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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"Assunção de Nossa Senhora".

   No dia 15 de agosto de 2011, na Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, participei da encenação da "Assunção de Nossa Senhora" . A peça, escrita por mim em parceria com Bill Sala, narra o que seria o dia da "morte" de Nossa Senhora, dia em que ela foi assunta aos céus e como aqueles que conviviam com ela viveram esse momento tão especial na história do cristianismo nascente. Pela peça desfilam personagens conhecidos como os apóstolos Pedro e João, Maria Madalena, Maria de Cleófas e outros contemporâneos de Jesus e própria Maria de Nazaré. 
     Acredita-se que Nossa Senhora não teria morrido e sim ascendido aos céus de corpo e alma (daí originado o "Dogma da Assunção" promulgado pelo Papa Pio XII, em 1950) como seu filho Jesus. Ou mesmo que teria "dormido" como dizem os adeptos da "dormição de Maria".
    A peça resultou num trabalho bonito, do qual senti muito prazer em participar. Poucos vezes , como ator, tive a sorte de participar de um espetáculo em que pudesse me orgulhar de estar envolvido e este foi um desses raros momentos. Senti-me muito feliz em poder fazer parte dessa homenagem à Mãe de Jesus e de perceber o quanto é importante para toda a comunidade católica a "presença" de Maria, a história de vida dessa mulher, seu exemplo de abnegação. Não há quem não fique tocado com a história de vida dessa mulher que foi escolhida para ser a mãe do filho de Deus e abriu mão de tudo para atender a esse chamado.
     Há quem discuta o valor de Maria, acreditando que seu papel na vinda de Jesus ao mundo teria sido meramente coadjuvante e que qualquer mulher poderia estar no seu lugar.  Pena, pois nela está representado, no céu e abaixo dele, todo amor maternal do qual nenhum filho pode prescindir e, assim sendo, nem Jesus.
     Do espetáculo, que teve direção de Bill Sala, participaram: Bill Sala, Julio Fernando, Gisele Salman, Analú Buarque, Bruno, Elana e Bernardo. Abaixo está postado o espetáculo na íntegra que eu recomendo que assistam. Além de ser um bom espetáculo, tem o adicional de ter acontecido na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Largo do Machado: uma igreja belíssima e que merece ser vista.


sábado, 26 de novembro de 2011

A cada passo.

   Durante toda a nossa vida estamos em busca de nos espiritualizarmos. Trocando em miúdos, estamos aprendendo num esforço sem fim. Por mais que a gente negue isso, é um fato. E não é impossível duvidar que tem muita gente boa por aí que pensa que não e vive como se estivesse por aqui a passeio. Grande engano, pois desde que nascemos é esse o nosso objetivo maior. Nossa passagem aqui pela terra não se dá por outra razão que não seja a do nosso crescimento, aprimoramento e elevação espiritual. E isso acontece nas coisas mínimas, mesmo que não tenhamos nenhuma consciência disso. 
     A cada dia que nasce estamos ganhando uma nova chance para que esse aprendizado continue e possamos dar um passo a mais rumo ao conhecimento, para que possamos nos livrar, ainda que minimamente, da cegueira que a escuridão da ignorância nos provoca e ir adiante rumo à luz.
      Se por um lado, como já disse, alguns ignoram isso e parecem estar bem assim e sem nenhuma vontade de mudar, outros, por sua vez, já descobriram isso e partem para a busca dessa iluminação. Isso é algo extraordinário. No entanto, sabe aquela pessoa que esteve dormindo durante anos e que de repente acorda, descobre que perdeu muito tempo e resolve correr atrás do tempo perdido? Pois é. Muitos de nós se comportam assim. Depois de anos de letargia desperta para um mundo novo e acha que não pode mais perder tempo.
     Eu sei que você deve estar pensando: "Nada mais justo. Eu também reagiria assim."  Talvez eu até diria que você estaria coberto(a) de razão. Afinal de contas, já se perdeu muito tempo e não há mais o que esperar. Só que essa pressa pode nos levar a tomar caminhos que levam a lugar nenhum. Literalmente falando, nos leva a embarcar em verdadeiras canoas furadas. E o que não falta é gente por aí se oferecendo para ser o guia que vai apontar esses caminhos para você e transportá-lo (geralmente, sem que você faça muito esforço) para o paraíso. Por isso, é preciso muita cautela nessa hora para não cair em mãos dos charlatães de plantão. Eles estão sempre ávidos para encontrar pessoas desesperadas e despreparadas, prontas para acreditar em tudo.
    Lembre-se sempre que o melhor caminho é o do coração. O caminho que nós construimos dia a dia com nosso esforço e o suor de nosso rosto. E para isso precisamos, antes de qualquer coisa, tomar a decisão da busca, por-se em marcha com propósito firme e vontade fortes. Prontos para enfrentar os reveses e mesmo para desanimar muitas vezes diante dos maus exemplos constantes e das vantagens fáceis que aparecem. Nesse caso, respire fundo e retome a caminhada. A cada passo sentimos que o peso vai se aliviando e que nossas pisadas já não são tão doloridas. É hora de manter a fé e não perder de vista o grande objetivo: espiritualizar-se.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu sou mesmo assim. (?)


