Pesquisar este blog

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Apenas para registrar um momento família. Uma foto minha com minha irmã Eloisa. Ela é muito tímida e não gosta de aparecer ou tirar fotos. O grande problema do tímido, e eu também sou muito tímido, é de que sempre aparece alguém tentando acender um holofote bem na sua cara, expondo todas as suas entranhas. "Entranhas!?" É isso aí. No fundo todo tímido não passa de um exagerado. E depois, aparecer não tão ruim assim.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Ainda "O Despertador"


Como eu já falei, O Despertador é um monólogo de minha autoria com pretensões de ser chamado de comédia ou quem sabe uma comédia-sentimental, algo que possa fazer rir ao mesmo tempo que faça refletir. Embora a peça conte a estória de um homem e seu apego por um relógio despertador que o acompanhou em muitos momentos de sua vida e do qual ele tem dificuldades de se separar, acredito ter muito de engraçado. Com essa estória tentei falar da amizade, um tema que é muito caro para mim. Por que estou falando disso? Ah!, sim. Quero falar dos meus projetos para 2009. Aliás, dos meus projetos, não, do meu projeto: O Despertador. Esse é o meu projeto. Quero montar O Despertador. Por isso, embora bastante atropelada, não pelos internos da Fundação Leão XIII, que se revelaram uma plateia bastante atenta e muito educada, mas pelo organizadores que, pelo que pude constatar, não conheciam uma peça de teatro ( provavelmente nunca tenham assistido à uma), essa apresentação foi muito importante. Com ela pude fazer uma espécie de teste com o texto e achei que ele passou com louvor. Ainda pretendo fazer outros testes para que a peça possa sofrer os ajustes necessários. Silvia já me de uns toques muito interessantes. Gostaria de encontrar espaços como escola, asilos, firmas, igrejas e o que apareça. Quem souber de algum espaço disponível é só entrar em contato aqui pelo blog. Trata-se de um espetáculo de aproximadamente 50 minutos de duração. A produção é muito simples: duas cadeiras, uma escada, alguns livros velhos, uma caixa de papelão, o relógio, jornais e porta retrato. Por isso, cabe em qualquer lugar e até num teatro convencional. É o que antigamente se chamava de espetáculo de bolso (Será que não estou inventando isso, meu Deus? É que eu sou meio visionário. Vejo coisas que não existem.) ou espetáculo para viagem. Em 2009, não perca o espetáculo O Desperator, com interpretação, direção e texto de Julio Fernando.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fundação Leão XIII e O despertador.




Ontem, 18/12/08, estive numa unidade da Fundação Leão XIII, na avenida dos Democráticos, a convite da assistente social Isabel, para apresentar uma peça de teatro para os internos, como parte das comemorações do natal. Eu já sabia que seria uma louca aventura apresentar a peça. Afinal, a peça em questão é o monólogo de minha autoria, O despertador. Embora a peça seja ( ou pretenda ser) uma estória engraçada, o clima pesado da instituição, a situação deprimente em que a maioria se encontra, aquele ar de coisa abandonada que têm as instiuições do governo ( será que sou eu penso assim?), misturado com minha própria condição de estar voltando ( embora não fosse a primeira vez) para apresentar num local parecido com o que estive um dia e quase (creio que já falei sobre isso aqui), tudo contribuiu para que eu voltasse de lá um pouco deprimido. Deprimido e triste. Infelizmente, desde o tempo em que passei pela Fundação Leão XIII no início dos anos noventa até hoje nada mudou. Nem os móveis mudaram. Está tudo igual. E o que para mim é pior: os funcionários continuam os mesmos. Alguns são literalmente os mesmos. As assistentes sociais agem da mesma forma que eu as vi agirem no tempo em que passei por lá: apenas repetem velhos chavões e tratam os assistidos como se fossem dementes. Em muitos casos eles são mesmo demente, disso não há dúvida. O que me deixa perplexo (ainda) é o quão pouco a instituição pode fazer por aqueles que se encontram numa verdadeira condição de perda de identidade. São, na sua maioria, drogados, alcoolatras, dementes, desmemoriados, pequenos marginais, desempregados, sem teto, sem família (talvez essa seja a maior causa do total desamparo em que muitos se encontram) e sobretudo, pessoas sem rumo, sem norte, sem futuro ou um simples amanhã. Voltei para casa, eu e Silvia, minha colega da Sopa que me acompanhou nessa aventura, bastante abalado. Quando Isabel me convidou para participar da festa de natal acho que, na minha empolgação, me esqueci do lugar triste que era a Leão XIII. dificil acreditar tantos anos depois ( quase vinte) que eu vivi a mesma situação. Hoje posso me sentir como privilegiado, alguém que, desculpem o meu exagero, esteve no inferno e voltou. Alguém que esteve ( como já disse no meu livro, No olho da rua), a beira de perder a identidade, mas que teve a sorte de encontrar uma saída. E é esse o ponto que mais me preocupa. Apesar de não negar que foi de grande estima a ajuda que recebi da Fundação Leão XIII, sou honesto em afirmar que se eu recuperei( esse é um assunto que daria um livro) o meu lugar na sociedade foi, acima de qualquer coisa, porque eu tinha um certo preparo. Além de ter o segundo grau completo (Técnico em Contabilidade) e já havia me ingressado numa faculdade ( Letras), curso que abandonei pelo meio e retomei vinte anos depois (assunto para outro dia), ou seja, eu não era nenhum analfabeto ou semianalfabeto. A realidade é bem outra. A maioria dos assistidos (creio) são de semianalfabetos e que não têm facilidade para encontrar uma colocação no mercado por esse e por muitos outros motivos. Por isso, acho que já era hora da Fundação Leão XIII rever o seu papel ou então será sempre uma instituição de cata-mendigos e nada mais do que isso.




