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Sinopses para novelas.

Esta sinopse está registrada na /Biblioteca Nacional.

TERRA ALTA

(sinopse para novela rural)

STORY LINE

Depois de anos de dominação de Diamantino Torres, político corrupto e explorador da boa fé do povo, a cidade de Terra Alta, conhece novos tempos através da administração de Pedro Alonso Mendonça Aires, político honesto e preocupado com as necessidades das camadas mais pobres. Tudo vai muito bem até que Marina, a mulher de Pedro Alonso, desaparece misteriosamente. Inicialmente, acredita-se que ela foi sequestrada e as suspeita recaem sobre Diamantino. Porém, um novo acontecimento muda o rumo das investigações. Natanael, o secretário de assuntos financeiros da prefeitura, também desaparece. Não demora e toda a cidade faz a ligação entre os dois desaparecimentos. Principalmente depois que é descoberto um desfalque nas contas da prefeitura. Não há dúvida que Marina e Natanael eram amantes e fugiram juntos. Pedro Alonso, além de enfrentar o desaparecimento de sua amada esposa, que o deixou com três filhos para acabar de criar, tem que resolver os problemas da prefeitura, agravados com a falta de dinheiro para cumprir os compromissos assumidos e pagar os salários dos funcionários. Pedro Alonso se vê num beco sem saída. Para cumprir os compromissos da prefeitura, ele só tem uma saída: vender os seus bens. O único bem de grande valor que ele tem é a fazenda de seu pai, José Cândido Mendonça. Mesmo contra a vontade de sua mulher, Firmina Mendonça Aires, José Cândido aceita vender a fazenda para ajudar o filho. No entanto, dias depois, ao perceber-se sem as terras que estavam em sua família há mais um século e por vê-las indo para as mãos de Diamantino Torres, ele morre. Pedro Alonso não consegue reeleger-se prefeito, como era seu objetivo, e vai para o fundo do poço. Dona Firmina, sua mãe, assume a criação dos netos e os amigos de Pedro Alonso, doutor Oscar, Edmundo Peixoto e líder espiritual da cidade, dona Zulmira, unem forças para trazê-lo de volta à razão. Com muito custo, eles conseguem. Pedro Alonso, formado em agronomia, dedica-se ao trabalho na terra cultivando produtos orgânicos. Em pouco tempo, ele refaz a sua vida e reconquista a confiança dos terraaltenses. Novas eleições se aproximam e seus amigos o convencem a voltar a se candidatar. Mais uma vez, ele enfrenta Diamantino e ganha a eleição. Novamente, a cidade terá um governante preocupado em trabalhar em prol do povo. A esperança de dias melhores está de volta. Para coroar tudo isso, Pedro Alonso está de novo amor. Ele está prestes a casar-se com Francisca Peixoto, filha de seu amigo Edmundo. Porém, o inesperado acontece. Marina reaparece do nada trazida por um médico que atesta que ela esteve internada em sua clínica durante anos totalmente desmemoriada. O que terá acontecido? Marina está falando a verdade? E Natanael Pontes? O que é feito dele? Pedro Alonso terá que encontrar respostas para essas perguntas e ao mesmo tempo descobrir se ele e a cidade de Terra Alta estão preparados para uma possível volta ao passado.

Desenvolvimento da story line.

