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domingo, 7 de abril de 2013

Só a vida ensina - Capítulo 7

No capítulo 7, mais da vida errante de Joel.

SÓ A VIDA ENSINA
Capítulo 7


CENA 1 - INTERIOR/NOITE - CASA DE VERINHA - QUARTO
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA 10 DO CAPÍTULO 6
JOEL E VERINHA AINDA ESTÃO NA CAMA. VERINHA PERMANECE CALADA.

JOEL – Eu lhe fiz uma pergunta.

VERINHA – Preferia não falar sobre isso, Joel.

JOEL – Por quê?... (TOM) A gente está junto há tanto tempo... E depois, você sempre quis casar, não quis?

VERINHA – Sempre quis, Joel. (TEMPO) Mas não desse jeito.

JOEL – Desse jeito, como?

VERINHA – Assim, correndo. Parece que está tirando o pai forca. Assim, eu não quero. (SONHADORA) Casamento, pra mim, é com igreja, padre, convidados, festa. (TOM) Você só quer casar agora porque está sem lugar para morar.

JOEL – O quê?

VERINHA – É isso mesmo, Joel. Você vem com esse jeitinho de apaixonado, mas o que você quer é um lugar para morar. Pensa que eu não sei? (TOM) Vê se te orienta, Joel. Não sou mulher de sustentar homem.

CORTA PARA:

CENA 2 - EXTERIOR/DIA - BANCO DE PRAÇA
JOEL E FÁBIO ESTÃO SENTADOS.

JOEL – Ela disse que não quer se casar comigo, Fábio.

FÁBIO – Ela falou assim, na lata?

JOEL – Com todas as letras. Só faltou me chamar de vagabundo. Disse que eu só quero me casar com ela porque estou sem ter onde morar. Vê se pode?

FÁBIO – Vamos ser sinceros, Joel. No fundo é isso mesmo, não é? Fala a verdade. Depois de enrolar a pobre da Verinha por tanto tempo, você aparece com essa história de casamento e justo no momento em que você tá... (TOM) Ela percebeu, Joel. A Verinha é apaixonada, mas não é burra.

JOEL – É...  Acho que você tem razão. Eu sempre abusei da boa vontade dela. Ela sempre ali, apaixonada, perdoando cada deslize meu. E eu sempre aprontando.

FÁBIO – Foi por isso que eu tratei de me sossegar com a Marluce. Vida de solteiro é boa, mas de casado pode ser melhor. (TOM) Marluce é uma companheira e tanto.

JOEL  – Falou, o apaixonado.

FÁBIO – E tô mesmo. (TOM) E você devia fazer o mesmo com a Verinha.

JOEL – Mas ela não me quer.

FÁBIO – Quer sim, homem. A Verinha é louca por você. Conversa com ela direito. Prova pra ela que você tá mudado.

JOEL – (RESOLVIDO) É isso mesmo que eu vou fazer.

CORTA PARA:

CENA 3 - EXTERNA/NOITE. - PORTA DA CASA DE VERINHA
JOEL ESTÁ PARADO NA PORTA, VERINHA CHEGA VINDO DO TRABALHO.

VERINHA – O que você está fazendo aqui, Joel? Não disse que não quero saber de você aqui? Minha casa não é nem pensão, nem hotel. Pode dar o fora.

JOEL – Não fala assim, Verinha. Vamos conversar. (TOM) Eu sei que sempre aprontei com você, que fui um canalha. Mas eu mudei, meu amor. Só agora caí em mim e vi a mulher maravilhosa que você é. Me dá uma chance, umazinha só.

VERINHA – (NERVOSA) Para com essa conversa, Joel. Daqui a pouco os vizinhos vão reclamar.

JOEL – Então, vamos conversar lá dentro.

VERINHA – Já disse que não. Vai embora, Joel. (TOM) Cansei de fazer papel de trouxa. Vai enrolar outra, tá?

VERINHA ENTRA E BATE A PORTA NA CARA DE JOEL. ELE FICA ALÍ UM TEMPO E DEPOIS VAI EMBORA.

CORTA PARA:

CENA 4 - EXTERNA/DIA - PORTA DO SALÃO DE BELEZA ONDE VERINHA TRABALHA
JOEL ESTÁ COMPLETAMENTE BÊBADO.

JOEL – (GRITANDO) Verinha, meu amor. Casa comigo. Eu te amo, Verinha. Você é o amor da minha vida. Sem você eu não posso viver. Sem você, eu prefiro morrer. Eu vou morrer, Verinha. Eu estou morrendo de amor por você. Vem me salvar, Verinha.

VERINHA – (APARECENDO NA PORTA DO SALÃO) Que escândalo é esse, Joel? Está querendo que eu perca o meu emprego? Dona Damares não gosta desse tipo de coisa. Vai embora daqui.

JOEL – Só se você aceitar se casar com comigo. (TEMPO) Promete que casa comigo?

VERINHA – Você está bêbado, Joel.

JOEL – Promete?

VERINHA – Vai embora, Joel. Eu vou acabar perdendo o meu emprego.

JOEL – Promete que casa comigo. Promete que vai me dar uma chance de provar o meu amor por você.

VERINHA – (PERDENDO A PACIÊNCIA) Vai procurar sua turma, Joel.

VERINHA ENTRA NO SALÃO E JOEL FICA POR ALI, SOB OLHARES DE CURIOSOS.