  Essa frase é cantada por Gal Costa na música tema de "Gabriela Cravo e Canela", novela exibida pela Globo nos 1970, baseada no romance de mesmo nome de Jorge Amado. Na música (se não me engano, de Tom Jobim), a personagem retratada gaba-se de ser do seu jeito e não estar muito a fim de mudar: uma mulher brejeira, natural etc e tal. Nada contra a fictícia personagem de querer manter-se tal qual nasceu e sentir-se avessa a qualquer tipo de mudança. Quem conhece o livro de Jorge Amado, viu a novela que tornou famosa a atriz Sônia Braga ou mesmo viu o filme com ela e o ator italiano Marcello Mastroiani e grande elenco, sabe que esse é o grande charme da personagem e se ela mudasse talvez perderia grande parte de seus encantos.
  Trazendo isso para a vida real, encontramos muita gente agindo como "Gabriela"  negando-se totalmente a mudar não só os seus pontos de vista, como também, evitando aprender com os embates da vida. Por mais que ela apresente dificuldades, barreiras e dê sinais de que o caminho que está sendo percorrido não vai levar até o objetivo traçado, parece não servir de alerta. Há quem bata o pé quando alguém tenta chamar atenção para alguma mudança que precisa ser empreendida:
- Sempre fui assim e não é agora que vou mudar.
   Pode até alguém ter lá suas razões para manter posições e posturas e agir como se fosse uma montanha que não se move, mas estamos falando de vida e ela se apresenta de forma a que possamos no seu desenrolar adquirir conhecimento e experiência que nos levam a desfazer maus hábitos, vícios, manias, ideias fixas e tudo aquilo que emperra o nosso caminho e impede que vejamos as coisas com mais clareza, que impede que nossa vida flua de maneira que não seja um embate constante de forças antagônicas e hostis. Para que a gente possa viver em paz, não só com os outros, mas consigo mesmo, é necessário estar sempre aberto à mudanças. Nada de insistir em coisas que não funcionam apenas para passar recibo como alguém que não volta atrás nem muda de opinião. 
   É verdade que ninguém é obrigado (nem deve, aliás) ficar mudando de ideia a toda hora. Isso poderia parecer que a pessoa é um tanto volúvel e sem firmeza de caráter. No entanto, quanto aos nossos defeitos, fraquezas e dificuldades talvez não seja nada mau a gente  tentar rever nossas posições e buscar melhorar. Afinal de contas, como dizem por aí: errar é humano, mas permanecer no erro é burrice.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Resposta à Marcelle.