Terra alta é uma cidade de pequeno porte do interior de Minas Gerais dominada por um grupo político chefiado por Diamantino Torres. Homem de ideias políticas retrogradas, ele é o responsável pelo atraso em que vive a cidade de economia rural. No entanto, essa situação chegou a um ponto em que os moradores da cidade não aguentam mais suportar de braços cruzados. O alto desemprego e a fome da classe mais pobre da cidade leva dona Zulmira Chaves, a líder espiritual da cidade a procura a ajuda do doutor Oscar Campos, o médico da cidade, casado com a professora Vânia e pai de Lucinho. A ele, dona Zulmira relata que o prefeito, Diamantino Torres, proibiu sua mulher e primeira dama, dona Odila Torres, de ajudar os pobres da cidade.
- Dona Odila era a minha última esperança, doutor Oscar. Sem a ajuda dela, minhas criancinhas vão morrer de fome. O Diamantino, além de não fazer nada pelo povo dessa cidade, ainda proíbe a mulher a ajudar os necessitados. – ela reclama.
Doutor Oscar não sabe o que fazer. Como único médico da cidade, também ele vive de mãos atadas. Ele trabalha de graça, distribui renédio, faz o que pode. Ele não vê saída. O jeito é aceitar os desmandos do prefeito.
Dona Zulmira insiste. O médico tem que fazer alguma coisa.
- O quê? – ele pergunta.
Dona Zulmira não hesita:
- As eleições estão vindo aí. Candidata-se a prefeito e desbanque o Diamantino.
Oscar não gosta nem de ouvir falar nisso. Ele é avesso à política. Seu negócio é a medicina. Foi para isso que ele nasceu.
- Se é assim, é melhor todo mundo ir embora de Terra Alta. Do jeito que tá não mais pra continuar. – fala dona Zumira.
Dona Zulmira vai embora e deixa o doutor Oscar com a incumbência de pensar numa saída para Terra Alta. Alguém precisa livrar o povo da cidade dos abusos de Diamantino Torres. Horas mais tarde, doutor Oscar está na venda de Edmundo Peixoto. É ali que ele encontra sua turma de amigos: além do próprio Edmundo, Pedro Alonso Mendonça Aires, Roberval Chaves e o padre Honório. Edmundo, dono da venda, viúvo, pai de duas filhas, Francisca e Alice, é filho da empedernida e moralista dona Clarinda Peixoto; Pedro Alonso Mendonça Aires, casado com Marina Novaes e pai de três filhos, Pedrinho, Bernardo e Viviane, é filho do maior fazendeiro da região depois de Diamantino, José Cândido Aires e de dona Firmina Mendonça Aires, mulher forte e respeitada na cidade; Roberval é o motorista de táxi da cidade, casado com a bela e recatada Ludmila e filho de dona Zulmira Chaves e o padre Honório é o padre da cidade.  Os cinco costumam se encontrar para discutir os desmandos de Diamantino e dessa vez, Oscar traz os queixumes de dona Zulmira para o centro das discussões. Padre Honório é o primeiro a falar:
- A Zulmira tem toda razão. Alguém precisa acabar com a farra do Diamantino e ninguém tem dúvida de que essa pessoa está aqui nesta mesa. Ou tem?
Todos apontam para o padre. Ele é a pessoa mais apropriada para isso. Padre Honório recusa a tarefa. Ele é um padre. Além de não ser da cidade, um padre não pode se envolver com assuntos de política. Seu negócio é evangelizar. O segundo a lista é o doutor Oscar. Ele dá as mesmas desculpas de sempre. Ele me médico e como tal deve cuidar dos seus pacientes.
- Vocês conhecem a minha luta para cuidar das mazelas deste povo. Se não fosse dona Zulmira...
Edmundo e Roberval não aceitam nem cogitar o assunto.  Resta Pedro Alonso. Ele também recusa. Ele tem o sítio para cuidar, além da fazenda do pai. O seu José Cândido está ficando velho e cada vez mais está precisando de minha ajuda na lida da fazenda. Além do mais, minha mãe não vai gostar nada dessa história.
Padre Honório se oferece para conversar com dona Firmina.
- Se o problema é esse, deixa comigo. Eu converso com dona Firmina. Eu vou fazer com ela veja que você é a única solução para os problemas de Terra alta.
Pedro Alonso pensa em Marina. O que ela vai achar disso? Todos são unânimes em dizer que Marina vai adorar a ideia de ser a primeira dama da cidade.
- Qual mulher não quer? A Vânia ia adorar. – fala Oscar.
É verdade. Ela que nem saiba que o marido está recusando a chance de ser prefeito da cidade. Com certeza ela dirá:
- É a sua chance, Oscar. Uma vez eleito prefeito você pode pensar em ser deputado estadual ou até mesmo governador do estado. Já pensou?
- Tomara que Vânia nem sonhe com isso. Ela não vai me dar sossego. – pensa Oscar.
Depois de muita insistência dos amigos, Pedro Alonso resolve pensar no assunto:
- Eu vou pensar no assunto. A ideia de me confrontar com o Diamantino não me agrada em nada. – ele diz ao despedir dos amigos.
Oscar, Edmundo, Roberval e padre Honório se comprometem a dar total apoio a Pedro Alonso. Ele não estará sozinho. Pedro sabe que pode contar com os quatro amigos fiéis.
Da venda de Edmundo ele vai para casa. Ele não consegue esconder a novidade de Marina por muito tempo.
- Se prepara porque você vai ser a primeira dama de Terra alta. – ele fala,
A professora Marina leva um susto. Ela jamais supôs que seu marido tivesse esse tipo de aspiração. Pedro Alonso conta que foi convencido pelos amigos. No fundo, ele também acha que chegou a hora de enfrentar Diamantino Torres.
- E por que tem que ser você? – Marina pergunta.
Pedro Alonso fala dos motivos que cada um dos seus amigos tem para não aceitar a empreitada.
- Sobrou pra mim. – diz ele, conformado.
Marina não aceita. Ela argumenta que eles têm um casamento feliz, a vida deles no sítio é tranquila. Não há necessidade de mudar isso. E têm os filhos pequenos, Pedrinho, Bernardo e Viviane, eles estão acostumados à vida tranquila do campo. Caso Pedro Alonso torne-se prefeito da cidade, eles terão que sair do sítio. Pedro Alonso concorda com Marina. É bem possível que isso aconteça.
- Nossa vida vai mudar e eu estou feliz do jeito que está. – ela diz.
Os dois continuam conversando. Pedro Alonso tenta convencer Marina. Ele promete que nada vai mudar na vida deles. Marina continua irredutível. Agora é ela que tenta convencê-lo a mudar de ideia.
- Pensa em mim, Pedro. Pensa nos nossos filhos, na nossa felicidade. – ela apela.
Pedro Alonso se dá por vencido. No outro dia, ele vai procurar Oscar e vai dizer que desistiu da candidatura. Marina fica feliz. A vida do casal e seus filhos vai continuar a mesma. Ela ama o marido e não quer que nada estrague o relacionamento deles.
É exatamente isso que ele faz. Tão logo amanhece, ele está na casa de Oscar.
- Eu conversei com a Marina, Oscar. Eu não posso aceitar ser candidato a prefeito da cidade, - ele fala.
Oscar pede explicações. Pedro Alonso fala que Marina teme que isso estrague o casamento deles.
- Você sabe que eu amo aquela mulher e não quero que nada atrapalhe o nosso casamento. – ele fala para o amigo.
Oscar é testemunha do grande amor que existe entre Pedro Alonso e Marina. Todos na cidade os chamam de “casal prefeito”. Eles venceram muitas barreiras para ficarem juntos. Principalmente a oposição de dona Firmina. Dona Firmina sempre sonhou ver o filho casado com uma moça da cidade e não com uma filha de camponês como Marina. Marina é filha de Camilo Novaes, o carroceiro da cidade, e de da doceira, dona Celeste, e irmã de Ana que, pelo de fato de cultivar flores, tem o apelido de Ana das Flores. Dona Firmina tudo fez para impedir o casamento dos e não esconde de ninguém que não suporta a nora.
- Eu entendo tudo isso, Pedro. Mas, pense bem, Terra Alta está precisando do seu sacrifício. A Marina vai acabar aceitando. – fala Oscar.
Pedro Alonso não quer contrariar a mulher.
Oscar tem um grande problema pela frente. Ele volta a se reunir com a turma para expor o problema.
- Pedro Alonso está dando pra trás. – ele informa.
Vem do padre Honório a saída para o problema:
- Vamos procurar dona Firmina. Ela tem muita ascendência sobre o filho. Ele já contrariou a mãe com esse casamento com Marina e se ela ficar do nosso lado...
Edmundo, Roberval e Oscar não gostam muito da ideia.
- Será que é justo fazer isso com o Pedro? – pergunta Roberval.
Os quatro sabem que não é justo. Todavia, Pedro Alonso é a única saída que eles têm para tirar Terra Alta das mãos de Diamantino.
- Não podemos permitir que o Diamantino continue roubando a cidade do jeito que vem fazendo há anos. O homem não tinha nada quando entrou na prefeitura e agora é dono de quase toda a cidade. – fala Oscar.
Dona Firmina é procurada e gosta da ideia de ver o filho prefeito da cidade.
- Dessa forma ele estaria reconquistando o poder político que já esteve nas mãos de nossa família. Os “Mendonça” são os verdadeiros fundadores desta cidade. Diamantino é um forasteiro que usurpou o poder e agora se diz dono da cidade.  
Como se poderia imaginar, dona Firmina procura o filho e o compele a aceitar o desafio.
- Se você não aceitar, eu vou sugerir o nome de seu pai. José Cândido ainda tem idade para enfrentar uma eleição. – ela fala.
Pedro Alonso se vê entre a cruz e a espada. Seu pai não tem saúde para isso. Ele não pode permitir que sua mãe obrigue seu pai a ser candidato a prefeito. Por isso, ele volta a falar com Marina. Marina continua fazendo pé firme. Ao descobrir que a nora é contra a candidatura de Pedro Alonso, dona Firmina aumenta sua pressão para que o filho aceite ser candidato a prefeito. Pedro Alonso não tem saída e aceita a candidatura. Marina fica muito contrariada e briga com ele. Dona Firmina acusa Marina de estar atrapalhando a vida de seu filho.
- Você não quer o Pedro Alonso suba na vida. Você quer que o meu filho vire um carroceiro como seu pai. Se não quer ser a primeira dama dessa cidade, largue o Pedro Alonso. Meu filho tem um futuro brilhante pela frente. Ele ainda será governador do estado. – diz dona Firmina.
Em seguida, ela aconselha Marina a deixar Pedro Alonso.
- Ele merece uma mulher muito melhor que você. – ela grita.
Marina entende que não deve comprar briga com dona Firmina e acaba aceitando que seja canditato. Pedro Alonso fica feliz ao ver que Marina aceitou apoiá-lo.
A candidatura de Pedro Alonso a prefeito de Terra Alta é lançada. Edmundo, Oscar, Roberval e padre Honório festejam.
Quem não gosta muito da ideia é Diamantino Torres. Ele comenta com seu assessor Natanael Pontes?
- Não tô gostando nada disso.
Natanael o tranquiliza:
- Não se preocupe, seu Diamantino. O povo desta cidade sabe muito bem em quem eles devem votar. O senhor tem essa gente na mão. Pedro Alonso não vai fazer nem pro cheiro.
Diamantino sabe que Natanael tem toda razão.
- E essa gente que não ouse me afrontar. – ele ameaça.
Natanael dá uma bela risada. Ele também foi procurado pela turma do Pedro Alonso e disse para eles que é Diamantino e não abre. Ele e sua mãe, dona Blandina. A mulher, Mirela, é meio rebelde, mas ele vai acabar convencendo-a de que não existe ninguém melhor que Diamantino para cuidar de Terra Alta.
- O senhor é o verdadeiro pai dessa gente, seu Diamantino. – ele fala.
Diamantino gosta do que ouve. Bem que ele queria ter um filho como Natanael e não um bunda-mole como Vandico, seu filho.
Na verdade, o candidato a prefeito é Vandico Torres. Diamantino não pode ser candidato porque é o atual prefeito.
- Devia ter reeleição nesse país. Mas enquanto não tem, eu preciso vez outra usar esses expediente. Às vezes eu uso a estúpida da minha mulher como laranja. Dessa vez vai o Vandico mesmo. – ele fala.
Natanael fica triste. Ele pensou que Diamantino usaria ele dessa vez.
- Por que o Vandico e não eu? – ele se pergunta.
No fundo, ele sabe por que. Diamantino é esperto e não confia em ninguém. A mulher e o filho ele pode controlar, mas um estranho... E depois, Natanael usaria essa oportunidade para mostrar o seu verdadeiro caráter.
- Se sento na cadeira de prefeito, ninguém me tira dela. – ele pensa.
A campanha corre cheia de incidentes. Diamantino joga sujo e tenta intimidar o povo. No entanto, o povo também quer mudança. Dona Zulmira cuida de convencer seu povo a abrir os olhos para ver quem é na verdade Diamantino. Aos poucos, o povo vai aderindo à campanha de Pedro Alonso e Diamantino começa a ficar assustado.
Mais assustado fica o seu assessor e homem de confiança, Natanael Pontes. Na reta final da campanha ele muda de lado.
- Vim oferecer os meus préstimos, Pedro Alonso. – ele diz.
Pedro Alonso e sua turma desconfiam, mas ajuda é sempre bem vinda. Não demora, Natanael é um dos mais atuantes cabos eleitorais de Pedro Alonso. Pedro Alonso se deixa levar pela energia de Natanael. Natanael conquista a confiança de Pedro Alonso e confessa à Mirela que tem planos de fazer parte do governo dele.
Mirela desconfia das intenções do marido.
- O que você está querendo com o Pedro Alonso, Natanael? Até outro dia você vivia grudado no Diamantino. – ela fala.
Natanael diz que acordou a tempo de descobrir que Pedro Alonso será melhor para Terra Alta e que Diamantino faz parte do passado.
Mirela não se deixa convencer:
- Sei não. Tem coisa aí.
Pedro Alonso é eleito prefeito de Terra Alta. Diamantino ameaça anular a eleição, mas recua ao saber que o governador do estado está apoiando Pedro Alonso e que está ameaçando mandar tropas para a cidade.
Marina reage com indiferença diante da vitória de Pedro Alonso:
- Preferia que Pedro Alonso continuasse a ser simplesmente meu marido e pai dos meus filhos. – ela diz.
Chega o dia da posse. Diamantino se nega a passar o cargo para o sucessor.
Pedro Alonso toma posse.
Pedro Alonso convida Natanael para ser seu secretário de finanças. Natanael, para desespero de Mirela, aceita o cargo.
A cidade passa por um período de transformações. O jeito antigo de fazer política é deixado para trás. Pedro Alonso faz um governo voltado para atender às necessidades do povo e logo todos podem ver muitas mudanças. A população é só elogio para o novo prefeito.
Diamantino não se conforma de ter perdido o poder e passa a tentar atrapalhar a ascensão de seu rival usando os mais diferentes e baixos meios. Pedro Alonso, sempre apoiado por seus amigos e a população em geral, consegue vencer Diamantino e suas trapaças.
A felicidade dos cidadãos de Terra Alta só não é completa por um dado triste. O carro de Roberval, um fusquinha que de tão velho ninguém conseguia entender como ainda rodava nas ruas e nas estradas, e isso era motivo de muita piada na cidade, para de funcionar no meio da estrada durante a noite e uma carreta passa por cima dele. Roberval morre na hora. Ela estava voltando para Terra Alta para participar da posse de Pedro Alonso na prefeitura. Toda a cidade se une à dona Zulmira e sua esposa, Ludmila, para chorar Roberval, pessoa muito querida de todos. A morte de Roberval deixa Ludmila inconsolável e dona Carminha, sua mãe, acha que ela não vai conseguir superar a perda do marido.
Mais de três anos depois, Terra Alta consolida-se como uma cidade próspera e de gente feliz. Marina acaba aceitando assumir e posto de primeira-dama e Pedro Alonso fica feliz ao vê-la engajada em seu papel. Após a aposentadoria de dona Carminha, Marina assume a direção da principal escola de Terra Alta e isso gera ciúmes em Vânia, mulher do doutor Oscar, que queria o cargo para ela. Marina também se une à dona Zulmira no trabalho social da prefeitura. Pedro Alonso e Marina estão mais apaixonados do que nunca e dona Firmina não gosta de ver a felicidade dos dois.
Aproveitando os bons ventos que sopram na cidade, o viúvo Edmundo Peixoto resolve enfrentar a oposição da mãe e ensaia reaproximar-se de Ana das Flores. Os dois foram namorados por muito tempo, mas dona Clarinda não permitiu que eles se casassem. Ela praticamente obrigou o filho a casar com uma prima dele, Isadora. Isadora morreu durante o nascimento da segunda filha do casal, Alice, a mais velha é Francisca. Desde então, Edmundo sonha em reviver o grande amor que sente por Ana das Flores. Dona Clarinda tenta impedir novamente, chegando inclusive a simular a própria morte para fazer o filho desistir do casamento, mas, para surpresa de Ana das Flores e de toda a cidade, ele enfrenta a mãe e marca a data do casamento. Agora nada nem ninguém vai impedir que ele viva o seu grande amor.
Ao mesmo tempo, Ludmila, encontra consolo para a dor da perda do marido, Roberval, na amizade com o padre Honório. Apenas o padre consegue tirá-la de casa e fazer com ela desista de dar cabo de sua vida. No entanto, as constantes idas dela à igreja e do padre à sua casa estão causando muito rebuliço na cidade. Muitos já acreditam que a viúva e o padre estão de caso.
Novas eleições se aproximam e todos são unânimes em dizer que Pedro Alonso deve permanecer como prefeito por mais quatro anos. É o fim para Diamantino Torres. Ele não aceita que Pedro Alonso continue na prefeitura por mais quatro anos. Ele decide acabar com a festa de Pedro Alonso.
Pedro Alonso é um homem simples. O fato de ser prefeito da cidade não mudou em nada sua vida. Ele continua morando em seu pequeno sítio com sua mulher Marina e os filhos, Pedrinho, o mais velho, cerca de doze anos, Bernardo, o filho do meio, cerca de nove anos, e Viviane, a mais nova, de sete anos.  Eles formam um modelo de família feliz.
O namoro de Pedro Alonso e Marina foi acompanhando por toda a cidade e dividiu opiniões. Alguns achavam lindo um rapaz rico se interessar pela moça pobre e torceram por eles. Outros, como dona Firmina, que queria ver o filho casado com uma moça da capital, não viam a menor graça no envolvimento. Também Vânia, apesar de namorar Oscar, sempre foi apaixonada por Pedro Alonso. No final, Pedro e Marina cansaram-se e logo vieram os filhos e todos tiveram que aceitar que eles nasceram um para o outro.
As desconfianças do povo de Terra Alta quanto à amizade de Ludmila e o padre Honório aumentam. Dona Clarinda reúne as mulheres da cidade para dar um flagra nos dois e o padre é encontrado no quarto da viúva. Padre Honório é expulso da cidade pelas mulheres com ajuda do soldado Fonseca, única autoridade policial da cidade.
É nesse clima que algo estranho acontece. Numa bela tarde, Marina está passeando na praça com a filha Viviane e simplesmente desaparece. Viviane é encontrada perdida na praça e é levada até o pai na prefeitura. A partir daí, Pedro Alonso, sem saber o que aconteceu com sua mulher, passa a procurá-la por todo canto e nada dela. Como uma mulher pode desaparecer na praça de uma cidade do interior sem deixar vestígios? Essa e muitas outras perguntas são feitas por Pedro Alonso, familiares, a polícia e toda população da cidade sem nenhuma resposta que faça sentido.
Pedro Alonso, além de ter de conviver com o misterioso desaparecimento da mulher, tem que enfrentar outro desafio: como dizer para os filhos que a mãe deles desapareceu do nada?  Dona Firmina não perde tempo em afirmar que tinha razão quando dizia que Marina não era mulher para o seu filho. É com prazer que ela assume a criação dos netos.
- Eu vou tomar conta deles. Você não tem cabeça para nada. – ela afirma para o filho atordoado.
Natanael, com a ajuda de sua mãe, dona Blandina, espalha o boato de que Marina foi sequestrada e que o sequestrador é Diamantino Torres. Diante dos boatos, Pedro Alonso acusa Diamantino de ter sequestrado Marina e exige que ele seja preso. O soldado Fonseca recusa-se a prender Diamantino.
- Não se prender uma pessoa com base em boatos, Pedro Alonso. – avisa o policial.
Dias depois, uma nova bomba. Alguém deu um desfalque nas contas da prefeitura. Os cofres e as contas estão vazios. Todo o dinheiro reservado para os pagamentos foi roubado. É com assombro que Pedro Alonso descobre que Natanael, seu secretário de finanças, fugiu da cidade. Não demora muito e todos fazem ligação entre sua fuga e o desfalque na prefeitura. Não há dúvida de que Natanael deu o desfalque na prefeitura e fugiu deixando Mirela e seus dois filhos pequenos, Solano e Samara.
Como Pedro Alonso, Mirela se vê sozinha para criar os filhos. Além disso, ela tem que enfrentar a desconfiança de toda a cidade de que ela sabia das intenções do marido.
A população da cidade começa a desconfiar que Marina e Natanael fugiram juntos. Pedro Alonso não aceita. Apesar de todos os indícios, ele não acredita que Marina fugiu com Natanael. Ela o amava e não seria capaz de fazer isso com ele.
- Minha mulher foi vítima dos meus inimigos políticos. Eles a sequestraram para me atingir. – acusa Pedro Alonso.
Ele ainda está convencido de que Diamantino sequestrou Marina. Diamantino desafia Pedro Alonso a provar que ele tem algum envolvimento no desaparecimento de sua mulher e não perde a oportunidade de desmoralizá-lo diante de toda a cidade. Ele coloca toda a cidade contra Pedro Alonso:
- Esse é o homem que vocês querem manter na prefeitura? 
Ele acrescenta que Pedro Alonso não tem condições de cuidar nem da própria mulher e que deixou que roubassem o dinheiro da prefeitura.
- É muito provável que esse seja um plano do prefeito para roubar a cidade e sair impune. Primeiro a mulher foge, depois o comparsa e logo depois ele vai se encontrar com eles. É isso, minha gente.
Ele incita os empregados da prefeitura a exigir que Pedro Alonso pague seus salários em dia. Nada de ter pena do corno. Aos poucos, a cidade se volta contra Pedro Alonso.
Diamantino convence dona Blandina, fofoqueira da cidade, a espalhar a notícia de que Pedro Alonso desviou o dinheiro da prefeitura para suas contas na Suíça e que está usando seu filho para acobertar o crime.
- A senhora não vai querer que seu filho fique com a culpa pelo desfalque na prefeitura, vai? – ele pergunta para dona Blandina.
Dona Blandina vai para o meio da praça:
- Meu filho sempre foi um homem direito. Se ele fez algum malfeito é porque foi obrigado.  Para completar, Mirela, mulher de Natanael e mãe de dois filhos pequenos, também instruída por Dimantino Torres, acusa Pedro Alonso pela situação que ela está vivendo. Ela não tem dúvida de que Marina fugiu com seu marido.
Em meio a tudo isso, chega o dia marcado para o casamento de Edmundo e Ana das Flores. Dona Clarinda usa todas suas armas para impedir que o filho se case com a filha do carroceiro e irmã da fugitiva.
- Já pensou que ela pode fazer com você o mesmo que a irmã fez para o Pedro Alonso? – ela pergunta ao filho.
Edmundo não sabe o que fazer. Ele ama Ana das Flores, mas não pode deixar de levar os conselhos da mãe em consideração. Suas filhas, Francisca e Alice também, instruídas pela avó, não fazem muito gosto no casamento.
- Ana é irmã de Marina, pai. Veja o que ela fez com Pedro Alonso e os filhos. – fala Francisca.
Alice não quer ter outra mãe.
- Eu quero a minha mãe de verdade. Outra não serve. – ela fala.
Vestido para o casamento, Edmundo não sabe o que fazer. Como tiro de misericórdia, dona Clarinda resolve repetir o seu truque e finge que está morrendo. Francisca e Alice obrigam o pai a levar dona Clarinda ao hospital da cidade vizinha. Ana das Flores chega à igreja e Edmundo não está lá. Vestida de noiva, diante da cidade, Ana das Flores descobre que foi abandonada. Ela sai pela cidade vestida de noiva procurando por Edmundo. Seu Camilo e dona Celeste andam atrás da filha pedindo que ela volte para casa.
Em pouco tempo, a vida de Pedro Alonso vira um inferno. As dividas da prefeitura acumulam. Os empregados querem receber seus salários, fornecedores não entregam mais se não receberam os atrasados. Ele não consegue empréstimos juntos aos bancos. Diamantino usa toda a sua força política para atrapalhar a vida de Pedro Alonso.
O povo, conduzido por dona Blandina, marcha para a porta da prefeitura exigindo o pagamento de seus salários atrasados. Dentro da prefeitura, acuado, Pedro Alonso precisa encontrar uma solução.
Diamantino procura Pedro Alonso fazendo-se de amigo e diz que tem a solução para os problemas do prefeito.
- E qual é essa solução? – pergunta Pedro Alonso.
- Venda os seus bens para pagar repor o dinheiro roubado. Sendo o político honesto que você é, não vejo outra saída. – aconselha Diamantino.
Inicialmente, Pedro Alonso recusa a ideia. Depois de muito pensar, ele aceita que não há outra saída senão dispor de seus próprios bens para repor o caixa da prefeitura. Ele resolve vender o seu sítio, mas descobre que o valor não daria para cobrir o rombo. O único bem de maior valor que ele tem é a fazenda, mas ela pertence ao seu pai, José Cândido Aires.  Pedro Alonso vai até a fazenda do pai e conversa com eles. Dona Firmina reage muito mal.
- A fazenda é tudo o que nós temos, Pedro. – ela diz.
Pedro Alonso diz para a mãe que não tem outro jeito. José Cândido, mesmo a contra gosto, aceita que o filho venda a fazenda.
- Se isso resolve seu problema, filho...
Dona Firmina continua contra, mas é voto vencido. É o nome da família que está em jogo.
Diamantino Torres candidata-se para comprar a fazenda. É muita humilhação para Pedro Alonso e a família Aires, sobretudo dona Firmina. Diamantino tem a oportunidade de comprar a última grande fazenda da região. Agora, ele é o único grande dono de terras da cidade.
Dias depois, José Cândido Aires é encontrado morto em suas antigas terras. Ele não suporta perder as terras que estavam em sua família há mais de cem anos. O ódio que dona Firmina tem de Marina aumenta mais ainda. Ela culpa a nora desaparecida pela venda da fazenda e morte de seu marido. Para extravasar o seu ódio, ela manda destruir o sítio dos pais de Marina. Seu Camilo, dona Celeste e Ana das Flores também sofrem agressões físicas.
Pedro Alonso perde a reeleição para Diamantino Torre, que substitui o filho Vandico Torres na disputa na última hora, e se entrega à bebida. Ele não supera a perda de Marina, a traição de seu homem de confiança na prefeitura e o fato de estar vivendo da caridade dos amigos.
Oscar e Edmundo Peixoto tudo fazem para que Pedro Alonso não entregue os pontos e tente reerguer-se.
Voltam todos os desmandos de Diamantino. Novamente, a cidade está em suas mãos.
- Só falta agora comprar essa vendinha do Edmundo Peixoto, - ele diz.
Diamantino quer ser dono de toda a cidade. Ele propõe a Edmundo comprar seu negócio, mas Edmundo recusa. Diamantino promete acabar com Edmundo.
Todo o trabalho que Pedro Alonso fez na cidade é destruído por Diamantino.
Pedro Alonso desce ao fundo do poço. Em seu desespero, ele chega a pedir ajuda espiritual à dona Zulmira. Dona Zulmira é figura controversa na cidade por ela fazer trabalhos espirituais em sua casa e ao mesmo tempo ser ligada à igreja católica, onde praticamente substitue o padre Honório nos rituais. Mesmo acusada por dona Firmina e dona Clarinda de ser bruxa, dona Zulmira ajuda a todos que a procuram. E não é diferente com Pedro Alonso. Ela se une a Oscar, Edmundo Peixoto e dona Firmina e eles conseguem que Pedro Alonso se recupere. Ele passa a produzir hortaliça em seu pequeno sítio, único bem que sobrou depois da venda da fazenda do pai.
Pouco mais de cinco anos depois, ele é novamente respeitado por todos na cidade. O sumiço de Marina ainda é um mistério, assim como o de Natanael.
Dona Firmina terminou a criação dos filhos de Pedro Alonso e não se furtou em destruir a imagem que Pedrinho, Bernardo e Viviane tinham da mãe. Ela proíbe Eulália e Zacarias, os empregados de Pedro Alonso, de tocarem no nome de Marina. Eulália e Zacarias são casados e têm uma filha, Sabrina, que mora com uma tia na capital. Eulália é sobrinha de dona Zulmira.
- Marina morreu, ouviram bem? Morreu. – ela ordena.
Novas eleições se aproximam. Depois de dois mandatos de Diamantino, Oscar e Edmundo começam a aventar a volta de Pedro Alonso à política.
- Você precisa voltar. O povo precisa de você, Pedro Alonso.  Caso contrário, o Diamantino vai colocar o filho ou a mulher no lugar dele e você sabe ele usa os dois para continuar no poder. – fala Oscar. – fala Oscar.
Mais uma vez, Pedro Alonso se deixa convencer. Ele aceita ser novamente candidato a prefeito de Terra Alta. Novamente, ele é eleito. Também, mais uma vez Diamantino faz ameaças. Porém, o Pedro Alonso de hoje não é mais aquele rapazinho apaixonado de anos atrás. O desaparecimento de Marina, a pobreza e todos os problemas que ele enfrentou o transformaram num homem mais prático e destemido.
Mais de dez anos depois do desaparecimento de Marina e da fuga de Natanael, Pedro Alonso tenta refazer sua vida não apenas na política, mas também amorosamente falando. Os filhos Pedrinho, Bernardo e Viviane já estão crescidos. Pedrinho tem vinte e três anos, Bernardo tem vinte e um, e Viviane, dezessete anos.
Pedro Alonso acredita que está na hora de casar novamente e a escolhida é Francisca Peixoto. Ela é a filha mais velha de Edmundo Peixoto.  Pedro Alonso, Oscar e Edmundo são amigos desde a infância e cresceram juntos. Edmundo é pouco mais velho que Pedro e Oscar. Maior comerciante do ramo de comestíveis da cidade, Edmundo vive amargurado por ter abandonado Ana das Flores mais uma vez e fica triste ao ver que ela ficou mais perturbada ainda.  Para vender suas flores, Ana percorre a cidade com uma carroça cheia de flores, um verdadeiro carro alegórico, usando roupas esvoaçantes. Na cabeça, ela usa um diadema de flores. Sua imagem lembra a de uma hippie. Edmundo não pode negar que Ana das Flores, despeito de suas excentricidades, é o amor de sua vida.
No entanto, quem está para casar agora é sua filha Francisca. Ela aproximou-se de Pedro Alonso por causa de sua amizade com seu pai e ao torna-se sua cabo eleitoral. Edmundo achou um pouco estranho no início o fato de virar sogro de um de seus melhores amigos, mas logo aceitou a novidade. Francisca provou para ele que está mesmo apaixonada por Pedro e que não se importa com seu passado.
- Marina é coisa do passado, papai. Pedro nem lembra mais que um dia ela existiu. – ela diz para o pai.
Mas Edmundo conhece muito bem Pedro Alonso. Ele era louco por Marina. Em sua opinião, ele nunca vai esquecê-la.
- Há amores que são para sempre, minha filha. – ele argumenta para Francisca pensando no seu amor por Ana das Flores.
Francisca não ouve. Ela quer casar-se com Pedro Alonso e isso não tem discussão. Nem mesmo todos os preconceitos de sua avó Clarinda vão impedi-la. Por outro lado, Alice, sua irmã mais nova, está há anos envolvida com Pedrinho, o filho mais velho de Pedro Alonso. Pedrinho é um rebelde sem causa que vive aprontando pegas de carro pela cidade inclusive, para desespero de Vânia, envolvendo Lucinho. Apesar de ter um namoro firma com Alice, ele namora todas as garotas bonitas da cidade. Isso faz Alice sofrer e todos acreditarem que ele nunca vai casar com ela.
Pedro Alonso e Francisca pretendem casar depois da posse.
Uma vez tendo vencido as eleições, Pedro Alonso está pronto para tomar posse. Mais uma vez, ele tem a chance de fazer um bom governo na cidade e devolver a dignidade aos cidadãos dando continuidade a todo um trabalho que foi interrompido de maneira tão brusca no passado e que resultou em sua tragédia pessoal. Todavia, ela acredita que dessa vez tudo será diferente e que nada poderá atrapalhar os seus planos.
O dia da posse aproxima e a cidade se prepara para viver novos tempos. O povo se covenceu que Pedro Alonso foi mesmo vítima de uma armadilha preparada por seu maior adversário político, Diamantino Torres.
- Tudo isso foi armação do Diamantino para ter de volta o poder. E nós caímos direitinho. – afirma a população.
Ao mesmo tempo todos sabem que Pedro Alonso deu a volta por cima. É isso o que importa.
Chega o dia da posse. A cidade está em festa. A praça principal da cidade está coalhada de gente. O povo festeja.
No sítio, onde permaneceu morando com os filhos, Pedro Alonso, Pedrinho, Bernardo, Viviane, e dona Firmina estão prontos para sair para a posse. Pedro Alonso está nervoso, mas muito confiante no futuro. Dona Firmina dá as últimas ordens aos empregados da fazenda, Zacarias e Eulália. O casal trabalha para a família há muitos anos e já é praticamente de casa.
- Pode deixar, dona Firmina. Eu e o Zacarias cuidamos de tudo. – diz Eulália.
Pedro Alonso entra no carro com a família e ruma-se para a prefeitura. No caminho, eles cruzam com um carro que vem na direção contrária. É um carro diferente. Bernardo repara que a placa não é de Terra alta e nem de nenhuma cidade da região.
- Nunca vi esse carro por aqui. – ele fala.
Todos dentro do carro concordam. É um carro preto e traz os vidros fechados. Não há como ver quem está em seu interior. Eles continuam a viagem e o carro toma distância. Tanto Pedro Alonso quanto dona Firmina acha estranho aquele carro.
Dona Firmina tem um mau pressentimento:
- Coisa boa não deve ser.
- O que a senhora quer dizer com isso, mãe? – pergunta Pedro Alonso.
- Não viu? O carro é todo fechado, os vidros são escuros. Devem estar escondendo alguma coisa. – dona Firmina completa.
