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domingo, 28 de junho de 2015

Execração.

Conta a história, provavelmente fantasiosa, que o inventor do avião, Santos Dumont, teria cometido suicídio após perceber que sua invenção seria usada para fins bélicos. As imagens de aviões despejando bombas sobre cidades inteiras durante a segunda guerra mundial reforçam essa tese.
Verdade ou pura invenção, o fato é que estamos novamente diante de uns desses fenômenos em que um invento nascido para facilitar a vida das pessoas segue um rumo não muito agradável. Trata-se da internet, essa maravilha que transformou o mundo numa pequena aldeia, onde todos sabem de tudo tão logo as coisas acontecem.
Sem dúvida, isso é muito bom. A internet deu voz e visibilidade para todos. Nela não vale a força do dinheiro, o poder dos que pensam que mandam. Em segundos notícias se espalham com rastilho de pólvora, ideias são disseminadas. É aí que mora o perigo. Nem todo mundo é bem intencionado.
Como o avião de Santos Dumont, a internet tem sido usada para meios que talvez não tenha sido pensada. Entre os muitos usos "pouco salutares" está um que vem crescendo a cada minuto: sob a capa de que somos livres e podemos dizer o que bem pensamos, pessoas ou grupos vêm praticando verdadeiras execrações.
Basta que não gostem de uma simples fotografia para que digam (escrevam) as maiores barbaridades sem nenhum pingo de compaixão pela pessoa que vai ler o comentário. Estão usando a internet como verdadeiro escoamento de esgoto. Pessoas, protegidas (?) pelo anonimato, descarregam todo o ódio que têm dentro de seus corações por puro desejo de destruir o outro.
Vá lá que as pessoas perderam um pouco o senso de ridículo e postam tudo acreditando que aquela velha pergunta (o que vão falar de mim?) é coisa do passado ou de quem preocupa-se com a opinião alheia. Essas pessoas enganam-se e quando começam a ler os comentários feitos em suas postagens querem até "morrer".
Isso mesmo. Tem gente até "se matando" por causa disso. Não podemos confundir sinceridade com grosseria e desrespeito. Nem a internet, acredito, é território de guerra onde as pessoas tentam "matar" umas as outras através de palavras cortantes e demolidoras. 
Talvez a saída seja criar leis que punam esse tipo de crime e acabar de vez com esse falso anonimato do qual a maioria se vale. Do contrário, daqui a pouco não se poderá mais usar essa invenção que tantas benefícios trouxe ao mundo.

Bom domingo a todos.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Preconceito: mais que fala, atitude.

É comum ouvirmos pessoas fazendo longos discursos contra qualquer tipo de preconceito. Algumas chegam mesmo a emocionar e convencer. Porém, muitas vezes tudo não passa de mero discurso retórico cheio de palavras bonitas, frases bem construídas, mas, infelizmente, ocas de qualquer significado na prática.
Talvez seja por isso que vemos crescer a cada dia as atitudes preconceituosas na nossa sociedade. As pedras atiradas na direção de um grupo de religiosos da linha do Candomblé e que atingiram uma garota de onze anos, não faz muito tempo, é prova disso.
Não tenho ciência se os atiradores de pedra tenham proferido palavras de insulto contra o grupo, apenas atiraram as pedras, ou seja, agiram. Pois é assim que o preconceito se manifesta: através das atitudes, das ações. Ao falarem, muito provavelmente, essas pessoas devem afirmarem-se contra o preconceito, mas ao agirem demonstraram exatamente o contrário.
Na hora em que é preciso provar o que afirmamos no discurso politicamente correto que fazemos questão de apresentar com pompa de circunstância por onde passamos a máscara cai e mostra-se a verdadeira face: o preconceito, a intolerância com quem é diferente de nós, com quem tem opções diferentes das nossas, com quem professa uma fé diferente da nossa,  tem uma cor diferente da nossas, um sexo diferente do nosso, uma idade de diferente da nossa, uma  condição social diferente da nossa.
Em suma, não suportamos o diferente. Agindo assim parece que estamos gritando o tempo todo que queremos um mundo onde todos sejam iguais, que pensemos e ajamos exatamente da mesma forma. É isso que as atitudes preconceituosas deixam transparecer. Mas será que um mundo de cheios de cópias de nós mesmos seria um lugar ideal para se viver?
Tenho a impressão de que não. Temos muito mais a aprender quando fazemos das nossas diferenças um meio para que nos conheçamos e nos compreendamos melhor. Se olharmos mais atentamente vamos descobrir que nem somos tão diferentes assim, que as diferentes opções encerram a mesma busca pela felicidade e que nessa busca não estamos lutando uns contra os outros. Muito pelo contrário.
Olhando mais um pouco veremos que até as religiões são muito parecidas e falam de um ser  supremo cheio de amor e misericórdia. Seja judeu, cristão, espírita,  muçulmano, budista. hinduístas não importa. O que precisamos é ter amor no coração e ver no outro alguém como nós: imperfeitos, procurando melhorar a cada dia.