P.S. - Quando eu e Silvia estávamos sentados esperando que os internos entrassem no refeitório onde aconteceria a confraternização, um dos últimos da fila se aproximou de nós e falou algo como que tudo aquilo que estávamos vendo era tudo fachada, dia de festa:


- Estão vendo essas cadeiras limpas? Acham que é sempre assim? Que nada! Durante o ano é tudo sujo. Só limparam para a festa.


Eu e Silvia ouvimos calados. Silvia que já estava um tanto assustada com a situação, me olhou sem nada dizer. Da minha parte, tive a sensação que já tinha visto aquele filme.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Divagações


Qual é o verdadeiro papel que representamos nesse mundo? Hoje acordei com essa pergunta na cabeça e gostaria que alguém me desse a resposta. Está bem. Sei que é praticamente impossível ter uma resposta exata, mas tem dias que as dúvidas aumentam muito. Há dias que dá para ir levando, sem muito questionamento, porém, noutros o bicho pega. Acho que estou chegando numa idade em que esse questionamento é inevitável. Fiz muita coisa, e deixei de fazer muitas outras. Acho que as coisas que deixei de fazer, que são em maior número e seriam, a meu ver, as mais importantes, estão me cobrando o fato de tê-las ignorado ou, quem sabe, negligenciado. O fato é que hoje amanheci querendo respostas para os meus questionamentos internos. Sei que isso é chato. Ninguém gosta de questionamentos fora de hora. Mas será que é tão fora de hora assim? Afinal, o século 21 já chegou. Daqui a pouco já contará com uma década, o tempo está passando. os sinos do natal já estão tocando. E por falar nisso, não serão exatamente os sinos do natal os responsáveis pelo meu questionamento? É bem possível que esteja aí a resposta. Natal me deixa um pouco "deprê". Fico achando tudo muito esquisito. Sei que é estranho para uma pessoa que se diz cristã dizer uma coisa dessas, mas eu acho que tudo soa muito falso. Parece um carnaval. A gente faz uma força enorme para se sentir feliz. As vezes dá, as vezes não dá. É a vida. Apesar de tudo ainda acredito que é preciso tentar. Mesmo que seja difícil, como está para mim hoje. Espero que amanhã eu acorde achando tudo mais natural, normal. Mas se eu acordar com novos questionamento, não vou me importar. Até porque uma duvidazinha não faz mal a ninguém. Muito pelo contrário. Mostra que estou vivo e querendo me encontrar em algum momento desse caminho.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Dezessete anos

Dia 02/12 fez 17 anos que trabalho no mesmo emprego e este seria um bom motivo para comemoração, afinal vivo num país onde as coisas mudam constantemente, não fossem as circunstâncias em que comemoro "esse aniversário". Não estou feliz. Aliás, nunca fui feliz nesse trabalho. Quando fui trabalhar lá, estava saindo de um período muito difícil da minha vida, período esse que eu contei no meio livro " No olho da rua" que lancei e 1999, e vi esse emprego como uma coisa passageira. Eu esperava ficar lá apenas até eu me recuperar financeira e psicologicamente do fato de ter ficado mais de dois anos desempregado e sem ter onde morar. Logo de cara vi que não era um lugar do qual se podia esperar muito. O referido empregado é como auxiliar de escritório numa administração própria de um condomínio de grande prédio no bairro do Flamengo, Rio de Janeiro. Fui contratado para trabalhar com o sindico, uma figura um tanto peculiar, seu "administrador", não menos peculiar. Dois "senhores" aposentados, cuja função naquele lugar era algo como defender o seu patrimônio. Segundo eles, havia muita gente interessada em tomar "o poder" e destruir o patrimônio que eles tinham gasto uma vida inteira para juntar. Aparentemente, nada mais justo. Afinal, quem não quer defender o seu patrimônio. Ninguém é louco de jogar fora o que conquistou com dificuldade. Diante de fatos como esse, fui tomando contato com o que hoje, dezessete anos depois, eu chamo de paranóia. Os dois senhores foram, aos poucos, mostrando serem duas pessoas totalmente irracíveis, que vivem aos berros e fazem qualquer negócio, sobretudo mentir, para manter-se no poder. Nesses dezessete anos participei de inúmeras (mais vinte) reuniões condominiais e eleições. Muitas delas, debaixo de brigas, acusações e muita gritaria. O tempo foi passando e o que seria um emprego temporário tornou-se permanente. Estou sempre dizendo para mim mesmo que não aguento mais trabalhar num lugar desses, mas quando lembro de tudo o que passei, me vejo obrigado a adiar o meu sonho de ficar livre desses dois, hoje velhos, senhores. Eles mantém o mesmo discurso de dezessete anos atrás. Ainda estão defendendo o seu patrimônio (um tempo um apartamento e trinta metros e o outro um de sessenta metros), com unhas e dentes. Depois de muitas brigas, muito me indispor com eles e tentar imprimir uma visão de vida mais suave, acabei desistindo. Trabalho apenas para garantir o meu salário no final do mês e abandonei qualquer sonho. Esses sonhos que qualquer pessoa tem ao se candidatar a um emprego: crescer, subir, melhorar o seu salário (embora não possa me queixar), ou assumir posto de comando. Nesse ponto costumo dizer que, como leonino que sou, acabei me dando muito mal. Não é fácil ter um temperamento de lider e trabalhar num lugar onde querem que você apenas diga "amém" para tudo e guarde sua opinião. Para não perder o costume, nesse dois de dezembro, voltei a fazer a promessa de trocar de emprego. Essa é a promessa de 2009. Porém, a crise mundial está aí e os economistas de plantão dizem que não é momento para grandes mudanças e mais uma vez acho que vou ter que adiar o meu sonho.