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terça-feira, 26 de julho de 2011

Território demarcado.

     É sabido que a disputa de território é um hábito próprio dos animais selvagens. Através de atitudes, em muitos casos não muito convencionais, eles marcam o espaço conquistado e não permitem que outro animal se aproxime ou tente tirar aquilo que julga ser seu por direito. Caso algum animal resolva invadir o espaço do outro já sabe que a briga será grande e o resultado imprevisível. Até aí na demais, não é? Afinal, e isso também é do conhecimento de todos, sobreviver na selva nunca foi algo muito fácil.
    Mas aqui na nossa selva (alguns dizem que é de pedra)  onde sobreviver não é menos difícil, nós os seres humanos costumamos ter nossas formas, algumas bastante sutís, outras nem tanto, de demarcação de espaço. Seja na política, no trabalho, na religião, na marginalidade (essa então nem se fala, é selva em estado bruto), na vida social ou onde quer que você chegue os lugares sempre estão tomados. Através de uma espécie de acordo de cavalheiros (acordo de damas, no caso das mulheres) os espaços são divididos e não queira adentrá-los sem ser convidado ou mesmo pagar o pedágio exigido que a coisa fica feia. Você terá que, no mínimo, enfrentar a ira dos donos do pedaço:
- Esse lugar é meu, ninguém tasca. Cheguei primeiro. - gritará o "assaltado".
Você pode usar o argumento que quiser. Não tem jeito. As portas estão fechadas e a saída é se conformar. Na pior das hipóteses você pode comprar uma briga daquelas e, não se esqueça, correr o risco de sair contundindo e sem nada conseguir. O paredão que se cria em torno da coisa conquistada é intransponível para amadores e marinheiros de primeira viagem. Coisa de profissional bem qualificado, entende?
    Sabe aquela coisa?: "aqui só se entra com convite ou por indicação." Esta é a lei da "selva". São esses os territórios demarcados pelos "animais" e onde eles se sentem protegidos, certos de que são o máximo e que pairam acima de todos aqueles que não têm o privilégio de desfrutar de sua "amizade" e "inestimável companhia'.
   Todos exibem suas conquistas, seus troféus conseguidos em batalhas onde a principal arma usada foi a deslealdade. Mas isso não importa, não é? O que vale é chegar no topo da montanha e fincar a sua bandeira e na falta de uma bandeira vale qualquer pedaço de pano velho. O que não se pode é perder a chance de mostrar para todos que se está no topo, que chegou primeiro e depois... Bem, depois fica todo mundo com aquela cara de paisagem (isso para não dizer outra coisa), sem saber direito onde está e qual o papel que  representa nessa ópera bufa.