão ou nas ondas do rádio dizendo o que o mundo está perdido, que nada presta (o custo de vida está nas alturas, a violência cresce a cada segundo, falta emprego, habitação, transporte, moradia, a fome graça, é o caos) e somente aquela figura patética que se encontra agora falando coisas que você provavelmente não está interessado em ouvir é que tem a solução.
     Se você votar na figura todos esses problemas estarão automaticamente resolvidos, diz o cínico sem sequer se dar ao trabalho de acreditar naquilo que está falando. No geral, são pessoas que declamam textos mal decorados de forma monocordia com plataformas esdrúxulas procurando desesperadamente um nicho da sociedade do qual se dizem legítimos representantes. Segundo a visão que tentam passar taxista vota em taxista, ferroviário em ferroviário, judeu em judeu, católico em católico, gay em gay, hetero em hetero e vai por aí...
     Pouca coisa faz sentindo. Nada de verdadeiramente consistente é apresentado aos eleitores que se arriscam em assistir a esses programas. Os partidos maiores apresentam grandes produções onde seus canditados (as tais figurinhas carimbadas) aparecem como se fossem grandes personalidades pelas quais o povo clama e segue pelas ruas. "Como eles não apareceram antes para nos salvar", pode de repetente aparecer numa boca falsamente arrebatada pela figura que ora se exibe. Criancinhas (essa cena é velha) são levantadas para o alto como prova de que o candidato é mesmo um pai, um pai preocupado até com aqueles que ainda nem votam. Já viu desprendimento maior? É claro que não.
     Não sei se já deu para reparar que a criança levantada para o alto surge, quase sempre, dos braços de um pai ou mãe de aparência humilde, alguém do povo,  eleitor que aquele candidato quer atingir. Ou seja, nada de novo. E se alguém tem a leve esperança de que desses "bonecos" que se apresentam sairão deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores ou presidente da república que realmente representem os anseios do povo, que vá realmente nos representar, parece estar enganado. Campanha politica continua a ser apenas a oportunidade que alguns têm de arranjar uma ocupação rendosa, ou seja, cargo político é emprego. Qualquer coisa que se diga em contrário é enganação.
     Resta aqueles que usam a campanha política para aparecer (quase todos) e se candidatam para cargos que não têm a menor chance e acabam sendo apenas figuras engraçadas. Desses, pelo menos, podemos dar boas risadas sem se preocupar com o mal que eles viessem a nos fazer caso fossem eleitos.

sábado, 21 de agosto de 2010

Cachorro leva dono para passear.

    Sei que onze em cada dez pessoas adoram animais, principalmente cachorros. E essa estatística não é difícil de ser comprovada, basta dar umas voltas pelas ruas da cidade. Não é preciso andar muito para encontrar a dupla (dono e cachorro) passeando, tranquila e distraidamente. Até aí, nada de mais. Você que conseguiu ler até já deve estar se perguntando: "qual é a novidade? Onde esse cara quer chegar?" Calma! Eu não quero ir muito longe. Apenas quero deixar claro que vou sozinho, não levo cachorro ou qualquer outro animal que não eu mesmo. Embora também queira deixar claro que nada tenho contra esses animais que são conhecidos como os melhores amigos do homem. Pelo contrário, eu até devoto a eles uma grande afeição, e por que não dizer, admiração? É isso. Na verdade, o que sinto pelos cães e cadelas com os quais encontro todos os dias pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro, é uma grande admiração. Digo isso, para não dizer que o que sinto mesmo é dó, pena, compaixão...
     Deve ser muito dura a vida dos referidos bichanos que são arrastados ruas à fora pelos seus donos que, insensíveis a qualquer apelo dos animais, os obrigam a andarem pelas ruas e parques apenas para que eles cumpram seu papel de donos de cachorro e respondam àquela pergunta que não quer calar: você já seu levou seu cão para passear hoje? Em nome do cumprimento dessa obrigação de dono de cachorro (será que eles têm outra?) saem por aí desabaladamente sem ter sequer noção de que o pobre do animal tem vontade própria.
     Não fosse isso, ainda tem o agravante de que, não raro, donos de cachorro não tem nenhum tipo de preocupação com a limpeza das ruas, pois permitem que seus animais urinem e defequem nelas e, embora existem honrosas exceções, deixam o resultado disso pelo caminho e continuam o passeio  como os mais justos dos mortais. Quando alguém um pouco mais exaltado faz algum comentário ou reclamação reagem ora de maneira agressiva e mal educada ou colocam a culpa no animal dizendo: " nossa, fulano (o nome do animal), você fez isso? O papai (a mamãe)(?) já não disse que aqui não é lugar para isso, seu porco?" Geralmente terminam de dizer o texto repreendendo fisicamente o animal para que o reclamante veja que ele(ou ela) é um cidadão(ã)  muito consciente, o cachorro que não aprende a se comportar como ele ensina. Tenho a leve ideia de que fazem isso de propósito, pois nesse momento o reclamante (outro que tem grande admiração pelos aludidos animais), por ver o animalzinho ser maltratado, se arrepende de ter feito a reclamação e sai apressado se martirizando. Depois o dono de cachorro segue sem nada fazer em relação às fezes do animal que, a essa altura, já foi pisada por um sem número de passantes e virou uma mancha na calçada. Mancha essa que foi fazer companhia a muitas outras que já existiam.
     Isso me leva a acreditar que não são os donos que levam seus cães para passear e sim, o contrário. Acredito, sem querer ofender ninguém, que os cães são mais educados que seus donos, por isso mais preparados a levá-los a passear pelas ruas. Uma coisa eu tenho certeza, eles não permitiriam que seus animais urinassem e defecassem pelas ruas. Só falta recomendá-los a proibir seus donos de fumarem tanto enquanto passeiam.

