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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Felicidade com prazo de validade.

É assim que eu vejo o carnaval: como um momento em que damos uma parada nos afazeres normais e assumimos o compromisso de sermos felizes. Vestimos a fantasia e saímos atrás do bloco da alegria. Não importa que essa fantasia de alegria que você vai vestir é larga ou apertada, ela se ajusta ao corpo. O importante é vesti-la, o resto se arranja durante a folia.
Pode parecer exagero, e é, mas a coisa funciona mais ou menos assim durante os quatro dias do carnaval. São quatro dias é proibido pensar nas tristezas da vida. 
- Caiu na folia. - manda os anúncios por todo lado que você anda.
Nada mal, não é? Afinal de contas, quem não quer passar uns dias acreditando que a felicidade existe e, o que é melhor, ela está ao alcance da nossa mão. Verdade? Propaganda enganosa? Sim e não. Felicidade, na verdade, é uma questão de decisão. Tanto prova que, bem ou mal, muita gente faz isso no carnaval.
E, se fazemos isso no carnaval, por que não podemos fazer o mesmo durante os outros dias do ano. Por que essa "felicidade" precisa mesmo ter  prazo de valida? Não dá para acreditar que as pessoas possam vestir fantasias pela vida afora e viveram um eterno mundo de faz de conta. Isso seria pura alienação.
Mas podemos não levar tão a sério os problemas, não é? Podemos decidir ver alegria nas coisas do dia a dia e, se for preciso, inventar algum motivo para ser feliz. Mesmo que a vida insista em apresentar motivos que nos levem para o lado contrário. 
Criemos cada um de nós, um samba enredo, uma marchinha e caiamos na folia. Cada um no seu ritmo e no seu tempo e do jeito que melhor preferir. O que vale mesmo é não deixar que tudo termine numa quarta-feira de cinza..
Boa folia!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Água viva e Gilberto Braga, sem bandidos e mocinhos..

     A antiga novela de Gilberto Braga, transmitida pela Rede Globo em 1980, está atualmente sendo reexibida pelo canal à cabo Viva. Além de ser a oportunidade de ver uma novela que me traz boas recordações de um tempo em que eu era muito novo e morava em minha cidade natal, Ibiá, no interior de Minas, dá uma boa dimensão de como eram e como ficaram as novelas. Principalmente falando, as novelas do autor em questão.
     De cara, você tem a sensação de que aquele era mesmo um outro mundo. As pessoas ( personagens) falam e fazem coisas que hoje tornaram-se quase impensáveis; as preocupações eram outras, o Brasil era outro e havia, sobretudo, uma ingenuidade gostosa de se ver que nós perdemos.
     Pode-se dizer que a coisa é muito arrastada e que um problema pode levar semanas para ser resolvido e que os personagens têm dramas risíveis. Destaque para a indecisão de Ligia ( Bete Faria, talvez no melhor de sua forma física) entre os irmãos Nelson ( Reginaldo Farias) e Miguel ( Raul Cortez, sempre impecável, pena que nos deixou tão cedo), ou que alguns personagens (Janete (Lucélia Santos), em especial) parecem donos da verdade e que isso faz tudo parecer um tanto chato.
     Há muitos méritos na novela. O maior deles é mostrar como se vivia naquele tempo. Nesse quesito, a novela é um belo documento de uma época e podemos fazer as comparações, ver o que melhorou e o que piorou com o passar dos anos.
     Porém, o que mais me chama atenção é o próprio Gilberto Braga. Vale à pena ver o quanto ele era maduro para a época, quando deveria ter pouco mais de trinta anos. Os temas que ele aborda são bastante relevantes: a emancipação da mulher, o topless, a solidão através de Irene ( Eloisa Mafalda, sempre um destaque), a orfandade de Maria Helena (Isabela Garcia, criança), embora falte um pouco mais de realidade na abordagem, os dramas de um casamento com Edir (Cláudio Cavalcante) e Márcia (Natália do Vale, jovem, bonita e talentosa) e a falta de maturidade e caráter de Evaldo ( Mauro Mendonça), esse talvez o melhor e mais bem construido personagem da trama, dentre outros.
   E tem aquele mundinho da alta sociedade que sempre despertou, hoje creio que menos, o interesse dos meros operários do Brasil. Mundinho que o próprio autor diz conhecer bem e gostar muito de abordar em suas novelas. Mas é nos tipos, digamos, mais comuns que ele se sai  melhor. Evaldo, Suely (Angela Leal) e Marinete (Terezinha Sodré) são bons exemplos.
    O bom de tudo mesmo é que vemos um  Gilberto Braga sem maniqueísmos que tomariam conta de seus trabalhos.posteriores: de um lado os bons e do outros o maus e eles lutam entre si durante toda a novela.  Em Água Viva, apesar de se dizer que Lourdes Mesquita (Beatriz Segall) é uma grande vilã, o que se vê é uma personagem errando e acertando como qualquer um. Aliás, quase todos os personagens são carregados de muitas doses de humanidade. 
    Há até um certo exagero quando os outros personagens falam de Lourdes, Ela é apenas uma Stela Fraga Simpson ( Tônia Carrero, verdadeiramente bela) sem dinheiro. Nada mais que isso. O resto é puro folclore.
    Definitivamente, Gilberto Braga era um autor muito mas arguto e a falta de preocupação em dividir os seus personagens entre bandidos e mocinhos faz toda a diferença. 
    Deu para perceber quando por volta do capítulo 60 o autor ficou perdido e teve que receber a colaboração do Manuel Carlos. Esse sim, ainda escreve novelas como se escrevia na épica de Água Viva. 
Seria bom que Gilberto Braga retomasse o trilha perdida a partir de Água Viva.  O público só teria a ganhar.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A dificuldade de ser médium.

