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sábado, 30 de junho de 2012

O papel das religiões.

     É praticamente de consenso geral que as pessoas têm necessidade de ter alguma crença para poder viver neste mundo tão conturbado em que vivemos. Difícil pensar como é possível alguém viver sem acreditar em alguma coisa. Dá-se a impressão de que essa pessoa viva num eterno vazio, pois é preciso crer que esse nosso mundo foi criado por uma inteligência maior e que por conseguinte também criou a nos seres humanos e tudo mais que há.
     É isso que nos ensinam, .não é mesmo? Aprendemos desde cedo até os detalhes de como Deus criou o mundo. Basta ler a Bíblia, mais precisamente o livro da Gênese, para saber de tudo isso. Só que enttre o Criador e nós existem as religiões, ou até mesmo para ser preciso, existem as igrejas. A elas cabem o papel de conduzir a fé do povo e tornar, digamos, mais fácil a ligação entre as pessoas e Deus.
     Há quem ache isso discutível, que não temos necessidade de frequentar uma igreja ou religião para manter esse contato. Podemos, acreditam muitos, manter estreito relacionamento com Ele sem nos ligarmos a nenhum tipo de confraria. Sempre achei que isso fosse um certo escapismo de quem não acredita, uma forma de se justificar por não professar publicamente, ou  mesmo interiormente, nenhum credo e não correr o risco de ter pregado em si a pecha de ateu, agnóstico.
     Porém, o tempo foi passando, fui adiquirindo mais experiência de vida e tenho pensando muito nesse assunto. Quem segue algum de tipo de religião, seja ela qual for, deve estar entendendo o que estou querendo dizer com mais facilidade, até porque os que não seguem nenhuma já devem saber isso de cor e salteado.
     Tenho estado muito assustado com o relacionamento que as igrejas têm proposto entre elas (as igrejas), Deus e nós (os seguidores). Tenho percebido que est[ao todos um tanto quanto perdidos, sem saber muito do que falam e porque falam. Qualquer coisa se fala em proibição, em condenação, isso pode, aquilo não pode. Sempre baseiam tudo em explicações frouxas tanto para o que pode tanto para o que não pode. Não há muito coerência e sim um pragmatismo extremado: se o Papa ou alguma outra autoridade da igreja ou seita diz que pode, pode. Se por outro lado disse que não pode, não pode. Não se descute,cumpre-se. É assim na igreja católica, nas evangélicas, no espiritismo, no Candomblé onde quer que existam as conhecidas "autoridades".
     Não que eu seja contras essas autoridades, apenas acho que no caso das igrejas cristãs estamos cada vez mais distantes dos verdadeiros ensinamentos propostos pelo cristianismo. Todos sabemos que é bastante complexo entender exatamente o papel que as religiões desempenham na vida das pessoas, mas um papel nós sabemos que elas têm que é o de ligar o homem ao Pai e isso não pode ser feito baseado em regras estapafurdias e ritos vazios onde quem segue é considerado bom e quem não segue não merece salvação.

sábado, 23 de junho de 2012

Conviver: verbo difícil de conjugar.

