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domingo, 3 de julho de 2011

Eu e a Bíblia Sagrada

     Acabo de, pela primeira vez na vida, ler a Bíblia integralmente. E, para mim, é um grande feito, pois sempre desejei fazer isso, mas nunca achava o momento certo de começar. Achava que ler a Bíblia era coisa de fanático ou mesmo uma empreitada tão difícil que nem ousava me arriscar. Lembro-me de que uma vez cheguei a ler os quatro evangelhos, mas eu estava num momento muito conturbado de minha vida e o efeito não foi dos melhores. Com isso, acabei dando razão àquela impressão que eu tinha de que era um livro para exegetas e não para alguém que, como eu, estava procurando apenas conhecer aquilo no qual fundamenta a sua fé, sem grandes vôos ou mesmo questões muito filosóficas.
     O tempo foi passando e eu sempre me cobrando. Foi quando, no início desse ano, resolvi enfrentar o fantasma do 'livro difícil e incompreensível para um leigo" e com toda coragem do mundo a abri no primeiro livro:  Génesis. Inicialmente minha intenção era apenas ler os primeiros cinco livros que são, além de Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Não pensava em passar deles, mas, confesso, que fui sendo conquistado a cada página. A Bíblia, além de um livro sagrado, é um registo muito importante da história da humanidade nos seus, digamos, primórdios. Só esse fato por si, torna a leitura apaixonante e, muito diferente do que eu pensava: uma leitura intediante e difícil.
     Ter contato com seus personagens, pessoas como Abraão, Isaque, Esaú, Jacó e seus doze filhos (que deram origem às doze tribos de Israel), Moisés, Araão, Josué, Samuel, Rute, Davi, Salomão, a rainha de Sabá, Ester e todos os profetas é uma experiência que não dá para descrever. Até mesmo o estranhamento de ver que Deus parecia preferir o povo hebreu em detrimento dos outros povos que O negavam, é desfeita no novo testamento em que encontramos a generosidade desse Deus ao mandar seu filho Jesus para anunciar que Ele era o Pai de todos e não de uns poucos escolhidos.
    Poderia ficar falando (escrevendo) sem parar das impressões que tive ao conhecer as páginas desse livro maior. Sei que para muitos de vocês essa minha confissão é uma vergonha. Muitos de vocês já devem tê-la lido de ponta a ponta muitas vezes, e continuam lendo e estão perplexos. Muito bem, mas devo confessar também que sou de formação católica e que os católicos não tem (pelo menos, não tinham) o hábito de ler a Bíblia. Isso fez com que eu não tivesse, desde cedo, uma grande intimidade com o livro sagrado. Talvez essa, ainda seja, uma das deficiências da igreja católica ao não estimular seus fiéis na leitura e conhecimento da Bíblia. Creio, e eu posso testemunhar, que isso está mudando. Mas ainda é uma mudança tímida. Não só católicos, mas todos deveriam ler a Bíblia ainda que fosse apenas como fonte de conhecimento e informação.
    Muitos não aconselham a leitura da Bíblia nos moldes que eu fiz, ou seja, uma leitura mais cultural e menos espiritual. Também concordo. Só que quando o espiritual vem através do conhecimento, talvez seja mais eficaz e duradouro seu efeito. Porém, seja como for, ler a Bíblia é uma experiência fantástica. Agora, quando o Padre na missa ou qualquer outra pessoa faz uma citação de alguma passagem da Bíblia, eu sei do que ele está falando.