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março 27, 2010

Autoindulgência

Oi, gente! Estou um pouco sumido, né? Não foi por falta de assunto. Afinal, nesse nosso mundo louco, as coisas não param de acontecer. Hoje quero falar sobre indulgência, que é a capacidade de perdoar. Mais precisamente quero falar da autoindulgência, essa capacidade que temos para perdoar os nossos próprios erros e falhas. Até aí, creio, nada demais. Penso que temos mesmo que perdoar os nossos próprios erros sempre que isso significar uma retomada de caminho, um repensar na vida, nas nossas atitudes:  "erramos sim, mas estamos dispostos a aprender com o erro e nos emendar." Porém, não é isso o que acontece na maioria das vezes. Estamos sempre prontos a perdoar os nossos erros, mas quanto aos erros dos outros... Bem, com os outros agimos como verdadeiros juizes, sempre prontos a imputar a pena máxima aos nossos pobres julgados. Ai de quem tenha a infelicidade errar perto de nós. E se o erro for cometido contra nós? Aí, não tem jeito mesmo. Vamos logo para os tribumais querendo ver o erro ser punido. Não precisa ser uma falta muito grave. Basta um encontrão no meio da rua, um bom dia não respondido, um pedido não atendido, um atraso, enfim, qualquer coisa. Somos implacáveis. Carrascos mesmo. Já quanto a nós mesmos, queremos sempre ter a compreensão de todos, a ajuda de todos, o amor e solidariedade do mundo inteiro. Somos verdadeiramente autoindulgentes. Nada mais justo. Até porque aquele tempo de bater a mão contra o peito e afimar "minha culpa, minha máxima culpa" já passou. A própria igreja católica já não estimula muito essa visão de eternos culpados, eternos condenados ao fogo do inferno. Na verdade precisamos ser amados, perdoados, compreendidos, ajudados. Só que o contrário é mais justo ainda. Na medida que pedimos perdão, temos também que perdoar. A lei é a mesma para todos. Então, que tal em vez de só perdoarmos a nós mesmos, perdoar os outros da mesma forma? A autoindulgência é, muitas vezes, um tipo de egoismo: aqueles que querem tudo de bom para sí e nada para os outros. Que tal pensarmos no assunto? Boa sorte!

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