    Abri minha caixa de e-mails e encontrei um recado de Marcelle de Castro. Eu não conheço a Marcelle e ela chegou até mim por uma postagem que escrevi sobre o Centro Cruz de Oxalá, local em que trabalhei durante bastante tempo e onde, por motivos particulares, não trabalho mais.
    Para começo de conversa, eu não tinha a menor intenção de responder ao e-mail da Marcelle. Em primeiro lugar,  porque já não atuo nesse campo da mediunidade (pelo menos, não ostensivamente como antes) e segundo, por discordar da visão que as pessoas têm da Umbanda e do espiritismo ao usá-los apenas quando querem interferir em seus destinos, mudar aquilo que acham que não está do jeito que gostariam que estivesse. Essa é uma visão bastante limitada e, para muitos, a única. Pena, pois  o espiritismo é (como qualquer religião) um meio de nos ligar ao sagrado , uma busca do entendimento tão necessário para nossa passagem aqui na terra.
   Conheço muita gente que não desassocia o espiritismo de feitiçaria e magia (quase sempre, magia negra) e acha que ele existe apenas para fazer trabalhos para trazer a pessoa amada, conseguir emprego, ganhar dinheiro fácil.  Não posso dizer que este seja o caso da Marcelle. Ao ler o seu e-mail, pensei logo em descartá-lo. Fico assustado quando percebo que as pessoas possam estar tendo esse tipo de engano a respeito do que eu entendo por espiritismo. Porém, aqui estou. 
   Pensando melhor, achei que precisava falar com a Marcelle e resolvi que seria aqui no blog. Afinal de contas, quando alguém bate à nossa porta, não é por acaso.
   Olha, Marcelle, entendo o seu sofrimento. Também já passei por isso. Aliás, dificil alguém não tenha, não é? Sei que é duro gostar de alguém que não sente o mesmo por nós. Mas não acredito, por incrível que possa parecer, que através de trabalho alguém possa amarrar outra pessoa. Acredito, sim, que temos ou não uma história para viver ao lado de alguém e se temos, essa história um dia começa e um dia pode chegar ao fim. Às vezes esse fim vem de forma natural, às vezes vem de forma brusca pegando uma das partes desprevenida. É provável que seja isso o que aconteceu com você. Houve descuido e quando deu por si a pessoa que estava ao seu lado tinha partido. Assustada com o abrupto do acontecimento  passou a pensar numa forma de reverter a situação. Difícil encarar os fatos e a dor que faz seu peito oprimido.
   Não se preocupe, Marcelle. Isso vai passar. Dizem que não há bem que sempre dure nem mal que nunca  acabe. Essa dor vai passar, essa opressão no peito vai dar lugar a uma Marcelle mais firme e positiva. Capaz de valorizar mais os momentos felizes e não dar tanta importância aos tristes. Se aquela pessoa foi embora, agradeça a Deus pelo tempo em que ela esteve do seu lado e diga que estará de braços abertos para recebê-la caso ela volte, mas não faça disso um cavalo de batalha. Se ela ainda nem chegou, deixe a vida seguir o seu rumo. O que é seu virá. Não tenha dúvida disso. Por hora, dê mais valor a tudo o que você tem: família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos e sinta-se feliz por tudo de bom que vai acontecer na sua vida daqui para frente. E isso não acontecerá por forças de "trabalhos" e sim pela força da vida, pois você é criação de Deus  e merece tudo bom.

Tudo de bom para você. Tenha fé e siga em frente.

sábado, 19 de novembro de 2011

Fechado para reforma.