Para Pedrinho e Viviane nada tem importância. Eles nem queriam estar dentro daquele carro a caminho da posse. Os dois são alheios a tudo. Pedrinho só pensa em suas conquistas amorosas e como se livrar da marcação serrada que Alice faz em cima dele. Na verdade, ele gostaria de estar com Neuzinha, sua mais nova conquista na cidade. Neuzinha é filha do policial Fonseca, a única autoridade policial de Terra Alta. Ela tem por volta de 15 anos e acaba de chegar à cidade com sua mãe, dona Neuza. Até então, Fonseca vivia sozinho na cidade. Com muito custo ele conseguiu convencer a mulher a mudar-se para Terra Alta. Neuza chega botando defeito em tudo.
- Isso aqui é fim do mundo, Fonseca. Eu não vou conseguir morar num lugar tão parado. – ela reclama.
O povo da cidade se assusta com os hábitos modernos de Neuza. Ela faz questão de mostrar suas curvas generosas usando roupas provocantes, ao mesmo tempo em que vive aos beijos e abraços com o soldado Fonseca em público. Quando o povo da cidade faz algum comentário, soldado Fonseca responde:
- A Neuza é louca por mim. Essa mulher me ama.
Pedrinho pretende fazer com Neuzinha o que faz tantas outras, conquistar e depois abandonar, mas Fonseca é um pai muito bravo e não vai gostar nem um pouco de ser sua única e amada filha desonrada. Nem Neuza, a “apaixonada” mulher de Fonseca e mãe de Neuzinha, sonha com o baile de debutante da filha e não quer que nada estrague essa festa.
Quanto à sua namorada oficial, Alice, Pedrinho só tem certeza de uma coisa:
- Namorada mais grudenta eu fui arrumar. – ele reclama em pensamento.
Viviane, por sua vez, só pensa em Lucinho, seu namorado. Lucinho é filho de Oscar e Vânia. Ele mora na capital e está na cidade para a posse de Pedro Alonso.
- Essa é a única coisa boa dessa chatice toda. Eu vou me encontrar com o Lucinho. – ela fala.
Pedro Alonso chega com a família à prefeitura. A cerimônia tem início. Diamantino não aparece para dar posse ao novo prefeito. A festança tem início.
O misterioso carro preto chega ao sítio de Pedro Alonso. Ele para e um homem desce. O homem bate à porta da casa. Zacarias e Eulália aparecem para atender. Eles ficam chocados ao reconhecer a mulher que sai de dentro do carro.
- Dona Marina, a senhora? – os dois gritam assustados.
Marina sai do carro e caminha até eles.
- Sou eu sim. Qual o problema?
Os dois empregados não sabem o que responder. Marina mostra-se impaciente e pede para falar com seu marido.
- Onde está o Pedro e as crianças? – ela pergunta.
Zacarias e Eulália continuam perdidos. A patroa desapareceu há mais de dez anos e aparece de repente como se nada tivesse acontecido.
- Será que ela está louca? – eles perguntam.
Antes de qualquer coisa, eles precisam pensar. E nesse ponto Eulália é muito melhor que Zacarias. Eles não podem dizer para Marina onde o patrão está.
- Já pensou o que pode acontecer se ela chegar na prefeitura agora? – ela pergunta.
Zacarias concorda que seria um desastre total. Ninguém entenderia nada. Eulália decide que Zacarias deverá ir até a prefeitura buscar dona Firmina.
- Só ela pode resolver essa situação. – Eulália afirma.
Zacarias pega o carro e vai até à cidade. Sem nada dizer à patroa, ele a arrasta até a fazenda.
- O que está acontecendo pra você me tirar do meio da posse do meu filho, Zacarias? Espera que você e a Eulália não tenham aprontado nada. Vamos, fala o que é.
Zacarias se mantém calado. Ela insiste.
- A senhora vai ver com seus próprios olhos. – ele diz.
Eles chegam à fazenda. Dona Firmina vê o carro preto estacionado.
- O que esse carro está fazendo aqui?
- A novidade veio nele. – responde o empregado.
Os dois entram na casa. Dona Firmina dá de cara com Marina.
- O que esta mulher está fazendo aqui? – ela pergunta.
- Eu é que pergunto. O que senhora está fazendo na minha casa? Onde está o meu marido e os meus filhos?
Dona Firmina pensa que está louca. Seu mundo dá um giro. O que esta desavergonhada está fazendo em sua casa? Dona Firmina mal consegue raciocinar. Marina nunca mais porá os olhos em Pedro Alonso e nos seus filhos.
- Você está morta, Marina. Você destruiu a vida do meu filho e agora volta do nada. Desapareça daqui. Volte para onde você estava. Aqui não é mais o seu lugar. Aliás, nunca foi.
Dona Firmina começa a empurrar Marina na direção da saída.
- Saia daqui.
Marina diz que não vai sair. Quem deverá sair é dona Firmina.
- Aqui não é a sua casa. Essa é a minha casa. Eu moro aqui com meu marido e os meus filhos. A senhora aproveitou que eu fiz uma pequena viagem e se apoderou de minha casa. Vai embora daqui. Eu cansei de suas picuinhas e de seu veneno. A senhora nunca gostou de mim e sempre fez tudo para destruir o meu casamento.
A discussão aumenta. Marina e dona Firmina trocam acusações. O ódio que uma sente pela outra volta com força total. Dona Firmina lamenta não ter agido como dona Clarinda que impediu que seu filho se casasse com Ana, a irmã de Marina.
- Eu devia ter impedido esse casamento, mas o José Cândido não deixou. Ela achava que era melhor deixar o Pedro decidir por ele. Bela coisa. Veja no que deu. Você destruiu a vida do meu filho e agora que ele está retomando a sua vida normal você volta. Eu não vou permitir que você destrua a vida do meu filho novamente.
As duas estão prontas para agredirem uma a outra. Zacarias e Eulália não sabem o que fazer. Nesse momento, entra o homem vestido de branco.
- Calma, senhoras!
Marina e dona Firmina param de discutir.
- Quem é o senhor?
O homem se apresenta com doutor Felipe, psiquiatra de Marina. Ele conta que Marina é sua paciente há anos. Ela foi internada em sua clinica por uma pessoa anônima. Ali, ela permaneceu sem memória até que há dias lembrou-se finalmente de quem era e então ele resolveu acompanhá-la até ali.
- O que significa isso?  - pergunta dona Firmina.
O medico responde que Marina não tem noção da passagem de tempo. Para ela, ela saiu de casa há poucos dias e está retornando. 
Dona Firmina não quer acreditar nisso.
- Isso é invenção dessa mulher. – ela acusa. – Ela fugiu com um homem e desgraçou a vida de meu filho. Essa é a verdade.
O médico assegura que Marina sofreu algum problema, um trauma, e com isso teve um bloqueio de sua memória. Ele é medico e sabe do que está falando.
Dona Firmina precisa pensar no que fazer. Marina não pode voltar do nada. Pedro Alonso está num bom momento de sua vida. Agora ele é novamente o prefeito de Terra Alta, está cheio de planos e pretende casar com Francisca Peixoto. Marina não pode atrapalhar isso. E tem os meninos. Pedrinho, Bernardo e Viviane não estão prontos para reverem a mãe. Mais uma vez cabe a ela, dona Firmina, ter o pulsou forte. Ela sabe o mal que Marina fez a Pedro Alonso. Ela precisa livrar o filho dessa mulher.
- O que fazer, meu Deus? – ela pergunta-se.
Ela decide procurar os amigos de Pedro para ajudá-la a pensar numa saída. Zacarias é convocado para ir à cidade buscar Edmundo e Oscar, os dois amigos de Pedro.
- Traga-os sem que ele perceba. Não está na hora de Pedro reencontrar essa mulher.
Zacarias prepara-se para ir à cidade. Depois de pensar um pouco, dona Firmina resolve que Zacarias deverá procurar apenas Oscar. Edmundo não deve saber de nada por enquanto. Não se pode esquecer que ele é o pai de Francisca.
- Traga apenas o Oscar. Mas lembre-se: ninguém pode desconfiar de nada.
Zacarias vai até a cidade e traz o doutor Oscar.
- Não entendo o que possa estar acontecendo de tão grave para você me tirar de uma festa tão animada. Dona Firmina está passando mal é? Já sei. Ela se faz de durona, mas aquele coração não aguentou ver o filho tomar posse. Eu entendo. Também pra mim é emoção demais ver o Pedro Alonso tomar posse outra vez. – ela fala a caminho da casa.
Quando ele entra, dá de cara com Marina.
- Marina!? – ele grita.
Dona Firmina explica tudo.
- A senhora fez bem em me chamar. – fala ele coçando a cabeça.
Depois de algumas considerações, o psiquiatra toma a palavra. Ele explica para Oscar o mesmo que explicou para dona Firmina. O psiquiatra fica desconsertado quando descobre que Oscar é médico.
- Então o colega, mais que ninguém, entende o quadro da paciente. Ela acredita que saiu de casa apenas por alguns dias e que está de volta.
- Quer dizer que ela não tem noção de que o tempo passou e que faz mais de dez anos que ela desapareceu da cidade sem deixar vestígios?
O médico responde que ela não tem nenhuma noção disso.
Oscar entende que está diante de um caso complicado:
- Então ela também não sabe que os filhos cresceram e que não são mais crianças?
Mais uma vez o psiquiatra concorda.
- Precisamos agir com muita cautela.
Oscar e dona Firmina se reúnem para conversar.
- O que fazer, Oscar? Nem o Pedro nem as crianças podem vê-la ao voltarem para casa.  Muito menos, o povo da cidade. A volta de Marina nesse momento pode acabar com a vida do Pedro. Eu já vejo a ruína do meu filho. – fala dona Firmina.
- Calma, dona Firmina. A gente vai dar um jeito nisso. Primeiramente, devemos dar um jeito de tirar a Marina daqui.
- Isso. Talvez esse médico possa levá-la de volta a clinica. – sugere dona Firmina.
- Seria uma saída. Mas será que o médico concorda? – ele pergunta.
Os dois chamam o médico e propõem que Marina seja internada novamente.
- Isso é um impossível. A paciente já teve alta.
Oscar argumenta que ele e dona Firmina precisam de um tempo para preparar Pedro Alonso e os filhos para a volta de Marina.
- O senhor não tem noção do tamanho desse problema. Marina desapareceu há mais de dez anos. Esse fato transformou totalmente a vida não só de Pedro Alonso e seus filhos, mas toda essa cidade.
Doutor Felipe diz que compreende tudo, mas seu compromisso é com Marina e seu estado de saúde. E Marina precisa retomar a sua rotina diária para poder se recuperar totalmente. Marina é chamada à conversa. Doutor Oscar explica que ela terá que esperar algum tempo para rever Pedro Alonso e seus filhos. Marina recusa-se a esperar. Ela está com muita saudade do marido e dos filhos.
- Onde está meu marido e meus filhos? Eu quero vê-los agora. – ela diz.
Marina reage nervosamente. Ela acredita que aconteceu alguma coisa com Pedro Alonso e seus filhos.
- O que aconteceu com eles? – ela pergunta, aflita.
Dona Firmina ameaça desacatar a nora.
- Como tem coragem de voltar depois de tanto tempo exigindo coisas, sua...
Ela contém-se. Depois de pensar um pouco, ela decide que Oscar deve voltar à cidade para buscar Pedro Alonso.
- Pensando bem, não podemos esconder isso do Pedro. – ela fala.
Antes Oscar deve conversar com Pedro. Ele precisa ser bem preparado. Quanto aos netos, dona Firmina decide que eles devem ser mantidos na cidade.
- O Pedro ela pode ver, mas os meninos não. Eu não vou deixar essa infeliz botar os olhos nos meus netos.
Oscar vai até a cidade e encontra Pedro Alonso. É com muito cuidado que ele diz ao amigo que Marina está de volta. Pedro Alonso reage muito mal.
- Como pode uma coisa dessas? De onde essa mulher ressurgiu? – ele pergunta.
Oscar explica tudo, inclusive o estado de saúde de Marina. Pedro Alonso continua perplexo. E agora? O que fazer? Ele está prestes a casar com Francisca. Como eu vou dizer para ela que a Marina está de volta e que portanto...
Pedro Alonso não completa o pensamento. Ele não consegue pensar direito no que a volta de Marina pode representar em sua vida.
- Logo agora que eu superei tudo isso. – ele lamenta certo de que nem ele mesmo está preparado para rever a esposa.
E seus filhos?
- Os meninos já sabem? – ele pergunta.
- Não. E sua mãe não quer que eles saibam tão cedo. Dona Firmina quer mantê-los aqui na cidade até vocês resolverem o que fazer.
- Não há o que resolver. Eu não quero essa mulher de volta. Se ela voltou, espero que seja para oficializar a nossa separação. Vou entrar com o pedido de divórcio. – Pedro Alonso fala.
Oscar pondera. Pedro Alonso deve agir com calma. A situação é muito delicada. Pelo que tudo indica, Marina esteve doente esse tempo todo. Ela estava internada numa clínica desmemoriada. Está de volta porque recobrou a memória.
- O que você quer dizer com isso? – Pedro pergunta.
- Marina não tem noção de que esteve ausente tanto tempo, entende? – Oscar fala.
Pedro Alonso não entende.
- Que brincadeira é essa?
Oscar diz que Pedro Alonso deve conversar com o médico de Marina, doutor Felipe, antes de qualquer coisa. O médico pode explicar o que aconteceu com Marina. O médico é chamado e conversa com Pedro Alonso.
- A minha paciente não pode sofrer nenhum tipo de emoção forte. Como marido dela, o senhor deve agir com muita calma. – fala o médico.
- Como assim?
- O senhor deve agir como se nada tivesse acontecido. Ela precisa acreditar que esteve fora apenas por alguns dias ou horas. – o médico fala.
A cabeça de Pedro Alonso roda. Ele está pronto para se casar com Francisca.
- Não existe a menor possibilidade de eu voltar a viver com Marina como se nada tivesse acontecido. O sumiço dela acabou com a minha vida, eu fui para o fundo do poço, eu perdi tudo. Isso não pode ser. E os meus filhos? Como os meninos vão encarar a volta da mãe depois de tanto tempo? – Pedro fala.
Oscar diz a Pedro Alonso que dona Firmina já foi para a cidade. Ela vai manter os netos na casa da cidade até que tudo seja resolvido.
- Mas isso não poderá durar para sempre. Uma hora eles vão querer voltar para a fazenda, principalmente o Bernardo. Ele não vai querer ficar na cidade. Foi difícil convencê-lo a ir à minha posse.
- Nesse caso nós teremos que tirar a Marina daqui. Que tal se a gente a levasse para a casa dos pais? – pergunta Oscar.
Ele pensa um pouco:
- Seu Camilo e dona Celeste não têm condições de receber a filha. Você sabe o que sua mãe mandou fazer com sítio deles. Depois disso, eles ainda não conseguiram reerguer a casa. Eles vivem nos escombros do que sobrou.
Pedro recorda a ação de sua mãe. Ele vai mandar reconstruir a casa dos sogros. No entanto, tudo é muito urgente.
- Precisamos de uma solução agora. Marina está lá na sala te esperando, Pedro. Você precisa ir até lá falar com ela. – diz Oscar.
Pedro Alonso cai em si. Ele nem mesmo viu Marina. Na verdade, não tem vontade de vê-la.
- Eu tenho mesmo que falar com ela?
- Não tem outro jeito, Pedro. A Eulália já veio aqui várias vezes. Parece que a Marina está muito ansiosa para te ver.
Pedro Alonso não tem como fugir. Ele tem que reencontrar Marina. Não pode negar que está com medo.
- Eu não posso, Oscar. – Pedro fala.
Oscar diz que não tem outro jeito. Pedro precisa encarar Marina. Pedro Alonso vai ao encontro de Marina. Marina corre para Pedro Alonso como uma mulher apaixonada.
- Ah, Pedro, meu amor.
Pedro Alonso não sabe o que fazer. Marina beija Pedro e ele não corresponde. Para ele, ela é uma estranha. Ele tem vontade de dizer que não a perdoa por ela tê-lo abandonado com os filhos pequenos para criar, que ela destruiu a sua vida. Porém, ele não pode negar que ainda a ama. Ele repara que ela ainda está do mesmo jeito de mais de dez anos atrás. Parece que o tempo não passou para ela.
- Onde você esteve esse tempo todo, meu amor? Como eu senti a sua falta. – essas são as palavras que querem sair de sua boca.
Mas ele nada diz.
- Onde estão as crianças, Pedro? Espero que eles não tenham faltado à escola nesses dois dias em que estive fora. Aposto que elas ficaram em casa esses dias. Você vive fazendo a vontade delas. – fala Marina.
Marina chama por Eulália. Ela quer saber do andamento da casa. Eulália, constrangida, diz que está tudo bem.
- E o jantar? O que temos para jantar? Estou morrendo de saudade de comer à mesa com a minha família reunida.
Pedro Alonso diz para Eulália fazer tudo o que Marina está pedindo e que não faça perguntas. Pedro volta a falar com Oscar e o psiquiatra. O psiquiatra reforça que Pedro Alonso deve agir normalmente. Ele é o marido de Marina e esta é a casa dela.
- Faça com que ela se sinta em casa. – confirma o médico.
- Até quando eu vou ter que aguentar isso? – explode Pedro Alonso.
- Pelo menos até ela ficar mais forte.
Pedro Alonso concorda em participar do teatrinho. Depois disso, ele vai pedir o divórcio. Seu casamento com Marina acabou no dia em que ela desapareceu.
- Mas a culpa não foi dela, meu senhor. Sua esposa sofreu algum trauma muito forte e ficou desmemoriada por anos. – argumenta o médico.
Pedro Alonso e Oscar exigem explicações do médico. Que tipo de acidente Marina sofreu? O médico não sabe detalhes. Sabe apenas que Marina foi levada até sua clínica em Belo Horizonte e que lá permaneceu todos esses anos, mantida por uma pessoa anônima.
- Que pessoa é essa? – pergunta Pedro Alonso.
O médico não sabe responder. Sabe apenas que os pagamentos eram feitos regularmente.
- Mas Marina não tem aspecto de alguém que esteve doente durante todo esse tempo. Ela mantém-se saudável e bem cuidada. – fala Oscar.
- O fato de perder a memória não tira a vaidade de ninguém, caro colega. Dona Marina sempre foi uma mulher muito vaidosa. – fala doutor Felipe.
Pedro Alonso não pode negar. Marina sempre foi muito vaidosa.
Na cidade, passada a festa da posse, dona Firmina comunica aos netos que eles vão permanecer com ela na casa da cidade por um tempo.
- Talvez a gente fique morando aqui a partir de agora. – ela fala.
Pedrinho e Viviane comemoram. Eles nunca gostaram de morar no sítio. Porém, Bernardo não gosta nem um pouco da ideia de morar na cidade. Ele detesta cidade e não vê a hora de voltar para o sítio.
- O serviço no sítio não para, Vó.  Eu tenho que estar lá bem cedo para enfrentar a lida.
Dona Firmina argumenta que Zacarias pode muito bem cuidar do sítio sozinho. Ela quer que o neto largue o serviço do sítio e volte a estudar.
- Aquilo não é para você. Não se esqueça que agora você é filho do prefeito de Terra Alta. Precisa voltar a estudar para dar orgulho ao seu pai.
- Estudar para ser vagabundo igual ao Pedrinho? – Bernardo pergunta.
Pedrinho reclama. Ele não é vagabundo, apenas sabe, ao contrário do irmão, como desfrutar das coisas boas da vida.
- Coisas boas da vida? Você gosta é de aproveitar das filhas dos outros. Uma hora dessas vai acabar morto com um balaço no meio da cara. – fala Bernardo.
Os dois brigam. Dona Firmina pede ajuda de Viviane para acalmar os dois irmãos. Viviane não quer saber de nada. Ela só pensa em Lucinho, seu namorado.
Francisca e Alice chegam. Alice vem reclamar que Pedrinho a deixou sozinha na festa e Francisca quer notícias de Pedro Alonso.
- Onde está o meu noivo? Ele sumiu da festa. – fala Francisca.
Dona Firmina se mantém calada. Francisca insiste.  Pedro Alonso abandonou a sua festa deixando todo mundo preocupado.
- Está acontecendo alguma coisa, dona Firmina?
Dona Firmina desconversa. Não está acontecendo nada. Pedro Alonso teve que sair para resolver um problema.
- Problema no dia da posse? – pergunta Francisca. – Papai achou muito estranho o desaparecimento dele.
- Trate de se acostumar, minha filha. Você vai se casar com o prefeito da cidade. – fala dona Firmina.
Ela tocou no assunto preferido de Francisca, seu casamento com Pedro Alonso. Há anos ela não pensa em outra coisa. Pedro Alonso prometeu casar com ela assim que tomasse posse.
- Acho que agora podemos marcar a data, a senhora não acha? – ela pergunta.
Dona Firmina desconversa mais uma vez. Sua cabeça não deixa de pensar em Marina. Como pode essa mulher reaparecer justo agora? Os pensamentos tenebrosos tomam conta de dona Firmina. Ela seria capaz de qualquer coisa para apagar de vez a presença de Marina na vida de seu filho e netos.
- Eu preciso fazer alguma coisa. Essa mulher não vai destruir a vida do meu filho outra vez. – pensa dona Firmina dando um murro na mesa.
Todos os presentes ficam desconfiados. Dona Firmina tenta controlar-se. Ninguém pode saber do que está acontecendo no sítio. Ela precisa manter os netos longe do sítio o tempo que for necessário. Ela se afasta e liga para o filho. Ela precisa saber se ele já se livrou de Marina.
- Mande essa mulher embora. Suma com ela. Eu não quero que ela veja os meus netos. – ela fala.
Do outro lado, Pedro pondera. Segundo o médico Marina está doente e precisa de ajuda. Ele pretende seguir as instruções do médico.
- E os meninos?  O que eu digo para eles? – ela pergunta.
Pedro sabe que não vai ser fácil para eles. Marina acredita que eles ainda são crianças. Ele concorda que vai ser preciso um tempo para que os filhos saibam da volta da mãe.
- Fique com eles aí na cidade até a gente pensar numa maneira de contar para eles. – ele fala.
Dona Firmina avisa a Pedro Alonso que não será fácil manter Bernardo longe do sítio por muito tempo. Bernardo é praticamente um peão de fazenda. O trabalho no campo é a sua vida. Pedro orgulha-se muito de Bernardo. É bom tem um filho que se interessa pelas coisas da terra. Ele queria que esse filho fosse Pedrinho, o mais velho. No entanto, Pedrinho só lhe traz preocupações. Está sempre sendo acusado de se envolver com moças da cidade e depois abandoná-las grávidas, de fazer pegas pela cidade e de bebedeiras sem fim.
- Pedrinho é a minha vergonha. – ele lamenta.
Por sua vez, Viviane é uma típica adolescente sem muito compromisso com a vida. A única preocupação da vida dela é seu namoro com Lucinho, o filho de Oscar e Vânia. Apesar de parecer um namorico sem importância ele teme que Viviane esteja envolvida demais com o rapaz que vive acompanhando Pedrinho em suas farras. Oscar e, principalmente, Vânia sonham com um futuro brilhante para o garoto. Eles sonham vê-lo formado médico.
- Lucinho vai ser médico como o pai. – fala Vânia.
E para isso ele precisa viver na capital. Pedro Alonso não pretende permitir que Viviane vá morar na capital. Desde que a mãe desapareceu que ela é motivo de preocupação. Viviane sofre de algumas ausências e tem surtos regulares. A mãe a deixou sozinha na praça ao desaparecer e isso a marcou para sempre.
Dona Firmina também fala de Francisca. A noiva do filho não entendeu o seu sumiço no meio da festa da posse. Francisca também precisa ser mantida distante de tudo. Nem ela nem o pai, Edmundo, podem saber da volta de Marina. Aliás, ninguém na cidade pode saber.
Pedro Alonso, Oscar e o psiquiatra Felipe decidem que Marina ficará no sítio. Eles inventam uma desculpa para a ausência dos filhos.
- Os meninos fizeram uma pequena viagem. Logo eles estarão de volta. – fala Pedro Alonso.
Marina não se conforma do fato de Pedro Alonso ter permitido a viagem dos filhos sem consultá-la. Pedro Alonso se desculpa. 
Oscar avisa que precisa voltar para a cidade. Vânia já deu pela sua falta. 
O psiquiatra resolve ficar hospedado no sítio. Marina pode precisar de cuidados médicos durante a noite.
- É o primeiro dia dela fora da Clínica. Vocês entendem, não é? – fala o médico.
O psiquiatra fica no sítio. Pedro Alonso se vê obrigado a dormir no mesmo quarto que Marina. Marina estranha que o quarto tenha sofrido algumas modificações. Pedro Alonso diz que modificou em sua ausência.
- Gostou da surpresa? – ele pergunta.
Marina diz que adorou. Ela quer fazer amor com Pedro e ele se afasta dela. Ele está cansado. Marina não entende, mas aceita. Enquanto ela dorme, Pedro Alonso a observa. Ele não pode acreditar que Marina está de volta. Que loucura é essa? Ele não está disposto a manter esse teatro por muito tempo. Pela manhã, ele procura o psiquiatra:
- Deve existir um jeito. Eu preciso acabar com essa farsa. – ele fala.
Mais uma vez o médico repete a história. Ele precisa colaborar para a cura total de Marina. Não vai durar muito tempo. Em poucos dias, ele poderá falar toda a verdade para Marina, inclusive da sua ideia de oficializar a separação. Mas por enquanto o trato deve ser mantido.  Eulália estranha que o psiquiatra está agindo como alguém que está numa colônia de férias. Ela comenta com Zacarias:
- Esse médico nem parece médico. Passa o dia andando a cavalo ou na cozinha comendo. Pensava que médico eram mais controlados com a comida.
Zacarias, também desconfiado, não quer saber de se meter na vida dos patrões.
Em casa, o doutor Oscar tem que enfrentar Vânia. Ela está cismada de que alguma coisa aconteceu para que seu marido tenha saído às pressas da festa.
- Aposto que foi alguma coisa com seu amiguinho Pedro Alonso. Não basta ter aberto mão de concorrer à prefeitura em favor dele. Porque quem devia ter tomado posse ontem é você, Oscar. Você é que deveria ser o prefeito dessa cidade. Você é o homem mais preparado para isso. Pedro Alonso é um banana.
Vânia, mulher ambiciosa, sempre quis ser a primeira dama de Terra Alta e nunca aceitou o fato de que Oscar nunca quis concorrer.
- Eu não tenho talento para política, Vânia. Você sabe disso. – ele diz.
Vânia sabe muito bem qual é a vocação de Oscar. Ele tem vocação é para santo. Vive fazendo caridade para todo mundo.
- A gente poderia estar muito bem de vida, se você cobrasse pelas consultas que faz. Mas não, você acha que tem fazer tudo de graça. Dia desses eu vou procurar a dona Zulmira.
- O que você quer com ela?
- Vou proibir aquela feiticeira de mandar gente te procurar. Ela acha que você tem que trabalhar de graça para os miseráveis que ela protege.
- Deixa a dona Zulmira em paz, Vânia. – fala Oscar.
O sonho de Vânia é morar numa casa bem bonita, a melhor de Terra Alta. E isso ela acaba de conseguir. Ela praticamente obrigou Oscar a comprar a bela casa na praça. A casa foi construída por um estrangeiro que morou na cidade.
- Você não está satisfeita com essa casa? – pergunta Oscar.
Claro que não. Agora ela quer construir uma bela piscina.
- Vai ser a única casa com piscina de Terra Alta. – fala Vânia.
Oscar respira fundo. Ele tem mais o que fazer do que ficar ouvindo os sonhos megalômanos de Vânia. Ele precisa saber o que se passa no sítio e como dona Firmina está se saindo com os netos.
Não está nada fácil para dona Firmina. Bernardo insiste em voltar para o sítio e diante da proibição resolve fazer aquilo que sabe que vai irritar sua avó. Ele vai trabalhar com avô, seu Camilo, fazendo carretos na praça principal da cidade. Desde criança ele sempre gostou de andar na carroça do avô. Dona Firmina não aceita a aproximação dos netos com a família de Marina. Ela vai até a praça e interpela o neto.
- O que significa isso, Bernardo?                                              
Bernardo responde que não vai ficar à toa em casa. O avô está precisando da ajuda dele. Dona Firmina culpa seu Camilo pela atitude do neto.
- Não que vê que está prejudicando o menino? O que o povo dessa cidade vai dizer ao ver o filho do prefeito trabalhando como carroceiro?
Dona Firmina manda que seu Camilo proíba Bernardo de ajudá-lo na carroça. Caso contrário, ela vai mandar Pedro Alonso proibi-lo de trabalhar na praça.
- Você sabe que o prefeito manda na cidade, não sabe?
Embora saiba que Pedro Alonso não seria capaz de tomar uma atitude dessas, dona Celeste aconselha o marido a fazer a vontade de dona Firmina. Afinal de contas, eles sabem na pele do que dona Firmina é capaz.
Sem conseguir convencer o avô a desobedecer às ordens de dona Firmina, Bernardo decide voltar ao sítio sem que ela saiba.
Eulália é a primeira a encontrá-lo.
- O que você está fazendo aqui, Bernardo? O seu pai...
Pedro Alonso aparece e vê o filho.
- Você não pode ficar aqui Bernardo. A sua avó não conversou com você? – ele pergunta ao filho.
Bernardo argumenta. Ele não consegue entender por que ele não pode mais morar no sítio. Pedro Alonso explica que não é para sempre. É só por uns dias. Bernardo exige explicação. Pedro Alonso fica nervoso.
- Não tem explicação. Você e seus irmãos não podem ficar aqui e pronto. – ele responde.
Pedro Alonso avisa que vai levar o filho de volta à cidade. Bernardo se recusa. Ele vai ficar no sítio e vai continuar trabalhando na lida como sempre fez.
- Não quero ser playboyzinho filho de prefeito como o Pedrinho. – ele afirma. – Meu negócio é o trabalho na lida.
Os dois discutem. Ouvem-se a voz de Marina chamando Eulália. Bernardo quer saber que voz é aquela. Pedro Alonso diz que é a voz de uma ajudante de Eulália.
- Vai ver o que a sua ajudante quer, Eulália.
Eulália sai. Pedro Alonso arrasta o filho para fora. Ele consegue por o filho no carro.
- Vamos para a cidade. Eu preciso conversar com você e seus irmãos.
Bernardo concorda e eles partem. Na cidade, Pedro Alonso conversa com os filhos. Ele precisa dos três reunidos na casa da cidade por um tempo. E nesse período eu queria que vocês não fossem ao sítio.
- Por mim, eu não poria os mais pés lá mais nunca. Prefiro morar aqui na cidade. – fala Pedrinho.
Viviane vai pelo mesmo caminho. Morando na cidade, ela fica mais perto de Lucinho. Bernardo reclama que a irmã não fala em outra coisa que não seja no Lucinho. Os dois discutem. Pedro Alonso diz que precisa muito que os três fiquem unidos.
- Mais do que nunca eu preciso que vocês se unam.
Bernardo não entende o pedido do pai.
- O que está acontecendo, pai?
Pedro Alonso diz para os filhos que eles agora não são apenas os filhos dele, eles são os filhos do prefeito.
- E o que muda com isso? – pergunta Bernardo.
Pedro Alonso diz que muda muita coisa. Diamantino não está conformado em ter perdido para ele e vai atacar.
- Como meus filhos, vocês são os alvos preferidos dele. Morando aqui na cidade vocês ficam mais perto de mim e posso proteger vocês.
Bernardo não engole a explicação do pai.
- Está acontecendo alguma coisa. – ele fala.
Antes que Pedro Alonso possa argumentar com o filho, Francisca chega. Ela quer falar com o noivo a respeito da data do casamento.
- Papai está te esperando lá em casa. Eu falei para ele que você vai lá para a gente marcar a data do nosso casamento. – ela diz.
- Nosso casamento? – pergunta Pedro Alonso.
Francisca não entende a pergunta. Pedro Alonso está esquecido do trato deles? Ele prometeu casar com ela assim que tomasse posse. Pedro Alonso não sabe o que responder. A volta de Marina mudou todos os seus planos. Antes de qualquer coisa, ele precisa resolver o problema com Marina.
Alguns dias passam. Sem conseguir impedir que Bernardo volte ao sítio, Pedro Alonso decide com a ajuda do psiquiatra que Marina fique mantida presa no quarto. No entanto, a desconfiança de Bernardo cresce a cada dia.
Francisca continua falando do casamento. Ela já faz planos para a cerimônia.
- Não vai valer nada, mas eu faço questão que um padre abençoe a nossa união. – ela fala.
Pedro Alonso lembra que Terra Alta está sem padre.
- Não tem padre aqui em Terra Alta. Você esqueceu que o último a sua avó botou para correr daqui?
É famosa a história de que dona Clarinda expulsou padre Honório de Terra Alta. Ela o acusou de manter um romance com a viúva Ludmila.
- Padre desavergonhado. – ela diz.
Desde então, Terra Alta está sem padre. E Pedro Alonso pode usar essa desculpa para adiar seu casamento com Francisca.
- O padre Lívio, que costumava dar assistência aqui na cidade, morreu. Vamos ter que esperar até chega o novo padre. – diz Pedro Alonso.
- E quando isso vai acontecer? – pergunta Francisca.
Pedro Alonso não sabe. Ele vai conversar com o bispo da freguesia da cidade. Enquanto isso, eles precisam esperar.
- E não se esqueça que ele ainda tem que concordar em nos dar sua benção. – fala Pedro Alonso.
Francisca aceita esperar pela chegada do novo padre.
Pedro consegue a trancos e barrancos manter em segredo a volta de Marina. O único senão é a presença do médico, doutor Felipe. Ele já anda pela cidade e procura amizade com as pessoas. É possível vê-lo procurando conversa com a viúva Ludmila e dona Neuza, a mulher do soldado Fonseca. Ele se aproxima também de Diamantino Torres. Vez ou outra o médico recebe estranhos telefonemas. Nesses telefonemas alguém cobra-lhe alguma coisa. Ele sempre dá a mesma resposta:
- Calma, meu amigo. As coisas estão indo bem. Logo tudo se resolverá.
Dona Firmina desconfia do médico. Ela se aproxima dele e tenta arrancar-lhe alguma coisa. O médico nada diz. Ela decide contratar um detetive para descobrir quem é medico e se ele realmente é dono de uma clínica. Para espanto dela, todas as informações são confirmadas.
Marina pede a Pedro Alonso que a leve para dar uma volta de cavalo pelo sítio como ele sempre fez. Ela quer cavalgar em seu cavalo preferido, o bugre. Pedro Alonso não tem coragem de dizer para Marina que o cavalo morreu há muitos anos atacado por uma cobra.
Pedro Alonso pena para convencer Marina a desistir do passeio. Por outro lado, ele não consegue impedir que ela saia do quarto.
Ela está andando pelo sítio quando Bernardo a vê. Ele reconhece a mãe.
- Mãe!? É a senhora?
Marina sente-se confusa. Ela não reconhece em Bernardo o seu filho. Eulália e Zacarias presenciam a cena e chamam Pedro Alonso. Pedro Alonso briga com os empregados. Eles não podiam ter deixado Bernardo ver a mãe.
Marina tem dificuldade para entender que Bernardo cresceu. Bernardo se emociona ao falar com a mãe. Bernardo fica assustado ao perceber que a mãe não o reconhece e não entende porque o pai estava mantendo a mãe presa no quarto.
Pedro Alonso pede segredo a Bernardo. Ele não pode dizer nada aos seus irmãos sobre a volta da mãe.
- Pedrinho e Viviane não estão preparados para rever a mãe. – ele fala.
