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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pedindo desconto.


     Parece estranho ver a vida dessa forma, mas é exatamente assim muitos vivem: passam o tempo todo pedindo desconto. Agem como se a vida fosse um eterno "ir às compras" com pouco dinheiro no bolso ou mesmo sem muita vontade de gastar o que tem. Nesse caso, ninguém é louco de dizer que o(a) sujeito(a) não está com razão. Essa atitude, além de baixar os preços, sempre estão nas alturas, faz muito bem para o bolso.
     É a tal lei da oferta e da procura. O comércio funciona assim e é preciso saber jogar esse jogo para não ter muito prejuízo nem para quem vende, nem para quem ... Bem, pera lá. Onde está indo esse texto? Para dizer a verdade não era bem esse o assunto. Queria (e ainda quero) falar sobre outro jogo: o jogo da vida. Nesse caso, pedir desconto não pode ser tão bom negócio assim.
     Já sei que você deve estar matutando: "que papo doido é esse?" Calma! A gente chega lá. Estou falando do hábito, na maioria das vezes incentivado pelas religiões, de que devemos ficar o tempo inteiro pedindo a Deus, aos santos, orixás, anjos, antepassados ou o que seja para nos livrar disso ou daquilo. Basta surgir  uma nuvenzinha escura no horizonte que tem gente que já começa com o petitório. É um tal de livra-me disso, livra-me daquilo, salve-me, proteja-me e vai por aí. Nos tornamos crianças indefesas buscando abrigo debaixo da saia da mãe, esquecidos que só estamos naquela situação porque, quase sempre, desafiamos nossa condição humana e qual gigantes indestrutíveis nos lançamos precipícios abaixo.
     Eu seu que você pode estar dizendo: "mas Deus, os santos, orixás estão aí para isso mesmo. Para nos acolher na hora de necessidade." Tudo bem. Mas você disse bem: "hora de necessidade". Não a toda hora, minuto, fração de segundo.  Por outro lado, ter a certeza da bondosa ajuda de Deus para com a gente não deixa de ser um alívio. Mas vamos lá, isso também nos faz parecer um tanto inconsequentes, não?  Fazemos besteira (a bem da verdade enfiamos o pé na jaca por nossa livre vontade) e quando nos vemos no atoleiro brandamos ao Alto que nos ajude. Até aí nada demais, nê? Só que isso pode significar que não passamos de uns medrosos que não têm coragem de enfrentar a vida de frente, respondendo pelos nossos atos.
     Assim vamos levando a vida, ou seja, pedindo desconto, gastando acima de nossas possibilidades e tentando pagar menos.  Isso faz com nossa relação com o Criador seja a de eternos "pidões". Como os antigos hebreus (os judeus de hoje) ainda somos muito insubordinados. Deus precisa mandar muito maná do céu, fazer brotar água da pedra, mandar abrir o mar ... Não contentamos com pouco, queremos sempre mais, queremos vida boa e, se possível, sem fazer muito esforço.
     É lógico que estou exagerando. Tem  muita gente por aí que faz seu dever de casa direitinho e até agradece quando passa por alguma provação. Saem dela mais fortes, com mais coragem para enfrentar o que vem peal frente , e o que é melhor, mais crentes, com mais fé..