sábado, 14 de agosto de 2010

A cura do espírito

     Outro dia falei aqui sobre a cura do corpo, falei sobre a necessidade de buscarmos curar o nosso corpo através de meios que não sejam tão invasivos, que não agridam tanto. Porque, na verdade, muitos remédios causam mais males que benefícios. Além, é claro, do grande risco que corremos de nos tornar dependentes e, a partir daí, estarmos diante de um novo e assustador problema. Por isso, volto a falar na possibilidade que temos de buscar "curar" nosso corpo através de meios naturais e, principalmente, através da educação alimentar, e educação física. Comer de forma saudável e praticar exercícios regularmente são os caminhos que nos levam a cura do corpo.
     Porém, isso de nada vale se não procurarmos ter uma boa saúde espiritual. Eu sei que para muita gente é só falar em saúde espiritual ou coisa parecida que logo dizem que estão "fora", que não vieram ao mundo para viverem  como monges, fechados para as coisas boas que esse mundo oferece. Não é nada disso. É claro que esse tipo de pensamento é o que corre por aí. Frases como: você tem que aproveitar cada minuto como se fosse o último; só se vive uma vez; não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje, estão aí para fazer apologia ao consumismo, à pressa, ao imediatismo, ao materialismo, nos afastando cada vez mais do nosso lado espiritual que é a nossa essência. Afinal de contas fomos criados por Deus como espíritos, o corpo veio muito depois e como sabemos desde os primórdios, é perecível.
     Por isso, antes mesmo de cuidarmos de nosso corpo, devemos cuidar do nosso espírito e uma vez que nosso espírito esteja saudável, o nosso corpo vai "perceber" isso tornando-se saudável também. Acho que não é demais dizer que toda doença é uma desarmonia do espírito. Primeiro ficamos doentes espiritualmente e só depois essa doença se manifesta em nosso corpo. E isso causa muita dor e sofrimento, pois logo que nos sentimos doentes procuramos apenas tratar do corpo quando, na verdade, devemos fazer as duas coisas juntas: tratar do corpo e do espírito e assim nos livrarmos daquela desarmonia.
     E qual é a maneira de mantermos o nosso espírito saudável? O primeiro mandamento é o pensamento positivo, pois ele funciona como uma proteção contra a chegada e instalação do seu contrário, o pensamento negativo. E o que é o pensamento negativo? É tudo aquilo que nos coloca para baixo, que nos diminui diante de Deus (o sagrado), de nós mesmos e do mundo ( os outros). Todo pensamento de inveja, raiva, ódio, rancor, mágoa, ironia, mesquinharia, maldade, discórdia nos torna prontos para receber o mesmo de volta. A vida é troca. Sempre recebemos de volta aquilo que doamos. Então é mais inteligente doarmos amor, paz, compreensão, harmonia, desejos de saúde. bem estar e tudo aquilo que desejamos para nós e para aqueles que amamos, não é mesmo?
     Outro mandamento importante é termos consciência de que não nascemos do acaso, somos crias de um Deus amoroso e que nos quer sempre bem e que não percamos a ligação com Ele. E essa ligação se faz através da profissão de um credo, seja ele qual  for, que geralmente nos é passado pelos nossos pais ou descobrimos pela vida a fora. Mantermos ligados ao Pai nos faz sentir em harmonia com a vida, com o cosmos, com a natureza e com tudo aquilo que nos rodeia. Todos os dias ao se levantar faça um compromisso consigo de manter uma postura positiva diante da vida e se algum revés acontecer lembre que Deus tem muitas maneiras de falar com a gente. Ande como uma criança, de mãos dadas com o criador,

Paz e saúde para todos.

sábado, 7 de agosto de 2010

Somos realmente livres?