Após relutar um pouco, Bernardo aceita manter a volta da mãe em segredo. Dias depois, Bernardo vai até a cidade e avisa aos irmãos que a mãe voltou. Viviane tem um surto e Pedrinho se recusa a ver a mãe. Dona Firmina fica descontrolada ao descobrir que os netos já sabem da volta de Marina. Ela vai até o sítio e maltrata Marina.
- Suma daqui, sua vagabunda. Aqui não é mais o seu lugar.
O psiquiatra protege Marina e a leva para o quarto.  Pedro Alonso fala para a mãe de seu propósito de ajudar na recuperação de Marina. Dona Firmina não concorda. Para ela, Marina voltou para destruir seu filho novamente e isso ela não vai permitir.
- Eu vou desmascarar essa farsante. A mim ela não engana. – fala dona Firmina.
Dona Firmina procura dona Zulmira e exige que ela faça um feitiço para sumir com Marina de uma vez por todas da vida de Pedro Alonso. Dona Zulmira responde para dona Firmina que nada se pode fazer contra o destino.
- Marina está no caminho de seu filho, dona Firmina. Não se pode mudar o destino de uma pessoa. – ela afirma.
A implicância de dona Firmina com dona Zulmira aumenta. Ela a acusa de sempre ter estado ao lado de Diamantino Torres e contra Pedro Alonso.
- A senhora sempre usou suas bruxarias para favorecer o Diamantino. É claro que a senhora quer ver o meu filho destruído outra vez por essa mulher. É bem provável que esteja por trás de tudo isso. A senhora nunca passou de uma alcoviteira. – ela fala.
Dona Zulmira explica que sua ligação Marina sempre foi através do trabalho social.
- Sua nora era uma companheira e tanto. Sinto muita falta dela.  – diz dona Zulmira.
E também fala de sal ligação com Diamantino.
- Não tenho ligação com aquele homem e nem com ninguém. O que faço é cuidar da gente pobre e esquecida dessa cidade. Você e a Clarinda deviam deixar de ficar fazendo reuniãozinha pra tomar chá para cuidar dos pobres. Eles é que precisam. – fala dona Zulmira.
Dona Firmina se une à dona Clarinda para expulsar dona Zulmira de Terra Alta.
- Se nós conseguimos acabar com a pouca vergonha de um padre, imagina o que podemos fazer com uma feiticeira como a senhora. – ela ameaça.
Pedro Alonso sabe que terá de controlar a fúria de sua mãe contra Marina. Ao mesmo tempo, precisa manter em segredo a volta dela. Todos estão proibidos de fazer comentários a respeito de Marina.
- Não sei o que pode acontecer se o povo de Terra Alta descobrir que Marina voltou. – fala Pedro Alonso.
Dona Firmina sabe o que vai acontecer. Não será difícil ligar os pontos. Pedro Alonso se reelegeu prefeito e Marina está de volta.
- Todos vão pensar que tudo vai se repetir. Só falta aquele canalha vir no rastro dela. – fala dona Firmina.
O canalha a quem ela se refere é Natanael Pontes, o filho de dona Blandina e marido de Mirela. Todos acreditam que Marina e Natanael eram amantes e fugiram juntos.
Pedro Alonso repreende a mãe:
- Que o povo de Terra Alta pense isso até que é compreensível, mas a senhora mãe? – ele pergunta.
Dona Firmina não esconde que também pensa assim.
- Na verdade, o Natanael te fez um favor levando sua mulher daqui. - ela diz.
- E como explica a volta dela? – ele pergunta.
- Isso é o que eu vou descobrir para acabar com essa palhaçada. – promete dona Firmina.
Dona Firmina vai encontro de Marina e diz para ela abrir o jogo:
- Você voltou atrás de dinheiro, não foi? Quanto você quer para deixar meu filho e meus netos em paz? – ela grita.
Marina chora. Ela não sabe do que dona Firmina está falando. Pedro Alonso intervém e tira a mãe do sítio.
- A senhora vai ficar na casa da cidade até tudo isso se resolver. – ele diz.
- Você devia deixar eu resolver isso. – ela fala.
Sem que Pedro saiba, dona Firmina pega Marina e a leva para o sítio de seus pais. Seu Camilo, dona Celeste e Ana das Flores assustam ao ver Marina de volta tantos anos depois.
- Aqui está a filha desnaturada de vocês. – fala dona Firmina.
Marina reconhece os pais. Ana das Flores não gosta nem um pouco de rever a irmã.
- O que você está fazendo aqui? Você não faz mais parte da nossa família. Você é a vergonha da nossa família. Vai embora daqui. Nós não te queremos aqui. Você já nos causou muito mal. Por sua causa o Mundinho me deixou esperando no altar. – grita Ana das Flores.
Ana das Flores e Edmundo estão se reaproximando mais uma vez e ela acredita que a volta da irmã pode separá-la mais uma vez de seu grande amor.
Marina descobre que dona Firmina mandou atear fogo no sítio e que Edmundo desistiu de casar com Ana das Flores depois que ela desapareceu. Ela tenta se desculpar. Ela não sabe o que aconteceu. Sua mente está muito confusa.
- Eu não sabia que tinha causado tanto mal a vocês todos. – ela diz, emocionada.
Ana das Flores não se deixa dobrar.
- Lágrimas não vão apagar tudo que o pai e a mãe e eu passamos. – ela diz.
Seu Camilo e dona Celeste se emocionam em ver a filha.
- Veja, Camilo. Nossa menina continua bonita como sempre foi. – fala dona Celeste.
Seu Camilo não cabe em si de contentamento.
- Pensei que ia morrer sem botar os olhos na minha filha outra vez.
Ana das Flores não aceita que Marina fique com eles.
- Ela é casada. Tem marido. Que fique na casa dele. – ela fala.
Dona Firmina esclarece que Marina não é mais esposa de Pedro Alonso.
- Meu filho está de casamento marcado com a Francisca Peixoto.
Marina fica assustada com o que ouviu.
- O que? – ela pergunta,
Dona Firmina não faz rodeios e abre o jogo. Marina desapareceu há mais de dez e anos e Pedro Alonso já refez a sua vida.
- Ele está com medo de te dizer, mas eu não tenho porque esconder.
Marina desmaia. Seu Camilo e dona Celeste pedem ajuda à Ana das Flores para levar Marina para dentro de casa, ainda com os sinais da destruição feita a mando de dona Firmina. Assustada com o estado da nora, dona Firmina avisa o filho. O médico aparece com Pedro Alonso e eles levam Marina de volta para o sítio.
No outro dia, Marina acorda cedo e procura Eulália para falar sobre Pedro Alonso. Ela está achando o marido muito estranho.
- Como estranho, dona Marina?
- Acho que ele não me ama mais, Eulália. O que terá acontecido? O Pedro sempre foi apaixonado por ela e ela por ele. Nosso casamento sempre foi perfeito.
- Devem ser os problemas da prefeitura, dona Marina. Agora que ele voltou a ser prefeito tem muito problema para resolver. – fala Eulália.
Marina não se convence. Pedro Alonso está diferente. Aliás, tudo está diferente. Até os filhos. – O Bernardo cresceu de repente. Ele era um menino até poucos dias. – ela fala.
- Os filhos crescem rápido mesmo. Quando se vê já estão acrescido e maior do que a gente. A minha filha, a Sabrina, já tá uma moça. A senhora precisa ver.
Marina conversa sobre a filha de Eulália e Zacarias. Ela mora com uma tia na capital.
- Sabrina tá estudando. Não vai ser ignorante como os pais. Eu e o Zacarias nos esforçamos pra dar estudo pra ela.
Marina fala dos filhos. Ela quer ver Pedrinho e Viviane. Zacarias é chamado para levar Marina à cidade pra ver os filhos. Ele se recusa. Pedro Alonso e dona Firmina proibiram.
Pedro Alonso é comunicado de que Marina está querendo ir à cidade ver os filhos. Pedro Alonso procura a mãe e fala da vontade de Marina.
- Nós não podemos negar isso a ela, mãe. – fala Pedro Alonso.
Dona Firmina não aceita.
- Ela não tem direito a nada. Mãe desnaturada.
Pedro Alonso pondera e eles decidem levar Pedrinho e Viviane até o sítio. Ao chegar à fazenda, Pedrinho se recusa a falar com mãe.
- A senhora não é mais a minha mãe. Minha morreu há mais de dez anos.
Pedro Alonso tenta intervir, mas dona Firmina incentiva o neto a renegar a mãe.
- Isso mesmo, meu neto. Essa mulher abandonou vocês. Ela não tem mais o direito de ser chamada de mãe.
Viviane fica emocionada ao falar com a mãe.
- Sempre sonhei em te ver de novo, mãe. Agora a senhora não vai fugir mais não, vai?
Marina promete que nunca mais vai se separar da filha.
Viviane decide ficar no sítio com a mãe e Pedrinho volta para a cidade com a avó. Dona Firmina fica chateada com Bernardo e Viviane:
- Eles se bandearam para o lado daquela vagabunda.
Diante disso, ela decide que tudo fará para que Pedrinho continue renegando a mãe. Marina fica triste por ser destratada pelo filho.
No dia seguinte, Pedro Alonso acorda e descobre que Marina saiu logo cedo e ninguém sabe para onde ela foi.
- Ela saiu com aquele doutor. – diz Eulália.
Vânia chega à escola onde é diretora e é surpreendida pela presença de Marina em sua sala.
- O que significa isso?
Marina avisa à Vânia que depois de alguns dias ausente, está de volta para reassumir o seu cargo de diretora da escola. Ela acredita que ainda é a diretora da escola como há dez anos. Vânia liga para Oscar e ele chega logo depois. Vânia não perdoa Oscar por ele ter escondido o fato de Marina ter voltado e diz que não vai abrir de seu cargo de diretora porque uma louca está cismada de que ainda é diretora da escola.
- Eu não estou disposta a participar dessa palhaçada.
Oscar tenta convencer Vânia de que Marina está doente e precisa de ajuda. Pedro Alonso, Oscar e o psiquiatra têm muito problema para convencer Marina de que ela não é mais a diretora da escola.
- A diretora agora é a Vânia. – fala Pedro Alonso.
A rivalidade entre Vânia e Marina reascende. A briga entre elas cai na boca de dona Blandina. Em pouco tempo toda a escola fica sabendo do que está acontecendo e a notícia se espalha. A cidade não fala de outra coisa. Todos se reúnem na porta da escola para ver Marina. Dona Blandina lidera a povo da cidade.
- A desavergonhada voltou. – ela diz.
Marina precisa ser protegida ao sair da escola. Dona Blandina insita o povo a pedir a expulsão de Marina:
- Essa cidade não tem mais lugar para ela. Fora Marina.
Soldado Fonseca é chamado para conter a fúria do povo contra Marina. Pedro Alonso é chamado na prefeitura e leva Marina de volta para o sítio. O povo não aceita que o prefeito tenha perdoado a mulher.
Pedro Alonso é obrigado a se explicar.
- Marina está muito doente. Ela sofreu um trauma e não se lembra de nada do que aconteceu. – ele fala.
O povo não acredita. Dona Zulmira é chamada para acalmar os ânimos e dona Blandina a acusa de proteger mulheres desavergonhadas.
Francisca descobre tudo e vai tirar satisfações com Pedro Alonso.
- Isso quer dizer que nosso casamento foi para o espaço? – ela pergunta.
Pedro Alonso explica a situação para ela que se acalme. Eles vão se casar tão logo ele consiga pedir o divórcio.
- E quando isso vai acontecer? – ela pergunta.
Pedro Alonso pede um tempo. Marina está muito doente. Francisca não acredita. Para ela, Marina está muito bem. Melhor do que nunca. E acrescenta que ela pode entender, mas que o pai e sua avó provavelmente vão pedir explicações. Isso é o que Pedro Alonso mais teme. Edmundo sempre foi seu amigo, mas ele não vai aceitar que sua filha seja motivo de chacota na cidade. Já chega o fato de que seu filho, Pedrinho, vive enganando a filha mais nova de Edmundo, Alice.  E tem dona Clarinda, a mãe de Edmundo. Ela é famosa por manter sua família debaixo de marcação serrada.
Todavia, a grande preocupação agora é Vânia. A esposa do doutor Oscar nunca gostou de Marina e não está disposta a colaborar. Antes de desaparecer, Marina era diretora da escola onde Vânia trabalha hoje. Ela não vai aceitar fingir que ainda é subordinada de Marina para ajudar na sua recuperação.
- Quero mais é que Marina fique louca de uma vez. – ela avisa.
E para fazer valer o que disse, ela procura sua irmã, Mirela. Mirela é a esposa de Natanael, o que desapareceu no mesmo dia que Marina. Ela ficou sozinha com dois filhos pequenos para criar e de quebra ela ainda ficou com dona Blandina, a mãe de Natanael. Fofoqueira, dona Blandina é a única pessoa que sabe exatamente o que aconteceu no dia do desaparecimento de seu filho. Ela nega que o filho tenha dado desfalque na prefeitura e fugido com o dinheiro. Acusa a nora, Mirela, pelo desaparecimento do filho.
- Meu filho não aguentou viver com uma mulher como você, Mirela. Foi por isso que ele fugiu. Você atormentava o meu filho. Ele não aguentou. – ela fala.
Apesar de ser maltratada pela sogra, Mirela aceita que ela more em sua casa. Até a casa da mãe Natanael vendeu antes de fugir. Deixou a mãe no meio da rua. Mirela, para sobreviver e criar o filhos, trabalha como cabeleireira.  Sua profissão é mais um motivo para que sua irmã, Vânia, a destrate. Vânia tem vergonha de Mirela e concorda com dona Blandina.
- Você não presta nem para segurar marido, minha irmã. – ela acusa.
Existe um abismo entre as irmãs. Vânia estudou e Mirela ficou em casa cuidando da mãe que era doente. Vânia usa isso para humilhar a irmã.
- Não estudou por que é burra mesmo.
Mirela sabe que a rixa que sua irmã tem com ela é por outro motivo. Ela conheceu Oscar antes da irmã. Quando os dois estavam entabulando um namoro, Vânia fez uma armação e acabou casando com Oscar.
- Eu não tenho culpa se sempre fui mais bonita que você, Mirela. – fala Vânia quando Mirela toca no assunto.
No fundo, Mirela e Oscar têm um carinho especial um pelo outro até hoje e Vânia não perdoa isso. Vânia desconfia que foi Oscar que montou o salão de cabeleireiro para a irmã.
- Para de ficar explorando meu marido, Mirela. – ela diz quando descobre que Oscar ajuda na criação dos filhos da cunhada.
Vânia chega a insinuar que a irmã é amante de seu marido e que foi por isso que Natanael fugiu. Mirela fica desconfiada, pois Vânia defende muito o cunhado desaparecido.
Mirela enfrentou muitos problemas com o desaparecimento de Natanael. Além de abandonada ainda teve que enfrentar a desconfiança de toda a cidade. Eles acreditavam que ele era cúmplice do marido. No entanto, é dona Blandina que faz constantes viagens misteriosas para capital. Viagens essas que faz sozinha. Nem mesmo a neta, Samara, com quem vive grudada ela aceita que a acompanhe nessas viagens. Muitos acreditam que ela viaja para encontrar o filho.
E Vânia fala sobre a volta de Marina.
- Por que você está falando sobre isso, Vânia? – Mirela pergunta.
Vânia responde que Mirela devia procurar Marina para pergunta por Natanael.
- Todo mundo diz que os dois fugiram juntos. Quem sabe ela dá notícias dele? – fala Vânia.
As insinuações de Vânia mexem com Mirela. Ela decide ir atrás de Marina para exigir que diga onde está Natanael.
Marina se espanta com a visita de Mirela e tem nova crise.
Ao descobrir que Marina voltou, Edmundo rompe com Pedro Alonso. Por exigência de dona Clarinda, ele proíbe Francisca e Alice de manterem seus relacionamentos com Pedro e Pedrinho, pai e filho.
Por sua vez, dona Blandina vê nisso a chance de sua neta, Samara, fisgar definitivamente o filho do prefeito, Pedrinho.
- Aproveita, Samara. Melhor partido não existe em Terra Alta. A não ser que você queira casar com  Vandico, o filho do Diamantino? – fala dona Blandina.
Neta e avó sonham com o dia em que viverão vidas de ricas. Dona Blandina incentiva Samara a fazer um casamento por interesse.
- Se não nasceu rica, o jeito casar com um homem rico. E Pedrinho Mendonça Aires pode não ser rico, mas o pai tem alguma coisa. – ela fala para a neta.
Quem não gosta nada disso é Mirela. Ela quer a filha trabalhando com ela no salão de cabeleireiro, mas Samara recusa. Por outro lado, Solano é um rapaz trabalhador e faz tudo para ajudar a mãe.
- Você devia ser como o Solano. Ele trabalha nas lojas do Edmundo e me ajuda no que pode. – fala Mirela.
Samara faz pouco do irmão.
- Salano é um bobão que acha que um dia o pai vai voltar.
Mirela não gosta de falar desse assunto. No fundo, ela já perdeu a esperança. E fica triste em saber que o filho ainda sente falta do pai. Ela também fica preocupada com o fato dele gostar de Viviane, a filha de Pedro Alonso e Marina.
- Tanta garota nessa cidade e ele foi se interessar justo pela Viviane. – ela fala.
- Ele não tem a menor chance. Viviane é louca pelo Lucinho. – fala Samara.
Alguns meses depois. Pedro Alonso faz o seu trabalho na prefeitura. Aos poucos, Marina vai conseguindo reconquistar os filhos. Pedrinho ainda continua arredio. Dona Firmina não perde a chance de humilhar a nora.
Para desespero de dona Firmina, Bernardo se aproxima cada vez mais dos avós maternos. Ele sempre foi o único que manteve o vínculo com a família da mãe. Ele é muito amigo dos avós. Principalmente do avô com o qual gosta de pescar.
Por esse tempo, chega ao sítio a filha de Eulália e Zacarias. Ela vem passar uns tempos na casa dos pais. Moça criada na capital, ela logo mostra que tem hábitos diferentes das moças da cidade, o que deixa seus pais bastante escandalizados. Mas o que chama atenção são seus banhos na cachoeira da fazenda. Bernardo a vê tomando banho nua e fica louco por ela. Não demora, eles estão envolvidos. Dona Firmina não aceita ver o neto envolvido com a menina moreninha filha dos empregados. Ela não hesita em usar seus métodos para afastar Sabrina do neto.
Na tentativa de resolver o problema e livrar-se das ameaças de dona Firmina, Eulália pede ajuda à sua tia Zulmira. Dona Zulmira leva Sabrina para morar em sua casa e tenta lhe dar alguns conselhos, Porém, é tarde demais. Ela e Bernardo já estão completamente apaixonados e não vão abrir mão desse amor.
Aos poucos, Pedro Alonso, mesmo com toda a pressão que sofre por parte do povo da cidade e de sua mãe, começa a aceitar Marina.
O médico vai embora da cidade depois de descobrir que dona Firmina está prestes a saber que ele não é médico coisa nenhuma. Ele deixa sua paciente aos cuidados do doutor Oscar.
Pedro Alonso se rende às constantes investidas de Marina e os dois voltam a se relacionar com marido e mulher. Marina volta a ser a primeira-dama atuante que era antes de seu desaparecimento.
Desiludida, Francisca tenta se matar. Edmundo tira a filha da cidade por uns tempos. Na volta, ela aceita a proposta de namoro de seu eterno admirador, Vandico Torres.  O tímido e inseguro filho de Vandico Torres sempre foi apaixonado por Francisca, mas ela nunca deu atenção a ele. Ela aceita namorar com ele para provocar Pedro Alonso. Ela consegue. Pedro Alonso a procura para tirar satisfações e se mostra disposto a lutar por ela.
Oscar acha a atitude do amigo estranha, afinal todos pensavam que ele estava se acertando com Marina. Pedro Alonso revela que ainda não conseguiu perdoar Marina e que ainda quer se casar com Francisca.
Pedro Alonso decide falar com Marina sobre a separação dos dois. Ele quer o divórcio.
Marina não aceita, pois pensava que tudo estava ás mil maravilhas entre eles.
Marina passa a receber telefonemas misteriosos. Dona Firmina descobre que a nora tem um telefone celular e que fala com alguém. Esses telefonemas deixam Marina bastante nervosa.
- É o seu amante que está te ligando, não é? – ela provoca a nora.
Marina nega. O telefone celular é do médico. Ele o deixou com ela para monitorar o seu tratamento. Dona Firmina faz marcação em cima da nora, mas sua atenção é atraída para outro acontecimento. Viviane descobre-se grávida de Lucinho. Oscar e Pedro Alonso resolvem que os filhos devem casar.  Vânia não aceita. Seu filho vai estudar para médico. Ele não tem idade para casar.
- Só por cima do meu cadáver. – Vânia fala.
Após muitas brigas e discussões acontece o casamento de Viviane e Lucinho. Para convencer a mulher, Oscar se vê obrigado a custear a construção da piscina em sua casa. Viviane e Lucinho vão morar na casa de Oscar e Vânia. Vânia se revela uma sogra terrível para Viviane e a garota não aguenta o tranco. O filho deles nasce. Viviane e Lucinho demonstram que não estavam preparados para o casamento. Eles abandonam a criança e vão para a farra. Numa crise, Viviane abandona a criança com o pai e volta para casa. Lucinho se vê sozinho para criar o filho. Vânia acusa Oscar e Pedro Alonso pelo fiasco do casamento dos dois.
O casamento de Viviane une novamente Pedro Alonso e Marina.
- Ela precisa de nós dois mais do que nunca, Pedro. – fala Marina.
A cidade se acostuma com a volta de Marina. De certa forma, muitos nem lembram mais do acontecimento e aceitam a versão de que ela perdeu a memória. Até mesmo o rival de Pedro Alonso, Diamantino já se conformou e não faz mais acusações e nem piadas. Apenas dona Blandina continua afirmando que Marina está mentindo.
- Como a senhora sabe disso? – pergunta Mirela.
Dona Blandina desconversa. Ela sabe por que sabe. Intuição.
Dias depois, uma novidade abala Terra Alta. Natanael está de volta. Aparece de uma hora para outra. Ele bate na porta da casa de Mirela dizendo que foi abduzido por uma nave interplanetária.
- Os homenzinhos me pegaram no meio da estrada e me levaram. – ele diz.
Mirela não acredita. Para sensibiliza-la, ele diz que está com os dias contados:
- Acho que os homenzinhos verdes injetaram algum vírus em mim. Eu vou morrer, Mirela.
Não faltam perguntas.
- O que você quer aqui depois de tanto tempo, Natanael? – pergunta Mirela.
Natanael diz que não quer nada além de morrer em paz ao lado de sua mulher, seus filhos e sua mamãezinha querida.
- Não negue esse direito a um pobre moribundo. – ele pede.
Mirela se vê obrigada a aceitar o marido de volta em sua casa.
- Pelo menos, vê se morre logo. Porque eu não estou disposta a sustentar marido fujão. – ela diz.
Dias depois Natanael está totalmente recuperado e nem lembra mais que estava à beira da morte. No meio da praça, todos querem detalhes do sequestro. Natanael conta tudo. Mas não explica o desaparecimento do dinheiro da prefeitura. É isso que o furioso Pedro Alonso quer saber.
- Foram os ETs que roubaram o dinheiro da prefeitura? – pergunta Pedro Alonso.
Natanael não sabe responder. Ele não sabe de roubo nenhum. Só sabe que ficou preso todos esses anos e que só agora foi libertado.
- Você não sabe o que é ser retirado do seio de sua família e ficar confinado numa nave espacial durante anos, Pedro Alonso.  Só quem passou por isso sabe o que é. – ele fala.
Pedro Alonso ameaça botar o ladrão na cadeia. Soldado Fonseca é chamado para fazer a prisão.
- O senhor tem que prender esse homem, soldado Fonseca. O senhor tem conhecimento do crime que ele cometeu. – fala Pedro Alonso.
Soldado Fonseca argumenta que não pode prender Natanael sem um mandado de prisão. Pedro Alonso sabe que isso é verdade e tenta obrigar Natanael a dizer como ele conseguiu se livrar dos ETs.
- Eles me trouxeram de volta e deixaram no mesmo lugar. Aí eu vim caminhando pra casa. – ele diz.
A população de Terra Alta se compadece com o drama de Natanael. Pedro Alonso desiste de prender Natanael. Ele tem mais o que fazer do que perder seu tempo com um golpista mentiroso.
Como Marina, Natanael também volta para casa e tenta relacionar com a família como se nada tivesse acontecido. Dona Blandina dá total apoio ao filho. Para ela, Mirela tem botar as mãos para os céus e agradecer que seu marido voltou para casa são e salvo.
- Está vendo como ele te ama? Aposto que no seu cativeiro interplanetário ele só pensava em você. Apesar de você não merecer um marido como meu filho. – ela diz.
Mirela se vê obrigada a aceitar o marido de volta. Solano e Samara não cabem si de felicidade por reencontrar o pai. Para Mirela é apenas mais uma boca para ela sustentar.
A volta de Natanael provoca um terremoto em Terra Alta. Muita gente não fica satisfeita com sua volta. Marina fica mais nervosa do que o habitual e não consegue esconder sua preocupação.
Dona Firmina faz insinuações.
- Seu comparsa voltou. Quando é que vocês vão aplicar o novo golpe no meu filho? – ela provoca.
Marina nega. Outro que não gostaria de rever Natanael é Diamantino. O rival de Pedro Alonso sabe que terá problemas pela frente.
- Esse camarada não tinha nada que voltar para Terra Alta. Não foi esse o nosso trato.
Ele procura Natanael e exige que ele saia de Terra Alta.
- Você não tem nada que fazer aqui. A menos que tenha vindo para repetir a dose.
Natanael finge por um tempo não entender o que Diamantino está falando, mas em pouco tempo deixa claro a sua intenção. Ele quer mais dinheiro. Diamantino diz que não deve mais nada para ele e que ele ficou com o dinheiro da prefeitura. Natanael insiste. Ele quer mais dinheiro.
- Eu até volto a desaparecer, mas com muito dinheiro no bolso. – ele fala.
Diamantino diz que não tem mais dinheiro. Natanael avisa que sabe de todas as roubalheiras do ex perfeito de Terra Alta.
- E as contas da Suíça? Não se esqueça que era eu que as abastecia pra você.
Diamantino está nas mãos de Natanael. Ele sabe muito sobre sua vida.
Depois de sua conversa com Diamantino, Natanael abre o jogo com sua mãe. Ele voltou para Terra Alta para fazer dinheiro.
- Essa gente vai pagar o que me deve. – ele diz.
Dona Blandina apoia.
Natanael procura o padre da cidade, padre Chiquinho. Padre Chiquinho chegou à cidade a pouco e ainda enfrenta a desconfiança das pessoas por causa do estilo meio extravagante. Na verdade, ele não parece um padre. Há muitos que desconfiam dele principalmente depois do que aconteceu com o antigo padre. Dona Clarinda é a mais desconfiada. Ela não quer que a história se repita. Afinal, a viúva Ludmila está pronta para atacar a qualquer hora. Ludmila, depois da morte do marido, passou a ser malvista por todos. Apesar dos insistentes pedidos de sua mãe, dona Carminha, para que volte a ser uma moça direita, Ludmila passou a dar em cima de todos os homens da cidade deixando as mulheres da cidade muito irritadas. Com o tempo ela se torna amante de Diamantino Torres que faz questão de desfilar com ela na frente de toda a cidade e de sua mulher, dona Odila. Diamantino está sempre humilhando e desfazendo-se de dona Odila, a quem ele chama de gorda e feia e com quem casou-se por interesses políticos.
- Não sei como tive coragem de casar com esse bucho. – ele fala.
Dona Odila sofre, pois ela ama o marido e não quer ver o filho, Vandico, seguindo o mesmo caminho do pai.
Quanto a Chiquinho, ele é mesmo padre. Ele resolveu entrar para o seminário um tanto tardiamente depois andar por caminhos um tanto tortuoso. E foi exatamente quando andava por esses caminhos que o esperto Natanael atravessou o seu caminho.
- Quem te viu e quem te vê, hein? Quem diria que aquela alma perdida se tornaria um padre? Se fosse pastor, eu até entendia, mas padre. Tem aquela coisa do celibato, não tem? Como é que você tá se arrumando?
Padre Chiquinho não quer falar sobre o assunto. O Chiquinho do passado morreu. Agora eu sou um novo homem.
- Belo discurso. Palmas pra você. Só que o povo da cidade, nem o bispo não vão ser tão compreensíveis  quanto eu quando souberem que você andou por aqueles caminhos e que seu rastro ficou lá.
Padre Chiquinho se desespera.
O que você quer de mim?
Natanael quer dinheiro.
- Trate de fazer muita rifa, quermesse e cobrar o dízimo dessa gente. Eu tô muito precisado de dinheiro.
Natanael vai embora prometendo voltar.
Quem também recebe a visita de Natanael é Vânia. Eles são cunhados. Vânia não entende por que o cunhado a está procurando.
- Eu quero retomar aquela nossa velha pareceria.
- Do que você está falando? – ela pergunta.
Natanael está falando do tempo em que eles eram amantes. Vânia nega que algum dia tenha acontecido alguma coisa entre eles.
- Eu sempre fui muito feliz com o meu marido, ouviu bem?
Natanael ri. Os dois sempre foram amantes.
- Já pensou quando alguém descobrir que você era amante do marido da sua própria irmã? Essa cidade vai ficar de perna para o ar e a Mirela não vai te perdoar. Aliás, você sempre gostou do que é da Mirela, não é? Pelo que eu sei o Oscar queria namorar com ela e não com você. Aí você viu que ele tinha mais futuro que eu e passou a perna na sua irmã. – fala Natanael.
Vânia diz não saber do que Natanael está falando. Ele exige dinheiro da cunhada para não revelar o segredo. Vânia o desafia a dizer o que quiser. Natanael pergunta por Lucinho.
- O que tem o meu filho?                                                      
- Ele pode ser meu filho, não pode? – ele pergunta.
Vânia perde a respiração.
- Na época que você ficou grávida a gente ainda...
Vânia tapa os ouvidos. Ela não quer ouvir mais nada e manda Natanael sair de sua casa. Ele vai embora dizendo que se ela não arrumar dinheiro para ele, vai dar um jeito de fazer um teste de DNA.
- Assim a gente tira essa dúvida de uma vez por todas, não?
Vânia sabe que Natanael não está brincando.
Natanael procura Marina e ela foge dele. Os telefonemas se intensificam. Para livrar-se de Natanael, Marina joga o telefone fora e se tranca no sítio. Zacarias acha o telefone e ao tentar devolvê-lo à sua dona acaba o entregando para dona Firmina. Ela não sabe como, mas ali está a prova de que Marina falava com seu comparsa.
Marina fica desesperada ao descobrir que dona Firmina está de posse de seu telefone. Ela avisa a Pedro Alonso que perdeu seu telefone e que dona Firmina achou e não quer devolvê-lo. Pedro Alonso obriga dona Firmina a devolver o telefone de Marina. De posso do telefone, Marina o destrói jogando-o no fogo.
Agora ela está livre das acusações de dona Firmina e das chantagens de Natanael.
Natanael arma um cerco contra Marina e eles acabam se encontrando. Nesse encontro fica claro que os dois fugiram juntos e que estavam juntos até que Marina voltou para Terra Alta. A história da doença é mesmo uma farsa. A volta de Marina à cidade se deu porque o dinheiro deles acabou. Natanael a obrigou a voltar para tirar mais dinheiro do marido, como ela estava demorando ele resolveu vir atrás dela.
- Você não tinha nada que aparecer aqui. – ela diz.
Natanael responde que ela não está agindo como eles combinaram. O trato era ela aparecer e limpar as contas de Pedro Alonso e voltar a sumir.
- O que aconteceu? Mudou de ideia? – pergunta Natanael.
Marina responde que sim. Ela descobriu que ama Pedro Alonso e os filhos. É com eles que ela quer ficar a partir de agora.
- Acabou, Natanael. Essa minha volta me fez entender que o Pedro é o homem da minha vida. Eu nunca devia ter feito o que fiz com ele e com os meus filhos.  A vida está me dando uma chance de reparar o meu erro e ser feliz de novo. Eu não pretendo deixar escapar.
Natanael não aceita. Marina é dele. Ela vai fazer tudo como eles combinaram e eles vão sumir para sempre daquela cidade abandonada no fim do mundo.
- Você vai fazer tudo como nós combinamos. Do contrário eu conto tudo para o Pedro e para a cidade inteira. Dona Firmina vai adorar conhecer essa história.
Só de ouvir o nome de dona Firmina, Marina estremece. Ela sabe que a sogra não vai perdoa-la se descobrir a verdade.
Natanael vai embora deixando o aviso para Marina. Ou ela faz o que ele quer ou ele acaba com ela
Natanael passa a chantagear várias pessoas na cidade. No entanto, a pessoa que mais ameaçada por ele é Marina. Ele ameaça revelar o caso deles para Pedro Alonso. Totalmente apaixonada pelo marido e já convivendo bem com seus filhos, inclusive Pedrinho, Marina não suporta a ideia de ver seu sonho de felicidade destruído pela ambição de Natanael. Ela se enganou com ele. Quando eles fugiram de Terra Alta ela acreditava que ele era um homem bom e que a amava, mas a conivência mostrou que ela estava enganada. Ele a maltratava e usava para dar os seus golpes nos lugares por onde passaram. Muitas vezes, Marina teve que se prostituir. Ela não quer mais essa vida.
- Sai da minha vida de uma vez por todas, Natanael. Você já me prejudicou demais. – ela pede ao exatamente.
Natanael não concorda e faz a mais terrível das revelações. Ele nunca Marina. Ele a seduziu a mando de Diamantino Torres que assim pretendia destruir Pedro Alonso e ter de volta o cargo de prefeito.  
- Então, você nunca me amou? – ela pergunta, chocada.
Natanael confirma. Ele nunca a amou.
- Amar mesmo, eu amei a Mirela, a mãe dos meus filhos. – ele confessa. – Mas o dinheiro que o Diamantino de meu deu valeu o sacrifício de viver longe da mulher que amo e te aturar com suas frescuras de mulher que se acha a última bolacha do pacote por todos esses anos. – ele fala.
Ele segue humilhando Marina. O mundo de Marina cai. Ela largou seu marido e seus filhos por um homem que nunca a amou. Isso não pode ser verdade. Natanael dá risadas.
- E nós vamos fazer tudo de novo. Nosso trato era você voltar e limpar o idiota do seu marido. Vamos logo com isso. O Diamantino quer de volta seu cargo na prefeitura. Essa cidade precisa decepcionar-se com Pedro Alonso outra vez. Chegou a hora de a brincadeira acabar. Você já brincou muito de esposa apaixonada. Dá seu jeito de tirar todo o dinheiro que puder do Pedro Alonso. Nós vamos embora dentro de poucos dias. – avisa Natanael.
Marina volta para casa. Pedro Alonso e seus filhos a esperam para jantar. Ela reconquistou o amor do marido e dos filhos, o respeito do povo da cidade. Natanael quer destruir tudo isso revelando toda a verdade para Pedro Alonso. Pedro Alonso não a perdoará. Como ela vai resolver isso?
Dias depois, Natanael aparece morto.
Será que Marina matou Natanael para não ser desmascarada? Ou será que outra pessoa cometeu o crime?