   
  Outro dia, numa daquelas conversas que saem do nada para chegar a lugar algum (mas que acabam provocando uma indigestão de ideias e pensamentos), estava falando com alguns conhecidos a respeito do uso do corpo, a forma pela qual cada um de nós faz uso do seu corpo e  que tipo de relação nós estabelecemos com este que alguns preferem chamar de "a vestimenta do espírito", mas que para muitos outros não passa de algo sem muita importância ou mesmo um veiculo que podemos usar a nosso bel prazer.
   A conserva versava, entre outras coisas, sobre as transformações tais como colocação de botox,  cilicone, mudança de sexo, operações plásticas, mudanças faciais, tatuagens, piercings e tantas outras alterações que as pessoas costumam fazer em seus corpos. Até aí, nada de mais, não é? A pessoa não gosta de seu nariz e resolve aumentá-lo ou diminuir o seu tamanho e então procura um médico que faz a operação. Satisfeita ou não, a pessoa sai do consultório médico ostentando um novo nariz. Parece simples, não?
    Pelos avanços da medicina, parece mais simples ainda. Basta ter dinheiro e encontrar um médico disposto a tais procedimentos e a pessoa ( basta, para citar um exemplo, lembrar Michael Jackson) tem seus desejos de uma nova aparência concretizados. O mesmo se pode dizer das tatuagens, dos piercings, das roupas, sapatos. Para os cabelos existem tintas e perucas de todas as cores. Tem também os óculos que, além de fazerem enxergar melhor, tem outro ojetivo de embelezar ou proteger (também esconder) os olhos. Sem esquecer das lentes que podem, entre outras coisas, mudar a cor dos olhos.
    Tudo para satisfazer a grande legião de insatisfeitos que existe por aí: uns querem engordar (parece incrível, mas na adolescência tive um amigo que comia desesperadamente tentando engordar, porque se achava magro demais), outros querem emagrecer, crescer, diminuir a estatura, ser louro, moreno, parecer mais velho, parecer mais novo, ter boca grande, boca pequena, barriga tanquinho, bracinho, bração, perna fina, perna grossa e a mão então?  Não é pequena a lista do: "ah, se eu pudesse (e se meu dinheiro desse) eu mudaria". Há quem diga que seria capaz de mudar tudo. No caso de uma reforma, não ficaria pedra sobre pedra.
    Apesar das controvérsias, nossa sociedade (nós) aprendeu a achar natural as pessoas saírem por aí fazendo reformas em sua "casa". Ninguém fica mais escandalizado ao ver uma mudança de sexo, se alguém era gordo e agora está mais magro que uma top model, o fraquinho que se transformou no fortão da turma, a que era morena e ficou loura ou vice versa. Tem gente que muda ao sabor da moda. O negócio, parece, é surpreender. E o pobre do corpo tem que resistir a todas essas investidas. Algumas, convenhamos, irreversiveis.  Aí eu, cá do meu canto, fico me perguntando: "será que isso é mesmo normal?"
"Não recebemos esse corpo com o compromisso de cuidar dele, para depois devolver "em bom estado de conservação?" "Como ficam todas essas transformações diante de um possível Criador?"
    Antes que você responda, eu vou logo dizendo o motivo de tanta indagação: é que fico preocupado com tanta insatisfação. Ninguém mais quer saber de se aceitar como é, sentir o sabor de ser diferente. Todos querem ser produtos fabricados em série: tudo com a mesma cara, cor, cabelo, roupa e até a cor dos olhos é a mesma. Todos querem seguir um modelo ditado (ou imposto) por alguém que ninguém sabe ao certo quem é. Só falta todos nós atendermos pelo mesmo nome. Aí, creio, teremos chegado ao fim da linha.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Os caminhos e os atalhos.