     Quando eu era criança (e isso foi há muito tempo) passava uma propaganda na televisão cujo gingle dizia mais ou menos o seguinte: "Liberdade é uma calça velha azul e desbotada que você pode usar do jeito que quiser. Não usa quem não quer." Lembro que eu assistia extasiado a essa propaganda, porque além de gostar da música, de seu visual colorido (de certa forma apenas imaginado, pois a televisão em questão era preta e branca) com jovens felizes numa caminhonete (ou coisa parecida) a rodar pelos campos, gostava mesmo era ouvir falar na tal de liberdade. A palavra liberdade cantada na música vinha de encontro com um anseio meu de ser livre, dono do meu próprio destino.
     Meus pais, sobretudo minha mãe, eram muito severos. Eles mantinham, a mim e a meus irmãos, sob rédea curta, como gostava de dizer minha mãe. Então ouvir naquela propaganda um conceito tão simples de liberdade me deixava qualquer coisa entre confuso e esperançoso. A qualquer dia eu poderia envergar uma calça velha e sair pelos campos livre como um pássaro para longe da repressão dos meus pais. Doce ilusão de uma criança que não sabia nada da vida. A tal calça velha azul ( calça jeans)  e desbotada era apenas uma forma lúdica de falar de liberdade, principalmente naqueles tempos de ditadura militar, e  estava longe de representar qualquer atitude concreta de liberdade.
     Sei que a essa altura você deve estar perguntando: "Que diabos esse cara está tentando falar com essa conversa mole?" Calma, não precisa tanta pressa. A gente chega lá. É que eu tenho pensando muito nos últimos tempos sobre o fato de se realmente somos seres livres e se essa liberdade é mesmo tão ampla, geral e irrestrita como prometia ser (será que foi?) a anistia que tentava acabar com a ditadura militar de que falei acima.
      A minha opinião é que não somos livres e se às vezes vislumbramos algum tipo de liberdade ela não é nem tão ampla nem tão irrestrita assim. É o que eu chamaria de uma liberdade meia-bomba, de "araque", como diriam outros. Somos, na verdade, pessoas presas a conceitos, padrões de comportamento, grupos, empregos, ideias e estamos sempre adiando para o futuro o dia em que  vamos dar nosso grito de liberdade e viver à nossa maneira, longe de tudo aquilo que nos prende e escraviza. Até lá vamos vivendo com a liberdade que podemos contar, ou seja, quase nenhuma. Embora crentes de que somos os seres mais livres que já pisaram sobre a terra. Ledo engano.
       Somos escravos do trabalho, precisamos ganhar nosso pão de cada dia, senão morremos de fome, ou seremos apontados como vagabundos, sanguessugas, parasitas e corremos o risco de parar no meio da rua onde nos tornaremos mendigos. Esses sim, os únicos a viver uma certa liberdade, mas vocês sabem a que preço, não é? O preço de não serem  escravos da moda ( é preciso estar em dia com ela), do peso ( olha essa "gordurinha" aí!), da aparência (você tem que ser bonito(a) ), do sucesso ( você tem que ser bem-sucedido), da ditadura do consumo (você tem consumir tudo o que lhe oferecem, tenha ou não condições para isso) e tudo o que cerca os "livres" de nossos tempos. Eu, pelo meu lado, ainda continuo cantando aquele gingle: "Liberdade é uma calça velha..."

sábado, 31 de julho de 2010

A cura do corpo.

     Vivemos numa época em que cada vez mais se fala de meios alternativos de buscar uma vida melhor e mais saudável. Muitos são os meios e todos estão disponíveis para todos, basta querer buscar, ler e se informar. Além de toda uma cultura passada de pai para filho, de geração em geração. Quem não tem ou teve um avô, avó ou qualquer parente versado em chás ou garrafadas? Muitos de nós, não é mesmo? Fora isso, existem muitos livros e revistas que tratam do tema, prontos a informar a quem queira penetrar nesse mundo mágico.
     Outro vasto campo de pesquisa é nossa amiga Internet. Os sites de busca e pesquisa estão aí para isso. Difícil é decidir para que lado seguir pesquisando. Deixando de lado mentiras e puras invenções (é sempre necessário estar atento), há um campo vasto e pode-se encontrar verdadeiros tesouros. Em sua maioria trata-se de coisas simples e corriqueiras que nós deixamos para lá porque acreditamos serem apenas lendas ou coisa de gente ignorante. Estamos sempre prontos a colocar em dúvida qualquer coisa que não seja cientificamente provada mesmo sabendo de experiência própria da eficácia de um chá ou de uma simpatia ensinada por uma pessoa mais velha.
     Pelo outro lado, estamos sempre prontos a ingerir qualquer medicamento receitado por qualquer médico, farmacêutico ou balconista de farmácia. Não importamos se eles são ou não pessoas habitadas para isso ou se estão mesmo interessados que nos curemos do mal que sofremos ou apenas querem vender mais um medicamento e aumentar o lucro da indústria farmacêutica.
      Embora essa seja uma questão bastante complexa e que necessita de ser vista com bastante cuidado, não temos aqui a intenção ou capacidade de fazer um julgamento. Quero apenas trazer a baila um lado da questão: outro dia fiquei um tanto assustado de ver uma conhecida ingerindo calmantes dizendo que não consegue viver sem eles por causa da vida agitada que leva. Diante disso, fui levado a pensar no número de pessoas que usam remédios para enfrentar o dia-a-dia, passando suas vidas praticamente dopados. Isso é um absurdo! Não podemos tomar esse caminho. Não sou médico nem nada parecido, mas tenho certeza que esse é um caminho sem volta. A humanidade está cada vez mais se escondendo de si mesma através de remédios que prometem curar o corpo quando na verdade nada mais fazem do que criar mais doenças e a pior delas é a dependência.
     Trabalho num local onde as pessoas passam o dia disputando quem está mais doente que o outro, quem tem a doença mais grave, quem toma maior número de medicamentos ou quem vai mais vezes ao médico. Nenhuma delas não quer nem ouvir falar em formas alternativas de cura ou fazer algum esforço que não seja o de ingerir medicamentos, mesmo sabendo que eles fazem mais mal que bem. Ignorando que remédio não faz milagre, que antes de querermos curar o corpo precisamos buscar a cura de nosso espírito. E a porta da cura de nosso espírito é a nossa mente. Precisamos curar nossas mentes para que elas não adoeçam nossos corpos. Está aí o "mente sã, corpo são" que não me deixa mentir e que ninguém ignora, mas faz questão de esquecer.
     Vamos todos, num esforço conjunto, buscar a cura do nosso corpo através de atos simples como o de respirar corretamente buscando tranquilizar nosso corpo integrando-o à natureza, ao mundo que nos rodeia, buscando toda a beleza que nos rodeia, a beleza que vem dos outros e aquela que parte de nós. Fiquemos todos tranquilos e em paz. Quem sabe assim não descobrimos que saúde também é um estado de espírito?

