Já houve um tempo em que se podia confiar na espontaneidade das pessoas e mesmo dos acontecimentos em geral. Quando as coisas aconteciam, tinha-se a impressão de que elas se deram de maneira natural e espontânea, sem a interferência de quem ou do que quer que fosse. Os religiosos costumavam classificar os acontecimentos como 'vontade de Deus' e assim a vida seguia seu curso.
Depois do advento da internet, essa espontaneidade parece ter perdido espaço para artificialidade, dificultando saber quando estamos diante de fatos e acontecimentos considerados normais e naturais e quando estamos diante de puras ilações, mentiras deslavadas, hoje conhecidas mundialmente como 'fake news'.
O estrago é bem grande e atinge todos os segmentos de nossa sociedade, desde os relacionamentos pessoais até o que diz respeito à política, economia, religião, ciências, os costumes e tudo o mais que engloba a vida de todos os habitantes da Terra. Passamos a ter de nos preocupar, quase em tempo integral, em separar 'o joio do trigo', o verdadeiro do falso, o que só aumenta a desconfiança e o medo de estar, o tempo todo, sendo enganado.
É sob este signo que temos vivido ultimamente. Fala-se muito em geral, sobretudo que a 'terceira guerra mundial' pode eclodir a qualquer momento, mas esquecem que já vivemos a pior guerra que podemos enfrentar, que é a guerra da informação, a guerra invisível. Principalmente, quando lidamos com a internet (nos últimos tempos, se tornou impossível viver sem o seu uso), nunca se sabe quando estamos lidando exatamente com quem acreditamos estar lidando.
O perigo de ser vítima de golpes nunca foi tão grande. A cada momento, podemos ser enganados através dos mais diferentes (e prosaicos) meios. Numa ação simples, numa mensagem corriqueira, num simples telefonema, não se tem mais paz, nem podemos mais usar daquilo que tínhamos de mais precioso em nós, que era a nossa espontaneidade, nossa capacidade (e direito) de sermos nós mesmos.
Bom domingo e excelente semana.
Esperança, fé, amor, paz, caridade e GRATIDÃO.