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sábado, 29 de setembro de 2012

Castelos de areia.

Château de sable     "Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira", diz a canção. Mas parece que no nosso dia a dia a coisa é bem diferente, É comum as pessoas seguirem um outro conselho: aquele que diz que mentiras inocentes ou por uma boa causa, não fazem mal a ninguém. Será mesmo verdade? Vale mesmo a pena passar a vida mentindo para si mesmo como forma de tentar se proteger?
     Há quem acredite que sim e nem se importe muito em separar o que é verdadeiro do que é falso. Contam histórias, tecem planos, fazem afirmações que em nada correspondem a verdade. E assim vão levando a vida. É como se tanto fizesse, se não houvesse diferença entre uma coisa e outra. A vida passa a transcorrer mais no plano da imaginação que no plano da realidade.
     E isso é totalmente arriscado. Cedo ou tarde a realidade bate à nossa porta e cobra de nós um mínimo de compromisso com os fatos. Chega o momento em que não estamos mais em sociedade e que não são as outras pessoas que têm que acreditar naquilo que estamos dizendo, mas nós mesmos. É aquele momento em que prestamos contas a nós mesmos, sozinhos com a nossa própria consciência, em que pouco importa o quanto convincente nós somos ao romancear a nossa história.
      O que importa de verdade é como nos vemos, a imagem real que temos de nós mesmos. Nesse momento, caso tenhamos o hábito de mentir para os outros, seremos até capazes de alertar a nós mesmos:
- Para de mentir, fulano (a). Você está sozinho (a). Não tem ninguém te ouvindo. Pode deixar cair a máscara. Pode encara a realidade.
      Parece duro e até um tanto melodramático, mas tem muita gente que vive assim: cria um mundo de fantasias e mentiras. Na frente dos outros contam histórias maravilhosas, feitos mirabolantes, viagens, passeios, negócios, conquistas. Quando está só é obrigado (a) a encarar uma realidade dura e que nada tem a ver com aqueles castelos de areia construídos tão próximos das ondas furiosas do mar.
      A onda vem e destrói tudo o que foi meticulosamente construído. Às vezes criar e manter uma mentira é mais difícil do que encarar a realidade. Aquele que mente tem sempre que estar atento, qualquer deslize tudo pode ruir e a verdade aparece nua e crua e, acima de tudo, ameaçadora, cruel.
     Tudo isso por que? Porque preferiu criar um mundo irreal a viver a vida como ela é. Ou então, recusou tentar de maneira honesta e verdadeira transformar a realidade que não agradava em algo melhor. E isso é sempre possível.  O que não compensa é criar escapes, fugas, saídas que não levam a lugar nenhum.
     Por mais que a realidade seja dura, o melhor caminho é enfrentar. Seja em que circunstância for. Não podemos nos esconder atrás dos problemas, fugir deles como crianças amedrontadas. Depois de uma noite sempre vem o dia. Nada dura para sempre. E quando enfrentamos os problemas, eles diminuem de tamanho, de intensidade. É só encarar tudo de frente, sempre buscando forças dentro de si, incentivando a si mesmo à luta, a dar o próximo e decisivo passo rumo a uma vida livre de mentiras.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Corpo: morada do espirito.