domingo, 25 de julho de 2010

Passando como um rio.

     Outro dia falei aqui sobre as amizades que, por uma razão e outra, tive que interromper. Falei da dor que essa interrupção, tenha sido ela voluntária ou não, muitas vezes me causou. Isso me levou a uma outra reflexão: vale a pena ir atrás de relacionamentos seja de amor ou amizade que vivemos no passado para tentar reavê-los? A conclusão a que cheguei foi que não, não vale a pena. A vida vive-se para frente, como um rio que nunca volta a irrigar novamente as terras por onde passou, que segue sempre o seu curso cujo  destino é o grande oceano. Assim acredito que somos nós.
     Talvez não seja boa ideia fazer o caminho de volta, sobretudo quando temos a clara intenção e desejo de reviver tudo o que se viveu num passado próximo ou distante. Falo isso porque vive esse tipo de experiência de maneira bastante dolorosa. 
     Nasci em Ibiá, pequena cidade do interior de Minas Gerais, de onde saí "em busca de melhores oportunidades na vida", creio, como qualquer jovem que nasce numa cidade que oferece poucas oportunidades de trabalho e progresso na vida.
     Até aí, nada de mais, não é? Isso acontece todos os dias em todos os lugares do mundo. E como qualquer pessoa que deixa sua cidade natal, no início eu voltei algumas vezes. Confesso que eu não fazia a menor ideia de como é difícil deixar para  trás a família, amigos, vizinhos e até mesmo a paisagem, as ruas, o cheiro da cidade, enfim tudo o que diga respeito àquela vida que você está deixando para trás. Sofri muito, tentei voltar muitas vezes. O tempo passou e acabei ficando.
    Não preciso dizer que enfrentei muitas dificuldades e que isso me afastou de Ibiá. Fiquei muitos anos sem aparecer por lá e sem dar muitas notícias; só o bastante para saberem que eu estava vivo, que estava tudo bem comigo. Um belo dia bateu uma saudade daqueles ares e, como as coisas tinham dado uma melhorada, resolvi ir até lá para rever o pessoal. Fui cheio de amor para dar, certo de que (ingenuamente) encontraria braços abertos e belos sorrisos nos lábios de todos, felizes com a minha "volta".
     Nem tanto. Encontrei pessoas que talvez até estivessem felizes com a minha volta, mas o tempo tinha passado. Elas não eram mais as mesmas, nem eu era mais o mesmo. Posso dizer que chegou a ser constrangedor. Aquela alegria toda, aqueles abraços só existiam na minha cabeça. Eu criei uma fantasia onde as pessoas continuavam as mesmas de antes, mas como o rio, que embora pareça que está sempre no mesmo lugar, elas passaram. Algumas envelheceram, constituíram famílias, desfizeram famílias, mudaram-se como eu para outros cantos e até morreram. As que ficaram não tinham os mesmos objetivos de antes, mudaram por dentro e por fora, como eu. Afinal, eu também não era o mesmo jovenzinho que deixou aquele cidade.
     Por essa experiência passei a acreditar que é preciso pensar bem antes de sair por aí tentando resgatar o passado em busca de pessoas, momentos felizes (ou não) que vivemos. Que cada um de nós, sem magoas, rancores sejamos como o rio que passa, não por acaso ou capricho, mas porque tem como objetivo maior o grande oceano.

Deus nos proteja. 

