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domingo, 31 de março de 2013

Só a vida ensina - Capítulo 6

A saga de Joel continua.


SÓ A VIDA ENSINA

Capítulo 6

CENA 1 - INTERNA/DIA - CASA DE BERNADETE - SALA
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA 8 DO CAPÍTULO 5
OZIAS ESTÁ DE PÉ NO CENTRO DA SALA. QUANDO ELE ENTROU TODOS SE LEVANTARAM,. BERNADETE NÃO CONSEGUE DISFARÇAR SUA PREOCUPAÇÃO. ARTUR ENTRA CORRENDO E ABRAÇA O PAI.

JOEL – Que é isso, Ozias? Isso é maneira de receber seu cunhado e sua sogra?

OZIAS – (TRANSTORNADO) Cunhado!? Como você tem coragem de voltar aqui, seu canalha?

BERNADETE – Calma, Ozias. O Joel e a mãe só vieram aqui para nos fazer uma visita. Eles nem pretendem ficar, não é?

A PERGUNTA FICA NO AR UM TEMPO. DONA MARGARIIDA FAZ SINAL PARA JOEL FALAR ALGUMA COISA.

DONA MARGARIDA – Fala, Joel. Se você não fala, falo eu.

JOEL – Pode deixar, mãe. Eu falo.

OZIAS – Vem bomba aí.

BERNADETE – Espera, Ozias. Deixa o Joel falar. (CONCILIADORA) Por que a gente não senta? (SAINDO) Eu vou preparar um café.

OZIAS – Nada disso, Bernadete. Vamos primeiro ouvir o que o seu irmão tem a dizer.

BERNADETE PERMANECE NA SALA. TODOS SENTAM.

OZIAS – E então...

JOEL – Sabe o que é... Eu tive aí uns contratempos. Perdi o emprego e tivemos que entregar o apartamento. A gente, eu e a mãe... A gente tá, temporariamente, sem onde morar. Essa que é a verdade.

BERNADETE – O quê?

OZIAS – Vê se eu entendi... Vocês estão sem ter onde morar e então resolveram se aboletar aqui na minha casa?

JOEL – É só por uns tempos...

OZIAS – Uns tempos!?

JOEL – Vê se dá pra você esquecer as mágoas do passado, cunhado. Eu sei que eu sempre aprontei muito, mas eu tô mudado, não é mãe? (TEMPO) A vida ensina a gente, Ozias. Você tem razão. Tá mais que na hora de eu criar juízo. Tô disposto a correr atrás de emprego. Você vai ver. Em pouco tempo tô empregado de novo e aí é vida nova.

OZIAS – Até isso acontecer, se acontecer, eu é que pago o pato. (SAINDO DA SALA) Era só o que me faltava. (SAI)

CORTA PARA:

CENA 2 - INTERNA/DIA - CASA DE BERNADETE -  SALA
APÓS O JANTAR, TODOS ESTÃO REUNIDOS. OZIAS PUXA BERNADETE PARA UM CANTO.

OZIAS – Você tem que dar um jeito nisso.

BERNADETE – O que você quer que eu faça? É meu irmão, é minha mãe... Não dá para fechar as portas assim. Será que não dá para você entender, Ozias?

OZIAS – Não. Eu não entendo. (TEMPO) Eu não quero esse pilantra aqui em casa misturado com nossos filhos. Eu entendo que é seu irmão, mas você sabe que ele não presta. Se tá nessa situação é porque nunca teve responsabilidade.  Sempre botou fora tudo o que ganha, além de torrar o dinheiro da pensão de dona Margarida.

BERNADETE – É por ela que eu tô preocupada. (TOM) Eu não posso deixar minha mãe na rua.

CORTA PARA:

CENA 3 - INTERNA/DIA. - CASA DE BERNADETE -  SALA.
BERNADETE ESTÁ DIANTE DE JOEL E DONA MARGARIDA. BERNADETE ESTÁ NERVOSA, AFLITA.

DONA MARGARIDA – Senta, Bernadete. Assim você vai passar mal.

JOEL – Parece que a Dete não tem notícia boa pra gente, né, Dete?

BERNADETE – Tenta entender, Joel. (TEMPO) O Ozias não consegue esquecer as vezes que você aprontou com ele.

JOEL – (LEVANTANDO-SE PARA PEGAR AS MALAS QUE AINDA ESTÃO NA SALA) Já entendi tudo. Estamos sendo colocados no meio da rua. (TOM) Vamos embora, mãe.  Sua filha tá fechando a porta na nossa cara.

BERNADETE – Não é nada disso.

JOEL – Então o que é?

BERNADETE – O Ozias disse que a mãe pode ficar. (TEMPO) Você se arranja melhor, Joel. É homem, sabe se virar. A casa é muito pequena pra tanta gente. Os meninos estão crescendo... Olha, você pode fazer as refeições aqui, só não pode ficar morando.

JOEL – Tudo bem, Bernadete. (TOM) E pensar que eu sempre tive a maior consideração por você. (PARA A MÃE) Fica aí, mãe. É só eu conseguir um emprego que eu volto para te buscar.

DONA MARGARIDA – Para onde você vai, filho?

JOEL – Eu me viro. (PEGA UMA MALA, DESPEDE-SE DA MÃE E SAÍ. BERNADETE ABRAÇA A MÃE QUE CHORA AO VER O FILHO PARTIR.)