     Ninguém tem dúvida de que conviver é um verbo de difícil conjugação. Não por apresentar anomalias que levem o falante a ficar sem saber se está falando certo ou errado. Não é isso. Conjugar o verbo, no caso, significa o dia a dia junto com outra (ou outras) pessoa. Passar com essa pessoa grande parte de seu dia ou mesmo encontrá-la apenas algumas, mas obrigatórias, horas.
     Creio que já me fiz entender. Não estou falando daqueles relacionamentos que escolhemos, daquelas pessoas com as quais estamos por que queremos. Falo daquelas convivência, digamos, forçadas. Seja em casa, no trabalho, no transporte, na igreja, não importa. Essas pessoas surgem nos lugares mais inopinados e quando vemos estamos convivendo com alguém desagradável e que sua simples presença nos suscita sentimentos com os quais não estamos acostumados a ter.
     Quando isto ocorre em lugares que podemos frequentar ou não e que deixar de fazê-lo não nos trará grandes problemas, é aparentemente fácil de resolver. Paramos de ir àquele lugar ou mesmo mudamos nossos horários, dias o que for para evitar que ocorram encontros com a dita pessoa. Afinal, todos os lugares são franqueados a todo mundo. Vivemos num mundo livre e todos têm direito de ir e vir, não é mesmo?
     Só que tem casos em que a coisa não é tão simples assim. Já pensou, apenas para dar um exemplo, que você se matricula  num curso que sempre sonhou em fazer e de repente se depara com um professor(a) com quem você não simpatizou-se por mais que tenha se esforçado? Chato, não é? Você esperou a vida toda e quando achou que era a hora certa de realizar o seu sonho se depara com alguém que parece estar disposto(a) a destruí-lo.
     Com certeza, não é fácil encarar uma situação dessas. Dá vontade de jogar por terra toda a sua educação e partir logo para a ignorância, abandonar o seu sonho, esperar por outra oportunidade ou fingir que não está acontecendo nada e continuar firme. Bem, cada um tem a sua reação e ninguém tem dúvida de que a melhor saída sempre é o diálogo, mas todos sabemos que em alguns casos é quase impossível. Muitas vezes quando se tenta conversar é que a coisa toma proporções inesperadas, tornando o convívio muito mais difícil.
     O jeito é manter a calma e analisar bem a situação. Se não for mesmo possível "conquistar" aquela pessoa e acabar com o clima ruim, o importante é lembrar que ninguém tem poder de destruir os nossos sonhos, planos, desejos. Devemos sempre manter acesa nossa fé em nosso potêncial e capacidade. Ao mesmo tempo, ninguém é obrigado a gostar de nós e nos tratar com simpatia. Porém, uma coisa é certa: todos devem ser tratados com respeito e consideração, independente de qualquer coisa.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Por trás de sorrisos e afagos.

     A arte teatral tem como marca duas máscaras: uma triste representando o drama e outra alegre representando a comédia. Aparentemente tudo parece muito fácil, não é? Mas não é bem assim. Essa foi uma forma encontrada de, digamos, simplificar as coisas. Afinal de contas, não nos dividimos apenas entre alegres e tristes. A gama de máscaras é muito  maior. Somos bem mais complexos e capazes de assumir as mais diferentes feições, algumas deles que nem nós mesmos podemos identificar a olho nu.
     Sei que você deve estar se perguntando: "Mas onde, diabos, ele quer chegar com esse papo? Calma. Eu explico: Além de ser ator e saber da infinidade de máscaras existentes, eu andei convivendo com pessoas que embora jurem por Deus que não são atores e que jamais pensaram em exercer essa profissão milenar, sabem como ninguém usar da grande gama de possibilidades oferecidas pela arte de representar. São os craques da arte da dissimulação.
     Na sua frente dizem maravilhas e se mostram capazes de qualquer coisa para lhe ajudar, agradar ou seja lá o que for.. Só que quando chega na hora.... Bem quando chega na famosa hora "h" a coisa  desanda. Tudo o que foi dito inicialmente é imediatamente esquecido e as dificuldades que antes nem poderiam ser imaginadas passam a linha de frente e tudo, mas tudo mesmo, passa a ser impecílio. E não pense você que são "coisas de outro mundo", nada disso, são bobagens como: "eu até tinha de dito que estava tudo certo, mas a minha gatinha, sim, a gatinha amanheceu doentinha e eu não tenho  com quem deixá-la".
     Pera lá, mas ninguém tinha falado, em momento nenhum, que existia uma "gatinha" no meio da historia. Muito menos uma gatinha doente. Aí, vem aquele pensamento: "Esse (a) cara tá tentando furar com você e resolveu usar a mais descabida das desculpas. Não dá outra: aquele compromisso importante que você tinha com aquela pessoa vai furar e você é trocado por uma gatinha doente.  Mada contra animais,  doentes ou não. Sei que você, apaixonado(a) por gatinhos (aquele animalzinho de quatro patas tão simpático), deve estar me achando um monstro, mas espero que você nunca tenha enfrentado a situação de ter uma compromisso furado em cima da hora.
     Nessa hora, dá uma vontade de partir para o pau e dizer um monte de verdades que a figura bem estava merecendo, mas sabe o que eu fiz? Nada. Aceitei a desculpa e parti para tentar resolver o problema de outra maneira. Claro que fiz me valer das tais máscaras. Nessas horas elas valem mais do que quando a gente está em cima de um palco. Até porque quebrar o pau no palco pode valer prêmio, mas  vida real você passa mesmo é por louco e mal educado e outra coisas mais. E a vida segue.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mãos.