      Basta dar umas voltas pelas ruas para se notar o quanto as pessoas tem uma noção errada delas mesmas. Gordos que se acham magérrimos, magros que se acham gordíssimos, entre outras coisas. Até ai você diria que não há nada de mais nisso. Realmente não há. Cada um tem o direito de se ver da maneira que quiser. Afinal de contas, somos livres para fazer as nossas escolhas, não é mesmo?
      Mas aí mora um probleminha muito comum em quase todos nós: não nos conhecemos o suficiente. Parece que todos os espelhos externos e internos se quebraram e estamos andando sem ter muita noção do que estamos representando. Será que estamos mesmo nos enxergando como realmente somos? Se a resposta é sim, pelo jeito não estamos nada satisfeitos com o que vemos. Pois o que há de gente tentando transformar-se em algo que não é, não está escrito.
      Estamos vivendo uma era em que todos querem mudar alguma (em alguns casos, estão mudando praticamente tudo ) coisa em seus corpos. O magrinho quer ficar fortão, a cheiinha quer virar uma tábua, a que não tem bunda quer botar bunda, os seios precisam de volume, os lábios de enchimento. A coisa parece não ter fim.
      Houve um tempo em que se tirava ruga, corrigia lábios, nariz adunco, mas agora a turma não se conforma em apenas consertar o que precisa de conserto. Querem  reformar tudo: botar abaixo paredes, trocar piso, rebaixar teto.
      Sei que a comparação com  reforma de casas soa estranha, mas é isso que fica subentendido. O corpo virou algo passível de reformas: a cada estação um corpo novo para exibir na praia, nas festas. E no lado espiritual, nada? Desse jeito fica desequilibrado. Vá lá que precisamos dar atenção ao nosso corpo. E isso é bastante saudável. Sem exagero, não?
     Fora as reformas mostradas com orgulho, pompa e circunstância, temos ainda os  "corpos murais". Há muito as tatuagens deixaram de ser meros sinais, enfeites aqui e ali. Agora elas tomam conta de corpos inteiros. Algumas chegam a ser assustadoras. Desculpa a ignorância, mas não sei como alguém pode suportar algo colocado no seu corpo para sempre. Já pensou se um dia o cara acorda com vontade de se  livrar daquilo? Me dá agonia só de pensar.
     Radicalismo à parte, nunca é demais lembrar que nosso corpo é  a morada do nosso espírito e tal e coisa e que ele precisa mais do que ser bem cuidado, precisa ser preservado. Do contrário, passamos a ser outra pessoa. Passamos a atrair outro de tipo de energia. Será que e isso que estamos buscando? Deixar a nossa essência e buscar uma outra. Temos que pensar bem.

sábado, 22 de setembro de 2012

Defendendo ideias.

     Todos nós, pelo menos os ditos normais, temos o costume de estar vez por outra nos autodefendendo de possíveis reações contrárias. É só alguém fazer menção de torcer a cara para alguma coisa que a gente tenha feito, que logo partimos para a defesa. Argumentamos horas a nosso favor sem mesmo saber se a pessoa a quem dirigimos a explicação está interessada ou necessitada dela.
      Muitas  vezes é até fácil de entender esse tipo de atitude, não é? Ao lançarmos uma ideia e tentar fazer com que ela emplaque é comum a gente enfrentar alguma resistência da outra parte. Por isso, é preciso que se lance mão de muito blá, blá, blá para se fazer entendido ou aceito.  Nunca é demais lembrar que todo mundo anda muito disposto a falar, mas a ouvir... Logo estão cansados, com pressa, sem tempo para perder com minúcias. Essas coisas.
     Assim, aquela  ideia revolucionária, aquele ponto de vista que precisava tanto ser exposto para deixar claro o nosso pensamento acaba ficando perdida. Talvez esse seja um dos grandes males da atualidade: damos muito pouca importância ao que o outro tem a dizer. Todo mundo se acha muito interessante, muito sagaz, conhecedor de tudo. Vai daí que ouvir o que o outro tem a acrescentar se torna, aos olhos de alguns, coisa sem importância.
      E isso é uma pena. Se parássemos mais para ouvir o que o outro tem a dizer, talvez a gente descobrisse que aquelas figuras que tanto se despreza são portadoras de muita sabedoria, que elas muito a dizer. Pode até dizer que sejam pessoas sem muita erudição, pessoas que não frequentaram bancos de escola ou se o fez, fez por pouco tempo. É  possível. Mas apenas frequentar bancos de escola não garante sabedoria e grandes conhecimentos a ninguém. Mais que frequentar bancos de escola, é preciso assimilar e transformar o que ali se aprende.
      Bem, esse post não é sobre os meandros do ensino e da aprendizagem, nem mesmo sobre o conhecimento empírico. Antes, é sobre essa necessidade que temos de defender nossos pontos de vista e da resistência que quase sempre encontramos. Algumas ideias justas e boas, outras nem tanto, mas que defendemos com unhas e dentes. Muitas vezes chegando a extremos, agindo de forma radical. Tudo em nome das nossas ideias ou, quem sabe?, da nossa pura e simples vontade de fazer valer a nossa opinião.
      O contrário também acontece, pois é comum a gente ter reações aos projetos dos outros sem nem mesmo saber porque temos aquela posição. Em muitos casos fica evidente que o que temos é na verdade pura birra. Agindo, assim, de forma parcial. O respeito precisa e deve ser de ambas as partes. Só  assim podemos dar o nosso melhor e receber o melhor da outra parte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