domingo, 21 de junho de 2015

Remédio para todas as dores.

A oferta de remédio é grande. Basta ligar a televisão e eles estão lá gritando que têm a solução para todas as dores físicas que atrapalham a nossa vida. Alguns chegam a ser mais ousados e prometem dar um jeito também nas nossas dores espirituais.
Sabemos que é tudo promessa falsa. Eles não conseguem curar nem nossas cores físicas com suas drogas cada vez mais devastadoras que dirá as nossas dores da alma. Essas as drogas não podem dar jeito. Para curá-las precisamos, antes de tudo, abrir mão dos subterfúgios e das mentiras com as quais convivemos todos os dias.
Entre elas, a falsa ideia de que não se pode sentir dor. O que se prega é que antes mesmo que a dor venha, devemos mascará-la tomando esse ou aquele remédio. É como se vivêssemos eternamente tentando evitar sofrer. 
Será que viver é isso? Uma eterna e desesperada fuga do sofrimento? Por que evitamos tanto algo que sabemos ser a única condição para o nosso crescimento e descoberta das nossas próprias capacidades. Quando enfrentamos a dor e conseguimos superá-la nos sentimos mais fortes e capazes de encarar o que vem pela frente.
Por isso não devemos sair por aí tomando remédios, de que categoria forem, pensando que isso torna a vida mais fácil ou mais suportável. É claro que existem os remédios necessários para o bom funcionamento do organismo de algumas pessoas, não é desses que falo. Falo, sim, daqueles remédios que apenas entorpecem a dor por uns poucos momentos. Acabado o efeito a dor volta e, não muito raro, volta mais forte exigindo uma dose maior de remédio.
Tomar remédio que mascara dor, é querer enganar-se. Ou enfrenta-se a dor ou se faz algo realmente efetivo para livrar-se dela. Quase sempre, isso é uma questão de atitude física e mental. Se a dor é física, caminhe, movimente-se. Se a dor é do espírito, renove-se, mude seu padrão de pensamento. A chave pode estar aí. Deixe de se sentir uma casca de ovo, um cristal e passe a se ver com uma rocha resistente que aguenta sol, vento, chuva, calor, frio e permanece firme.
Não existe remédio melhor do que o pensamento firme, a fé, a confiança de que tudo sempre concorre para o bem. E esse remédio não custa nada além do esforço de se querer bem, de amar-se a si mesmo.

sábado, 13 de junho de 2015

Fé que discrimina.