 
  Embora esse tipo de indagação ocorra mais comumente com quem está começando a vida, pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer tempo.
- Que caminho tomar? - perguntaria, com certeza, qualquer pessoa que estivesse diante de uma encruzilhada, dessas que a vida oferece tantas. - O reto que, apesar de árduo e longo, nos leva às realizações plenas e verdadeiras? Ou aquele que se apresenta mais fácil, mas que geralmente nos leva aos enganos e aos tropeços?
    Para muitos, a resposta é mais que certeira: seguirá pelo caminho mais longo e penoso, passará por todas as estações da via cruces; durante o caminho, por vezes, se sentirá fraco e desanimado; sentirá o peso da cruz pesando sobre seus ombros, mas resistirá às intempéries e irá em frente. No final, quando a vitória chegar, sentirá que tomou a decisão certa e poderá, enfim, descansar e colher os frutos do esforço e do trabalho bem realizado. Não existe sensação melhor na vida, vocês hão de concordar comigo, do que, depois de um grande esforço, sentir que ele não foi feito em vão.
    Mesmo que as mãos estejam calejadas e o corpo traga as marcas dos dias difíceis, nada é capaz de tirar o brilho e a certeza de ter completado o percurso sem recorrer às estratégias infelizes ou de ter-se negado a cumprir o currículo seguido por todos os que podem, com louvor, subir no podium da vida. 
    Parece coisa de atleta, e é, mas não apenas coisa de atleta. Vale para todos. O que somos senão verdadeiros atletas correndo a eterna maratona da vida? Faz parte da vida de todo mundo. A cada momento, desde de que nascemos, estamos diante de caminhos que se abrem diante de nós, possibilidades que surgem, mudanças que se fazem necessárias e urgentes para o nosso aprendizado e aprimoramento. 
    E se os caminhos se abrem, juntamente com eles abrem-se os descaminhos. São os atalhos. Eles se apresentam fáceis, charmosos, e até cheios de glamour, e são, acima de tudo, muito convidativos. Sedutores, parecem nos chamar a que nos enredemos por eles. Sempre prometem que vão nos dar muito em troca de quase nada. Há aqueles que chegam ao cúmulo de dizer que não nos pedirão nada, basta que entremos por eles. Apenas isso. Só que, uma vez iniciada a trajetória, a gente descobre que tudo era apenas engodo, trapaça. E ai é tarde. 
    Sorte daqueles que conseguem escapar de suas redes e podem retomar o caminho que leva à vitória. Vitória sob todo e qualquer´ponto de vista. Já outros... Bem, esses outros, infelizmente uma parte considerável, são aqueles que, mesmo que queiram, dificilmente conseguem se desenredar das tramas dos atalhos (todos os tipos de drogas, a preguiça, a falta de fé), dos falsos cantos das facilidades e dos brilhos fugazes que levam à degradação e à dor.
     Assim, resta insistir: evitemos os atalhos, escolhamos os caminhos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Além dos modismos.


    No que diz respeito a vestuário, sapatos, óculos, telefones, relógios, carros e mais o que se possa imaginar é comum a gente seguir o que dita a moda. Muitos são capazes de gastar rios de dinheiro, e até de se endividar, só para não ficar fora do último grito. E olha que muitas modas são mais fugazes que um raio, não chegam a durar uma estação e já estão fora da ordem do dia. Até ai, nada demais, não? O problema é quando os modismos deixam de ser aqueles próprios de estações (primavera, verão, outono, inverno) e invadem espaços onde não é muito apropriado que mudemos de acordo com o calendário, aí a coisa toma outro rumo. 
    Estou falando das coisas inerentes ao caráter, aquelas que nos levam a decidir (ou escolher) entre o bem e o mal, o certo e o errado, o que vale e o que não vale a pena e que podem influir no nosso destino ou futuro. Longe do "vamos levar vantagem", tão comum em nossos dias, levando em conta não só o nosso próprio bem estar como também o daqueles que nos rodeiam e, por que não dizer, o bem estar do mundo em geral e do nosso planeta em especial? Sim. Precisamos abandonar essa moda egoísta que parece resistir às estações frias ou quentes e ameaça ficar para sempre: a lei do "cada por si".

     Em algum momento alguém lançou essa moda do "vale tudo" e ela vem contaminando a todos sem respeitar idade, raça ou classe social. Todos querem se dar bem sem se preocupar nem mesmo com a sobrevivência do próprio planeta em que vivemos. A impressão que se tem é que podemos destruir nosso planeta e  que quando não der mais para viver aqui seremos resgatados e levados para um outro novinho em folha. Pode parecer ideia de maluco, mas é essa a sensação que dá.
     É claro que não se pode deixar de dizer que tem muita gente que se preocupa com o destino e a sobrevivência desta nossa casa, sua harmonia, mas o descaso vem crescendo muito. Basta, por exemplo, citar a nossa Amazônia. Muitos, sob o pretexto de ganhar seu pão de cada dia (os madeireiros), não hesita em botar a floresta abaixo dizendo que não tem outra alternativa (em se tratando dos nativos, é mesmo verdade) ou mesmo fingindo desconhecimento da causa e razão da necessidade de cuidarmos (mais que preservarmos) do nosso planeta.
     O que mais assusta e até incomoda, é o fato de que muitos de nós não têm consciência de que esse cuidado não advém de atitudes grandiosas (é claro que também delas), mas de atos simples e corriqueiros como não jogar lixo nas ruas, nos ruas e nas encostas. Todos imputamos (ainda) essa responsabilidade aos outros (sobretudo aos governos) e não a nós mesmos. Cada um precisa assumir o seu papel e responsabilidade nesse sentido. Não podemos ficar esperando que as atitudes venham de fora, que partam do outro, que venham na forma de modismos que vêm e passam.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Esse menino só anda em má companhia".