"Desculpa esfarrapada".

  Essa expressão é meio antiga, mas creio que muita gente já ouviu sendo usada em algum momento para dizer que alguém  está sendo pouco verdadeiro ao tentar se explicar porque fez ou deixou de fazer alguma coisa. A impressão que se tem é que a pessoa está cansada de saber que ninguém vai acreditar naquilo que ela está dizendo, mas é inevitável. Aquela histórinha cheia de detalhes curiosos, cheia de imaginação surge para explicar o inexplicável.
      A questão deixa de ser, por exemplo,  o atraso e passa a ser a desculpa por se ter chegado atrasado. E olha que muitas vezes o atraso, falta, esquecimento ou seja o que for nem é tão grave assim. No entanto, a desculpa apresentada é sempre desproporcional.
     Tem gente que exagera e mata mãe, pai, avós. Outros criam histórias mirabolantes: "estava passando debaixo de uma árvore e viu um gatinho miando lá em cima..." Desnecessário dizer que nosso personagem, grande apaixonado dos bichanos, fez questão de chamar os bombeiros e ficar até ver o pobre animal ser resgatado heróicamente.
     "Desculpa esfarrapada" é tudo aquilo que a gente diz para justificar nossos deslizes, mas que não cola. A gente só consegue é ficar com carta de palhaço diante de todo mundo. E dá-lhe rizinhos abafados, piadinhas, comentários à meia boca.
     Ao apresentar uma "desculpa esfarrapada" o(a) sujeito(a) tem que estar disposto(a) a enfrentar uma batalhão de perguntas. É isso mesmo. E ter bom humor. Além do mais, nunca se deve esquecer que existem uns e outros que são difíceis de se deixar convencer. Entre eles estão os chefes, maridos e esposas, namorados e namoradas. Esses últimos, se forem ciumentos, então, é melhor ser bem criativo e prestar bastante atenção nos detalhes. O problema são eles.
      Sabe aquelas coisas que não se encaixam? Pois é. Nunca se deve deixar fio solto, perguntas que não se respondem facilmente ou que acabam gerando dúvidas. Está bem. Vai dizer que você nunca teve que recorrer a uma "desculpa esfarrapada"?  Duvido.
    Fora aquelas que matam familiares para justificar faltas ao trabalho, as "desculpas esfarrapadas" costumam ser inocentes e acabam apenas provando que aquele(a) que as conta não passa de um(a) ingênuo(a). Não fosse isso, não estaria lançando mão delas.
     Para dizer a verdade elas, quase sempre, acabam mesmo é provocando o riso de todo mundo. Vai dizer que não é divertido se deparar com algum desses tipos criativos pelo caminho? Só tem um detalhe: vale tudo, menos acreditar em "desculpa esfarrapada".  Fique de olho.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

"Avenida Brasil", depois do capítulo 100.