sábado, 17 de julho de 2010

Amizades interrompidas

      Hoje,17 de julho, um sábado, o dia amanheceu chuvoso no Rio de Janeiro. Nada de se surpreender, há dias o tempo anda meio assim mesmo; chuva e um frio que convida ao recolhimento. Nada melhor nos dias frios do que ler e pensar. E pensando fui dar naquele recanto da mente aonde ficam guardadas nossas lembranças; algumas boas e felizes, outras, nem tanto. Entre elas, a lembrança daquelas pessoas que passaram pela minha vida e que hoje não vejo mais, das quais não tenho notícias se estão vivas ou mortas, se estão bem ou se passam por algum problema. Pessoas que em algum momento da minha vida estiveram muito próximas de mim, fosse por motivo de trabalho, moradia, amizade ou mesmo envolvimento amoroso.
     Não sou nenhum "Matuzalém", mas já vivi o bastante para já ter me despedido de muita gente. Algumas, aquelas que a morte levou, que vejo apenas em sonho ou verei num futuro que acredito esteja distante, e aquelas que, embora continuem "vivinhas da silva", não vejam e , provavelmente, não verei mais. Algumas foram por decisão própria. Em algum momento, por um motivo ou outro, eu (ou elas) decidi que não as veria mais. É, isso acontece. Às vezes as amizades tomam caminhos muito estranhos e é preciso que se coloque um ponto final, da mesma maneira que a gente bota um ponto final num relacionamento amoroso, mesmo ainda amando (ou pensando que ainda ama) aquela pessoa. Na amizade isso também acontece. Amizade é um relaciomento como outro qualquer. Quando se percebe que os objetivos não estão pelo menos parecidos, quando  há muita divergência de opiniões e atitudes, é preciso pensar se está valendo a pena mantê-la ou se é mais prudente um rompimento, um afastamento temporário ou definitivo.
     Sei que parece estranho eu estar falando assim, mas é justamente o que acontece. Comigo já aconteceu várias vezes. Não foram poucas as vezes que tive que tomar a decisão de me afastar de um amigo ou amiga cuja a amizade não estivesse sendo correspondida da maneira que eu desejava. É possível que você esteja pensando: "Nossa, que cara egoísta!" Não acho que seja egoísmo querer ter um relacionamento saudável, baseado no respeito mútuo. Tal como nos relacionamentos amorosos, é justo querermos ter nossos sentimentos correspondidos. Por isso, sou da opinião que devemos nos afastar daqueles que não correspondem às nossas expectativas, que nos magoam, chateiam e aborrecem com suas amizades fingidas, interesseiras e até desleais.
     Mas... Tudo tem um "mas". E lá vem ele: mas ninguém é de ferro. Tem dias que bate uma saudade, um arrependimento de não ter tentado mais, de não ter dado uma última chance... Hoje é um daqueles dias. Estou pensando naquelas pessoas das quais, por um motivo qualquer, eu tive que me afastar. É para elas que quero falar. Não vou citar nomes, afinal foram tantas. Pessoas de todos os lugares onde vivi. Falo também daquelas das quais eu me afastei meio como aquele marido que foi comprar cigarros e nunca mais voltou. Talvez dessas eu sinta mais saudade, porque não houve um motivo para o afastamento. Eu apenas atravessei para a outra margem do rio, prometendo que voltaria sempre que desse, e nunca mais voltei. Pelo menos não voltei até agora. Para elas, desejo tudo de bom. Quem sabe um dia ( nesta vida ou em outras vidas) possamos nos reencontram e refazer juntos esse caminho interrompido? Caminho que de qualquer forma teremos que fazer um dia. Apenas adiamos. Até lá fica a saudade e uma sensação de que era preciso ter tentado mais.

Deus os proteja.

domingo, 11 de julho de 2010

Caso Bruno do Flamengo ou a queda de um anjo.

     Todo mundo sonha em ficar rico e famoso, ganhar muito dinheiro e se tornar um vencedor na vida. Existe alguma coisa de errado nisso? Não. Não existe nada de errado em querer o melhor para nós e, aliás, todos devemos pautar nossas vidas exatamente por esse lado: desejar o melhor e lutar por isso. Analisando, num primeiro momento, a história de vida do goleiro do Flamengo, Bruno, é isso que vemos, não é? Dá até para imaginar ele criança sonhando com o dia em que, adulto, defenderia a camisa de times como o Corinthians e o Flamengo. Ele conseguiu. Ele chegou onde, embora todos sonhem, poucos (muito poucos) chegam.
     Dando asas à nossa imaginação podemos pensar que ele estaria feliz da vida vivendo num verdadeiro oásis, longe dos problemas que nós, simples mortais, vivemos. Nada disso. Clichê ou não, dinheiro e fama não trazem felicidade. Como diria o poeta, também mineiro, Carlos Drumont de Andrade, havia uma pedra no meio do caminho. Em sua corrida para cima e para alto, o jogador não viu, ou não quis ver, a pedra. Ou teria ele mesmo criado a sua pedra de tropeço? Nesse caso  "a pedra"  não é necessariamente um caso amoroso fortuito. A pedra é a vaidade que toma conta daqueles que são bafejados pela sorte, os escolhidos. Como os reis do passado, eles passam a se sentirem como verdadeiros enviados de Deus, quando não se sentem, eles mesmos, deuses ou semideuses.
     É sobre isso que eu quero falar. Não cabe a mim dizer se esse rapaz é culpado ou inocente. Esse é um problema da policia e da justiça. O que quero falar é sobre o lado espiritual da questão, os nossos passos na terra. Não acredito que nasçamos todos com nossos destinos previamente traçados, com tudo determinado; esse vai ser bom, justo e honesto; aquele vai ser um assassino cruel. Nada disso. A cada vez que nascemos aqui na terra meio que zeramos nossos erros passados e assumimos o compromisso de sermos mehores. Nascemos todos marcados com o amor de Deus em nossos corações.
     Durante algum tempo somos educados por nossos pais  ou responsáveis, mas um dia crescemos e passamos a ver a vida com os nossos próprios olhos, a andar com nossos próprios pés, a ser guiados por nossa própria cabeça. E aí que nossa personalidade vai falar mais alto, pois quase sempre a impomos aos outros. Nesse momento podemos confirmar o compromisso de seguir nossa escalada para a luz (o conhecimento, o entendimento) ou se vamos repetir os erros das vidas passadas.
     Eu sei que falando assim tudo parece muito fácil. É claro que não é. As coisas não acontecem de maneira clara, tudo as vezes é muito subjetivo. Depende muito do nosso adiantamento moral e espiritual para entendermos as "entrelinhas" dos acontecimentos. E coube a esse rapaz um dos, digamos, carmas mais difícil: o da facilidade com o dinheiro, fama e prestígio. Muitos usam esse benefício dado por Deus para construir uma vida digna e admirável, mas outros capitulam atraindo para si energias destruidoras, pessoas interesseiras, infladores de ego. Diante disso, somado com seus próprios defeitos, a queda é certa.
     Como falei no início, todos desejam fama, dinheiro e poder, mas poucos sabem lidar com isso. Por isso, além de fama, dinheiro e poder, devemos desejar também ter sabedoria para saber lidar com eles para que não nos sirvam de queda.