     As mãos sempre foram uma parte do corpo que estiveram em destaque. Através delas muitos gestos se efetivam, muitas intensões são passadas, acima de tudo elas falam. Desde simplesmente estendê-las na direção de alguém em sentido de ajuda e apoio, mas também podem ser as mãos de batem, maltratam, ou seja, elas estão presentes nas situações mais diversas.
    Quem vai dizer que não é bom quando se está "caído" vislumbrá-las estendidas oferecendo aquela tão necessária ajuda? Muitos estão, nesse momento, à espera de que alguém faça esse gesto concreto em sua direção. Por falta dele muitos, incapazes de levantar por si mesmos pelos mais diferentes motivos, permanecerão estendidos no chão até que elas cheguem bondosas e salvadoras.
    Todos nós, vez ou outra, precisamos de uma "mãozinha", um "empurrãozinho" seja dos amigos, parentes, de conhecidos ou desconhecidos e dela: da sorte. A mãozinha da sorte é sempre esperada por todos. Ninguém é bobo de dispensar essa "mão" tão sonhada, desejada, mentalizada.
     Tem também a mão amiga, o trabalho a quatro mãos e algumas expressões bastante usadas no nosso dia a dia como: "me da uma mãozinha aqui". Trocando em miúdos, a mão está sempre presente em nossas vidas. Lembra  dos casais apaixonados andando de mãos dadas, a criança que é levada pela mão a dar os seus primeiros passos antes de ser capaz de andar por conta própria?
     Tudo isso coloca as mãos como símbolo máximo de ligação entre os seres humanos. Não é à toa que sempre que queremos nos unir num pensamento único alguém logo sugere que todos deem-se aos mãos.  Ou mesmo quando alguém pede que segure a sua mão num momento difícil que se está enfrentando. Assim se efetiva a união necessária em momentos cruciais da vida. As mãos dadas como símbolo de força. Através delas passamos energia, damos conforto, calor humano.
     Infelizmente, esse mesmo simbolo de amor e união também é usado para maltratar e destruir. Essas mesmas mãos podem bater, prender, matar. A decisão é de cada um. Por isso, temos liberdade de escolha, liberdade de ação.
    Que as mãos sejam apenas motivo de alegria e mensageiras de bons e construtivos gestos de paz, amor, compreensão, tolerância, respeito, solidariedade. Que sejam mãos que plantam, que semeiam, que irrigam solos secos e estéreis transformando-os em solos férteis onde tudo de bom se dá em abundância.

sábado, 9 de junho de 2012

"Meus inimigos me tratam melhor que você".