     Acho que já falei aqui que sou médium: aquela faculdade que as pessoas (há quem acredite que todas) têm de se comunicar com os espíritos, cada um no seu grau, evidentemente. Pois bem. Deixando para lá as definições  do que venha a ser um médium (assunto extenso e que deixo para outro dia) o que quero mesmo é falar do quanto é difícil viver com esse, digamos, dom.
     Quem o tem deve saber do que eu estou falando. A gente recebe muitas informações (nem sempre é possível saber a procedência) e costuma ver coisas que as ditas pessoas normais não veem. Até aí nada de mais, não é? Muitos até dirão tratar-se de um privilégio e até chegam a desejar possuí-lo.
    Só que a coisa não é bem assim. Vivemos num mundo onde se dá muita importância à matéria.. Vivemos muito na aparência e o médium é, por natureza, aquela pessoa que costuma ir um pouco mais fundo. Em suma, vemos aquilo que muitas vezes não se quer ver, vemos além do que é mostrado, além da mera superfície das coisas.  E nem sempre isso é bom.
      Posso dizer que isso é quase sempre ruim. Além de gerar uma certa prevenção em relação a quase tudo que está sendo dito ou mostrado, ainda tem o fato de que, uma vez sabedores de determinadas coisas  nunca se tem certeza absoluto de nada), temos que mantê-las apenas para nós mesmos, pois nem sempre é possível passar essas "informações" à frente e quando é possível, nem sempre é conveniente.
     Já imaginou alguém se saísse por aí dizendo que está vendo isso ou aquilo, que determinada pessoa é portadora desse ou daquele tipo de energia? Seria o caos, não é mesmo? As pessoas só se interessam em saber das coisas boas, mesmo tendo consciência de que suas vidas e atitudes apontam para a direção contrária.
     Isso quando não querem que os médiuns sejam portadores de soluções para as suas vidas. Soluções mágicas, diga-se de passagem. Ninguém quer fazer esforço nem se conscientizar de que o melhor e o pior de nossas vidas depende somente de nós, de nossas ações e atitudes. Não adianta um espírito vir de onde quer que seja, dizendo o que for, se no nosso íntimo só queremos ouvir o que julgamos que é bom para nós, o que nos é mais conveniente.
     Por esse motivo digo que a missão do médium é espinhosa. Não somente a do médium, creio, mas de todas aquelas pessoas que têm o compromisso com a verdade e, acima de qualquer coisa, saiba que estamos todos longe um intercambio plenamente sadio com o mundo espiritual.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Minha primeira vez.

     É uma sensação muito boa colocar o ponto final num livro. E é isso que acabo de fazer. com "Dona Semíramis ". O livro está pronto. Não quero mais mexer em nada. Foi difícil chegar até esse ponto de achar que a história que eu queria contar está toda ali e que nada mais deve acrescentado.
     Esse é o meu segundo livro. O primeiro foi "No olho da rua". Além da distância que separa um do outro, o primeiro foi escrito nos anos 1990, eles são dois livros completamente diferentes. Em "No olho da rua", conto uma experiência pessoal e eu nem chego a considerá-lo como algo literário. É um relato de vida, um desabafo.
Com "Dona Semíramis ",  é diferente, embora eu também parta de uma experiência pessoal para a feitura do livro, mas tudo se desenrola de maneira ficcional. É, digamos, a minha primeira vez. Sempre escrevi muito para teatro, várias peças minhas estão publicadas aqui em forma de páginas, e me arrisquei a escrever duas novelas para televisão, inéditas: "Só a vida ensina", publicada aqui, e "Brasil Feliz". Mas romance de verdade, esse é o primeiro.
A lê-lo mais dez vezes para fazer as correções, me convenci de que ficou um trabalho bom, onde boto toda a minha e4xperiência em condomínios de forma muito bem humorada. Dona Semíramis não é um livro triste, embora muitas vezes conte histórias tristes. A minha intenção com o livro é mostrar o convívio num prédio de apartamentos onde uma mulher, Dona Semíramis, tenta fazer uma obra no apartamento que acaba de comprar e se vê diante de uma síndica intransigente e louca.
Tenho certeza que todos vão se divertir muito com a história. Mas, se isso não acontecer, ainda preciso encontrar uma editora, já valeu a pena ter escrito o livro. Contar histórias, criar personagens sempre foi uma coisa que me fascinou. O livro me trouce isso de volta.
Agradeço a todos os personagens do livro que, tão gentilmente, me cederam as suas histórias. Fico feliz de triste ao me despedir de Semíramis, José de Arimatéia, Raimundo Nonato, sua mulher Edivânia e os seus filhos, Severino da Guia, dona Tereza, seu Aristides e sua esposa, dona Vilma, dona Filó, dona Helena, Jorginho, Luizinho Maconheiro, Flora, o policial Osvaldo e sua família, Maracele e seus pais,  Zildete e seu quase pai, o Desembargador, dona Iraíldes, Diocléciano e sua família, dona Celeste e tantos outros que povoaram a minha mente durante os dois meses que levei para colocar o ponto final nessa história.
 A todos, meu muito obrigado. Que esse romance consiga publicação e que outros muitos venham.