    Sou fã da novela "Avenida Brasil" desde a primeira hora. ou melhor dizendo, desde o primeiro capítulo. Melhor ainda, bastou ver as chamadas para descobrir que a história tinha pegada e que seu desenrolar seria interessante e cheio de reviravoltas. Além do mais, João Emanuel Carneiro ( não se pode negar que o rapaz tem um nome pomposo) já provou por a + b que entende do riscado e que, diferente de muitos de seus colegas, não pensa que o ofício de escrever novela esteja diretamente ligado ao ato de enrolar, embromar.
     Vá lá que novela seja mesmo entretenimento, que pode claramente ser confundido com passatempo, mas, cá pra nós, até passatempo precisa e deve ter alguma qualidade, não é? E isso João Emanuel Carneiro vinha apresentando a contento em sua "Avenida Brasil". História ágil (apensar de lembrar, e muito, "A favorita", do mesmo autor), muito mistério, acontecimentos impactantes, texto fluente, personagens verossímeis, situações idem. Não seria nada de mais se a gente colasse na novela o selo de "perfeita".  Isso mesmo. Eu sei que pode parecer exagero, mas confesso que cheguei a achar isso.
     A trama vinha redondinha ,embora os deslises quanto ao uso das tecnologias modernas sejam flagrantes, mas até isso dava para perdoar. Afinal de contas, se a gente for levar as coisas ao pé da letra, ficaria impossível escrever novela nos dias de hoje. Então é preciso perdoar que a Nina não tivesse uma câmera de vídeo, uma máquina fotográfica, um celular que tira foto e faz gravação de vós. O autor "teve" que esquecer esses avanços da tecnologia para nos garantir mais emoção e ação e , é claro, alguns capítulos a mais. Do contrário, tudo se resolveria em, no máximo, dez capítulos.
     Estava tudo muito bem, tudo muito bom, a novela caiu no gosto do povo; a Carminha confirma o talento de Adriana Esteves; o Max dá fôlego a carreira de Marcelo Novaes; e tem mais o Nilo, a Lucinda, o Leleco (Marcos Caruso não é tão velho quanto se pensava), o Adaulto (grande surpresa), a Mona Lisa, Olenka, Verônica, Cadinho, a Ivana, as duas empregadas, Zezé e Janaína. Suelem; enfim, é gente demais, melhor parar por aqui. Isso sem deixar de lado a direção, segura e eficiente. Nossa! Repararam? Estou  quase me sentindo um crítico especializado.
     Porém (tinha que ter um "porém"), chegamos ao capítulo cem. Lembra de tudo o que foi dito acima? Estou quase me arrependendo do arroubo. A partir do capítulo cento e qualquer coisa, aquela novela ágil, aqueles acontecimentos impactantes deram lugar a uma novela requentada, quase um pastiche de si mesma. Sem exagero. O autor pisou no freio e a história está devagar quase parando.  Situações que eram resolvidas no mesmo capítulo, agora se arrastam, dando a ideia de que não se tem mais muita história para contar e que o jeito é dar uma "enroladinha".
     Que pena! Um dos grandes trunfos da produção era exatamente sua agilidade, um jorro de ideias e desfechos sempre surpreendentes. Em alguns momentos, tem-se a impressão de que depois do capítulo cem o autor passou a repetir situações já apresentadas e que sua criatividade anda um tanto esgotada. Parece ter acelerado demais sua história no início e agora precisa ir devagar para cumprir um número de capítulos estipulados.
      Já vi isso acontecer com outro bom autor da Globo, Benedito Rui Barbosa. Ele também costuma contar toda a sua história nos primeiros capítulos e depois fica apenas repetindo (literalmente) o que aconteceu antes. E por falar em outro autor, João Emanuel Carneiro resolveu fazer uma "homenagem" ao rei da armação, Gilberto Braga, mas derrapou e ficou devendo para o mestre. A cena em que Nina tem um saquinho de drogas plantado em sua bolsa foi muito mal escrita. Deu até para sentir saudades das tramas do Gilberto Braga e de todos os seus seguidores.
     Mesmo assim ainda é possível assistir a "Avenida Brasil" com a sensação de que o gênero pode ter alguma sobrevida. Mas ninguém me tira da cabeça que a novela tinha fôlego apenas para uns cem ou cento e vinte capítulos. Nada mais que isso. Pois aguentar a Nina (acho que deixei de citar a Débora Falabela, com sua contraditória mocinha (?)) emperrando a trama com a desculpa de que se revelarem os segredos de Carminha o Tufão vai sofrer muito. Engano, garotinha. Quem sofre muito somos nós, os telespectadores.

sábado, 15 de setembro de 2012

A dificuldade de adquirir bons hábitos.

