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domingo, 20 de setembro de 2015

Quando o sofrimento dos outros nos traz conforto.

Flávia passou por um grande drama em sua vida. Seu filho de apenas dezessete anos morreu num acidente automobilístico. Ela, que era uma mulher alegre, tornou uma pessoa triste e fechada em si mesma, inconformada com a perda do filho único. A vida de Flávia tornou-se um lamentar constante. Tudo perdeu a graça. Literalmente, ela queria morrer.
As pessoas à sua volta tentaram de todo jeito demovê-la daquele estado de prostração permanecendo sempre ao seu lado a incentivando a seguir em frente. Nada adiantava. O marido, apesar de amá-la muito e também ter igualmente sentido a perda do filho, começou a não suportar ficar ao lado dela, pois estava cansado de tanto sofrimento e lamentação.
- Nosso filho está morto e nós não podemos fazer nada para mudar isso. Deus quis assim. Vamos seguir em frente com a nossa vida. Não podemos viver eternamente lamentando, brigando com Deus por ele ter permitido que o Du morresse daquela forma. - ele disse repetidas vezes para a mulher.
Trabalho perdido. Flávia não dava ouvidos para ninguém e continuava xingando, brigando com todo mundo. O marido saiu de casa, os amigos foram se afastando e ela passou a viver deitada numa cama, agindo como se fosse uma doente, uma incapaz. 
- Deus me abandonou. - eram as suas palavras mais brandas.
E assim ela sobreviveu até que um dia  recebeu a notícia de que o filho de uma de suas melhores amigas tinha morrido num acidente parecido com o que acontecera com  o seu Du. A notícia fez com que Flávia, pela primeira vez, pensasse que ela não era a única mãe no mundo a perder um filho de maneira tão estúpida.
Ela imaginou a dor que a amiga estaria sentindo naquele momento e sentiu vontade de confortá-la. Esquecida de sua própria dor, ela levantou-se da cama e correu até a casa da amiga. Lá, encontrou uma mãe chorosa, mas serena.
- Os filhos não são nossos, Flávia. Deus, em sua bondade, nos emprestam esses anjos para que eles alegrem nossas vidas por algum tempo. - disse a amiga.
Ouvir aquelas palavras de uma mãe que acabara de perder seu filho, fez com que Flávia pensasse melhor a sua própria perda. Desde então ela diz para todos que encontrou conforto na dor da amiga. Precisou que alguém passasse pelo mesmo transe para ela entender que a vida não é feita de privilégios. Todos somos iguais na dor e na alegria.