     E claro que a afirmação acima vinha recheada de uma boa quantidade de exagero. Na verdade, a coisa não chegava a tanto, mas também não estava longe assim. Ele não era exatamente o que se podia chamar de um gentleman. Ou até era. Só que com as pessoas da rua, aquelas que ele não conhecia ou as que via ocasionalmente como vendedores de loja, garçons, atendentes de lanchonetes, recepcionistas e até guardas de trânsito. Com todos Jurandir era um amor de pessoa. Não havia quem não comentasse:"como esse moço é educado."
     Com Meire, porém... Bem, melhor deixar a própria Meire falar:
- Conheci o Jurandir quando estava na faculdade. A gente fazia parte da mesma turma e ele sempre me chamou a atenção por ser muito calado, tímido mesmo. Aos poucos fui me aproximando dele e começamos um relacionamento. No início ele me pareceu educado, gentil. Mas com o tempo ele foi mostrando que não era bem isso. Passou a se mostrar irritado por qualquer coisa, a fazer grosserias. Depois ele pedia desculpas e dizia que não iria fazer aquilo de novo. Só que...
     Bem, Jurandir voltava a fazer grosserias, Meire ficava chateada e terminava o namoro. Jurandir chorava e prometia que aquela era a última vez. E assim os anos foram passando. Jurandir e Meire se casaram, tiveram filhos e Jurandir continuou o mesmo. Até que Meire, já não aguentando mais aquela situação, passou a questionar a sua relação com Jurandir. Afinal, o que era aquilo? Por que ela se submetia àquilo? Meire nunca foi uma mulher bonita, ela mesma sabia disso, mas por outro lado nunca foi de se jogar fora. Antes de Jurandir conheceu outros rapazes, teve vários namorados e chegou a dar o fora em alguns.
     Baseado nessas evidências, ela resolveu encarar Jurandir e botá-lo contra a parede. Não estava mais disposta a manter um relacionamento baseado nos humores do marido. Até porque ela sabia que esse comportamento era mais em casa com ela e os filhos e que na rua ele era  diferente. Seria o marido  um "bipolar"?
     Independente de qualquer coisa, Meire passou a questionar seriamente o comportamento do marido e reparar entre suas amigas e colegas se seus companheiros também tinham aquele tipo de atitude. E qual foi a sua surpresa? Muitas tinham as mesmas reclamações não só de seus maridos ou companheiros, mas também de relacionamentos comuns do dia a dia. Descobriu que era frequente esses maus tratos entre pessoas próximas. Em muitos casos, era até um hábito.
     Uma de suas amigas relatou que tinha sérios problemas com os irmãos, que a maltratavam toda vez que ela se aproximava de algum cara. Outras eram os pais, tios, amigos, namorados, chefes. Foi então que ela percebeu que muita gente confunde as estações, acham que por gozar da intimidade e ser muito próximo daquela pessoa não precisa ser gentil, educado, cavalheiro. Quanto mais longos os relacionamentos, mais grosserias e faltas de educação.
     Para Meire, as coisas não deveriam ser assim. Tanto que ficou pasma quando descobrir que tinha amigas que também tinham esse tipo de comportamento. Aí, ela botou a mão na cabeça e pensou que a coisa era mesmo séria.
- Tratam os inimigos melhor do que tratam os amigos - pensou ela - Isso não pode ser assim.
     Chegou a pensar em criar uma espécie de associação ou ONG para tratar do assunto. O lema seria "abaixo as grosserias, todos unidos pelos bons tratos e pela gentileza". E claro que a ideia não saiu da cabeça, mas ela a botou em prática em casa com o Jurandir. Teve uma conversa franca onde  colocou para fora todas as suas queixas:
- Há anos venho aturando esses seus humores, sua grosseria, suas patadas, seus silêncios. Não dá mais. Desse jeito é melhor a gente se separar. Até um inimigo me trataria melhor do que você. O que foi que eu te fiz para merecer isso?
     Diante disso, tudo o que se viu foi um Jurandir assustado e amedrontado. Meire nunca tinha falado daquele jeito com ele. O que estava acontecendo? - ele se indagava - Mas Meire continuava esbravejando, gritando. Estava possessa. Não queria mais viver aquela situação. Era preciso dar um basta. Já estava começando a fazer as malas quando viu Jurandir ajoelhar-se aos seus pés e pedir desesperado:
- Não vá. Não me deixa.
- Acabou. - respondeu ela.
- O que está acontecendo?
- Você ainda pergunta.
     O diálogo continuou e Jurandir acabou confessando que se comportava daquele jeito estranho porque achava que Meire só gostava dele por isso. Foi assim que ela o conheceu.  Ele tinha medo de mostrar a sua verdadeira face - um cara gentil e alegre - por medo de que ela não gostasse mais dele. Por isso, tinha um comportamento em casa e outro na rua. O que Jurandir tinha era medo de demonstrar que depois que conheceu Meire já não tinha mais motivos para ser aquele casmurro que ela conheceu. Desfeito o engano, o casal vive feliz e alegre até hoje.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Estabilidade: o delicado equilíbrio .