     Desde pequeno a gente ouve que é muito mais fácil aprender coisas desnecessárias (as chamadas coisas ruins) do que aquelas que realmente podem nos trazer benefícios na vida (as chamadas coisas boas). Acho que não é muito difícil acreditar que isso é seja verdade. Pois crescemos, nos tornamos adultos, e é aí a coisa piora. Continuamos, não só a aprender as chamadas coisas ruins, como a ter um verdadeiro fascínio por elas.
     Descorde de mim,se quiser. Mas, geralmente, é na fase adulta que descobrimos o cigarro, a bebida, as drogas em geral, a falta de horários, as comidas que engordam, o sedentarismo e tudo aquilo que pode até divertir, dar algum prazer, mas acaba detonando com a nossa saúde e a nossa qualidade de vida.
     Assim como existem as campanhas para que a gente adentre o mundo dito maravilhoso dos vícios, também existem as que, talvez com menos insistência, é verdade, nos chamam para que busquemos uma vida mais saudável e que cuidemos mais do nosso corpo e, por consequência, de nossa mente.
     Só que diferentemente dos outros chamados, esses quase ninguém atende. No fundo todo mundo acha que é coisa de louco gastar horas e horas cuidando do corpo. Acham que é coisa de narcisista, ditadura da moda, exibicionismo e vai por saí. Pode até ser que seja. Tem muita gente que tem mesmo uma necessidade de cuidados em relação ao corpo que não é só a de manter a saúde e o bem-estar. Há mesmo muito exibicionismo e loucura.
     Mas tirando isso, cuidar do corpo, sem esquecer a mente e o espírito, é mais que saudável, e necessário. Afinal de contas, os anos passam e é preciso manter-se de pé, não é mesmo? Para quê ficar parados se podemos nos mexer e com isso ganhar em qualidade de vida, disposição, alegria, autoestima, prazer de estar vivo e participando do mundo, atento às coisas, independente da idade, não é?
     Ficar parado, sentindo-se pesado (a), enferrujado (a), sem ânimo para nada, com dores por todo o corpo é uma opção de vida. Cada um de nós é livre para fazer as suas escolhas. Não existe a menor dúvida quanto a isso.  Porém, ninguém pode negar que é muito mais interessante aceitar os apelos da vida saudável e entrar para o pelotão daqueles que querem sentir-se bem, dos querem viver de forma ativa e participativa, aproveitando de cada minuto do que o contrário.
     Essa decisão, por mais que se pense que não, é sempre nossa. Largar o cigarro, a bebida, as drogas, deixar para traz o brilho falso e ilusório, está nas mãos de cada um. Basta que a gente passe a se querer bem, a querer tirar a venda dos olhos e ver o mundo sem subterfúgios, valorizando aquilo que nos mantém de pé sem muletas.
     Somos capazes de fazer escolhas inteligentes que nos livrem das amarras e nos deixem caminhar rumo ao que realmente edifica e constroe. Alguém poderia dizer que isso não é assim, que falar é fácil. E´verdade. Não é fácil abandonar hábitos arraigados, às vezes mantidos por uma vida inteira, mas também não é impossível.  Para isso, é preciso apenas dar o primeiro passo: amar a si mesmo.

Bom final de semana para todos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Aceite o que a vida está oferecendo.