PERSONAGENS

MARINA – Casada com Pedro Alonso, desaparece da cidade sem deixar vestígios e volta vinte anos depois dizendo que sofreu um acidente e ficou desmemoriada por todo esse tempo. Tenta retomar sua vida do ponto em que deixou ao desaparecer em relação ao casamento e aos três filhos, porém encontra bastante resistência deles. Pedro Alonso já está em outro relacionamento e os filhos não a reconhecem com mãe. Outro grande problema em sua volta é sua sogra dona Firmina Mendonça Aires.

PEDRO ALONSO – Era prefeito da cidade quando Marina desapareceu. Ao mesmo tempo, seu secretário de finanças também sumiu levando todo o dinheiro da prefeitura. Foi obrigado a vender os bens de sua família para repor o dinheiro nos cofres da prefeitura. Por isso, ficou pobre e teve que começar do zero. Sofreu muito com o desaparecimento da mulher e teve a ajuda da mãe, dona Firmina, para criar os filhos e reconstruir sua vida. Está noivo de Francisca Peixoto e sonha refazer sua vida. A volta de Marina vai mudar os seus planos.

FIRMINA MENDONÇA AIRES – Mãe de Pedro Alonso. Com o desaparecimento da nora, acabou de criar os netos e foi responsável por ele ter se recuperado financeira e emocionalmente. Não aceita a volta da nora e a quem longe de seu filho e netos. Responsabiliza Marina pela morte José Cândido Aires, seu marido e pai de Pedro Alonso. Ele morreu quando foi obrigado a vender sua fazenda para pagar as dívidas da prefeitura.

FRANCISCA PEIXOTO – Noiva de Pedro Alonso. Quer casar com ele a todo custo, mas verá seus sonhos irem por água abaixo depois da volta de Marina. É filha de Edmundo Peixoto, o Mundinho, e irmã de Alice, namorada de Pedrinho, o filho mais de Pedro Alonso.

ANA DAS FLORES – Irmã de Marina. Por causa do sumiço da irmã, foi abandonada no altar por Edmundo Peixoto. Na época, viúvo, ele foi proibido de casar com ela por sua mãe, dona Laurinda. Ela não quis ver seu filho unido a irmã de Marina. Por isso, Ana tornou-se uma moça triste e, para muitos, um tanto perturbada. Depois de muitos anos, Ana e Edmundo estão tentando se reconciliar. A volta de Marina faz que Ana tema ser abandonada outra vez. O apelido de Ana das Flores nasceu pelo fato dela cultivar flores no sítio do pai. Ana vende suas flores pela cidade usando uma carroça enfeitada de flores.

CAMILO NOVAES – Pai de Marina e Ana das Flores. Homem simples, é o carroceiro da cidade. Sofreu muito com o desaparecimento da filha e tenta aproximar-se dos netos, mas eles o ignoram.

CELESTE – Mãe de Marina e Ana das Flores. Mulher da roça. Vive para o marido e a filha Ana das Flores. Doceira da cidade.

EDMUNDO PEIXOTO – Pai de Francisca e Alice. Amigo de Pedro Alonso e responsável, junto com Oscar e dona Firmina, pela recuperação dele. Mentor e cabo eleitoral de Pedro Alonso em sua vota à prefeitura. Teve um romance no passado com Ana das Flores e foi impedido de casar com ela. A volta de Marina fará com que ele volte a abandonar Ana das Flores.

ALICE – Filha de Edmundo e irmã de Francisca. Está para casar com Pedrinho Mendonça Aires. Mas, para levar Pedrinho até o altar, terá que se livrar de todas as muitas namoradas que ele tem pela cidade. A volta da sogra será outro empecilho.

PEDRINHO MENDONÇA AIRES – Filho mais velho de Marina e Pedro Alonso. Rebelde, vive criando problemas para o pai e a avó. Envolve-se com várias moças da cidade ao mesmo tempo que mantém um noivado com Alice, a filha de Edmundo Peixoto, amigo de seu pai. Despreza a mãe e não aceita suas explicações para seu sumiço.

BERNARDO – Filho do meio de Marina e Pedro Alonso. Diferente do irmão, ele trabalha no sítio do pai e vive sob o comando de dona Firmina. Escondido da avó visita a família da mãe e tem um bom relacionamento com eles. Principalmente com o avô, com quem gosta de sair para pescar. Terá problemas com a avó ao se interessar por Sabrina, a filha dos empregados da fazenda, Zacarias e Eulália.

SABRINA – Filha de Zacarias e Eulália, vivia fora da cidade. Ao terminar os estudos, volta para casa para dos pais. Fica interessada em Bernardo e tem problemas sérios com dona Firmina que não aceita que o neto se envolva com uma moça negra e filha dos empregados.

ZACARIA S  - Pai de Sabrina. Empregado da fazenda de Pedro Alonso. É leal ao patrão e à dona Firmina. Mora no sítio e será o primeiro a reencontrar Marina.

EULÁLIA – Mãe de Sabrina. Como o marido, Zacarias, é leal aos patrões. Mas quando a filha for maltratada por dona Firmina, ao contrário do marido, ficará do lado da filha.

VIVIANE – Filha mais nova de Marina e Pedro Alonso. Estava com a mãe no momento em que ela desapareceu. Por isso, tem problemas sérios de humor e personalidade. Está para casar com Lucinho, o filho de Oscar, o médico da cidade. Esse casamento não agrada aos pais do garoto que acreditam que ele deverá fazer com o filho deles o mesmo que a mãe fez com Pedro Alonso. Ficará completamente transtornada com a volta da mãe e abandonará o marido com uma filha recém-nascida.

LUCINHO – Filho do médico Oscar e da professora Vânia. Rapaz sem grande personalidade, namora Viviane desde criança com quem acaba de casar por ela estar grávida. Vive dominado pelos pais, principalmente pela mãe. Ama Viviane e enfrenta os pais para ficar com ela.

OSCAR CAMPOS – Médico da cidade. Amigo de Pedro Alonso. É o primeiro a suspeitar do estado de saúde de Marina. Entra em atrito com Filipe, o médico que cuida de Marina. Nega-se a ser o prefeito da cidade e apoia Pedro Alonso para tristeza de sua mulher.

VÂNIA – Mulher de Oscar Campos e mãe de Lucinho. Superprotege o filho e não aceita seu casamento com Viviane por ela ser filha de Marina. Sempre teve ciúmes e inveja de Marina. É a atual diretora  da principal escola da cidade e teme perder esse cargo para Marina.

FELIPE – Médico que acompanha Marina até a cidade quando ela volta. Convence Pedro Alonso a receber Marina e fingir que o casamento deles ainda existe como forma de ajudar no tratamento dela.

MIRELA – Mulher de Natanael, o secretário de finanças que sumiu com o dinheiro da prefeitura. Criou sozinha os dois filhos Solano e Samara e de quebra ainda ficou com a sogra, dona Blandina. Fez de tudo para criar os filhos e por isso tornou cabeleireira. Nunca acreditou que o sumiço de seu marido e de Marina foram coincidência. Acredita que Natanael e Marina eram amantes. Ao saber que Marina voltou, irá atrás dela pedindo notícias de Natanael.

NATANAEL – Secretário de finanças da prefeitura que sumiu com o dinheiro destruindo a vida de Pedro Alonso. Filho de dona Blandina. Aparecerá no final da história, quando voltará à cidade dizendo que foi abduzido.

SOLANO – Filho mais velho de Mirela e Natanael. Bom filho, sempre ajudou a mãe. Diferente da irmã, sonha com a volta do pai.

SAMARA – Filha de Mirela e Natanael. Acha que o pai abandonou a mãe porque ela não era uma boa esposa. Sonha fazer um bom casamento que a tirará do jugo da mãe e da cidade atrasada onde ela vive. Seu sonho é incentivado por dona Blandina, sua avó.

DONA BLANDINA – Mãe de Natanael e sogra de Mirela. Vive à custa da nora e não se cansa de humilhá-la acusando-a de ter obrigado seu filho a sumir da cidade. Ambiciosa, gosta de coisas boas e vive, junto com a neta, tentando fazer parte da alta sociedade da cidade.

DIAMANTINO TORRES – Homem mais rico e temido da cidade. Grande opositor de Pedro Alonso. Vive cercado da mulher e do filho que considera uns emprestáveis. Foi prefeito da cidade por vários e anos e é acusado de ter roubado muito dinheiro dos cofres da prefeitura.

SOLDADO FONSECA – Policial de Terra Alta. É o único responsável pela lei na cidade. É casado com Neuza e é pai de Neuzinha. A família é tudo para ele.

NEUZA – Mulher de Fonseca. Não é natural de Terra Alta e é esnobada pelas mulheres da cidade por vestir-se espalhafatosamente e viver de agarramento com o marido em público.

NEUZINHA – Filha de Fonseca e Neuza. Adolescente, desperta o interesse de Pedrinho Mendonça Aires, de quem acaba ficando grávida.

ROBERVAL – motorista de táxi. Filho de dona Zulmira, é o marido repressor de Ludmila. Morre num acidente com seu velho fusquinha.

LUDMILA – Mulher reprimida de Roberval. Após a morte, revela-se uma mulher fogosa e passa a ser conhecida com a viúva Ludmila.

DONA ZULMIRA – Benzedeira de Terra Alta. É tida por muitos como uma velha feiticeira, mas na verdade é uma mulher caridosa e extremamente religiosa.

PADRE HONÓRIO – Padre de Terra Alta que acaba se envolvendo com Ludmila. Por isso, é expulso da cidade por dona Clarinda e sua turma.

PADRE CHIQUINHO – Novo padre de Terra alta. Desperta a desconfiança do povo por causa de seu jeito modernoso demais. Esconde coisas de seu passado.

VANDICO TORRES – Filho de Diamantino Torres e dona Odila. Apaixonado por Francisca Peixoto, é dominado pelo pai, a quem tenta imitar sem sucesso.

DONA ODILA – Mulher de Diamantino e mãe de Vandico. Ao contrário do marido, pensa no povo e gosta de fazer caridade. Sofre humilhações por parte do marido.

DONA CARMINHA – Mãe de Ludmila. Sofre quando a filha muda seu comportamento após a morte do marido.

DONA CLARINDA – Beata, mãe de Edmundo. É uma espécie de guardiã da moral e dos bons costumes em Terra Alta.


 UM BOM NEGÓCIO

 Sinopse em construção.

Maurício é um rapaz de vinte e poucos anos que nasceu e cresceu na Rocinha, uma comunidade pobre do Rio de Janeiro. Embora sempre tenha gostado de viver no local, onde mora com a mãe, Terezinha, e os dois irmãos mais novos, Alexandre e Melissa, tem o sonho de morar num dos muitos prédios que avista de seu barraco pobre. A mãe, abandonada pelo marido com três filhos pequenos para criar, sustenta a casa com dificuldade trabalhando de faxineira em casa de gente rica. Por esse motivo, cedo o pequeno Maurício teve que sair para trabalhar. Nunca foi nenhum trabalho digno de nota. Ele fazia tudo o que pudesse render algum trocado para ajudar a mãe nas despesas da casa. Chegou até aproximar-se do tráfico trabalhando de "avião" para os traficantes. Não durou muito. Quando o filho começou a chegar em casa com somas mais altas de dinheiro dizendo que tinha ganhado com seu trabalho, Terezinha matou logo a charada: o filho estava trilhando o mesmo caminho que o pai dele trilhou, o caminho sem volta do mundo do crime. Até apelido ele já tinha: era o "Mau".  Terezinha entrou em desespero. Pedia ajuda para todo mundo que encontrava e todos diziam para ela que esse era o destino do menino e que ele seguiria o mesmo caminho do pai, Leléco, hoje condenado cumprindo pena numa presídio de segurança máxima. Por sorte, Maurício, ao completar dezoito anos, foi recrutado pelo exército. Terezinha pôde dormir mais tranquila e chegou a sonhar com o filho seguindo carreira no exército, como um irmão dela, o Valdecir, seguiu. Mais ou mesmo um ano depois, ele deu baixa dizendo que aquilo não era vida para ele. Ele queria mais, queria ser alguém na vida, em suma, queria ser rico. Mais uma vez os temores de Terezinha voltaram e ela precisava fazer alguma coisa para evitar que o filho entrasse de vez para o mundo do crime que não demorou muito a começar a rondar o filho.  

Uma das patroas de Terezinha, Marlene Boaventura, uma  espécie de "nova rica", casada o empresário Estevão Boaventura, ficou de ver com o marido uma colocação para Maurício. Demorou um pouco mais a "madame" conseguiu convencer o marido a dar uma oportunidade para o "favelado". Embora não fosse o que se pode chamar de "bem-nascido", Estevão nunca suportou favelado. Para ele, todos eram bandidos. No fim, ele concordou em receber o rapaz para se livrar da chatice de sua mulher que não saía do seu pé intercedendo pelo filho da empregada. Aí, o passo seguinte foi fazer  com que Maurício, já bem próximo do tráfico, aceitasse a ideia de virar um trabalhador "normal". Ele acreditava que ninguém chega a lugar nenhum trabalhando de carteira assinada:

- A senhora conhece alguém que ficou rico batendo ponto?

Terezinha não tinha argumento. De certa forma o filho tinha razão. Ela era um exemplo vivo. Mas como mãe, e querendo ver o filho longe do mundo das drogas, ela não podia desistir. Acabou conseguindo convencer o filho a procurar o empresário. De cara, Estevão não gostou do rapaz e só o admitiu para não se indispor com sua mulher, dada a fazer caridade às suas custas, como ele sempre diz. O empresário, tentando se ver livre do rapaz, o empregou como "o rapaz do cafezinho", com um pensamento na cabeça:

- Tenho certeza que logo ele cansa e pede para sair. Aí, a Marlene não vai poder dizer que não dei uma chance pro marginalzinho.

 "Seu trabalho será servir cafezinhos", avisou o empresário, torcendo para que o garoto não aceitasse o emprego. Deixou claro também que ele estaria o tempo todo de olho nele e que, qualquer coisa, o poria na rua sem pestanejar. E, olhando para i, completou o raciocínio:

-Não vai durar um mês aqui. Se passar disso, eu mesmo dou um jeito de me livrar dele. Não vai ser difícil incriminar esse marginalzinho. Deixa comigo.

Maurício, que também não foi com os cornos do futuro patrão, e alheio às maquinações do empresário, resolveu aceitar o emprego para não desagradar sua mãe. Apesar de ser "meio rebelde", ele sabia do esforço que sua mãe fazia para sustentar a ele e seus irmãos. Logo nos primeiros dias, aquele estilo de vida ta Maurício. Apesar do trabalho quase humilhante e o patrão  passar o tempo todo mandando que ele executasse as tarefas mais absurdas,  entrar naquele prédio de bacana todos os dias fez com ele lembrasse de seu antigo sonho de um dia ser alguém na vida e morar no asfalto. Em casa, ele contou isso para a mãe e ela o incentivou a voltar a estudar para realizar o seu sonho. Maurício entrou para um curso de informática e logo se tornou um expert no assunto. Assim, ao ver o patrão sempre às voltas com  problemas em seu computador, ele não hesitou em oferecer ajuda. Pronto. Maurício conquistou Estevão. Aos poucos, ele foi deixando a função de servir cafezinho para se transformar numa espécie de assessor do empresário. Com salário melhor, ele começou a pensar em sair com a mãe e os irmãos da favela. Apesar de sua insistência, os três se negaram a mudar. Na verdade, os dois irmãos bem queriam ir também. Principalmente, Alexandre, o irmão mais novo. Ele tinha Maurício como um verdadeiro ídolo. Melissa também queria morar num prédio elegante, mas um namoro com Du, um aprendiz de marginal, a segura na favela. Terezinha e Maurício são contra o namoro. Para Maurício, Melissa era nova demais. Para Terezinha, o motivo era outro. Ela via na filha um reflexo dela. Também ela se iludiu cedo por Leléco e deu no que deu. Acabou sozinha com três filhos pequenos para criar. Por isso, ela até chega pensar em mudar-se com o filho. Na última hora, ela desiste. Não tem coragem de deixar sua gente do moro. As pessoas que a conhecem acham que no fundo ela tem esperança de que um dia o Leléco saia da cadeia, vire um homem  decente e os dois possam viver felizes como no início do namoro. Ela nega. E assim,  Maurício acabou indo morar no Catete sozinho. Um dia, na praia, Maurício conheceu uma garota, Lara. Percebendo que a moça era de família rica, ele inventou uma história dizendo ser filho de um rico empresário do interior. Lara não demorou a descobrir que era mentira, mas continuou fingindo acreditar em tudo. Por sua vez, ela dizia que, ao contrário dele, era de origem pobre e que tinha horror de gente de rica. Entre uma mentira e outra. o romance dos dois deslanchou. Não demorou muito e os dois estavam completamente apaixonados. Maurício contou tudo para a mãe e ela demonstrou preocupação. Apesar de muito jovem, Maurício já teve uma dolorosa experiência amorosa. Por volta dos dezoito anos, ele apaixonou-se por Vilminha, uma garota da comunidade, filha d e Selminha, a melhor amiga de Terezinha. Vilminha ficou gravida e os dois chegaram a morar juntos. Próximo do nascimento do filho, ele descobriu que Vilminha o traía com o traficante Bodão. Foi um duro choque, o rapaz ficou mal. Por pouco não fez a besteira de matar os dois. O recrutamento para o exército evitou essa tragédia. Ao ver o filho novamente apaixonado, Terezinha temeu que a história se repetisse. E ela não deixou de ter certa razão. É que Lara não é o que se pode chamar de uma garota descomprometida. Desde criança, ela tem um relacionamento de conveniência com Fredy Vasconcelos, filho do melhor amigo de seu pai. Tanto o pai de Fredy, Artur Vasconcelos, quanto o pai de Lara fazem questão do casamento. Essa história foi criada por Estevão, - sim, sem saber Maurício estava envolvido com a filha patrão - quando ele era quase uma sombra de Artur. Artur era o milionário e Estevão via na união futura dos filhos uma forma de estar mais perto da fortuna do amigo. Quis o destino que um acontecimento mudasse o rumo da história: Artur Vasconcelos vivia um casamento feliz com Letícia Miranda. Os dois tinham um filho, Fredy. O casal vivia feliz e era invejado por todos. Entre eles apenar um divergência. Enquanto Letícia queria viver uma vida pacata e reclusa, Artur queria viver na farra, dando festas, almoços, jantares gastando a fortuna que os pais haviam deixado para ele, largando todos os negócios nas mãos do espertalhão Estevão, que além de roubar o amigo ainda desejava a sua mulher. Estevão sempre teve loucura pela bela e fina esposa de Artur. Letícia tentava alertar o marido, mas ele fazia ouvidos moucos e os dois brigavam para tristeza do pequeno Fredy. Decepcionada com o casamento e com o alcoolismo do marido, Letícia acaba se envolvendo Alaor, o bombeiro hidráulico que fazia pequenos consertos na mansão do casal. O caso é descoberto por Estevão que resolve chantagear Letícia. Letícia não se deixa dobrar pela chantagem e Estevão conta tudo para Artur. Resultado, Letícia saiu de casa com o filho pequeno e foi morar com Alaor na Rocinha. Escândalo de grandes proporções na sociedade. Os pais de Letícia, o sério médico, doutor Castanho, e sua mulher, a fútil e  engraçada Maria Jacinta, tentaram impedir a filha de fazer a loucura, porém ela estava decidida a viver na pobreza com bombeiro hidráulico.

- Entre ser rica e infeliz e ser pobre, mas feliz, eu fico a última opção. - fala Letícia para os pais atônitos.

Eles viraram as costas para a filha. O doutor Castanho deu a filha como morta e não quis mais tocar no assunto. Foi a vez de Artur entrar em cena. Ele não suportou a ideia de perder o filho e a mulher para o bombeiro hidráulico. Fez tudo para tê-los de volta. Para isso, estava disposto a esquecer o mau passo da esposa e perdoá-la. Letícia manteve-se firme. Ela não queria mais aquela vida de bebedeiras e farras ao lado do ex marido. Mais uma vez, Estevão entrou em cena e aconselhou Artur a tirar Fredy de Letícia. Uma batalha na justiça foi travada e no final Letícia perdeu a guarda do filho para Artur. Fredy foi criado longe da mãe, convencido pelo pai de que ela o abandonara. ideia que sempre foi reforçada pelo doutor Castanho e dona Maria Jacinta, os avós do menino. Dona Maria Jacinta, em sua futilidade, às vezes tentava uma reaproximação com a filha, mas o doutor Castanho não permite Ele é um velho médico que se nega a aposentar-se:

- Vou medicar até o último dia da minha vida. - ele diz quando perguntam se não está na hora dele parar de trabalhar.

 Com o passar dos anos, a situação entre Estevão e Artur se inverteu, Estevão, roubando de Artur, tornou-se o milionário e Artur um rico falido que vive de lembranças de um tempo que acabou.  Artur passou a fazer questão que o filho se case com a herdeira do amigo, que lhe dá uma mesada todo mês. Todos os meses, Artur tem que ir até o escritório de Estevão para buscar o seu cheque e este não perde a chance de alfinetar:

- O que seria de você sem a minha ajuda, Artur. Acho que você estaria debaixo da ponte, não. Para ser mais otimista, acho que você estaria morando num barraco de papelão na favela. - diz dando gargalhadas.

Por outro lado, Fredy e Lara, embora vivam adiando o casamento, aceitam fazer a vontade dos pais. Fredy, para desespero de seu pai, além de todos os outros problemas que tem como garoto que cresceu acreditando que foi abandonado pela mãe, tem uma amante, Marina, e não esconde de ninguém que só vai se casar com a chata, palavras dele, Lara pelo dinheiro do pai dela.  Artur vê no casamento do filho com Lara a chance de ter de volta a empresa que um dia foi sua e que ele perdeu para o sócio. E ele tenta convencer o filho a se interessar pela empresa. No entanto, o emprego de fachada que Estevão lhe deu é o bastante para ele. Seu negócio é curtir a vida. Artur reclama e ele retruca:

- Veja quem fala. O senhor nunca trabalhou na vida. Torrou tudo que seu pai te deixou. Por sua culpa, eu a gente vive na merda.

Artur não pode negar, o filho tem razão. Ele foi um irresponsável. O jeito era torcer para que o casamento saísse o quanto antes.  Porém, o relacionamento com Maurício mexeu com a cabeça de Lara. Embora saiba de todo a trama envolvendo seu pai e o pai de Fredy e do interesse, principalmente do pai de Fredy, nesse casamento, ela sempre aceitou sem fazer objeção. Afinal, ela também sempre viu o casamento como um negócio que precisa ser vantajoso para ambos e como ela não morria de amores por Fredy, melhor que ele tivesse uma amante e a deixasse em paz. Como já disse, conhecer Maurício fez com que Lara começasse a pensar na possibilidade de casar-se com alguém que ela amasse de verdade e com quem quisesse passar o resto de sua vida. 

Por isso, ela resolveu acabar com qualquer mentira e revelou que era filha de Estevão Boaventura, o patrão de Maurício. A revelação não abalou o romance dos dois. No entanto, Estevão Boaventura teve uma reação bastante desfavorável à união. Mesmo tendo caído de amores pelo rapaz, a quem ele já quer quase como o filho que não teve, ele não quer ver sua filha casada com um favelado. O que vão falar dele? Além do mais, ele sabe que o casamento de Lara com Fredy resolve  seu problema com Artur, em quem ele passou a perna no passado. Estevão era um sócio minoritário na empresa de Artur e aproveitou-se da total falta de talento para os negócios do sócio para, aos poucos, lhe tirar a empresa. O casamento satisfaz Artur, que acredita que o filho possa reaver aquilo que ele perdeu. Na verdade, Artur criou Frederico para isso: para se casar com Lara e retomar a empresa, a Brasil Exportação, que atua no ramo de exportação de alimentos. Logo de cara, Estevão proibiu Maurício ter qualquer relacionamento com sua filha. Essa era a única condição para ele continuar trabalhando como seu braço de direito. Por amor a Lara, Maurício não aceitou. O amor que ele sentia por ela era maior que tudo, ele dizia. O patrão não acreditava e o acusava de ter aproximado de sua filha apenas por estar de olho no seu dinheiro. Maurício jurava que não era verdade. Ele nunca soube que Lara era filha de seu patrão. Lara mentia para ele dizendo que era uma garota pobre moradora do subúrbio. Estevão despediu Maurício e proibiu a filha de encontrá-lo. Ela não aceitou e saiu de casa. Foi morar com Maurício no Catete.  Artur entrou em cena e exigiu que o filho recuperasse a noiva e casasse com ela o quanto antes. Para piorar, Marina, a amante mulata de Fredy, descobriu que estava grávida.  Quem vibrou com isso foi Marlene que não aceita ver a filha casada com o filho de sua ex amiga, Letícia. Marlene e Letícia viviam um conflito parecido com Estevão e Artur. Como o marido, Marlene sempre invejou a beleza, a finura e o carisma de Letícia. Quando explodiu o caso de Letícia com o bombeiro hidráulico Alaor, Marlene até tentou ficar do lado da amiga, mas Estevão tratou de inventar que Letícia deu em cima dele a vida inteira. Ele só não se deixou levar por amora à esposa. Marlene tomou ódio de Letícia e passou a fazer tudo humilhá-la. Foi esse o motivo que a levou a fazer obras de caridade na Rocinha na região onde Letícia vivia com Alaor e Marco Antônio, o filho de quinze anos dos dois. De madame da zona sul, Letícia virou uma favelada. Na rua, todas a apontavam com a mulher que largou o marido rico para viver com pé rapado na Rocinha. Marlene fazia questão de humilhar a ex amiga e ficou feliz ao descobrir que o casal que tanto deu o que falar viva às turras, pois Alaor sempre teve medo que a mulher desistisse de viver na pobreza com e ele e quisesse voltar para o marido rico. Pelo seu lado, Letícia tornou-se uma mulher amargurada pela separação do filho. Ela nunca perdoou Artur de ter jogado o filho contra ela e usado de estratagemas para fazer com que o juiz lhe tirasse a guarda dele. Seu alento era o filho, Marco Antônio, cujo maior sonho era conhecer o irmão mais velho, Fredy. Irmão esse que vez ou outra ele procurava. Toda vez que o fazia, Fredy o trava mal e muitas vezes impunha-lhe humilhação:

- Eu não tenho irmão mulatinho. - dizia ele, afirmando que o menino era filho de uma antiga babá.

