Pesquisar este blog

domingo, 15 de junho de 2014

Hora de rir.

     Diz a canção que "o pra sempre acaba". Não, eu não quero fazer uma homenagem ao saudoso (não dá para deixar de usar esse adjetivo) cantor Renato Russo que, numa bela canção, nos alertava para essa dura realidade. Nem muito menos a minha intenção ao tocar nesse assunto não tem nada de depressivo, pois ão quero  falar das perdas da vida que nos levam a olhar para trás cheios de saudades e com lágrimas nos olhos.
     O que quero fazer é falar dos nossos muitos enganos, da nossa (minha, em particular) ingenuidade diante da vida. E essa ingenuidade, que muita gente pode classificar de pretensão ou até coisa pior, se dá de forma mais forte, sem dúvida, quando se é jovem.
    Na juventude, além de acreditarmos que tudo vai durar para sempre, inclusive a  própria juventude, somos levados a pensar que não existe um amanhã. No máximo, aceitamos que, se existe, ele está muito longe de acontecer. Até chegar o tal "amanhã", muita coisa ainda vai acontecer e esse tempo, numa cabeça jovem, toma ares de infinito.
     Bom seria se assim fosse, não é? Viveríamos jovens e felizes para sempre. O  tal amanhã, porém, um belo dia, dá o ar da graça e descobrimos que o "pra sempre acabou". A utopia da eterna juventude se desfez e temos que conviver com a realidade da finitude não somente das coisas, mas a nossa própria finitude.
     Duramente, descobrimos que as amizades se desfazem com o tempo, que os amores acabam, que as pessoas mudam, que nós também mudamos todos os dias. As crenças que tínhamos mudam, ficamos mais isso ou menos aquilo. Sem se tornar outra pessoa, vale lembrar..
     É nesse momento que, sem nenhuma melancolia, podemos olhar para trás e dar boas risadas de nós mesmo, pois vemos o quanto estávamos enganados ao sustentar essa ou aquela posição, por ver problema em coisas que tão banais, por acreditar em coisas tão estupidas.
     Também, nesse momento, descobrir o quanto foi importante passar por tudo aquilo, o quanto foi importante quebrar a cabeça, a cara, o corpo inteiro. Se não fosse isso a risada que você dá hoje não teria a mesma sonoridade.
    Ao contrário, hoje você estaria lamentando ter querido ser adulto antes do tempo e de não ter dado chance a si mesmo de experimentar, de errar para no final das contas poder contabilizar uns poucos, mas generosos, acertos..

sábado, 7 de junho de 2014

Sufocados por palavras não ditas.

     Corre pela internet, pelo facebook para ser mais preciso, um texto simples, mas que me chamou a atenção. Nele, alguém lamenta a morte de uma determinada pessoa motivada por sufocamento. Até aí, nada demais. Apesar de triste, é perfeitamente natural que alguém morra em decorrência de um sufocamento, pois sabemos que o ar é vital para a manutenção da nossa vida e que a falta dele nos leva à morte.
    O texto, porém, nos avisa que não se tratou de sufocamento qualquer e, sim, um sufocamento por palavras não ditas. Espera aí, o que é isso? É possível que alguém morra sufocado por palavras que não falou?
    Infelizmente, é possível sim. E, provavelmente, não sejam poucos os óbitos que  se dão por esse mal. Em tempos de politicamente correto, está cada vez mais difícil falar. Não aquele falar do blablabá tão comum em nossos dias, mas o falar onde você diga exatamente aquilo que está pensando. O falar onde você, eu e todo mundo, usemos a nossa liberdade de expressão e não fiquemos o tempo todo preocupados com o que se pode ou não se pode falar.
    É verdade. Estamos vivendo num tempo, literalmente, de liberdade vigiada. Somos livres e tal e coisa, mas nem tudo é permitido, nem tudo pode ser dito ou sequer pensado, sem que você seja taxado disso ou daquilo.
   Sou a favor daquela máxima que diz que nossa liberdade começa onde termina a do outro e vice versa e que é preciso ter cuidado com o que se diz. Não podemos sair por aí dizendo o que pensamos sem levar em conta quem está do nosso lado.
   Tudo sem paranoia e sem um código de conduta tão rígido, onde ninguém mais diz o que pensa e, se diz, pode sofrer sanções. Isso leva, irremediavelmente, a uma sociedade falsa, hipócrita calcada em proibições.
   Dessa maneira, estamos todos fadados a viver com palavras paradas em nossas gargantas sem poder sair e correndo o risco de morrermos sufocados por elas. Palavras essas que, muito certamente, não são apenas de ofensas e ódios, mas também de amor e gratidão. 
    Precisamos encontrar o caminho do meio e ele, talvez,  seja dizer as coisas que pensamos com os cuidados necessários e na dosagem certa.
Bom domingo!