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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salve, São Jorge Guerreiro!

"Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me exerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não o alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem."

Assim diz  um trecho da oração dedicada ao santo guerreiro tão venerado no Brasil, principalmente pelas pessoas mais simples. Santo Católico, mártir do cristianismo, ele parece não ter muito cartaz nas igrejas e o seu feriado hoje, como sabemos, é fruto de projeto de um vereador. Não sei ao certo se ele é católico. Provávelmente deve ser um católico-umbandista como existem milhares e, por que não dizer, milhões.

Por conta do sincretismo, São Jorge foi (como muitos outros santos e santas da igreja católica) "adotado" pela Umbanda que o tem, aqui no Rio de Janeiro, como o Orixá Ogum. Também ele (Ogum), um guerreiro destemido.  Por essa razão, no imaginário do povo, São Jorge é Ogum e Ogum é São Jorge. Creio que para muitos essa confusão nunca mais se desfará, pois tratou-se (e trata) de um daqueles encontros felizes que parece terem nascido assim. Não dá mais para imaginar São Jorge fora da Umbanda, mesmo sabendo que a sua história seja bem outra.

 O santo católico que conhecemos tem uma história bem marcada pela sua firme adesão a Jesus. Por essa razão ele enfrentou o imperador Dioclésiano e foi capaz de suportar as mais duras torturas sem, em nenhum momento, negar a sua fé. No fim, em nome de sua fé, foi decapitado a mando do imperador romando. Dizem que até um dragão ele foi capaz de enfrentar e com isso cristianizou uma cidade inteira de uma vez. 

Os puristas dirão que um santo com esse perfil não se bandearia para a Umbanda ou qualquer outra religião. Talvez isso seja verdade. Mas também podemos crer que a sua presença na Umbanda seja um motivo para reforçar o lado cristão dessa religião nascida dos negros, muitos deles já um tanto convertidos ao cristianismo, e que não conseguiam esquecer suas raízes africanas.  Vendo por esse lado, podemos dizer que o exemplo de fé desse homem/santo ainda consegue converter corações para Jesus Cristo como fez durante a sua vida na terra.

 É bem verdade que os padres (dizemos padres para falar Igreja Católica) torcem o nariz para os membros do culto umbandista que nesse dia 23 de abril lotam as igrejas do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. Pena que aqui no Rio de Janeiro haja tão poucas igrejas dedicadas ao santo. Eu conheço apenas uma na região da Central do Brasil. Independente disso, os terreiros de Umbanda estão todos abertos para o homenagear o santo guerreiro.

 Salve, São Jorge Guerreiro!