  
  A frase que dá título a essa postagem foi muitas vezes repetida por minha mãe. Ela era mestra em desaprovar as minhas companhias, como também a de todos os meus irmãos. Ninguém era bom o suficiente para obter sua aprovação. Isso sempre me deixava bastante chateado porque, além de não estar em busca de boas ou más companhias e sim, apenas e simplesmente, de companhia; aliás, como todo e qualquer jovem da minha idade, e não me achava com capacidade para julgar ninguém. Com isso, pensava que tudo não passava de implicância de minha mãe. Mais tarde pude perceber que esse era um comportamento comum às mães dos meus colegas. Nelas também havia a tal preocupação em saber com quem os filhos estavam andando, de que famílias procediam, quais suas tendências, vícios, atitudes, se bons ou maus alunos etc.
     O fato é que, salvo os exageros próprios de mães abnegadas, ela acabava de uma forma ou de outra tendo certa razão: aquele(a) colega acabava mais cedo ou mais tarde aprontando alguma coisa e lá vinha ela com o fatídico:
- Eu não te avisei!?
     E aí podia preparar o ouvido que o discurso fatalmente seria longo e cheios de frases de efeito: "Eu falo, mas você não me dá ouvidos. Acha que, como sua mãe, quero o seu mal? Agora é chorar na cama que é lugar quente. Não adianta reclamar. Vê se da próxima vez procura me ouvir. Afinal, eu sou sua mãe e só quero o seu bem."  Era difícil, mas eu tinha que aceitar os fatos. Só que eu não me emendava e logo estava pronto para ouvir todo aquele repertório da sabedoria materna, outra vez.
    Mas o tempo passou e eu já não tenho mais minha mãe por perto para avaliar as minhas amizades e sabe que, por mais incrível que possa parecer, eu até sinto uma certa saudade daqueles vereditos.  Não que eu esteja "andando em más companhias", como ela gostava dizer. Ou sei lá. Nunca se sabe, não é? No entanto, vez por outra, dou de cara com uns tipos que dificilmente passariam pelo crivo dela e chego até a pensar que continuo escolhendo mal as minhas companhias. Continuo com a "mão podre para escolher companhia", outra de suas pérolas. Nessas horas parece que escuto ela dizendo:
- "Eu não te avisei!? Mas você não me ouve."
  Porém, apesar de não ser mais aquele adolescente com fumaças de rebeldia, eu não me emendo e sigo merecendo um bom puxão de orelhas pelas escolhas malfeitas que continuo fazendo vida  afora. Fazer o quê!? Um dia, eu ainda me emendo. Como dizem por aí: "a esperança é a última que morre".

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Autores de novelas da Globo sofrem com falta de imaginação.