     Normalmente, temos por hábito desejar as grandes realizações. Desde pequenos somos levados a sempre querer o melhor para nós, escolhendo as melhores profissões, as que rendem mais e dão mais estatus, os melhores amigos, namorar com a (o) garota (o) mais bonita (o), enfim, tudo aquilo que nos leve ao patamar mais alto.
      E não há de errado nisso. Se podemos desejar, almejar, sonhar que seja com o melhor, não é mesmo?  Basta apenas não se esquecer que não devemos apenas sonhar e ficar de braços cruzados. E´preciso sair em campo e lutar pelas nossas aspirações, pelos nossos sonhos mais caros.
     Acontece, no entanto, que às vezes a vida insiste em não dar aquilo que pedimos. Muito antes, pelo contrário. Fazemos nossos pedimos, cruzamos nossos dedos, nos esforçamos (pelo menos, assim acreditamos que fazemos) e acabamos por receber algo muito aquém daquilo que pretendíamos.
     Muita gente fica completamente desolada e triste. Chora, grita, esperneia, se revolta, quer morrer. Não economiza energia para dizer à vida, ou a quem quer que seja, que aquilo que está sendo oferecido não é o que foi pedido e que, portanto, será devolvido tal como foi enviado. Nem faz questão de abrir o embrulho para dar uma olhadinha no seu interior e com isso se certificar de que não é mesmo o pedido feito. O entregador, coitado, geralmente é obrigado a dar meia volta. Sem nada ter com o peixe, acaba ainda levando alguns xingamentos pela cara afora.
     Com toda a fúria do mundo, a gente bate a porta e se encerra em divagações terríveis: o destino insiste em não atender os pedidos que fazemos e tenta nos empurrar qualquer coisa goela abaixo. Sentimos-nos injustiçados e não percebemos que agimos como crianças malcriadas que não param para ouvir ou entender que a vida muitas vezes age de maneira sorrateira. Nem sempre as coisas seguem padrões tão certinhos quanto a gente pensa.
     Já imaginou que ao se  negar a abrir um presente que não tem a forma daquilo que queremos ganhar podemos estar cometendo um grave erro de julgamento? A vida pode estar tentando brincar um pouco com a gente. Pode acreditar, ela (a vida) também tem senso de humor. Ao pedir, por exemplo, um carro de presente podemos receber apenas uma pequena caixa contendo somente a sua chave.
     Ao se negar a abrir a pequena caixa, a gente abre mão daquilo que desejamos tanto, ou seja, o carro. Por isso, precisamos ficar atentos e passar a ser mais receptivos com a vida. Muitas vezes, ao querer trilhar um caminho, recebemos apenas as pistas de como encontrá-lo. Se não dermos a devida atenção a elas (as pistas) podemos nunca encontrar o caminho.
     Aceitar o que a vida está oferecendo, seja em que situações for, não é abrir mão dos nossos sonhos ou sinal de passividade e conformismo. E´, em muitos casos, uma forma de mostrarmos o quanto somos gratos, o quanto somos capazes de ver além das aparências.

Boa semana para todos.

sábado, 8 de setembro de 2012

"Vote que eu garanto".