Ferido em sua orgulho, Estevão parte para o tudo ou nada contra Maurício. O romance da filha com o ex empregado não podia seguir adiante. Caso isso acontecesse, Artur, que já reunia provas contra o ex sócio, estava decidido a  entrar na justiça para reaver os seus bens e todos saberiam que Estevão o roubou. Na tentativa de tirar o ex empregado de seu caminho, Estevão contratou um investigador e descobriu todo o passado de Maurício. Entre outras coisas, ele descobriu que Maurício teve um filho com Vilminha, uma moça pobre da favela, e que não assumiu o filho sob a acusação de que o filho era do traficante Bodão. Mais que isso, ele descobre que Vilminha, que sempre negou ter traído Maurício, era uma jovem viciada em drogas e filho dela vivia jogado pelas ruas da favela. Pois Selminha, mãe de Vilminha e avó do menino, passasse o tempo todo tentando trazer a filha de volta para casa e livrá-la das ruas e das drogas. Em sua cabeça cheia de tramas, era tudo o que Estevão precisava. Ele manda fazer um teste de DNA na criança e prova que o filho é realmente de Maurício. De posse do resultado, ele pressionou o rapaz e exigiu que ele se casasse com Vilminha para reparar o seu erro. Maurício não aceitou. Ele amava Lara. Estevão contou tudo para a filha, mas ele não se abalou. Nem mesmo com a vida dura que teria de levar ao lado do namorado, longe de todos os luxos que tinha na casa do pai. Lara aproveitou a situação para jogar na cara do pai que sempre soube que não passava de um ladrão traidor e o aconselhou a devolver a Brasil Exportação para o seu verdadeiro dono. Assim, ela estaria livre de ter que se casar o pústula Frederico Vasconcelos. Estevão não aceitou e deu a cartada final: sabendo da ambição de Maurício ele o readmite e lhe propõe um acordo: ele aceitaria que Maurício se casasse com sua filha, mas somente depois que ele reparasse o erro que cometeu com Vilminha. Antes de qualquer coisa, ele precisa devolver a vida de Vilminha.  Para que isso aconteça, ele tem que casar com a ex namorada e fazer com que ela abandone o vício e volte a ser uma garota normal como quando ele a conheceu. Depois disso, ele poderá separar-se dela e casar-se com Lara. Para ser mais eloquente, Estevão promete a Maurício que fará dele seu sócio. No futuro, ele será o dono da Brasil Exportação.



DELICADAS TORTURAS


SINOPSE PARA NOVELA

Story line

HOMEM ASSISTE A MORTE DE SEU AMIGO, DURANTE UM ASSALTO, E OUVE DA BOA DELE O PEDIDO DESESPERADO PARA QUE ELE PROTEJA DE SUA MULHER E SEUS FILHOS. A PARTIR DAÍ SUA VIDA DELE ENTRA NUMA VERDADEIRA MONTANHA RUSSA. É QUE O AMIGO, ANTES DE MORRER, ADQUIRIU  UM OBJETO QUE DESPERTA A COBIÇA DE PESSOAS QUE ESTÃO DISPOSTA A QUALQUER COISA PARA POSSUÍ-LO, INCLUSIVE MATAR.

ARGUMENTO

Ao morrer do que inicialmente se pensa um simples assalto, Elói Velasco, 42 anos, homem aparentemente comum, implora a seu amigo e sócio, Vasco da Gama da Silva, da mesma idade, que proteja sua mulher, Ivana Velasco e seus filhos.
A partir daí desencadeia-se uma série de acontecimentos misteriosos com Ivana e seus filhos. Eles passam a ser vítimas constantes de uma pessoa, ou grupo, interessada em alguma coisa que Elói provavelmente adquiriu antes de morrer.
Esses “acontecimentos” vão levar Vasco, agora o desastrado protetor de Ivana e seus filhos, de encontro à uma terrível organização que pretende ter de volta um valioso colar com o qual Elói presenteou Ivana no aniversário de casamento, adquirido não se sabe como.
O colar é uma espécie de prêmio disputado entre os participantes de uma organização terrorista que tem a tortura como meio de conseguir                                                                                                                                                             Sentindo-se acuada, Ivana pede a Vasco que guarde uma pequena caixa sem que ele saiba o que contém em seu interior.
Tendo esgotado os meios para reaver a jóia “passivamente”, a organização resolve seqüestrar Ivana como forma de fazer Vasco devolver o colar.
Vasco descobre que a caixa que Ivana pediu que ele guardasse é o tão disputado colar e resolve trocá-lo pela liberdade de sua amada, cumprindo a exigência da organização. Porém, se surpreende ao descobrir que a “caixa” desapareceu.
Vasco tenta encontrar o colar, mas as informações desencontradas que recebe vão leva-lo a se distanciar cada vez mais da jóia e em meio à sua desesperada procura recebe um ultimato da organização:  se o colar não aparecer eles vão matar Ivana, tal como fizeram com Elói.
Apaixonado por Ivana desde sempre, ele fará qualquer coisa para salvar a sua amada, mas sua busca pelo colar vai levá-lo à uma descoberta surpreendente.

 DESENVOLVIMENTO DA SINOPSE.

Rio de Janeiro, final do século XX. Caos urbano.