CORTA PARA:

CENA 5 - INTERNA/NOITE.  - CASA DE VERINHA - QUARTO
VERINHA ENTRA NO QUATRO, ACENDE A LUZ E LEVA UM SUSTO. JOEL ESTÁ DORMINDO EM SUA CAMA.

VERINHA – (ACORDANDO JOEL) O que significa isso?

JOEL – Me deixa dormir.

VERINHA – Acorda, Joel.

JOEL – (ACORDANDO) Oi, amor. Você chegou?

VERINHA – Como foi que você entrou aqui, Joel?

JOEL – Esqueceu que você me deu uma chave?

VERINHA – Nem me lembrava mais disso. (TOM) Me devolve essa chave, Joel. Eu não quero a chave da minha casa com você.

JOEL – Entenda de uma vez por todas, Verinha: nós nascemos um para o outro.

VERINHA – Entenda de uma vez por todas, você. (GRITA) Eu não te quaro na minha casa, nem na minha vida. Some de uma vez por todas, coisa ruim.

JOEL – (VENDO O ESTADO DE VERINHA) Está bem. (LEVANTANDO PARA SAIR) Eu saio.

VERINHA – (COM A MÃO ESTENDIDA) A chave.

JOEL TIRA DO BOLSO DA CALÇA UMA CHAVE E ENTREGA-A A VERINHA E SAI. VERINHA SENTA NA CAMA E CHORA.

CORTA PARA:

CENA 6 - EXTERNA/NOITE - UMA RUA QUALQUER
JOEL ANDA MEIO SEM RUMO, DE REPENTE DÁ UM ESBARRÃO EM ALGUÉM. É FÁBIO.

JOEL – Não presta atenção por onde anda?

FÁBIO – Qual é, meu? Você é que não olha.

OS DOIS SE RECONHECEM.

FÁBIO – Joel?

JOEL – Só podia ser você.

FÁBIO – O que você está fazendo por aqui?

JOEL – Andando sem rumo.

FÁBIO – O quê?

CORTA PARA:

CENA 7 - INTERNA/NOITE. - UM BAR QUALQUER
JOEL E FÁBIO CHEGAM E SENTAM.

FÁBIO – Fala aí. O que está acontecendo?

JOEL – A Verinha... (TOM) Ela não quer nada comigo. Me expulsou da casa dela.

FÁBIO – O que você andou aprontando?

JOEL – Nada. Apenas pedi que ela se casasse comigo.

FÁBIO – Ainda essa história? (TEMPO) Você precisa tomar jeito, Joel. Arrumar um emprego. Mostrar que está disposto a viver como um homem sério. Só assim a Verinha vai acreditar em você. Não se esqueça que você aprontou muito com ela.

JOEL – (TRISTE) Eu perdi a única mulher que podia me fazer feliz. A Verinha é tudo pra mim. (TOM) Mas vamos beber uma que assim a vida melhora.

FÁBIO – Para com essa bebedeira, Joel. Sei de muita gente que começou assim como você, bebendo para afogar as mágoas e virou mendigo.

JOEL – Vira essa boa pra lá, agourento.

CORTA PARA:

CENA 8 - EXTERNA/DIA - PORTA DE UMA HOSPEDARIA NO CENTRO DA CIDADE
JOEL VEM CAMBALEANDO PELA RUA E ENTRA NUMA
HOSPEDARIA. É UMA HOSPEDARIA BEM SIMPLES E POBRE.

DETALHE DA PLACA NA PORTA DA HOSPEDARIA:

- “ALUGAM-SE QUARTOS PARA RAPAZES SOLTEIROS”.

CORTA PARA:

CENA 9 - EXTERNA/DIA - PORTA DO SALÃO ONDE VERINHA TRABALHA
VERINHA E FÁBIO CONVERSAM.

FÁBIO – Desculpa ter vindo te procurar no seu emprego. (TOM) Eu ando muito preocupado com o Joel. Desde que você disse não ao pedido de casamento dele, ele não faz outra coisa senão beber.

VERINHA – O Joel sempre bebeu e vai continuar bebendo. (TEMPO) Eu não posso me casar com ele só pra resolver os problemas dele. E eu?

FÁBIO – Eu entendo o seu lado, mas dá uma chance pra ele. Quem sabe o que ele precisa é de um apoio. Antes tinha a mãe dele, dona Margarida. Ela controlava um pouco. Mas ela foi morar com a outra filha.

VERINHA – E tudo, por quê? (TOM) Por causa da irresponsabilidade dele. (TEMPO) Ele só quer ficar comigo agora, por que não tem onde morar. Tudo o que ele quer é um canto para morar e comida na mesa. (TOM) Eu tomei uma decisão...

FÁBIO – O quê?

VERINHA – Decidi voltar pra minha terra, lá no nordeste.

CORTA PARA:

CENA 10 - INTERNA/DIA - QUARTO DE HOSPEDARIA
QUARTO PEQUENO E ESCURO.
FÁBIO ENTRA NO QUATRO ACOMPANHADO DE UM HOMEM.

HOMEM – O homem que você está procurando é esse aí?

FÁBIO VÊ JOEL CAÍDO NUMA CAMA SUJA, DORMINDO, COMPLETAMENTE BÊBEDO.

FÁBIO – (HORRORIZADO) Meu Deus!

CORTA PARA:
FIM DO CAPÍTULO




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