CORTA PARA:

CENA 4 - INTERNA/NOITE - CORREDOR DE UM PRÉDIO - PORTA DE UM APARTAMENTO
JOEL ESTÁ DE PÉ TOCANDO A CAMPAINHA. A PORTA SE ABRE E SURGE FÁBIO. ESTÁ VESTIDO APENAS DE CALÇÃO.

FÁBIO – (SURPRESO) O que você está fazendo aqui, Joel?

JOEL – O cunhadinho bíblia não me quer na casa dele. Acha que vou desencaminhar os filhos dele.

FÁBIO – E não é para menos, né, Joel? Você sempre aprontou muito com ele.

JOEL – Aquele babaca! Vai ver. É só as coisas melhorarem que eu pego ele de jeito. (TEMPO) E aí, não vai me convidar pra entrar? Acho que sobrou pra você, amigo. Tenho que ficar aí uns dias.

FÁBIO – ( SEM JEITO) Sabe o que é, Joel?...

JOEL – Vai negar ajuda pro seu amigo, vai?

FÁBIO – Não é isso, cara. É que a Marluce...(TEMPO) Acho que eu esqueci de te dizer. A gente tà morando junto.

JOEL – Não vai me dizer que se deixou cair na armadilha?

FÁBIO – Isso aí, Joel. A Marluce é uma garota legal e já estava passando da hora da gente se juntar. (TEMPO) E o apartamento é muito pequeno. Não dá. Você entende?

SEM DAR RESPOSTA, JOEL PEGA SUA MALA E SAI. FÁBIO O OBSERVA SE DISTANCIANDO.

CORTA PARA:

CENA 5 - INTERNA/NOITE - BAR NO CENTRO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
 SENTADO NO BALCÃO, COM SUA MALA DO LADO, JOEL BEBE UMA CERVEJA.

JOEL – (CONSIGO MESMO) Veja aonde você chegou, Joel. E agora? Até o Fábio, que se dizia ser seu melhor amigo, fechou as portas pra você. E tudo isso por quê? Por causa da Marluce. Fábio se deixou amarrar pela Marluce. Era só o que faltava. Se bem que... (FICA PENSANDO DURANTE UM TEMPO) Eu também... Ora, ora. Por que eu não pensei nisso antes?

TOMADO POR UMA INESPERADA ANIMAÇÃO, JOEL PAGA A CONTA E SAI DO BAR LEVANDO SUA MALA.

CORTA PARA:

CENA 6 - EXTERNA/DIA - PORTA DO SALÃO ONDE VERINHA TRABALHA
JOEL E VERINHA CONVERSAM

VERINHA – Já falei que a minha patroa não gosta que a gente receba visitas aqui?

JOEL – Essa sua patroa é muito chata. (TENTA ABRAÇAR VERINHA) Vem cá, meu amor.

VERINHA – (AFASTANDO-SE DE JOEL) Sai pra lá.

JOEL – (SENTIDO) Pô! Eu aqui cheio de amor pra dar e você me rejeita?

VERINHA – Aqui não é lugar disso. Já falei.

JOEL – Tá bom. (TEMPO) Que tal se a gente saísse hoje à noite?

VERINHA – Você convida, mas sempre me dá o bolo.

JOEL – Hoje vai ser diferente. Pego você às oito, combinado?

VERINHA – Combinado.

ELES SE DESPEDEM E VERINHA ENTRA. JOEL SAIU CAMINHADO TODO ANIMADO.

CORTA PARA:

CENA 7 - INTERNA/NOITE - UM BAR FREQUENTADO POR CASAIS
JOEL E VERINHA ESTÃO NUMA MESA.

VERINHA – Pra que tudo isso, Joel? Você nunca me trouxe num bar desses. Ganhou na loteria, foi?

JOEL – (GALANTE) Que nada! (TOM) Eu tô é apaixonado.

VERINHA – Apaixonado?

JOEL – Não sei como nunca percebi a mulher maravilhosa que você é.

VERINHA (ENCAMBULADA) Para com isso, Joel. Tá todo mundo olhando.

JOEL – Deixa que olhem. Eles estão com inveja do nosso amor.

OS DOIS SE BEIJAM APAIXONADAMENTE.

CORTA PARA:

CENA 8- EXTERNA/DIA - SUBÚRBIO. PORTA DA CASA DE VERINHA.
JOEL E VERINHA ESTÃO NO PORTÃO TROCANDO BEIJOS.

JOEL – Não vai me convidar para entrar?

VERINHA – Está tarde.

JOEL – Para dois apaixonados não existe hora, existe?

OS DOIS TROCAM MAIS ALGUN BEIJOS E ENTRAM NA CASA.

CORTA PARA:

CENA 9- INTERIOR/NOITE - CASA DE VERINHA -  QUARTO
JOEL E VERINHA ESTÃO DEITADOS NA CAMA.  

JOEL – Eu te amo, Verinha.

VERINHA – Eu também te amo, Joel.

JOEL – Você é a mulher da minha vida.

OS DOIS FAZEM AMOR, ARDENTEMENTE.

CORTA PARA:

CENA 10 - INTERIOR/NOITE - CASA DE VERINHA - QUARTO
APÓS FAZEREM AMOR, JOEL E VERINHA PERMANECEM DEITADOS.

VERINHA – Seria tão bom se fosse sempre assim...

JOEL – Nossa felicidade pode durar para sempre.

VERINHA – Como?

JOEL – Quer se casar comigo?

CORTA PARA:
FIM DO CAPÍTULO