     Eu já disse aqui em outra ocasião que (quando dá) assisto novelas, por isso cá estou outra vez para falar do tema. Só que dessa vez não é para elogiar o gênero ou coisa parecida e sim para chamar a atenção para um fenômeno que vem ocorrendo entre os seus principais autores.  Se você também costuma dar uma olhadinha já deve ter percebido, sem nenhuma dificuldade, é claro, o quanto as tramas das ditas novelas têm sido repetitivas. Coisa de assustar os menos prevenidos. O negócio anda tão feio que está acontecendo de uma mesma trama ou tema estar na novela das 5, 6, 7 e 9 ao mesmo tempo dando a impressão de que se está vendo a mesma novela, independente do horário.
    Aquele antigo diferencial entre as tramas das seis, com suas histórias ingênuas, a das sete com ares um tanto joviais e a das oito (ou será das nove?) com suas tramas mais densas e abordando temas mais, digamos, adultos, não existe mais. Pelo que dá a entender os autores estão liberados para falar de qualquer coisa a qualquer hora. Até ai, você certamente diria, nada de mais. Fora uma certa mesmice e pasteurização, eu também vou pelo mesmo caminho. Só que esses ditos autores estão provando que não costumam, como qualquer mortal, dar uma olhadinha nas novelas dos colegas. Prova disso é a repetição de histórias, plots, tramas, argumentos, temas ou que quer que seja. Pelo que se sabe, eles (pelo menos é o que se diz pela imprensa) ganham muito bem, o que não justifica a preguiça ou indolência mental, não é? Além do mais, eles (diferentes dos autores do passado como Ivani Ribeiro, Janete Clair e outros que ainda andam por aí) escrevem suas novelas juntamente com um grupo que costuma contar com até dez integrantes. Será mesmo necessário tanta gente? O que essa turma toda faz? Será que ficam apenas batendo papo e esquecem da trama que estão desenvolvendo?
     Eu sei que você dirá que os temas se esgotam, afinal são mais de cinquenta anos de novelas no ar. Pode também dizer que chega uma hora em que dá-se a impressão de que já se falou de tudo, que o gênero está desgastado e precisando de renovação.  Mais uma vez digo que concordo. Deve ser desgastante escrever duzentos capítulos e ainda tentar ser original. Pois está aí a questão: tentar ser original. Não é demais dizer que a "moçada" não tem feito essa lição de casa: buscar um mínimo que seja de estilo e originalidade. Parar de ficar copiando uns aos outros e buscar o novo para brindar o público que (pelo que sei) continua prestigiando com sua audiência e interesse.
    No ar atualmente temos tramas que falam de espiritismo (sem muito compromisso com a doutrina, haja vista),  inseminação artificial com casais divergindo dos procedimentos e etc, temos gente ganhando na loteria (pelo menos na ficção se ganha e se sabe quem ganhou), temos milionários esnobes que não estão nem aí para os pobres e pela coisa alheia (alguns casos até os atores são repetidos), temos dondocas fúteis que se acham "o ó do borogodó"  desfazendo de todo mundo, homem mais velho abandonando mulher para ficar com jovenzinha boazuda sem neurônio, um uso, sempre estranho e que beira o jocoso, da Internet e afins e assim poderia ficar aqui listando as repetições. E as verdadeiras questões do nosso país, onde é que ficam? Parece que nossas queridas novelas (leia-se, os autores) não têm nenhum compromisso em retratar a vida do brasileiro comum e sim nos enfiar pela cara à fora uns tipos que ficariam melhor se fossem americanos de Miami.
     Aí você poderia dizer que novela se transformou num produto industrial e que é feito para dar lucro. Isso talvez explique a ausência de tipos mais brasileiros, a presença quase única e obrigatória de personagens da raça branca (sobretudo uma população loura que talvez nem na Europa possa encontrar tantos), a quase inexistência de personagens da raça negra (e outras) que não sejam empregados domésticos ou personagens meramente periféricos. Pelo que dizem, é isso que os gringos querem ver e é isso que eles mostram. Até porque as produções visam o mercado externo e nunca é demais lembrar o .carnavalesco Joãozinho Trinta com sua frase: "Pobre gosta de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual". Pode até ser. Eu prefiro apostar que um povo gosta de se ver retratado no espelho, quero dizer, no vídeo.
    Apesar da trama repetitiva (os atores, idem) temos que tirar o chapéu para a novela das seis. Lícia Manzo, ao localizar sua história em Porto Alegre e arredores, acaba tirando a novela do eixo Rio de Janeiro e São Paulo. Pelo que parece, até agora, a história se passa mesmo no sul do país. Só falta, é claro, daqui a pouco a autora ( e toda a sua trupe) colocar os personagens num veículo qualquer e os trazer para o Rio ou os levar para São Paulo. Alguém seria capaz de apostar qual das duas cidades seria a escolhida?