Bom domingo e que Deus nos proteja a todos, com alegria.

sábado, 10 de julho de 2010

Hora de mudança

     Todos nós, em algum momento de nossas vidas, somos ou fomos influenciados por alguém. Em muitos casos essa influência foi tão forte que chegamos a confessar que seríamos iguais àquela pessoa quando crescêssemos. Essa pessoa pode ser o pai, a mãe, a professora, o artista famoso, o padre da paróquia, o músico da praça, ou seja, qualquer pessoa que  tenha despertado em nós algo de mágico, de inexplicável que costumamos chamar de admiração.
     Muitos de nós pautamos nossas vidas nesse algo mágico e passamos a viver em função daquilo. O filho do advogado ou médico que quis ser como o pai quando crescesse tudo fez para seguir os passos do seu modelo e assim aconteceu (ou acontece) com todos os outros. O menino que admirava o padre e quis seguir seus passos foi em busca de seus sonhos. Todos tentamos seguir o nosso modelo.
     Porém, o tempo passou. Muitos sonhos se tornaram realidade e outros não. Meninos que sonhavam com a medicina hoje são médicos, ou quem sabe?, são pacientes. O sacristão pode ser hoje um bispo, mas também pode ter se tornado um ateu convicto que jura que Deus não existe. Tudo pode ter acontecido, tudo pode acontecer. E pode ter chegado a hora de rever o modelo, rever os planos que traçamos para as nossas vidas. Porque, o tempo  passa. Nós mudamos. E como mudamos, não é? Chegamos a ficar irreconhecíveis para nós mesmos. Isso não significa que pioramos. Muito pelo contrário, acredito que sempre melhoramos, mesmo quando não realizamos ou cumprimos os planos que traçamos para o nosso futuro. Planos que muitas vezes nem eram nossos. Eram influências e até uma forma de agradar aqueles que nos eram caros, uma forma de mostrar o quanto os amávamos.
     Só que nós crescemos. Hoje adultos olhamos para traz e tentamos recuperar as pegadas daquele (a) garoto (a) que agora só existe dentro de nós. As pegadas foram apagadas pela ação do tempo e não há como voltar atrás e o que nos resta e criar novas pegadas, criar um novo caminho e por que não mudar o modelo que seguimos até agora? Não importa se deu certo ou não, se fomos até certo ponto, se desistimos no meio do caminho. Ah!, e tiveram aquelas barreiras intransponíveis, aqueles acidentes de percurso. Não importa. Que tal se refizéssemos todos os planos, que reformulássemos as nossas vidas seguindo os ditames do nosso coração evitando qualquer influência externa, ouvindo apenas a voz da nossa alma? Assim poderíamos ver o médico decidir virar carpinteiro; o padre converter-se ao espiritismo, sem deixar de ser padre; o judeu render-se ao catolicismo e aceitar Jesus como o filho de Deus, o Messias; o professor virar um dançarino. Tudo é possível.
     O que não podemos é ficar presos a antigos conceitos e fórmulas que não funcionam mais ou que já deram o que tinham que dar. É claro que também acredito que muitos tiveram a sorte e acertar nas suas escolhas e foram ( e são) felizes para sempre. Felicidade existe. Mas até os felizes também gostam de trilhar novos caminhos, criar novas pegadas.

domingo, 4 de julho de 2010

Pequenos gestos.