     Como acontece à cada dois anos, elas estão de volta. As ruas estão cheias de cartazes, gente distribuindo "santinhos" e, apesar da boa tentativa de colocar uma certa ordem na bagunça, ainda se vê muito candidato cometendo infrações na busca do voto dos eleitores. Esses, pelo menos na minha opinião, parecem não estar muito interessado. E cá pra nós, com toda razão, não é?
     Tudo o que se vê, como sempre foi, aliás, é gente prometendo coisa que não vai cumprir, candidato buscando salientar os erros e defeitos de seus oponentes. Não para corrigir ou fazer melhor, mas apenas para ter um motivo para pedir voto. Fica patente que tudo não passa de simples e tacanha improvisação. Não dá para levar a sério.
     Pelo lado dos candidatos a vereadores, o que se tem é um bando de desconhecidos, saídos quase sempre sem que se saiba de onde, loucos para conseguir uma vaguinha, ou trocando em miúdos, um emprego muito bem remunerado, cheio de pompa e circunstância. Quem não quer uma boca dessas?
     Mas o caminho até lá não parece ser dos mais fáceis e tem aqueles que apelam para estratagemas ridículos e promessas estapafúrdias. Sei que você já está pronto(a) para dizer que sempre foi assim, que não tem outro jeito senão aturar toda essa bobozeira e que daqui a pouco tudo passa e ninguém vai mais se lembrar que na semana anterior teve a "obrigação" de ir até sua zona eleitora e participar da tal da eleição.
     E´ verdade. Também concordo. Dizem até que tem muito eleitor (a maioria) que logo após digitar seu voto na moderna ( embora eu ache um tanto feinha) urna eletrônica, já não se lembra mais da escolha que fez. Não sei se isso  acontece por complexo de culpa ou se é porque o(a) escolhido(a) nunca é alguém de quem realmente se possa lembrar. Tem gente que é mesmo muito fácil de ser esquecida. Acredito que candidatos políticos fazem parte desse grupo.
      Triste constatação. Além de triste, perigosa. Sim, porque é mesmo perigoso esquecer o nome da pessoa a quem a gente deu as chaves da nossa casa, não é? Sabendo que não vai ser lembrado ou reconhecido a turma aproveita e faz a festa. Mas não devemos perder as esperanças. Um dia, com a graça de Deus, isso muda. Tenho fé.
     Agora, o que tem me chamado mesmo a atenção nessas eleições municipais é algo também muito comum na política: o voto por encomenda, o voto recomendado. São políticos, artistas ( esses sempre metendo o bedelho onde não deviam) e outras personalidades. Eles chegam, apresentam um discurso elogiando determinada pessoa e, sem a menor cerimônia, fazem e pedido que vem acrescido de: "Vote que eu garanto". Garante exatamente o quê, caras pálidas? Não garantem coisa nenhuma.
     Eu não acredito que o povo caia nessa esparrela de votar em alguém que, por exemplo, o nosso digníssimo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apresente. Não vejo eficácia nesse tipo de coisa. Jamais votei atendendo a pedido desse tipo. Pois quase sempre são palpites infelizes. Independente de onde venha.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ajudas especiais.

     Logo depois que tive conhecimento do espiritismo e, por sua vez, da comunicação entre os espíritos e os encarnados, passei a apostar na possibilidade de nunca, ou quase nunca, estarmos pensando e agindo por nós mesmos sem a participação ou interferência dos espíritos.
    Essa visão é corroborada por muitos livros e mensagens ditados pelos espíritos. Não que isso signifique que sejamos o tempo todo teleguiados e, por isso, seres sem vida própria. Não é nada disso. Apenas reafirma a ligação existente entre os dois mundos. Ligação essa, ainda muito mal vista pelas pessoas que veem nisso apenas bruxaria e crendice sem muita importância.
     Nunca é demais lembrar que temos nosso livre arbítrio. Independente de qualquer coisa, sempre cabe a nós, e somente a nós, a escolha de qual caminhos vamos tomar, que rumo vamos dar à nossa vida, aos nossos pensamentos e atitudes. Mesmo sabendo que somos todos muito sugestionados e passíveis de sofrer influências seja de desencarnados ou de encarnados.
     Porém, não se pode negar que essa, digamos, parceria exista e que ela acontece mais frequentimente do que se possa imaginar. E nem é preciso ser espírita para isso. Nem mesmo acreditar no espiritismo, na existência de Deus ou no que quer que seja. Basta estar encarnado para que essa parceria aconteça. Querendo ou não estamos o todo tempo recebendo inspiração dos espíritos para fazer as coisas a que nos predispomos. Isso vale para cientistas, escritores, pintores, escultores e inventores de toda sorte.
     E nem sempre se tratam de coisas grandiosas, grandes invenções, tratados, ideias para ganhar muito dinheiro e resolver todos os problemas do mundo. E´claro que também essas coisas, mas na maioria das vezes se trata de coisas simples e corriqueiras de nosso dia a dia. Nem por isso, menos importantes e necessárias para o bom andamento da vida no mundo.
     Como o "outro lado" não é habitado apenas por bons espíritos, é preciso ficar alerta para não atrair para junto de si aqueles "amigos" indesejados que insistem em bagunçar o coreto aqui na terra. E, infelizmente, eles existem em grande número e acabam tendo muita facilidade de se aproximar dos habitantes do nosso mundo.
     Parece incrível, mas aqueles que sopram ideias menos edificantes acabam por encontrar maior adesão nossa. Somos mais atraídos pelos agitadores e bandoleiros do que pelos que trazem consigo mensagens de amor, paz e união.
    No entanto, isso não é motivo para desespero, O trabalho dos espíritos comprometidos com o bom adiantamento da vida na terra não cessa. Eles mantêm firme o compromisso de ajudar a humanidade a dar esse passo tão importante para a sobrevivência do nosso planeta e para nossa evolução. Pena que a gente não dê muita atenção a eles e continuemos surdos aos seus ensinamentos e às suas ajudas tão especiais e tão necessárias.

