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sábado, 19 de novembro de 2011

Fechado para reforma.

   
  Outro dia, numa daquelas conversas que saem do nada para chegar a lugar algum (mas que acabam provocando uma indigestão de ideias e pensamentos), estava falando com alguns conhecidos a respeito do uso do corpo, a forma pela qual cada um de nós faz uso do seu corpo e  que tipo de relação nós estabelecemos com este que alguns preferem chamar de "a vestimenta do espírito", mas que para muitos outros não passa de algo sem muita importância ou mesmo um veiculo que podemos usar a nosso bel prazer.
   A conserva versava, entre outras coisas, sobre as transformações tais como colocação de botox,  cilicone, mudança de sexo, operações plásticas, mudanças faciais, tatuagens, piercings e tantas outras alterações que as pessoas costumam fazer em seus corpos. Até aí, nada de mais, não é? A pessoa não gosta de seu nariz e resolve aumentá-lo ou diminuir o seu tamanho e então procura um médico que faz a operação. Satisfeita ou não, a pessoa sai do consultório médico ostentando um novo nariz. Parece simples, não?
    Pelos avanços da medicina, parece mais simples ainda. Basta ter dinheiro e encontrar um médico disposto a tais procedimentos e a pessoa ( basta, para citar um exemplo, lembrar Michael Jackson) tem seus desejos de uma nova aparência concretizados. O mesmo se pode dizer das tatuagens, dos piercings, das roupas, sapatos. Para os cabelos existem tintas e perucas de todas as cores. Tem também os óculos que, além de fazerem enxergar melhor, tem outro ojetivo de embelezar ou proteger (também esconder) os olhos. Sem esquecer das lentes que podem, entre outras coisas, mudar a cor dos olhos.
    Tudo para satisfazer a grande legião de insatisfeitos que existe por aí: uns querem engordar (parece incrível, mas na adolescência tive um amigo que comia desesperadamente tentando engordar, porque se achava magro demais), outros querem emagrecer, crescer, diminuir a estatura, ser louro, moreno, parecer mais velho, parecer mais novo, ter boca grande, boca pequena, barriga tanquinho, bracinho, bração, perna fina, perna grossa e a mão então?  Não é pequena a lista do: "ah, se eu pudesse (e se meu dinheiro desse) eu mudaria". Há quem diga que seria capaz de mudar tudo. No caso de uma reforma, não ficaria pedra sobre pedra.
    Apesar das controvérsias, nossa sociedade (nós) aprendeu a achar natural as pessoas saírem por aí fazendo reformas em sua "casa". Ninguém fica mais escandalizado ao ver uma mudança de sexo, se alguém era gordo e agora está mais magro que uma top model, o fraquinho que se transformou no fortão da turma, a que era morena e ficou loura ou vice versa. Tem gente que muda ao sabor da moda. O negócio, parece, é surpreender. E o pobre do corpo tem que resistir a todas essas investidas. Algumas, convenhamos, irreversiveis.  Aí eu, cá do meu canto, fico me perguntando: "será que isso é mesmo normal?"
"Não recebemos esse corpo com o compromisso de cuidar dele, para depois devolver "em bom estado de conservação?" "Como ficam todas essas transformações diante de um possível Criador?"
    Antes que você responda, eu vou logo dizendo o motivo de tanta indagação: é que fico preocupado com tanta insatisfação. Ninguém mais quer saber de se aceitar como é, sentir o sabor de ser diferente. Todos querem ser produtos fabricados em série: tudo com a mesma cara, cor, cabelo, roupa e até a cor dos olhos é a mesma. Todos querem seguir um modelo ditado (ou imposto) por alguém que ninguém sabe ao certo quem é. Só falta todos nós atendermos pelo mesmo nome. Aí, creio, teremos chegado ao fim da linha.