     Outro dia, do alto da minha janela, assisti a uma cena que me fez pensar. Não se tratou de nenhum atropelamento, assalto, briga, tumulto, ou coisa parecida. Simplesmente uma mulher, aparentemente jovem, tirou da bolsa e começou a desembrulhar o que, provavelmente, seria um lanche. Logo pensei que ela iria jogar todo o material descartável pelo chão e partiria como a mais justas das mulheres. Cheguei mesmo a esboçar uma certa indignação: " Olha, que porca! É por isso que a cidade está tão suja." Mas, felizmente, queimei a língua. O julgamento foi apressado. Ela caminhou calmamente até uma lixeira e ali depositou o lixo que eu pensei que  jogaria na rua, demonstrando para mim que era uma cidadã civilizada e comprometida com a limpeza e organização da cidade onde mora.
     Ato simples e que deveria ser corriqueiro em nossa cidade, mas que, infelizmente, não é. Por isso, atitudes como a daquela moça acabam despertando uma certa admiração: "Nossa, ela é educada. Sabe que lixo é para colocar na lixeira. Que maravilha!" Talvez até merecesse ser condecorada com alguma medalha ou mesmo ser aplaudida de pé pelo seu ato.
     Brincadeira à parte, as pessoas continuam tratando nossa cidade como uma lixeira a céu aberto, ignorando qualquer apelo ao bom senso e à educação. Principalmente nesses dias de copa do mundo. Em nome de uma euforia, muitas vezes descabida, suja-se as ruas, polui-se o ambiente, sem culpa. Afinal, estamos (ou devemos estar) felizes. Depois os garis da Comlurb vêm e faz a limpeza. É o que, creio, pensam os que sujam por todos os lugares por onde passam.
     Está mais que na hora de todos nós nos conscientezarmos de que somos nós os responsáveis por uma cidade mais limpa e ordeira, que somos nós os responsáveis por um mundo melhor. Depende de cada gesto nosso, por menor e mais insignificante que seja, que esse planeta fique melhor. E que nossas atitudes não podem ser de um momento apenas, mas de todos os dias. A cada manhã quando acordamos temos que refazer o compromisso de fazer a nossa parte na melhoria desse mundo e isso inclui a limpeza de nossa cidade.
     Não conheço aquela mulher que vi pela janela de minha casa tendo uma atitude civilizada para com sua cidade, mas acredito que é de pessoas assim que o mundo precisa; pessoas que anonimamente fazem o seu papel de exemplo a ser seguido, porque a qualquer momento podemos estar servindo de modelo para os outros e todos queremos ser bons exemplos, não é?
    
    

sábado, 26 de junho de 2010

Nadando contra a corrente.

      "Nadando contra a corrente só para exercitar... ", canta o saudoso Cazuza em uma de suas memoráveis músicas. Contestações à parte, você, caro leitor, vai concordar comigo que nem sempre, nadar contra a corrente, é apenas um exercício bom para criar músculos. O poeta queria mesmo era falar das dificuldades que encontram aqueles que insistem em nadar contra a maré, quando o mais fácil, e mais comum também, é ir a favor da onda, de preferência, sem fazer muito esforço.
     Você deve estar se perguntando: "onde esse cara quer chegar com esse papo?" Não pretendo ir muito longe, pode ficar descansado. O que quero é falar daquele exército que todos os dias somos obrigados a enfrentar para poder continuar acreditando nas coisas que acreditamos. Falo de pessoas como eu e você que temos, ou procuramos ter, um comprimisso com o bem, a caridade, o amor ao próximo (aquele mesmo que Jesus nos ensinou), o respeito à vida, a tolerância às diferenças (opção sexual, cor, credo religioso, nacionalidade, time de futebol, classe social...)e tudo o mais que faz de nós pessoas dignas de compartilhar esse mundo.
     O exército do mal está sempre em ação seja na forma de um pedestre ou usuário de rua (leia-se camelô, transeunte ou morador de rua) sujando-a, um adulto maltratando uma criança, um motorista de ônibus negando-se a parar para um idoso, um guarda, em nome da boa ordem pública, apreendendo a mercadoria de camelôs que afirmam estar nas ruas trabalhando para conseguir o sustento da família, um motorista avançando o sinal sem se preocupar com o pedestre, descaso, abandono, depredações do patrimônio público e privado, manchetes de jornais anunciando golpes e mais golpes de políticos e bandidos engravatados, chuvas que inundam, invadem casas e matam; tudo, enfim.
     A cada passo somos colocados à prova, como se perguntassem em tom de zombaria: "e aí, você ainda vai insistir em bancar o bonzinho"? Mesmo com tudo isso é preciso continuar firme no propósito de ver esse mundo cada vez melhor. Apesar da sensação de estarmos "nadando contra a corrente", o importante é não desanimarmos. Vale a pena continuar nossa luta. Não podemos desistir. Já pensou o número de vidas que gastamos nos capitulando a cada problema, deixando que o exército do mal vencesse e até mesmo fazendo parte dele? É melhor a gente não pensar muito nisso, não é? Perdemos muito tempo do outro lado, agora não podemos deixar essa chance passar; a chance de lutar por um mundo melhor.
     Quando vejo pessoas fazendo apologia do mal, dizendo que sou um bobo em ficar fazendo caridade, penso que também já fui assim, também já tive vergonha de fazer o bem (nessa e em outras vidas) por poder parecer fraco ou bobo. Por isso, apesar de tudo, sou tomado de piedade e peço a Deus que eles também acordem para uma nova visão da vida; aquela onde enganar, passar na frente dos outros, humilhar o seu irmão mais fraco, passar por cima dos sentimentos dos outros e trapacear são apenas sinais de fraqueza.

sábado, 19 de junho de 2010

Quem não ama não sofre.