Na CORRETA VASCO & VELASCO EMPREENDIMENTOS S/A, Vasco da Gama da Silva , 42 anos, discute com seu sócio Elói Velasco, da mesma idade, um problema comum nas empresas: falta de dinheiro., eminência de falência.
A discussão cresce. Os dois advogados trocam acusações. Vasco acusa Elói pela situação da Corretora, pois ele faz altas retiradas para satisfazer os caprichos de sua bela mulher: Ivana, 32 anos. Ivana é dona de ima beleza que a faz cobiçada por todos, e Elói é capaz de qualquer sacrifício para vê-la feliz.
Vasco e Elói são amigos de infância. Cresceram juntos, estudaram juntos e já passaram por todo tipo de situação. Desde momentos felizes até os mais tristes. Mas agora eles estão com um sério problema: a Corretora vai falir. Credores fazem fila na porta da Corretora exigindo o pagamento das dívidas. Em contra partida, bancos, agiotas e amigos recusam-se a emprestar dinheiro. 
Para aumentar os problemas, os empregados, sem receber há seis meses, resolvem entrar em greve.
Mais tarde, Vasco e Elói estão na sala de reuniões examinando algumas contas quando ouvem um barulho: estão forçando a porta. Do outro lado, os funcionários gritam palavras de ordem. Querem receber os atrasados à qualquer custo. Sentindo que não têm saída, que a qualquer momento a porta não resistirá aos arrancos, Vasco e Elói se escondem debaixo da grande mesa de centro usada para reuniões, entre as cadeiras. É quando a porta vem abaixo e os funcionários entram na sala. Eles estão liderados por Zé Roberto, 33 anos, o mais antigo funcionário da Corretora. Começou como boy no primeiro dia de funcionamento e dona Bárbara Bela, 30 anos, a eficiente secretária, uma moça gordinha que vive fazendo regimes ( para tentar chamar a atenção do patrão Vasco da Gama, que não percebe o seu interesse. Bárbara Bela nutre por Vasco um misto de amor e pena. Todos os dias., ela cuida das feridas do patrão. Ao mesmo tempo, ela não nota que seu colega, o tímido Zé Roberto, morre de amores por ela) mas que não consegue se livrar de doces e guloseimas. Vasco e Elói observam tudo, sufocados pelo número de pernas que circundam a mesa.
Os funcionários realizam uma espécie Assembleia depois de verificar que Vasco e Elói não estão. Tomam a “ausência” dos dois como uma fuga e decidem ir à Justiça do Trabalho. Antes marcharão até a Cinelândia, onde farão um ato público para informar a população do descaso a que foram relegados pelos patrões.
Para Vasco isso é o fim. É tudo o que ele queria evitar. Agora todos vão saber da situação da empresa. Inclusive sua mulher, a brava Alvarinda (Alva) e suas filhas, as quatro Marias.
Apesar de tudo, Elói não se abala. Continua vivendo sua vidinha ao lado de Ivana e dos dois filhos: os pirados Eloizinho, 12  anos, cujo maior divertimento é tentar assustar a si mesmo e Ivan, 10 anos, que passa o tempo tentando ser mais original que o irmão em  disputas memoráveis que fazem a espaçosa mansão parecer um quarto de pensão.
Noite. Sem que Vasco saiba, Elói abre as portas de sua mansão na Barra da Tijuca para comemorar 15 anos de casado com Ivana. Durante a festa, Elói pede a orquestra para parar, sobe até o quarto e volta com uma pequena caixa na mão: solicita a presença de Ivana junto à orquestra á beira da piscina. Quando Ivana se aproxima debaixo dos aplausos de todos os presentes, Elói retira do interior da caixa um belíssimo e valioso colar de brilhantes e o coloca no pescoço da esposa. Grande admiração de todos, principalmente das mulheres. Ivana desfila com o colar entre os convidados. Todos estão maravilhados. Elói está exultante.
Muito longe dali, num bar da Lapa. Vasco enche a cara. Vasco é um tipo amarrotado e desalinhado, sempre com a barba por fazer, gravata frouxa, camisa metade para dentro da calça, metade para fora, sapatos diferentes nos pés (é capaz de usar um pé de tênis e outro de sapato sem perceber). Quando vai ao fórum representando a firma em alguma audiência é comum o Juiz adverti-lo de que deve se vestir adequadamente, chegando às vezes a impedir sua presença na audiência pelo mesmo motivo. É viciado em álcool. Passa o dia bêbado ou com bafo de bebida. Bom caráter, apesar de muito atrapalhado.
No bar, sentado numa mesa solitária à um canto, bebe tentando adiar  a volta para casa. Já bêbado, vai até a mesa onde um grupo de pessoas bebe e conversa animadamente. Tenta falar de si, chora as mágoas perguntando se alguém conhece uma pessoa mais azarada que ele. Promete um prêmio ao que disser que conhece. Daria tudo o que tem no bolso. Verifica e percebe que seus bolsos estão vazios, mas continua falando assim mesmo. Primeiro fala do nome que ganhou devido ao pai ser vascaíno doente. Mas por ironia do destino quando cresceu descobriu-se flamenguista do tipo que vai ao maracanã seja numa decisão ou num simples amistoso. Depois fala que estudou direito com dificuldade: crédito educativo lhe foi negado. Tudo que conseguiu depois de formado foi se tornar um advogadozinho “porta de cadeia”.
Casou-se com uma mulher mais velha e rica, quando ainda era estudante, pensando em dar o golpe do baú, porém se deu mal. Alvarinda (Alva), 55 anos, sua mulher não lhe dá um tostão. É avarenta, além de louca, ciumenta e possessiva, conselheira do Clube das Mulheres Traídas e Ultrajadas, sucursal flamengo. Filha de um militar linha dura, herdou uma loja de instrumento para tortura  de onde saiu todo o arsenal usado pelo órgãos de segurança do governo na época da ditadura. Motivo de muito orgulho para ela. Como os objetos não têm mais muita saída, com a mudança de regime, descobriu uma boa serventia para todo o seu estoque: usa para torturar Vasco e tenta convencer as mulheres que participam do CMTU a usarem em seus maridos.
Fala de seu sonho de ter filhos do sexo masculino, mas a cada gravidez de Alva viu seu sonho se desfazer. Nasceram Maria Luísa, 25 anos, filha mais velha do casal. Líder das “Marias”. Autoritária, mandona, tem poder sobre as irmãs as quais impõe a sua vontade. Perfeccionista, não admite falha; Maria Eulália, 23 anos, romântica e distraída. Sonha com um príncipe encantando que tem o rosto de Pétrus, filho de Anita e Zózimo. Um dia acaba conhecendo-o pessoalmente, apaixona-se quebrando um juramento feito às outras irmãs de só se casarem com um homem que tenha mais três irmãos solteiros para que as outras possam se casar também; Maria Cristina, 21 anos, apática e sem vontade própria. É controlada por Maria Luísa a quem obedece sem discutir. Seu sonho é um dia poder tirar o uniforme de “Maria” e viver como uma pessoa “normal”. Tem devaneios onde é sempre uma sedutora mulher e Maria Rita, 19 anos, a mais nova das irmãs. É a revoltada do grupo. Meio masculina, gosta de futebol e gostaria de acompanhar o pai (Vasco) nas peladas no Aterro e ao Maracanã. Secretamente é torcedora do Flamengo. Na quarta filha, Vasco jurou que era a última tentativa, o filho sonhado, com o qual jogaria peladas no Aterro do Flamengo, iria vezes incontáveis ao Maracanã, foi esquecido. Teve mesmo que contentar com as Marias, para seu desespero, cópias idênticas da mãe, que as criou como verdadeiros robôs: vestem iguais e falam em uníssono.
As pessoas no começam a ficar incomodadas. Vasco da Gama continua a falar. Agora fala de seu maior azar: apaixonado por Ivana, a viu casar-se com seu melhor amigo, Elói. Apesar disso, nunca conseguiu esquece-la. Pensa nela todos os dias. Também ele nunca conheceu mulher mais linda que Ivana, parece que é de vidro, uma escultura. Algo assim. Não devia falar assim em consideração ao amigo, mas não consegue se controlar. É uma verdadeira tortura. Até quando sonha com ela, e isso não acontece poucas vezes, se sente culpado. Por isso bebe, se auto flagela. Sente-se como se tivesse traindo a confiança do amigo que nada sabe de seus sentimentos.
O garçom se aproxima e retira Vasco do bar na base do empurrão.”Já encheu. Deixa os fregueses em paz, seu bêbado.” – diz o dono do bar, um português  baixinho, barrigudo e de bigodes.
Com o empurrão Vasco vai para no meio da rua.  Ao tentar se levantar é surpreendido por um bando de pivetes que o assaltam, levando sua carteira. “Não tem importância. Tava vazia mesmo. – Diz ele com algum humor.
Um cachorro vira-lata se aproxima e faz cara de amigo. Vasco trava um diálogo meio incompreensível com o animal.  Por fim, terminam deitados lado a lado.  É duro para ele admitir o fim da Vasco & Velasco que tanto orgulho lhe trouxera. Lembra quando Elói teve a ideia da sociedade. Não entrou com dinheiro. A mãe do amigo, dona Rosalina Mão de Ferro (nunca entendeu  por quê o chamava a mãe assim) não queria a sua presença na sociedade. Como ela era a financiadora do negócio, Elói teve que convencer a mãe a aceitar o amigo. Foi difícil. No fim Elói, convenceu a mãe de que Vasco seria apenas um sócio figurativo e a mãe concordou. Na verdade, Rosalina acabou reconhecendo em Vasco o testa de ferro de que tanto precisavam.
Em casa, Vasco fez segredo para a mulher até o último momento. Queria ter certeza, primeiro. Só falou quando estava tudo certo. Aí convidou Alva e as Marias para a inauguração. Foi a única vez em que viu Alva ficou surpresa com ele. Naquele dia sentiu que Alva percebeu que ele era capaz de vencer pelos seus próprios meios. E então, sentiu-se feliz e realizado. A Corretora, no início, foi um sucesso. Vasco chegou a pensar que poderia sair de casa e começar vida nova.
Foi quando Alva travou amizade com aquela mãe-de-santo charlatã. E não deu outra: a Corretora começou a dar para trás e chegou ao ponto em que chegou.
É ainda bêbado que Vasco chega em casa. Mal gira a maçaneta da porta e lá estão as Marias de pé no centro da sala. É preciso dizer que Alva também é Maria, Maria Alvarinda.
Vasco é levado para a sala de torturas, local que Alva construiu especialmente para promover suas sessões de tortura no marido, contando com a total adesão das filhas. A sala, equipada com total requinte de crueldade, é o orgulho de Alva. Faz questão de mostrar para as amigas e colegas do Clube das Mulheres Traídas e Ultrajadas que, para ela, este é o único caminho para devolver um marido desviado de volta ao lar. Vasco é submetido a tortura do dia , além do interrogatório: Onde esteve? Com quem? O que estava fazendo? Estava com a outra? Quem é ela? Abra a boca. Nossa! Que bafo! Andou bebendo?
Como trair aquela mulher? - pergunta ele a si mesmo. Da última vez que tentou, além da moça ser uma espécie de alpinista social, acabou tentando aplicar-lhe o golpe da barriga. Mais uma vez Alva vez uso dos serviços da mãe-de-santo. Vasco conheceu dias difíceis, se é que vocês me entendem. Ocasião em que o apartamento ficou parecendo um terreiro de macumba. Vela para todo lado. Foi nessa época que descobriu que as Marias também “pegavam santo”. Parecia que Alva tinha ficado louca de vez. Por pouco não ficou broxa. Por via das dúvidas, prefere não arriscar. É fiel.
O interrogatório parece não ter fim. Vasco desmaia.  Sem dar por si, é colocado para fora do apartamento, de propriedade de Alva.
No dia seguinte está dormindo na porta do apartamento sonhando com Ivana. No seu sonho os dois caminham romanticamente por uma praia deserta. É despertado pelo síndico do prédio, seu Evaristo, 70 anos, inimigo número um de Alva. Seu Evaristo está ali para reclamar dos gritos ouvidos por todos durante a noite. A raiva do Síndico aumenta ao ver Vasco dormindo no corredor. Ao tentar dar uma desculpa, descobre que está com uma forte dor de cabeça, portanto sem condições de raciocinar. Admite apenas que bebeu demais.
Mesmo assim Vasco vai para a Corretora. Deus sabe o que vai ser dele nas mãos de Alva quando ficar consumada a falência da Corretora Vasco & Velasco. Lembra da escolha do nome. Que emoção! Pela primeira vez na vida teve orgulho do nome. Gostou de ver VASCO escrito em letras grandes na fachada do prédio. Mas afora tudo estava pronto para ruir. Certamente vai voltar a ser um advogadozinho porta de cadeia como no início da carreira. Isto se os funcionários e credores da Corretora o deixarem escapar com vida. Pensa na possibilidade dos funcionários partirem para agressão física e sente um arrepio na espinha. Imagina-se torturado por eles, todo quebrado sem se dar conta de que já está todo cheio de ataduras. Ataduras que já fazem parte de seu visual e as pessoas, principalmente na Corretora, já nem notam mais. Somente a boa Bárbara Bela que faz questão cuidar de todas elas, desinteressadamente como ele acredita.
Na Corretora grande confusão. Empregados grevistas continuam com o movimento. Vasco entra pelos fundos para não ser visto.
Horas depois Elói chega à Corretora. Está eufórico. Conseguiu o dinheiro. A Corretora está salva.  Os funcionários são avisados e entram na firma. Elói e Vasco deixam a Corretora rumo ao banco. Elói leva uma mala onde está o dinheiro com o qual  vão acertar a situação da firma.
Porta do banco no centro da cidade. Vasco e Elói caminham para o banco. Elói carrega a mala de dinheiro. São seguidos por homens mal-encarados de dentro de um carro à pouca distância. Não perceberem que estão sendo seguidos. O carro para. Alguns homens descem. Estão armados. Caminham na direção de Vasco e Elói. Elói pressente o perigo e tenta escapar. Homens atiram. Elói cai, protegendo a mala. Um dos homens arranca a mala das mãos de Elói. Homens voltam para o carro e saem em disparada. Elói agoniza no chão da calçada.  Grande concentração de curiosos. Vasco, bastante atordoado, tenta amparar o amigo e grita desesperadamente por socorro. Elói parece querer dizer alguma coisa. Vasco aproxima o ouvido da boca de Elói. Elói fala com dificuldade:
- Vasco... por favor... proteja a minha mulher e os meus filhos! Proteja a minha mulher! Promete?
- Sim. Eu prometo. – responde Vasco, sem entender o motivo do pedido.
- Ela vai pre....
Elói morre.
Horas depois, quando o Delgado Josué Gomes, o Gomes, 60 anos, gordo e espaçoso, tipo prendo e arrebento, chega ao local, acompanhado de seu assistente, Demétrius, Vasco ainda está debruçado sobre o corpo do amigo. O delegado Gomes abre alas entre a multidão e aborda Vasco. Vasco só atende depois de muita insistência do delegado.
Na delegacia, o delegado Gomes oferece um café a Vasco. Vasco não aceita. Está em estado de choque. Depois de algumas perguntas, o delegado libera Vasco. Ele será convocado novamente para outros depoimentos. É o que avisa o delegado.
Vasco deixa a delegacia com a dura missão de cuidar do enterro do amigo e avisar a viúva, Ivana. Recorda do pedido de Elói naquela hora estrema. Cuidar de Ivana? Protege-la? Por quê? Que razão teria Elói para fazer um pedido daqueles? Não consegue encontrar resposta para nenhuma de suas indagações. Como também não consegue entender o que acabou de acontecer. Teria sido apenas um assalto ou alguma coisa mais? No caso de ter sido apenas um assalto, qual o motivo do pedido? Pois aquele era o pedido de um homem desesperado que sabia que sua família está correndo perigo.
Vasco tenta afastar aqueles pensamentos. Afinal, tudo é muito recente e ele ainda está sob os efeitos dos acontecimentos.  Provavelmente, tudo não passou de um pedido de um marido zeloso e preocupado com o futuro de sua esposa e de seus filhos aos quais não poderia mais amparar por estar diante da morte. Quantos maridos já não fizeram esse tipo de pedido a um amigo ou parente na hora da morte? Mas que é estranho, é – pensa ele.
O fusca 1971 estaciona nos jardins da suntuosa mansão de Elói. Vasco desce. Admira a grandiosidade de tudo aquilo. Estivera ali poucas vezes. Aquela casa era o orgulho de Elói. O amigo sempre foi mais ambicioso que ele. Sempre gostou de luxo e ostentação, viver vida de milionário. Nunca entendeu como o amigo conseguiu tudo aquilo. Com o dinheiro da Corretora é que não foi. Sempre operaram no vermelho. Não tinham dinheiro para tanto, apesar das constantes retiradas de Elói. Os dois sempre foram muito diferentes. Ele, Vasco da Gama, se contenta com pouco. Nasceu na pobreza e parecia acostumado com ela.
Ivana, a viúva, recebe a notícia da morte do marido com certa frieza. Pede a Vasco que cuide de tudo, pois não saberia o que fazer. Faça o que for necessário, pede ela, conservando inabalável sua beleza deslumbrante que muito combina com seu ar enigmático e às vezes até dissimulado.
Avisa que Elói ainda tem mãe e que talvez ela gostasse de comparecer ao enterro do filho. Vasco tenta encontrar a velha dona Rosalina, mas seu paradeiro ignorado impede que seja avisada.
A notícia da morte de Elói sai nos principais jornais. O delegado Gomes, oportunista e falastrão como ele só, dá entrevistas falando do caso. Jura aos repórteres que o crime não ficará esquecido. Em sua jurisdição nunca um crime ficou sem solução. Ele descobrirá o assassino em duas semanas, no máximo.  Não se trata de um simples assalto, afirma ele. Foi um crime planejado. Há muita coisa por trás de tudo isso!
Elói é enterrado no cemitério São João Batista.  Com a presença da esposa e dos filhos, amigos e da imprensa. Vasco não se conforma com a perda do amigo. Na verdade, um verdadeiro irmão.
Num canto escondido do cemitério, Zózimo Zanata, 70 anos, assiste à cerimônia, ladeado por seus seguranças. É um homem alto e careca, aparentando menos idade que tem. Veste-se bem alinhado, lembrando os gansters do cinema. Aparência dura, gestos contidos. Sobre suas costas pesam acusações de contravenção, tráfico, estelionato, mas tem um bom relacionamento com a polícia, nunca tendo sido indiciado por nenhum de seus muitos crimes.
Zózimo Zanata é um homem cheio de excentricidades. Sua casa ostenta a segurança de um palácio de governo ou real.  Há troca de guarda e os sentinelas usam armas possantes, uniformes militares e dão revistas em cada pessoa que entra na casa, seja um simples criado ou um visitante importante. A guarda é chefiada por Ladário Reis, 40 anos, ex-policial que foi expulso da polícia por ter se envolvido em corrupção. Jura inocência e sonha em voltar para a corporação. Guarda o uniforme de policial militar como se fosse uma relíquia e às vezes veste o uniforme para matar a saudades do tempo em que vivia dentro da lei.
As excentricidades de Zózimo se estendem ao interior da casa, em estilo futurista,  com abrigo ante-nuclear  e outras modernidades. Atualmente é casado com Melissa Andrade, 35 anos, ex-miss, ex-modelo e manequim profissional que abandonou a carreira para casar com ele. Um escândalo na época. Melissa casou com ele em troca de um bom contrato pré-nupcial e para viver vida de princesa cheia de mimos e caprichos que Zózimo faz questão de satisfazer. Isso desperta a inveja de Lola Paloma, 42 anis, também ex-modelo, grande amiga de Melissa, que sonha tomar o lugar dela. Acha que foi traída pela amiga, pois foi quem primeiro conheceu Zózimo. Assim, acha que o lugar de Melissa é seu. As duas são sócias na academia de ginástica, Corpo Perfeito.
No passado Zózimo Zanata foi casado com Anita Gomes, 60 anos, mãe de seus quatro filhos: Demétrius, 35 anos, o filho mais velho. Nutre verdadeiro pavor pelo pai, de quem sempre se recorda como o carrasco que colocou sua mãe para fora de casa com uma mão na frente e a outra atrás e quatro filhos para criar. Trabalha com Gomes na polícia e o trata como se ele fosse o seu verdadeiro pai. Revoltado, estuda para ser delegado para um dia dar voz de prisão para Zózimo Zanata, a quem ele chama de crápula; Ulisses, 33 anos, o segundo filho de Zózimo e Anita. Tem o pai verdadeiro como um ídolo. Está sempre metido em encrencas como que para chamar atenção de Zózimo. De tempos em tempos procura Zózimo e se oferece para trabalhar com ele como um de seus homens. Pois se acha corajoso e destemido. Não trabalha. Vive de pequenos golpes. E´ a grande preocupação da mãe; Hércules, 30 anos, terceiro filho de Zózimo e Anita, franzino e baixinho, totalmente diferente dos outros irmãos. Não faz jus ao nome que tem. É frágil e tímido, inteligente e estudioso faz o último ano de medicina, motivo de orgulho da mãe; Pétrus, 27 anos, é o filho mais novo de Zózimo e Anita. Verdadeiro galã da família. Coleciona namoradas e encrencas amorosas. Apaixonado por carros de corrida, seu sonho é tornar-se um piloto de fórmula um e por isso vive treinando. Excelente mecânico, sua verdadeira  profissão. Ao se envolver com Maria Eulália, uma das quatro Marias, fará com que todos os irmãos respectivamente passem a ser abordados por elas: Demetrius por Maria Cristina, Ulisses por Maria Luísa e Hércules por Maria Rita.Por coincidência todos estão namorando e elas terão que destruir seus namoros e fazer com que eles se apaixonem por elas. Só assim Maria Eulália e Pretrus poderão viver o seu grande amor, sentencia Maria Luísa.
 Zózimo finge para todos que não liga para os filhos, mas acompanha a vida deles de longe. Faz questão de se “fazer presente” em todos os momentos da vida dos filhos sem que eles desconfiem. Isso deixa Anita preocupada, pois ela não quer que os filhos se aproximem do pai verdadeiro.
 A separação de Anita aconteceu quando ele descobriu que ela estava tendo um caso com o chefe de sua guarda, Josué Gomes, o já citado delegado Gomes. Pois é. O delegado Gomes tem um passado nada honrado e vive com medo que esse passado volte a bater em sua porta. Do casamento de Gomes e Anita nasceu Susana, 25 anos, que gosta do pai e sofrerá quando descobrir que também é filha de Zózimo. Um tipo jovem, livre, moderninha.
Noite. Vasco acompanha Ivana e os filhos até em casa depois do enterro. Chegam em casa e encontram tudo revirado, os empregados amordaçados. Ao conversar com os empregados descobre que homens encapuzados invadiram a mansão em busca de algum objeto de grande valor  e que não encontrando prometeram voltar.
Ivana tem uma crise nervosa. Mostra-se frágil e pede a Vaso que durma na mansão àquela noite, pois está com muito medo e teme pela segurança dos filhos.  Vasco recorda o pedido do amigo e sente-se confuso ao querer entender tudo aquilo que está acontecendo. Pensa em Alva. Ela não vai acreditar. Mas não vê outra saída. Tem que atender ao pedido da viúva de seu amigo.
Mesmo que Elói não tivesse feito aquele pedido, era sua obrigação. Depois vê como se arranja com Alva.
Durante a noite, Vasco tenta dormir. Não consegue. Também, nunca esteve tão pero da mulher amada, sobretudo vendo-a tão fragilizada, tão necessitada de sua proteção. O amigo Elói que o perdoe. Ivana é de fazer qualquer um perder a cabeça. Tão feminina! Tão frágil! Tão linda!
Desvia o pensamento. Lembra do assalto na mansão. Como alguém poderia invadir uma casa com tantos objetos de valor e não levar nada? O que estariam procurando? Mais uma vez não encontra resposta. Tenta dormir. No dia seguinte falará com o delegado Gomes sobre o ocorrido.
No outro dia, Vasco realmente procura o delegado Gomes e relato o fato. Gomes lhe passa uma reprimenda: deveria ter registrado queixa. Seria peça importante nas investigações. Ele diz que tentou, mas Ivana o impediu.
Dali Vasco vai para a Corretora. Duro voltar ao local sem o amigo. Agora é melhor que tudo acabe mesmo – pensa, conformado. Sem Elói não tem sentido continuar.
O telefone toca. É o gerente do banco credor. Hesita, mas atende. É preciso encarar a realidade.  É preciso enfrentar os fatos.
Do outro lado uma voz amiga lamenta o acontecido com “o mui estimado Elói” e ao mesmo tempo o cumprimenta pelo fim dos problemas dizendo que o banco está à disposição da Corretora para qualquer coisa. Vasco desliga o telefone sem nada entender. Alguém pagou as dívidas da Corretora. Quem terá sido esta boa alma? Elói não foi. Morreu antes que pudesse fazê-lo. Ele é testemunha. Novamente uma pergunta sem resposta. De repente acontecimentos inexplicáveis estão se sucedendo, pensa ele.
Em casa, mais surpresa. Alva e as Marias o recebem como se ele fosse um rei. Até seu banho elas preparam. Vasco se sente um sultão, tal o mimo das Marias. Deve estar sonhando. Não pode ser verdade. Porém, quando diz que naquela noite voltará a dormir na casa da viúva do amigo, tem de volta o tratamento antigo.
Durante a noite, novas torturas. Agora é Ivana, sempre muito solícita no seu estilo bonita e burra.
Altas horas da madrugada. Vasco não consegue dormir. Está de pé na porta do quarto de Ivana. Tenta abrir a porta, mas teme que ela ainda esteja acordada. Finalmente tem coragem e abre. Quando vê está de pé no meio do quarto olhando aquele corpo escultural deslizar entre os lençóis de seda. Quer tocar, hesita. Não teria coragem. Afinal ela é a viúva de seu melhor amigo que, apesar de morto, continua sendo seu amigo. Tem coisas que nem a morte pode destruir. E entre essas coisas está a amizade. Amizade é para sempre. E depois e se ela acordasse? Imagina! Como ele iria se explicar. Sai do quarto, sem perceber que Ivana estava acordada observando-o. Ela sorri satisfeita. Ele está caindo na armadilha.
Dias mais tarde o Delegado Gomes vai até a mansão da viúva e diz para ela que terá que depor. Seu depoimento é muito importante no processo.  Tendo vivido tanto tempo ao lado da vítima, ela, com certeza, deve saber de fatos de sua vida que pudesse tê-lo levado àquela morte trágica.
Ivana entra em pânico. Não sabe o que fazer. Procura Vasco e pede ajuda. Não sabe o que dizer ao Delegado Gomes.
Alva, que já desconfiava do excesso de zelo de Vasco com a viúva, bota todo seu arsenal para funcionar. Após fazer as suas costumeiras torturas se vê obrigada a deixar o marido de lado para cuidar do 5° Encontro do Clube das Mulheres Traídas e Ultrajadas do Brasil que, para desespero do Síndico Seu Evaristo, acontece no Edifício Dona Esperança, no Flamengo, onde Alva mora.
Chega ao Rio de Janeiro a soprano italiana Florência Dominique. A soprano vem ao Brasil pra cumprir uma série de apresentações no Teatro Municipal. Ivana quer assistir ao espetáculo. É louca por opera. Convida Vasco para acompanhá-la.  Vasco aceita, mas não sabe como se comportar num ambiente mais requintado, nem muito menos sabe como se vestir para a ocasião.
 E é com o seu habitual estilo esfarrapado que ele acompanha Ivana. Na opera, Vasco não consegue prestar atenção na cantora, só tem olhos para a beleza de Ivana.
Num camarote perto deles, Zózimo Zanata faz das tripas coração para aguentar-se sentado durante a apresentação. Acha tudo muito sacal. Ali se faz acompanhar de sua atual esposa, a não menos bonita Melissa Andrade e de toda a sua vistosa segurança. A cada agudo da cantora, Zózimo leva um susto, chamando a atenção de todos.
De repente olha para o lado e se sente atraído pela beleza da mulher que vê no camarote. E Ivana Velasco. Vê o colar que ela está usando e cresce os olhos na Jóia. Ivana do seu camarote percebe. Sai de fininho e volta sem a jóia. Vasco dorme debruçado no balcão do camarote, roncando alto.
Zózimo nota o movimento de Ivana e aciona os seus seguranças.
Final da opera. Aplausos calorosos. Vasco acorda e aplaude entusiasticamente gritando: Bravo! Bravo!
Na saída da opera o casal Ivana e Vasco é cercado pelos seguranças de Zózimo Zanata  Vendo-se acuada Ivana revela seus dotes de exímia lutadora de artes marciais, aplicando golpes certeiros nos seguranças de Zózimo que caem uma a um. Zózimo assiste a derrocada de seus homens, estupefato. Essa pequena é uma parada – admite ele. Ivana foge arrastando Vasco pela camisa. Vasco está passado. Não acredita no que vê.
No dia seguinte, Vasco acompanha Ivana até a delegacia como seu advogado. No depoimento Ivana não diz muita coisa e isso deveras irrita o delegado Gomes.
No mesmo dia. Sem lembrar que é o aniversário de Alva, Vasco decide ir ao maracanã assistir a um amistoso do Flamengo com um time da quarta divisão. Alva, que organizou uma recepção em seu apartamento para receber as amigas, espera ansiosa pelo marido. Vasco não aparece.
No outro dia, Alva descobre que ele trocou o seu aniversário por um jogo amistoso. Alva decide fundar junto com as Marias um Esquadrão anti-futebol. Vai aos jornais, rádio e televisão. Quer adeptas para a sua nobre causa.
- Mulheres, esposas venham todas participar do Esquadrão anti-futebol. – brada ela de megafone em punho.
Vasco, em pânico, vê o Esquadrão virar realidade e ganhar força. Sob o comando de Alva o Esquadrão promove a batidas nas portas dos estádios. Alva tenta impedir a entrada de homens casados nos estádios. É quando Alva descobre que muitas mulheres também frequentam os campos de futebol. Mais ainda, Alva descobre que as mulheres também estão jogando futebol e que existe até campeonato de futebol feminino. Alva entra em surto. Quando sai do surto, resolve montar um time futebol feminino. As Marias serão suas principais jogadoras. Além de técnica, Alva quer ser também juíza de futebol. Vasco, que no início acha tudo até divertido, vê sua casa transformar-se num clube de futebol.
Dias depois, Vasco tem uma surpresa. Ao chegar a Corretora encontra tudo revirado, papéis espalhados pelo chão, móveis caídos. Tudo de cabeça para baixo. Avisa ao Delegado Gomes que atende imediatamente. Não há dúvida alguém esteve lá procurando a mesma coisa que procuravam na casa de Elói.
O Delegado Gomes suspeita de que Elói possuía algum objeto desperta a cobiça de alguém e que essa pessoa está disposta a tudo para ter a coisa de volta. Conclui também que esse deverá ser o motivo da morte de Elói.
Ivana tem os pneus de seu carro furados durante um engarrafamento na Avenida Brasil. Nessa ocasião, um grupo de homens estranhos cerca seu carro e lhe fazem ameaças.
A noite cai e Ivana permanece no local sem saber o que fazer, é roubada por trombadinhas, sofre ameaças das prostitutas e dos travestis que fazem ponto no local. Com muita dificuldade consegue encontrar um orelhão e liga para pedir que Vasco vá buscá-la. Vasco, prontamente, vai ao encontro de sua amada.
Quando chega a casa, Ivana ouve o telefone tocar. Vai atender. É um chamado anônimo. Alguém quer o objeto de volta. Do contrário, ela vai morrer.
Ivana chora assustada e afirma para Vasco que não sabe de objeto nenhum, que tudo não passa de um lamentável engano.
No outro dia, o delegado é avisado e entra em ação.
Antes de morrer Elói adquiriu, não sabe por que vias, um objeto cobiçado por algum excêntrico assassino que parece disposto a qualquer coisa para tê-lo em mãos. É a conclusão do delegado Gomes,
Os filhos de Ivana, a caminho da escola, são perseguidos por um estranho. Ivana é avisada de que seus filhos estão na mira de um assassino.
Ivana tem crises de desespero. Vasco a protege.
Noite. Ivana abre o cobre e retira uma caixa misteriosa. Examina o conteúdo da caixa, fica admirando algo e depois volta a guardar no cofre.
Dia seguinte. Vasco abre a porta de sua sala na Corretora. Surpresa. Sentado à sua frente está Edgar Noronha, 50 anos, antigo companheiro de turma, famoso pela sua inconsistência. Já fez de tudo na vida. Foi de hippy a capitalista. Viajou o mundo todo. Casou e descasou várias vezes, sempre com mulheres ricas, bonitas e famosas. Atualmente está vivendo momentos de crise financeira. É fotógrafo free lance de uma revista masculina. Está duro e sem lugar para morar.
Edgar diz a Vasco que veio procurá-lo porque ficou sabendo da morte do amigo comum: Elói. Condoído, quer fazer uma visita à viúva. Quer dar os pêsames.
Vasco fica preocupado. Sabe da fama de conquistador de Edgar. Com Ivana não vai ser diferente. Vai tentar levá-la para o altar de qualquer jeito.
No mesmo dia, apesar dos apelos de Vasco, Edgar estaciona seu jeep conversível nos jardins da mansão Velasco. Olha tudo aquilo, passa a língua entre os lábios e diz consigo mesmo: Filé!
Sem demora, Edgar joga todo o seu charme de conquistador barato para cima de Ivana. Ela finge nada perceber e, em segredos se diverte com a situação. Mesmo porque Edgar não tem a menor chance. Eloizinho e Ivan fazem marcação cerrada  afastando qualquer possibilidade de os dois ficarem a sós. Na verdade, eles não admitem que nenhum homem se aproxime de Ivana.
Mamãe é nossa!- avisam os dois pestinhas.
Edgar, que não imaginava ter que enfrentar tão difícil obstáculo, faz de tudo para conquistar os filhos de Ivana, mas os dois não se deixam dobrar. A dupla é do barulho. Estão dispostos a tudo para salvaguardar a honra da mãe. Nada conseguindo, Edgar tem uma ideia: convida Ivana para fazer um ensaio fotográfico. Para sua surpresa Ivana aceita. Só impõe a condição de que seja trabalho altamente profissional.
Vasco, morrendo de ciúmes, tenta impedir tentando se aliar aos garotos. Lembra à Ivana sua condição de viúva de seu amigo Elói, de que é uma mãe de família. Nada adianta. Ivana está disposta a fazer o ensaio fotográfico custe o que custar.
Ivana posa para a máquina de Edgar e este, sem que ela saiba, vende suas fotos para uma revista famosa. Resultado: em poucos dias as fotos estão nas bancas. O editor faz um lançamento estrondoso, uma vez que ficou encantado com a beleza de Ivana. O editor é Zezito Bustamante, 55 anos, velha raposa oportunista.
Noite. Ivana seduz Vasco depois de lhe dar bebida. Fazem amor. Vasco se sente o homem mais feliz do mundo. No dia seguinte recebe café na cama e um pedido. Ivana quer que ele guarde para ela uma pequena caixa. Vasco aceita sem pensar duas vezes. Ivana sorri, cinicamente.
Vasco deixa a casa de Ivana levando a misteriosa caixa. Da  janela, Ivana o vê partir.
- Coitado!- pensa ela. – Não sabe o que lhe espera. – Dá uma gargalhada e fecha a janela.
Vasco toma uma resolução: Elói que o perdoe, mas ele não vai deixar Ivana escapar por nada desse mundo. Ela é a mulher da vida dele.
Quando chega ao escritório, Vasco põe a misteriosa caixa sobre sua mesa com a intenção de  depois encontrar um lugar seguro para ela. Naquele momento toma outra resolução importante: decide pedir a separação de Alvarinda. Quer estar totalmente livre para viver seu amor com Ivana.
Minutos depois. Boy, 19 anos, o funcionário da Corretora responsável pelo serviço de bancos, entra no escritório e leva consigo a caixa, sem que Vasco perceba.
Noite. Vasco fala com Alvarinda (Alva) pede a separação. Alvarinda reage de maneira civilizada. Parece conformada com a situação. Porém, ele estranha.
Outro dia. As fotos de Ivana saem num encarte especial da revista. Grande sucesso. Bastante sensacionalismo em cima do fato de Ivana ser viúva e bonita. Zezito Bustamante, o editor, insinua que Ivana está atrás de um marido rico. Quem se candidata?
Vasco anda pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro e ao passar por uma banca de revistas vê as fotos de sua amada expostas. Perde a cabeça. Faz escândalo. Entra na banca e tira satisfação com o jornaleiro. O homem não sabe o que dizer. Vasco quer saber com que direito ele expõe Ivana daquele jeito. Grande tumulto.  Vasco vai à polícia. Quer embargar a venda da revista. Isso não se faz com mulher que a gente gosta – avisa.
Com o escândalo, Alvarinda descobre tudo e vai à casa de Ivana e com uma arma obriga Ivana a lhe acompanhar. Alva leva Ivana para sua casa. Lá submete Ivana a uma sessão de torturas e lhe faz ameaças dizendo que se ela não abandonar Vasco vai torturá-la até a morte. Ivana sai do apartamento de Alva apavorada.
Já refeita do susto, Ivana chega em casa.  Pega o telefone e faz uma misteriosa ligação. Onde informa a alguém que fez tudo o que lhe foi mandando. A caixa está em poder de Vasco da Gama da Silva. Desliga o telefone com um sorriso cínico nos lábios.
Alva entra em processo de depressão ao perceber que não conseguirá ter Vasco de volta e pede as Marias que lhe apliquem torturas. Como estas se recusam a atender seu pedido, ela tranca-se na sala de torturas e aplica todas sem pena em si mesma.
Dias depois. Começa a romaria de candidatos a marido de Ivana. Todos milionários, brasileiros e estrangeiros, príncipes e plebeus, jovens e velhos. Todos com uma única pergunta a fazer para Ivana: quer casar comigo?
A disputa é grande. Ivana ouve o pedido de casamento em todas as línguas. Pretendentes armam barracas nos jardins da mansão à espera de uma audiência com a viúva.
Alva, em processo de autodestruição, resolve dar cabo de sua vida. Não consegue mesmo viver sem Vasco. Sobe até o último andar do Edifico 200 da Praia do Flamengo e ameaça pular lá de cima se Vasco da Gama não voltar para ela. A situação movimenta a polícia, corpo de bombeiros e chama a atenção dos que passam, bem como da imprensa em geral. Lá do alto, Alva grita que só desistirá se Vasco voltar para ela e promete que nunca mais vai torturá-lo.
Avisado, Vasco vai até o local e põe fim à história.  Jura amor eterno à Alvarinda diante das câmeras de televisão para todo o Brasil.
Em casa, Ivana assiste a tudo e fica chocada:
-Como pode? Ele jurou que me amava.
Alva e Vasco fazem amor ao som de gritos de gol.
Chega ao Brasil o Sheik do petróleo Ravi para pedir a mãe de Ivana em casamento. O Sheik é o homem mais rico do mundo. Caso Ivana aceite seu pedido de casamento, ele dará como presente à noiva o fim da miséria no Brasil. Todos os pobres do país serão retirados da pobreza extrema em que vivem. - promete o Sheik numa entrevista coletiva direto do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.
Ivana torna-se celebridade nacional, em suas mãos o destino milhões de pobres e famintos do Brasil.
O presidente da república ao saber do o oferecimento, faz uma visita à Ivana levando o apelo de milhões de brasileiros. O povo espera o sim de Ivana. Sim que salvará uma massa de famintos.
Grande expectativa. A porta da casa de Ivana se transforma num verdadeiro maracanã em dia decisão. O povo espera. Entre eles está Vasco que agora já não consegue mais se aproximar de sua amada. Ivan vive cercada de seguranças, postos à sua disposição pelo próprio presidente da república.
Ivana aparece na janela e tal como uma rainha saúda os seus súditos. Eles a aplaudem entusiasticamente. Alguns choram de emoção.
Ivana, a libertadora! Assim ficará conhecida, afirmam os jornais. Ela será conhecida como a mulher que tirou da pobreza milhões de indigentes.
Dias depois. Desolação, dor, revolta, desespero. Ivana diz não ao pedido do príncipe depois que Vasco, num arroubo de paixão, invade a mansão e lhe declara todo o seu amor. Tudo o que ela viu sobre ele e Alva é mentira. Ele só ensaiou uma volta com a esposa para evitar que ela cometesse uma loucura. É a ela, Ivana, que ele ama.
Assim, uma inoportuna paixão põe fim ao sonho de milhões de brasileiros.
Grande revolta. A multidão invade os jardins da mansão. Ela quer a cabeça de Ivana:
- Traidora! Traidora da pátria. – grita a multidão enfurecida.
Dentro da mansão, Ivana e Vasco fazem amor, sem se dar conta do perigo que correm.
 A multidão é dispersada pela polícia. Volta a calma. O povo aceita seu destino de sofredor. Porém, Ivana e Vasco não têm muitos motivos para comemorar. Chega ao Brasil, vindo de não se sabe onde, Rosalina Mão de Ferro, 70 anos. Ela é a mãe de Elói Velasco, portanto, sogra de Ivana. O romance está com os seus dias contados.
Rosalina é um tipo agitado, cheia de tiques nervosos, desconfiada, parece que está sempre fugindo de alguém ou de alguma coisa. Sua volta ao Brasil se deu porque ela descobriu através dos jornais  que seu “adorado” filho morreu tragicamente. Por isso, sabedora de tudo o que aconteceu, quer botar a casa em ordem.
- Quero que a memória do meu “chuchuzinho” seja respeitada. - diz ela, fazendo menção, principalmente, à Ivana. Ela quer que a nora mantenha sua viuvez para sempre. Nada de envolvimentos amorosos com quem quer que seja.
Dura e autoritária, faz todos tremerem quando fala com sua voz grossa e firme. Ivana treme só de ouvir falar o nome da sogra. Aceita tudo o que ela impõe caladinha. Portanto, o romance com Vasco da Gama está fora de questão.
Por sua vez, Vasco também tem que enfrentar a velha. Rosalina assume a direção da Corretora. Quer o lugar do filho. Vasco é colocado para escanteio. Vasco é rebaixado. Ele encontra em Rosalina mais uma torturadora. A velha faz de tudo para humilhar Vasco.
Por outro alado, Melissa Andrade, esposa de Zózimo, folheia uma revista, a mesma  onde saíram as fotos de Ivana e leva um susto. Ivana está usando o colar que ela sempre ambicionou e que Zózimo lhe prometera quando eles se casaram. Por coincidência, ou não, este é o mesmo colar que Elói deu de presente á Ivana. Como aquele colocar pode ir parar nas mãos de Ivana? Ele pertence a ela. Ele é o motivo dela ter se casado com aquele velho asqueroso. Sai direto atrás de Zózimo, quer explicações. Acima de tudo, ela quer o colar custe o que custar. Sem ele, o casamento está desfeito. Tudo acabado.
Apaixonado, Zózimo se ajoelha aos pés de Melissa e implora que ela não o abandone. Ele já foi abandonado uma vez por Anita, a mãe de seus filhos. Não vai suportar ser abandonado de novo. Apesar de tudo, Melissa não muda de ideia. Caprichosa, quer o colar.
Aos berros, Zózimo ordena aos seus homens que quer o colar de qualquer jeito. Os seus seguranças saem em busca do colar com a ordem de irem até o fim do mundo se preciso for.
Ivana volta a receber ameaças telefônicas. Ora uma voz de homem, ora uma voz mulher e até voz de criança lhe faz sérias ameaças. É avisada de que se não devolver o colar será a próxima a morrer.
Uma bomba é colocada no carro de Ivana.  Por sorte, Vasco recebeu um telefonema avisando que sua amada corria risco de vida. Chega ao estacionamento onde está o seu fusquinha e tentar ligar o carro, mas ele não pega. Olha para o lado e vê um carro novinho com a chave dentro e não pensa duas vezes. Entra no carro e dá partida. O vigia do estacionamento percebe a movimentação e chama a polícia.
Na rua, Vasco dirige em alta velocidade, não respeita sinal e faz ultrapassagens perigosas. Nada importa. Ele precisa salvar a sua amada. Nem mesmo a polícia que está em seu encalço.
Ivana, cheia de compras, se aproxima do carro. Não tem ideia do que lhe espera. A bomba está lá debaixo esperando que ela acione a chave para explodir.
Vasco dirige na velocidade máxima. Chega ao estacionamento. Ivana vai abrir a porta do carro quando Vasco a puxa para trás rapidamente. Os dois caem a uma certa distância do carro no meio das sacola e embrulhos, sem que Ivana entenda o que está acontecendo. O carro explode.
Polícia chega ao local. Vasco recebe voz de prisão. É levado para a delegacia. Na delegacia, o delegado Gomes ouve sua versão dos fatos e o libera.
- O rapaz, na verdade, é um herói. Ele salvou a moça. Merece os parabéns. – fala o delegado para a imprensa ávida por escândalos.
Em sua casa, ou seja, em sua fortaleza, Zózimo recebe a notícia do fracasso da operação. Irritado, humilha os seus seguranças. “Um bando de bundões”, diz ele enfurecido. Por fim, dá mais uma ordem. Dessa vez, quer Vasco dentro de vinte e quatro horas.
Vasco é seqüestrado enquanto jogava pelada no aterro com seus amigos porteiros de prédio da região.  É levado à presença de Zózimo. Torturado, nada revela. Zózimo perde a paciência e cada vez aumenta mais a tortura. Apesar de ser acostumado com tortura, Vasco não resiste e desmaia. Zózimo e seus homens pensam que ele está morto. Zózimo ordena que tirem o “corpo” dali.
Vasco é desovado nas imediações da Avenida Brasil, completamente nu. Horas depois, ele volta a si. Consegue levantar e caminhar. Andando, se aproxima de um grupo de mulheres que está num ponto de ônibus sem perceber que está como veio ao mundo. As mulheres fogem aos gritos:
- Tarado! Tarado!
Descobrindo-se nu, Vasco consegue umas folhagens com as quais tenta cobrir as partes.
Mulheres voltam com policiais. Novamente, Vasco é preso.
Altas horas. Solto, Vasco chega em casa e encontra as Marias e Alva a sua espera para lhe aplicarem mais uma sessão de tortura. Diante do que veem, elas cancelam a tortura e cuidam de seus ferimentos. Alguém agiu mais rápido do que elas, concluem.
Pelo seu lado, Zózimo está diante de um sério problema: ou encontra o colar e satisfaz as exigências de Melissa ou a perderá para sempre. Por isso, bola um plano que considera infalível. Já que a tortura não deu certa, resolve partir para o plano B. Matar Vasco não seria boa ideia. Afinal, sem ele ficaria mais difícil encontrar o colar. Manda investigar a vida do rapaz. Descobre que ele é casado com Alvarinda, mulher mais velha que ele e tem quatro filhas. Porém, vive as turras com a família. Isso significa que não adiantaria muito fazer qualquer coisa contra uma delas. Permanece a pergunta: o que Vasco mais ama na vida? A esposa e as filhas não estão na lista. Quem estaria?  A resposta vem certeira: Ivana Velasco. Ela é a mulher da vida de Vasco da Gama. Aquela que povoa os seus sonhos. Nesse caso, se alguém a tocasse ele seria capaz de qualquer coisa para salvar a sua vida.
Zózimo decide seqüestrar Ivana.
Noite. Ivana dorme tranquilamente em seu quarto na mansão. Homens entram no quatro e depois de dopá-la a retiram do quarto. É levada para um cativeiro num lugar desconhecido.
Vasco começa a receber telefonemas. A vida de Ivana pelo colar. É aí que ele descobre se tratar daquele objeto que Ivana pediu para que ele guardasse para ela. Sim, aquele é o objeto causador de todas aquelas confusões. Simples, basta pegar o objeto e entregar aos sequestradores.
Vasco vai até a Corretora, onde acredita estar guardada a caixa. Quer libertar Ivana o quanto antes. Lá chegando percebe que a caixa sumiu.
Grande desespero. Convoca todos os funcionários da empresa. Ninguém sabe de nada.
Vasco apela para Rosalina. Ela não se abala com a situação da nora:
- Deixem que a matem! Não fará falta! – vocifera a velha, escondendo o fato de que também está atrás daquele valioso colar, que só voltou ao Brasil porque quer botar as mãos nele.
O delegado Gomes tenta entrar no caso. Vasco impede. Os sequestradores querem a polícia longe de tudo. E ele não vai permitir que nada bote em risco a vida de sua amada Ivana. Apesar de tudo, o delegado Gomes investiga por conta própria.
No cativeiro, com os olhos vendados, Ivana recebe a visita de Zózimo Zanata.
Grande acontecimento. Zózimo fica perdidamente fascinado pela beleza de sua refém. Nunca viu mulher mais bonita em toda a sua vida. Perto dela, Melissa não passa de uma mulher “sem graça”.
Enquanto isso, Zózimo passa a mão em sua careca e sente algo de estranho. Sai do cativeiro entre fascinado com a beleza de Ivana e preocupado com a estranha sensação.
Um de seus homens lhe interpela no caminho para os seus aposentos. Avisa que Melissa a cada dia mais faz suas saídas misteriosas à tarde. Ela sai sozinha, dispensa o motorista – conta o puxa saco.
Zózimo não tem dúvida. É isso. Olha no espelho e certifica-se. O par de chifres está lá. Contrata um detetive. Quer provas.
Melissa passa a ser seguida em todos os seus passos. Finalmente a verdade vem à tona: ela sai todas as tardes para encontrar-se com Edgar Norinha, o fotografo e conhecido gigolô. Melissa cai em desgraça com Zózimo que a expulsa de casa com uma mão na frente e a outra atrás. Tal como fez com Anita, sua primeira mulher. Mulher que ele jamais esqueceu. Inclusive por causa de seu chicotinho afrodisíaco. Por ele, Zózimo é capaz de fazer chantagem com Anita, sempre ameaçando lhe tomar os filhos e colocá-los para trabalhar com ele. Zózimo é viciado no tal chicotinho do prazer.
Dias depois, para espanto de todos, Zózimo ordena que Ivana seja levada para os seus aposentos. Lá Ivana é recepcionada com um jantar á luz de velas. Durante o jantar a pede em casamento e promete libertá-la se ela aceitar o seu pedido. Ivana diz aceitar somente com a condição de que ele deixe Vasco em paz. Percebendo a chantagem, Zózimo diz que não pode, que não descansará enquanto não colocar as mãos no colar. Agora é uma questão de honra. Ele quer o colar.
Ivana diz não ao pedido. Irritado com a negativa, Zózimo ordena que ela seja levada de volta ao cativeiro. Acabou a brincadeira. – avisa ele.
Vasco passa a receber constantes ameaças e chantagens. Se ele não devolver o calor num prazo determinado por Zózimo, Ivana sofrerá sérias conseqüências. Ajudado por Zé Roberto, funcionário da Corretora e em muitos momentos o seu único amigo, Vasco procura o colar desesperadamente. Recebe informações desencontradas que vão levá-lo até Boy, ex-funcionário da Corretora e provável responsável pelo desaparecimento do colar.
Boy é um garoto de 19 anos, negro, morador do morro. Apertado por Vasco e Zé Roberto, ele revela que vendeu o colar para um amigo, também morador do morro, que queria dar um presente para sua mina. Sustenta que o colar foi vendido por dez paus. Vasco procura o tal rapaz, mas este por sua vez conta uma história estranha e diz que passou o colar para frente por outra quantia irrisória:
- A coisa tá preta, entendeu? – diz o aprendiz de malandro.
Vasco inicia uma verdadeira via cruces que vai levá-lo aos mais diferentes, desencontrados e perigoso lugares. Sempre colocando sua vida em risco e vivendo todo tipo de situação.
Já cansado de andar em círculo e temendo pela vida de Ivana, Vasco procura a ajuda do delegado Josué Gomes. Gomes se nega a ajudar Vasco. Está deixando a polícia. Vai criar galinhas – diz ele ocultando o verdadeiro motivo.  É que em suas investigações acabou descobrindo a mão de Zózimo por trás do sequestro de Ivana e como ele tem problemas pessoais com Zózimo, resolve cair fora antes que tenha que enfrentar seu arqui-inimigo. No passado, Gomes foi um dos homens de Zózimo  e acabou fugindo com a mulher dele, Anita. Junto com eles, levaram os filhos de Zózimo e Anita. Entre eles sempre existiu um certo acordo de cavalheiros. Gomes nunca teve coragem de dar voz de prisão para seu antigo patrão e sabe que Zózimo nunca o perdoou pela traição. Ainda por cima, ele virou um homem da lei. Dupla traição.
Vasco decide continuar a busca pelo colar sem a ajuda da polícia, embora cada vez se sinta mais confuso. Às vezes tenta desistir, mas recorda o pedido feito pelo amigo no leito de morte e continua. É quando, seguindo mais uma das pistas, chega até um local onde deverá encontrar o novo dono do calor. Ao entrar numa fortaleza, sem ser notado, percebe um barulho estranho vindo do interior de uma sala. Aproxima-se da porta e nota que ali está uma espécie de reunião secreta ao som de umas batidas irritantes. Pelo buraco da fechadura, espia. Lá dentro estão algumas pessoas que ele não consegue reconhecer, reunidas em torno de uma mesa. Com o ouvido colado na porta, ele ouve tudo. Trata-se de uma organização terrorista internacional que tem por objetivo dominar o mundo, cujo poder é simbolizado pelo colar. A organização tem a tortura física, moral e mental como forma de conseguir o que quer.
Porém, sua maior descoberta é que Elói, o seu amigo e sócio está vivo e é o grande chefe da organização. Sentado na cabeceira na mesa, Elói ostenta entre os dedos o valioso colar.
- Agora só falta a gente atrair até aqui aquele idiota chamado Vasco da Gama da Silva. Ele sempre pensou que eu era seu amigo. Eu jamais seria amigo de um imbecil como aquele. Mas é preciso dizer que ele me foi bastante útil. Só que não preciso mais dele. Chegou sua vez, Vasco da Gama da Silva. – diz Elói entre baforadas de seu charuto havana.
Do outro lado da porta, Vasco descobre que está jaula do leão. Como vai se safar?