   Essa palavra é muito usada em nosso dia a dia. Estamos sempre à procura de estabilidade. Seja no trabalho: isso é sinônimo de segurança financeira com o dinheiro dando no final do mês para pagar as contas, com direito a sobrar algum para diversão e eventualidades, além de alguma certeza de que não seremos postos na rua de uma hora para outra; seja no amor, através do encontro tão sonhado com a sua cara metade com a qual se pretende viver feliz até o fim dos dias.
     Também se busca estabilidade emocional. Essa, nos nossos dias, parece ser a mais difícil de se encontrar, principalmente quando não se tem as duas primeiras. Aí, a coisa pega mesmo. Mas não se deve pensar que se tendo as duas primeiras essa última esteja garantida. Nada disso.
     Para se ter estabilidade emocional não basta estar bem financeiramente (se assim fosse, os ricos não sofreriam, por exemplo, de depressão e estariam sempre com um sorriso estampado na cara), ou estar acompanhado da pessoa amada (assim, os casamentos seriam garantia de estabilidade emocional o que, sabemos, está longe de ser verdade).
     A estabilidade emocional não depende somente de situações concretas como ter um bom emprego, estar acompanhado com a pessoa desejada. Há um tênue fio que nos leva a ela ou nos afasta dela. Varia de pessoa para pessoa e não segue ( pelo menos assim eu acredito) nenhuma regra. O que para uma pessoa é algo corriqueiro e incapaz de provocar qualquer tipo de abalo, em outra pode ser motivo para que se caia por terra e lá permaneça por muito tempo impossibilitada de levantar e seguir adiante.
     Não adianta fazer discursos dizendo que a vida é isso ou aquilo. Cada um tem o seu tempo, cada um tem maneiras próprias de se posicionar diante dos acontecimentos. Costuma-se dizer que em cada cabeça há uma sentença e é verdade. Vemos o mundo de maneira diferente, nos posicionamos diante das coisas de forma diferente. Por isso, é  pretensão acreditar que temos condições de entender tudo o que se passa na cabeça das outras pessoas, principalmente quando elas se encontram enfrentando problemas que consideramos de fácil solução. Não estamos "dentro" da cabeça do outro para saber como ele se sente.
     Outra busca por estabilidade, talvez a mais discutida e também talvez a mais eficaz, é a espiritual. Quando encontramos nossa paz espiritual fica mais fácil nos sentirmos estáveis e nos aproximarmos do daquele delicado equilíbrio que precisamos para nos mantermos de pé.

sábado, 2 de junho de 2012

"E se eu morresse amanhã?"

     É claro que todos nós queremos continuar "vivinhos da silva" por muitos e muitos anos. A ideia de que a qualquer momento podemos deixar esse nosso querido e maltratado (por nós mesmos, vale lembrar) planeta, por mais assustadora que pareça, não é um pensamento que se deva descartar. Muita gente evita pensar no assunto e vive como se ele jamais fosse chegar.
    Na verdade, vivemos projetando tudo para o futuro, em alguns casos um futuro bem distante. Planejamos viagens para conhecer outras terras, planejamos fazer compras, iniciar novo  relacionamento amoroso, fazer novos amigos, ganhar muito dinheiro e ter bastante tempo para gastá-lo e, enfim, realizar todos aqueles sonhos que tanto acalentamos durante a vida.  Nada que lembre qualquer compromisso com fim, morte ou coisa do gênero.
     Quem nos vê, chega a pensar que somos eternos, tal é a nossa confiança de que ficaremos por aqui por tempos sem fim. Por um lado, isso é muito bom. Talvez seja mesmo uma dádiva que recebemos de Deus. Não saber o dia de nossa partida é, de certa forma, algo bom. Assim podemos viver até o último instante acreditando que existe ainda uma esperança, que algo ainda pode acontecer no momento seguinte e mudar toda a nossa história.
     Porém, sabemos que nossa passagem por este planeta tem prazo de validade e, uma vez expirado esse prazo, não tem conversa: partimos. Daí que viver bem o hoje é sempre muito importante. Alguém já disse algo como "viver hoje como se fosse o primeiro dia de nossa vida" e é isso o que realmente nos acontece todos os dias: nascemos de novo à cada manhã. Cada dia é um novo alvorecer da nossa existência, uma página em branco prontinha para ser preenchida por aquela nova pessoa que somos.
     Ser novo significa ser diferente. Não diferente para pior, diferente para melhor. Melhor não significa bom ou mau, mas, sim, uma pessoa mais sábia, mais capaz de compreender o mundo à sua volta, as pessoas à sua volta, o planeta que habita. Não podemos ficar repetindo os mesmos erros a vida toda como se o dia seguinte fosse sempre o dia de repetir, fazer de novo o que se fez. Não. No dia seguinte somos outras pessoas, renovados.
    Todo mundo já ouviu ou falou aquela frase: "E se eu morrer amanhã?" Bem, é lógico que pode acontecer. Mesmo com toda a nossa torcida para que isso não aconteça, essa frase não é assim tão sem sentido. No entanto, poucos de nós a levamos a sério. E não falo da morte física, mas de uma morte subjetiva: "E se essa pessoa que eu sou hoje amanhã não existir mais?" Posso acordar amanhã uma pessoa muito diferente da que sou hoje. Isso, para mim, é o que se chama morte: acordar pela manhã e ver aquela carcaça do que a gente foi caída pelo chão e tomar conhecimento de que, libertos de todos aqueles pesos inúteis, podemos seguir em frente mais vivos do que nunca.