Acredito que nunca se falou tanto religião como nos últimos tempos. E isso seria uma boa notícia, não fosse o motivo que tem levado a se tocar no tema com uma assiduidade quase acima do normal. O motivo tem sido, quase sempre, o ódio, a intolerância àqueles que professam uma fé diferente, aqueles que acreditam ou vivem de maneira diversa da que se convencionou ser a certa.
Em nome de Deus, entidade máxima das religiões, pessoas e grupos têm espalhado ódio e discriminação de uma forma assustadora. Os episódios envolvendo os muçulmanos na França não deixam dúvidas de que em nome da fé se promove barbáries.
Que fé é essa que não hesita em destruir o outro, que pratica atentados, que dissemina o ódio? Que fé é essa que prega a intolerância como caminho para chegar até Deus?
Antes, acreditávamos que esse era um problema dos outros, mas agora, com a visibilidade que algumas minorias vêm ganhando ( com justiça, diga-se de passagem) a coisa tem tomado outro curso. No Brasil, em nome de Jesus (não o Alá dos muçulmanos), tem-se levantado vozes contra tudo e contra todos que pensam de forma contrária à ordem vigente.
Fala-se em nome da família, em nome do povo. São pastores travestidos de políticos interessados somente nos votos que vão ganhar aparecendo na mídia dizendo absurdos. Um simples anúncio de perfume é motivo de polêmica. Parece que perdemos mesmo o senso ao falarmos em nome de um Jesus que veio ao mundo exatamente para acabar com as diferenças, que veio para nos fazer todos irmãos, filhos do mesmo Pai.
Se um homem vai dar presente no dia dos namorados para um outro homem, isso é problema deles. Independente da opinião de quem quer que seja, as pessoas trocam presente, tem relacionamentos homo ou héteros. É perda de tempo ficarem discutindo o que não lhes diz respeito.
O que diz respeito a um pastor é pregar a palavra de Jesus, e essa palavra é de amor e tolerância. Ao político cabe representar a vontade do povo. Somente isso. E não creio que o povo queira discriminar e disseminar ódio. O povo quer e precisa viver em paz. Que os nossos religiosos preguem o amor incondicional que Jesus ensinou e que os políticos, governem. O resto, é gente querendo ditar regras e suscitar diferenças. E disso, com certeza, não precisamos.

Bom domingo.

domingo, 7 de junho de 2015

O que é o sucesso?

Resultado de imagem para imagens de um palco iluminadoOutro dia, assistindo entrevista de uma famosa atriz de novelas tive a impressão de que estava diante de uma pessoa quase perfeita. Ela, não sendo exagerado, tinha solução para tudo, sabia de tudo, entendia de tudo. 
Durante a entrevista, ela, sem nenhuma falsa modéstia, deu verdadeiras lições de vida em frases como:" isso tem que ser assim, aquilo tem que ser assado". "Eu faço, eu prendo, eu arrebento." "Onde eu chego não tem tristeza, velhice não tem vez comigo". "Não gosto disso, não gosto daquilo".
É bem verdade que  eu conheço essa atriz de longa data e sei que seus rompantes chegam a beirar o exibicionismo e à falta de senso de ridículo. Por isso, eu poderia ter simplesmente mudado de canal ou desligado o aparelho, mas me senti impelido a continuar assistindo aquela demonstração de prepotência.
Terminada a entrevista, que por sorte não foi longa, fiquei encasquetado com tudo o que ouvi. As palavras da atriz continuaram na minha cabeça mesmo que eu fizesse esforço para não pensar nelas. Daí, comecei a racionar: o que leva uma pessoa, por ser conhecida, a se sentir no direito de ditar regras para as outras pessoas? O simples fato de ser uma atriz de sucesso (que ela mesma disse ter conseguido com muita luta, briga e mais o que se possa imaginar), dá a ela o direito de se achar num patamar acima das outras pessoas? O que é mesmo o sucesso?
Não acredito que seja somente estrelar uma novela na Globo e ser conhecida, por isso, no pais inteiro e até no exterior. Sucesso é algo muito diferente disso. Sucesso é fazer bem e com prazer aquilo que se gosta. É sentir-se satisfeito com o que se faz. Uma professora pode considerar-se uma pessoa de sucesso, se no final do ano ela perceber que seus alunos aprenderam aquilo que elas lhes ensinou. Um médico ao ver o seu paciente curado pode sentir a mesma sensação. E assim vai: pedreiro, padeiro, faxineiro, motorista, cozinheira. Todos podemos ser pessoas de sucesso sem aparecer na televisão e sem ditar regras para ninguém.
A culpa talvez não seja da atriz. Ela vive num meio que exalta pessoas como ela, ou seja, as pessoas que vivem de falar. Apenas falam. Basta se virem diante de uma câmera e de um microfone que dispararam a falar sem pensar no que estão dizendo. E, sobretudo, sem se sentirem obrigadas a ser coerentes.  Apenas dizem, mas não fazem. 
Provavelmente, num outro programa, esquecida das afirmações que fez, ela faça outras até opostas. Pelo jeito, o importante é ser polêmico e falar coisas que façam a audiência subir. Quando apagam as luzes do estúdio ou se vê na solidão de sua casa, é possível que ela queira muito acreditar e fazer o que diz para "chocar" o público. É possível que assistindo à própria entrevista ela pense: "que bom seria se eu fosse essa pessoa que fala na televisão".