SINOPSE II

GATO POR LEBRE

Homem simples deixa seu estado de origem, Minas Gerais, e muda-se para o Rio de Janeiro  tendo na cabeça uma ideia fixa: quer levar a vida como um carioca típico, aproveitando a vida. Após ser preso acusado de roubo injustamente, decide  virar o jogo casando-se com a filha de um milionário. Só que o milionário estava falido e morre deixando muitas dívidas e toda uma família para ele sustentar. Tempos depois ele desaparece misteriosamente, ao mesmo tempo surge um milionário fisicamente idêntico a ele, fazendo nascer a suspeita de que são a mesma pessoa.

 


DESENVOLVIMENTO

Gato por lebre conta a história de Hernani Campos, 28 anos, que chega à cidade do Rio de Janeiro vindo do interior de Minas Gerais. Na rodoviária ele pega um ônibus e vai direto para a praia de Copacabana onde entra no mar de roupa e tudo, para escândalo dos presentes. Por não saber nadar acaba se afogando. É salvo por um rapaz de nome Américo dos Santos, 35 anos, típico carioca metido a esperto que vê na aparência física de Hernani e na sua caipirice um meio para se dar bem. Por isso, Américo convence Hernani de que ele tem tudo para “vencer na vida” bastando, para isso, usar seu tipo físico e saber enrolar as pessoas, as mulheres em especial. Sem conhecer ninguém na cidade, ele acaba caindo na lábia do esperto Américo dos Santos. Os dois combinam para aquela mesma noite saírem juntos. É quando Américo apresenta Hernani à uma coroa rica, mas ele não consegue mentir e acaba estragando os planos do novo amigo que está apostando todas as suas fichas no caipira. Apesar disso, Américo não desiste de Hernani e o leva para morar em seu apartamento, um sala e quarto em São Cristóvão, onde pretende dar umas  “aulas” de malandragem para ele. Porém, todas as tentativas são em vão. Hernani, bom rapaz, não consegue se tornar um malandro como Américo e ele acaba arrumando um emprego para o amigo na oficina mecânica de seu Nestor, 50 anos, que é casado com Dalva, 42 anos e pai de Nestorzinho, 22 anos e Estrela, de 15 anos. Américo trabalha na oficina como uma espécie de “relações públicas”. Por transitar bem entre os ricos ele agencia carros para serem consertados na oficina de Nestor. Hernani tem experiência em trabalhar como mecânico de carros e acaba conquistando a confiança de Nestor que vê seus lucros dobrarem com o novo empregado, embora Américo continue tentando fazer dele um autêntico malandro carioca. É quando a irmã de Américo, Maria Aparecida, 25 anos, a Cidinha, vem passar as férias na casa do irmão, vindo de um colégio de freiras. Isso leva Américo a avisar ao amigo sobre a pureza da irmã, afinal ela é quase uma freira. Quando a moça chega Hernani logo percebe que ela é uma santa do pau oco e que debaixo do hábito de freire esconde uma devassa. Cidinha logo dá em cima de Hernani criando um mal estar dentro do apartamento. Principalmente depois que Hernani descobre que tanto Américo quanto Cidinha escondem um do outro suas verdadeiras naturezas. Para a irmã Américo é um bem comportado bancário noivo de Madalena, 32 anos, e para Américo ela é um poço de santidade. Para não ter problemas com Américo, Hernani pede a Nestor para morar no quartinho dos fundos da oficina e é para lá que ele muda-se logo em seguida. Porém, uma noite a oficina é assaltada e todo o dinheiro de Nestor é levado, além de um carro de luxo. Nestor chama a polícia e Hernani é preso como responsável pelo roubo, embora jure inocência. Preso, Hernani apela para a ajuda de Américo que promete descobrir quem é o verdadeiro ladrão. Américo é ajudado por Valdomiro, o Negão, 30 anos, mecânico colega de Hernani na oficina, filho de dona Zélia, 55 anos, a cozinheira da casa dos Herman e irmão de Madalena, a eterna namorada de Américo. Aliás, motivo de muitas rusgas entre os dois: Valdomiro vive descobrindo as malandragens de Américo e tentando com isso convencer a irmã a deixá-lo. Rusgas à parte, os dois chegam até Nestorzinho, o filho de Nestor. Viciado em drogas, o rapaz roubou o próprio pai para pagar dívidas com os traficantes. Usando de sua esperteza, Américo consegue fazer com que Nestorzinho confesse seu crime diante do pai, que o expulsa de casa. Com isso, Hernani consegue ter de volta a liberdade, mas decepcionado com tudo, decide não mais trabalhar na oficina e voltar para sua cidade natal, no interior de Minas Gerais, certo de que o Rio de Janeiro não é lugar para um caipira como ele. Hernani, a essa altura, já conquistou a amizade de todos em São Cristóvão. Principalmente a de Nonô Mamãezinha, 50 anos, figura simplória, mas muito simpática. Nonô (Manuel de Castro) é filho de dona Emerênciana, 75 anos, mais conhecida como dona Mamãezinha, mulher que trata o filho como se ele fosse um garoto de 10 anos, obrigando-o a usar calças curtas e suspensórios como os meninos de antigamente e a acompanhá-la à missa todos os domingos, além de obrigá-lo a falar com sotaque português, como ela, embora ele tenha nascido no Brasil. Nonô Mamãezinha, comovido com a história de Hernani, o convida para trabalhar na Padaria ”A portuguesa”, de propriedade de sua mãe que ele administra. Na padaria trabalham Madalena e Jorge Aristeu, 40 anos, um mulato mal humorado e cheio de mistérios que vigia Nonô a mando de dona Mamãezinha. Hernani não aceita a oferta de Nonô, pois está decidido a ir embora.  É quando Américo faz uma proposta a ele: pede a Hernani que tome conta de uns cachorros de um amigo milionário morador da Barra da Tijuca. Para tal Hernani precisaria morar na cobertura do milionário e ficar afastado de São Cristóvão por uns tempos. Américo o convence que essa seria uma boa oportunidade para ele esfriar a cabeça e pensar se realmente quer voltar para sua terra. Embora relutante, Hernani, acaba aceitando e vai para a tal cobertura. Lá chegando Hernani tem um choque: aquele luxo todo e ele, que além pobre e desempregado, acaba de passar vários dias dividindo com vários presos uma cela infecta de prisão. Nasce ali uma revolta muito grande. Até os cachorros tem uma vida melhor do que a dele. É ali que percebe que mesmo por vias tortas Américo tem razão ao querer fazer parte do mundo dos ricos. Eles é que sabem viver. Aquilo que é vida. Relembra todos os ensinamentos de Américo e resolve seguir seus conselhos. Naquele mesmo dia decide se fazer passar por milionário. Primeiramente só para se divertir, ele pega as melhores roupas (coincidentemente o milionário veste o seu número) que encontra no guarda-roupa do dono da casa e veste. Pega um, entre os muitos convites para festas e eventos que encontra e sai para a noite. A festa é a comemoração das bodas de prata de Astério Paranhos, 55 anos e Marilu, 50 anos, pais de Ângela, 24 anos e Maisa, 20 anos. O casal mora numa bela mansão na Barra da Tijuca. Astério é comerciante do ramo de eletro doméstico, dono das Lojas Paranhos. Na festa, Hernani conhece Ângela e se apresenta como o filho de um criador de gados do Mato Grosso. Ângela fica interessada por ele e o convida para voltar à sua casa. Hernani volta e eles começam um envolvimento sob as bênçãos  de Astério que vê com bons olhos a possibilidade de ter como genro o filho de um criador de gados, de olho no “dinheiro” dele. Entusiasmado, Astério, apresenta Hernani a todos, inclusive a seu sócio Saul Hermam, 60 anos e a sua esposa, Luci Hermam, 55 anos. Luci e o marido se dedicam ao ramo de jóias e estão com um problema: a filha, Paula Herman, 25 anos, está envolvida com Luís Otávio, 35 anos, empregado do casal que subiu na empresa, a Jóias Herman, e hoje é um de seus diretores. Só que, desconfiada das intenções e do caráter do futuro genro, Luci colocou um detetive atrás dele e descobriu que ele quer dar um golpe em sua filha. Fato que Saul Herman não admite por acreditar muito em Luís Otávio. Pelo seu lado, Paula se mostra completamente apaixonada pelo noivo. Sem ter com quem contar, pois o filho mais novo, Fabrício, 23 anos, é um jovem alienado que não quer assumir os negócios da família, Luci acaba vendo em Hernani o homem certo para ajudá-la a se livrar de Luís Otávio. Mulher esperta, Luci acaba desconfiando da história de Hernani. Sem muito esforço, ela acaba descobrindo que ele não é filho de milionário coisa nenhuma e que está prestes a dar um golpe na família Paranhos. Ao invés de delatar Hernani para Astério Paranhos, Luci resolve fazer um pacto com ele: ele a ajuda a desmascarar o futuro genro e ela nada diz ao amigo sobre suas intenções. Hernani não tem outra saída senão aceitar a proposta da milionária. Luci, que simpatizou-se com Hernani de cara, sente-se mais forte para enfrentar Luís Otávio. Ele é um homem de pouco ou nenhum caráter. Luís Otávio não está para brincadeira e juntamente com Valéria, 30 anos, a secretária das Jóias Herman e sua amante, ele mantém tudo sob controle. Para enfrentar a fera, Hernani pede ajuda a Américo e ele, por conhecer bem a fama de Luís Otávio, desencoraja o amigo. Mais do que isso, Américo intima Hernani a não prosseguir na história por causa de sua própria situação. Afinal ele também está tentando aplicar um golpe, ou não está? Além do que, Luís Otávio é capaz de qualquer coisa para ver seus planos concretizados. Américo também tenta convencer Hernani a abandonar a idéia de se casar com Ângela e que cedo ou tarde todos descobrirão a verdade. Hernani não dá ouvidos e continua firme nos seus intentos e marca o casamento com Ângela. Ao mesmo tempo Hernani não consegue evitar que Luci Herman enfrente sozinha Luís Otávio dizendo a ele tudo o que descobriu a seu respeito. Fingindo-se de arrependido, Luís Otávio atrai Luci para um passeio de barco e a faz “desaparecer” no mar. Em seguida, faz todos pensarem que Luci resolveu “desaparecer” porque descobriu o envolvimento de seu marido, Saul Herman, com a secretária Valéria. Paula reage indiferente ao “desaparecimento” da mãe, mas Fabrício rompe com o pai, saindo de casa acusando-o de assassino. O casamento de Hernani Ângela acontece sem a presença dos pais do noivo, “muito ocupados” com os negócios. Os recém-casados viajam às custas de Astério, que não vê a hora de falar com o genro sobre a verdadeira situação de suas lojas. O casal volta da lua de mel e Astério chama Hernani para uma conversa que o genro tenta, de todas as maneiras possíveis, evitar. A conversa acontece e Astério relata ao genro sobre a situação de suas empresas e lhe propõe uma sociedade. Hernani promete conversar com seu “pai”. O tempo passa e Hernani continua enrolando Astério que não sabe mais como enfrentar as ameaças de Luís Otávio, agora à frente dos negócios da família Herman os principais credores de Astério Paranhos. Com o desaparecimento de Luci, Saul perdeu todo o interesse pelos negócios e passa o tempo tentando reconciliar-se com o filho, Fabrício, que vive fugindo dele. Os negócios estão definitivamente nas mãos de Luís Otávio e ele usa o poder para bancar o homem durão e inflexível, tendo apenas que enfrentar Renata Herman, 30 anos, sobrinha de Saul Herman, que trabalha nas empresas do tio como designer de jóias e vive enfrentando Luís Otávio, que não a suporta. Renata é filha de Ester, 55 anos, irmã de Saul, com um ex-empregado da família, mora de favor na casa do tio, que pagou os seus estudos, Ela está sempre tendo problemas com a prima, Paula. Principalmente quando Renata tenta abrir os olhos de Paula a respeito de Luís Otávio. Ameaçado por Luís Otávio, Astério pressiona Hernani que, sem saída, acaba confessando que não existe nenhum pai milionário criador de gado e que ele não é dono de uma única cabeça de gado e que tudo nunca passou de uma farsa. Astério não suporta o choque da revelação, tem um ataque do coração e morre. Logo após o enterro de Astério, Luís Otávio cobra todas as dívidas da família e Marilu tem 48 horas para deixar a mansão com as filhas e a sogra, dona Leontina, 80 anos, que mesmo num momento como esse não se esquece de jogar na cara da nora o fato de o seu filho, Astério, a ter conhecido quando ela era uma cantora da noite. Marilu não só era uma excelente cantora da noite quando Astério a conheceu, como era fã de Ângela Maria e Maisa, motivo pelo qual deu esses nomes às filhas e nunca perdeu as esperanças de voltar aos palcos. Toda a família descobre a verdade sobre Hernani e que estão literalmente na rua. Hernani procura ajuda de Américo, mas ele foge dizendo que lhe avisou dos riscos que ele estava correndo. Marilu, depois de descobrir que foi abandonada por todos os amigos, até mesmo sua inseparável amiga, Selminha, 45 anos, exige que Hernani assuma suas responsabilidades de chefe da família. Ele não vê outra solução senão procurar Nonô Mamãezinha que, escondido da mãe e de Jorge Aristeu, oferece um apartamento que fica num pequeno prédio em frente à padaria, de propriedade de dona Mamãezinha. Toda a família Paranhos vai morar em São Cristóvão. A família se instala no apartamento que, embora seja de três dormitórios se mostra pequeno demais para elas que estavam acostumadas com os amplos espaços da mansão. Hernani vive o seu inferno astral passando a ser um verdadeiro escravo da família Paranhos. Como um empregado ele tem que atender a todas as vontades das mulheres: lavrar, passar, cozinhar, limpar a casa. Ele volta a trabalhar de mecânico na oficina de seu Nestor, depois de implorar para ter seu emprego de volta. Nestor só o aceita de volta após lembrá-lo da humilhação que Hernani o fez passar quando o procurou na sua fase de “rico”. Hernani responde dizendo que não esqueceu a acusação de roubo e os dias que amargou na cadeia. Os dois acabam se entendendo. Para o sustento da família, Hernani conta com a ajuda de Nonô Mamãezinha, que além de seu amigo, fica completamente apaixonado quando conhece Marilu, a ponto de perder a voz e suar frio quando a vê, e passa a dar de presente para ela cestas básicas e cafés da manhã. Tudo escondido de dona Mamãezinha e Jorge Aristeu. Para Hernani essa paixão veio a calhar. Assim como a mudança de Ângela que no inicio fica do lado da família na “vingança” que armam contra Hernani e que acaba entregando os pontos passando para o lado dele. Ângela descobre-se totalmente apaixonada pelo marido enquanto Marilu e dona Leontina se transformam em algozes dele. Porém, Selminha Freire aparece em São Cristóvão com novidades: Mariozinho, 28 anos, o eterno apaixonado de Ângela está de volta depois de passar anos estudando na Inglaterra. Mariozinho Camargo está de volta disposto a reconquistar Ângela, o grande amor de sua vida. A noticia deixa a família em polvorosa. Afinal Mariozinho é filho único da milionária Maria Alcina, 60 anos. Marilu e dona Leontina começam a fazer planos de voltar para a Barra da Tijuca. Somente Ângela não se abala, feliz em seu casamento no estilo “um amor e uma cabana”. Marilu chega a pensar em convencer sua filha mais nova, Maísa, a se jogar nos braços de Mariozinho, mas Maísa, depois de ter uma paixão platônica por Hernani, está interessada em Fabrício, o revoltado filho de Saul Herman. Fabrício, depois de muito fugir do pai, está morando na república de estudantes que se instalou no prédio de Nonô. A republica é comandada por Vânia, 25 anos e seu irmão Célio, 22 anos. Os dois são filhos do fazendeiro do interior de Minas, Joca Gusmão, 50 anos. Joca mantinha os filhos morando em Ipanema, mas descobriu que o enganavam: ao invés de estudar gastavam o tempo e o dinheiro que ele mandava “curtindo” a vida e dando festas que sempre acabavam com os vizinhos chamando a polícia. Como castigo, Joca leva os filhos para morarem no simplório prédio de seu amigo Nonô Mamãezinha, a quem ele pede para “vigiar” os filhos.  Mas Vânia é uma garota infernal e não respeita Nonô, voltando a fazer tudo o que fazia na zona sul. Joca resolve então trazer para São Cristóvão sua irmã, Eugênia, 40 anos, para morar com eles. Solteirona e caipira, Eugênia, vira chacota deles e vítima de brincadeiras de mau gosto. Por fim, Vânia resolve, com o simples intuito de se divertir ás custas da tia, que seu namorado, Nestorzinho, que foi morar na república depois que o pai (Nestor) o expulsou de casa por causa do roubo na oficina, finja-se de apaixonado pela tia. O problema é que Nestorzinho acaba se apaixonando de verdade por Eugênia. Maïsa é uma garota estranha, veste-se cobrindo dos pés a cabeça escondendo sua beleza por não querer ser tratada como mulher-objeto. Por isso, Marilu, que não aceita a vida na pobreza, volta suas forças para Ângela, tentando destruir o amor que a moça sente por Hernani, lembrando a filha que ele é o responsável pela morte de Astério e pela ruína de toda a família. Marilu arma um plano com Cidinha, que agora trabalha na casa de Nonô e faz de tudo para seduzi-lo, para agarrar Hernani na frente de Ângela e se fazer de ofendida e ultrajada. Como para todos, ela é uma freira indefesa, Ângela acredita na armação e sentindo-se traída, decide se separar de Hernani. Assim, fica fácil para Marilu convencer a filha a aceitar rever Mariozinho. Porém, Maria Alcina, a mãe de Mariozinho, promete não facilitar as coisas para eles. Arrasado, Hernani, volta a morar nos fundos da oficina, onde tem que fugir do assédio de Dalva, a fogosa mulher de Nestor. Uma noite depois de conversar com Nonô a quem agradece por ter sido a única pessoa que lhe ajudou, apesar da vigilância de Jorge Aristeu (que por esconder um segredo acaba se envolvendo com polícia ao “perseguir” a adolescente Estrela pelas ruas de São Cristóvão, como se fosse um tarado. Na verdade, Jorge Aristeu é um ex-alcoólatra que foi abandonado pela esposa e a filha. Toda vez que vê Estrela ele lembra da filha, que teria a mesma idade e se parece fisicamente com ela.), Hernani desaparece misteriosamente. Ângela é a primeira a sentir sua falta e descobre que ele desapareceu com a roupa do corpo, sem levar nada. Ângela vai à polícia e registra o desaparecimento, mas Hernani não é encontrado. Acredita-se que ele tenha morrido. Surge, então, a enigmática figura de Roger Ventura, 28 anos, que tem a mesma aparência de Hernani, como se fosse um verdadeiro clone. Homem rico, frequenta os lugares da moda e aparece nas colunas sociais e na televisão e é assim que Ângela o vê e percebe a semelhança. Mesmo com casamento marcado com Mariozinho, Ângela não desiste de encontrar Hernani e passa a acreditar que ele e Roger Ventura são a mesma pessoa. Vai à polícia e fala da semelhança, fazendo com que o delegado intime Roger. Ângela tanto faz que acaba chegando até Roger, mas ele nega que é Hernani Campos e ela volta para casa arrasada. Dias depois, Ângela descobre que está grávida de Hernani e desiste de vez de se casar com Mariozinho, para desespero de Marilu e toda a família. Ao saber da gravidez de Ângela, Roger se interessa pelo assunto e a procura prometendo cuidar da criança. Roger se interessa pelos negócios da família Paranhos e se mostra disposto a reabrir as Lojas Paranhos provocando a revolta de Marilu que, nem de longe desconfia de suas intenções. Marilu que, por interesse, se rendeu aos galanteios do atrapalhado Nonô Mamãezinha, depois que ele enfrentou a mãe, deu seu grito de independência e se declarou a ela. Além de reabrir as Lojas Paranhos, Roger compra da mansão e a devolve à família. Assim a família Paranhos faz o caminho de volta para a Barra da Tijuca. Porém, Ângela não aceita voltar para a antiga casa e resolve ficar morando no antigo apartamento na esperança de que Hernani volte. Luís Otávio, que negociou os bens da família Paranhos, sem saber que negociava com Roger Ventura, fica intrigado com o misterioso empresário e passa a investigá-lo. Nesse momento, descobre-se que Roger age sob o comando de um chefe, tão misterioso quanto ele, que agora exige que ele conquiste Paula e impeça que ela se case com Luís Otávio. Roger se aproxima de Paula e não tem dificuldade para conquistá-la, comprando briga, definitivamente, com Luís Otávio. Luís Otávio descobre a história da semelhança entre Roger Ventura e o desaparecido Hernani Campos e se aproxima de Ângela, a quem oferece ajuda. Para piorar as coisas, Roger aparece numa reunião de diretoria das Jóias Herman e se apresenta como sócio detentor de 51% das ações.  Vendo seu poder ameaçado Luís Otávio descobre a dupla identidade de Roger e faz chantagem para se manter no poder. É quando Luci Herman reaparece, mais viva do que nunca, trazendo a solução para todos os enigmas.












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