sábado, 1 de setembro de 2012

Dificuldades são para serem enfrentadas.

     Sabe aquelas vezes em que você tenta fazer algo e não consegue,  tenta de novo e de novo e mais uma vez sem nada conseguir? Pois é. Essas coisas acontecem. Você vai pensando que tira tudo de letra e que aquela empreitada vai ser barbada e se vê diante de um problema daqueles.
     Nesses momentos, todos aqueles conceitos que você tinha a seu próprio respeito caem por terra. Na verdade, nem sempre temos uma exata noção das nossas capacidades: ou partimos para nos superestimar ou para nos denegrir. Quase nunca nos avaliamos de maneira correta e precisa. E é por isso que nos deparamos com situações em que não fazíamos ideia da nossa facilidade em fazer alguma coisa ou com a nossa dificuldade de realizar uma outra.
     Geralmente somos pegos de surpresa. Quando a surpresa é positiva, ou seja, descobrimos alguma habilidade que nem desconfiávamos que tínhamos, tudo muito bom. Ficamos muito felizes e fazemos questão de que todo mundo saiba daquele nosso talento que estava adormecido e não sabíamos.
     Agora, se acontece o contrário, aí o bicho pega. Ficamos chocados com aquela, digamos, falta de habilidade e tratamos de fazer com que ninguém saiba. Muitas vezes, a coisa se resolve com algumas aulas a mais ou treino intensivo. Logo superamos a dificuldade inicialmente encontrada e podemos respirar aliviados. Após isso, até saímos contando para os amigos as nossas mancadas e rimos junto com eles dos nossos tropeços.
     Porém, às vezes a coisa é mais séria. A dificuldade persiste um pouco mais e de repente nos vemos diante de dificuldades mais sérias. E´ quando nos sentimos burros, incapazes, e chegamos a acreditar que nunca vamos conseguir. Esse é um momento delicado. Muita gente chega a desistir para sempre de realizar alguma atividade por julgar que é incapaz.
     Trata-se, muitas vezes, de um grande erro. Todos somos capazes de realizar tudo aquilo que desejamos. Só que, às vezes, temos que nos dedicar um pouco mais e vencer certas barreiras e dificuldades. O que não se pode é desistir sem antes tentar quantas vezes forem necessárias.
      E evitar as comparações que sempre fazemos entre as pessoas: se alguém é mais hábil em alguma coisa, passa a ser o exemplo, o modelo. E´preciso lembrar que as pessoas têm habilidades diferentes, maneiras diferentes de aprendizado e vai por aí.
     Outro caminho é entender  aquela dificuldade como um aviso de que a gente precisa se conhecer melhor, ficar mais atento a si mesmo e rever os nossos conceitos. Nenhuma dificuldade surge por acaso. E´sempre um aviso, um alerta. Habilidades também se adquire através do esforço, da superação. Basta para isso estarmos dispostos a não desistir na primeira dificuldade ou dar ouvidas àquelas pessoas que sempre se aproveitam nessas ocasiões para poder humilhar e desestimular aqueles que estão tentando superar os problemas que encontraram no seu caminho.
     Isso vale para tudo na vida. Desistir é sempre a última opção. Antes devemos esgotar todas as possibilidades e nos empenhar ao máximo. A história da humanidade é repleta de casos em que aqueles que hoje chamamos de gênios chegaram a ser considerados como incapazes. Acho que devemos sempre pensar nisso.