     Sei que pelo título você pode imaginar que o blogueiro que vos fala foi flechado pelo Cupido (nossa! isso ainda existe?) e está aqui, completamente apaixonado, pronto para falar do amor que ora traz no peito. Êpa! Não é bem por aí. Arcaísmos à parte, o título é apenas o mote para eu falar de um outro assunto: aquelas pessoas que vivem sem nunca se entregarem de verdade nas coisas que fazem, com a velha desculpa de que não querem se envolver,com isso nunca se entregam apaixonadante a nada. Toda vez que são chamadas a participar, a dar a sua opinião, se esquivam e saem pela tangente.
     É bem verdade que com isso nunca ficam mal com ninguém e nem se envolvem em situações difíceis. Elas chegam a ser consideradas pessoas sensatas, de boa convivência e até boas amigas. Mas, espera aí, você, de verdade, falando sério, gosta de ter esse tipo de pessoa por perto? Olha, não vale ficar em cima do muro, bancar o "Poliana" (outra expressão antiga). Pensa direito, reflita. Sem querer conduzir a sua resposta, acredito que, no fundo, você prefere pessoas que tenham opinião própria, posição definida e que, elegantemente, digam aquilo que pensam. Mesmo que suas opiniões e ideias não sejam exatamente aquelas que as pessoas à sua volta esperam dela, mas que refletem, de maneira fiel, o pensamento delas.
     Particularmente falando, acredito que conviver com pessoas que têm posição definida, que se posicionam claramente diante das coisas, é muito mais fácil. Não sou chegado a ambiguidades. Gosto de clareza de pensamento, firmeza de atitude.
     Falo sobre isso, porque ultimamente tenho tido a falta de sorte de conviver com pessoas que não primam por falar ou fazer aquilo que realmente querem fazer ou falar. Vocês não imaginam como é difícil esse tipo de convivio. Chega a ser desesperador. Até porque ninguém precisa ser advinho para notar quando uma pessoa está sendo franca e honesta ou falsa e dissimulada, não é? Pessoas que acreditam que, por não assumirem nenhuma posição diante das coisas não vão se estressar, arrumar inimigos ou coisa do gênero. Até aí nada demais. Mas será que vale a pena viver dessa maneira  acreditando que quem não ama não sofre? Acredito que esse tipo de pensamento vai contra o princípio da vida: ao nascer assumimos todos os riscos possíveis. É claro que não vamos sair por aí dando nossa opinião sem que ela seja pedida ou
necessária, mas vamos deixar registrada nossa opinião sempre que possível.

domingo, 13 de junho de 2010

Você usa seu lado "b" com frequência?

     É comum ouvirmos no nosso dia a dia alguma pessoa dizer que, em determindada situação, foi obrigada a usar o seu lado b. Quer dizer, ela foi obrigada a lançar mão de atitudes consideradas politicamente incorretas para fazer valer a sua vontade ou mesmo se livrar de certa situação. Esse tipo de conversa geralmente parte de pessoas que se consideram boas, honestas, gentis e tudo o que manda o figurino no quesito "gente do bem" e que só tomam essas tais atitudes em situação muito extrema, em casos de vida ou morte.
     Será que isso é mesmo verdade? Esse nosso tal lado b ( se é que você tem esse lado, coisa que eu espero ser apenas uma deformação de "outras"  pessoas e que você, caro(a) amigo(a), esteja livre disso) só aparece mesmo nessas horas? Não estaremos usando essa desculpa para mostrar a pessoa que nós somos na realidade? Ou seja, no fundo somos verdadeiramente pessoas "lado b" e ficamos fingindo que somos humanos, educados e gentis para esconder nossa cara feia, nossos maus hábitos, nossas grosserias? Calma. Não estou aqui para julgar ninguém. Não tenho a intenção de provar que somos todos uns falsos e que o mundo está mesmo perdido, que nada mais tem jeito. Não é nada disso.
    Pois não é que dia desses me peguei usando essa expressão? Afirmei, para meu próprio espanto, que havia usado meu lado b ( e realmente o fiz)  para me safar de um colega de trabalho que tinha tentado me prejudicar. Só então tive consciência do que  fiz. Simplesmente, atencipei-me ao tal "colega" e desarticulei a intriga que armara contra mim.
     Para isso, tive que deixar de lado meu eterno "deixa prá lá" e partir para o ataque. Na hora deu até um sabor de vitória, mas depois fiquei com um grilo na cabeça: e se eu acabar gostando desse tipo de atitude e virar um eterno lado b? Já pensou? Afinal não me faltam oportunidades no meio em que trabalho e vivo. Não faltam oportunidades na nossa vida toda para "chutarmos o pau da barraca" e partir para a guerra, não é mesmo?
     Por isso fiquei muito espantado com a minha atitude. É bem verdade que eu não sou nenhum anjo, mas daí a sair para a briga... Graças a Deus, a coisa não rendeu além do que merecia e eu pude voltar à minha vida, digamos, normal: um cidadão ciente dos seus deveres e disposto a fazer uma forcinha para que o mundo, pelo menos à sua volta, não vire um verdadeiro "lado b".  Deus nos livre a todos.