Pesquisar este blog

sábado, 21 de janeiro de 2012

Os ditadores.

     É provável que a vida seria bem menos complicada se todos fossem iguais, se todos tivessem as mesmas ideias, as mesmas necessidades, as mesmas vontades. Por outro lado, além da chatice que isso geraria, ainda tem o fato de que se todos pensássemos da mesma forma correríamos o risco de querermos as mesmas coisas ao mesmo tempo. o que certamente geraria o caos. Filosofias à parte, o fato é que tem muita gente que pensa assim. Pensa que todo mundo tem que ser do mesmo jeito, ter os mesmos gostos, agir exatamente da mesma maneira. Isto é, da maneira que elas pensam.
     Do contrário, elas taxam os que pensam e agem de forma diferente da delas como, no mínimo, fora de moda, julgando que as  outras pessoas têm que falar como elas falam (se possível usando as mesmas palavras e frases), andar como elas, se vestirem como elas se vestem, gostar das cores que elas gostam, fazer as combinações de cores e objetos que elas fazem.
     Trocando em miúdos, essas pessoas se julgam melhores e mais entendidas em todos os assuntos que todo mundo. Criam regras próprias de vida e comportamento e acham que todos devem seguí-las sem pestanejar. Caso não o façam, vão para o inferno dos mal arrumados, vestidos, dos que falam tudo errado, dos que se comportam inadequadamente, enfim, dos párias sociais.
     Para esses ditadores de moda e regras só existe um caminho a seguir: o deles. O resto vive à margem, ou seja, são os marginais que se desviaram do único caminho possível, que só eles conhecem e podem indicar.
     Sei que vocês estão pensando: "mas de que diabos esse cara está falando?" Calma. Eu explico. Estou falando de todos esses ( não são poucos) que vivem por aí ditando regras seja no falar, no vestir, no pensar, no comportamento. Eles estão em todos os lugares: no rádio, na televisão, nos jornais, nas escolas, nas igrejas, nas ruas, nos livros, nas revistas. É um verdadeiro exército disposto a enquadrar todo mundo que anda fora de suas regras.
     É claro que eu não sou louco de pensar que não deveria existir regras para a língua, para o vestir, para a vida social e tudo o mais. Só que dentro dessas regras deve haver espaço para respeitar as individualidades. Vistos de fora, muitas vezes, parecemos iguais. Mas de perto guardamos grandes diferenças que precisam ser respeitadas e não postas na conta da pura rebeldia e desrespeito ao pré-estabelecido.